Nascente 1037

 



 

 

Editorial

Greve por nós, greve por todos

Mesmo com larga experiência política, e mesmo com uma organização sindical das mais expressivas do País, a categoria petroleira ainda abriga eventualmente quem, mesmo que de boa fé, não compreenda a razão de um envolvimento tão grande de uma entidade como o Sindipetro-NF, ou da FUP, nas lutas mais amplas da classe trabalhadora ou, de modo mais específico, da defesa da liberdade para o ex-presidente Lula.
As razões para esta dúvida, por vezes até desconfiança, são muitas, mas a principal delas é a nossa imersão em uma cultura individualista, que opera pela lógica do cliente, onde uma entidade sindical pode ser vista como uma espécie de escritório de defesa dos interesses imediatos dos seus associados. A imprensa ajuda a naturalizar essa ideia o tempo todo.
Repare só nos noticiários: é comum encontrarmos nos telejornais e nas notícias em outros veículos de comunicação a informação de que representantes da Fiesp, ou da Firjan, ou do Agronegócio, estiveram reunidos com ministros, presidentes, governadores, para discutir políticas econômicas, assuntos de grande abrangência que impactam todos os brasileiros.
Se eles, que são meia dúzia, ser arvoram ao direito de falar em nome da população, muito maior direito têm os sindicatos, que representam milhares de trabalhadores. E note ainda que, no caso deles, quase sempre o que há é uma conversa entre iguais, com o Estado afinado ideologicamente com a defesa dos interesses empresariais, enquanto os trabalhadores são vistos como antagonistas.
Não nos iludamos. Não há tema específico que não esteja relacionado a grandes políticas. A história recente do País prova isso. O Brasil só avançou no combate à miséria, valorizou a Petrobrás e gerou milhões de empregos quando um operário chegou lá. E queremos essa política de volta.
Para isso, toda atuação é legítima e conectada às pautas mais imediatas da categoria. Lutar por Lula Livre é sinalizar para a sociedade o tipo de País que queremos, com o setor petróleo gerando riquezas para investimentos sociais, com soberania preservada, com trabalhadores respeitados e valorizados, com a Petrobrás afastada da sanha privatista, com o retorno da erradicação da fome.
Não há razão maior para greve do que essa. E nós vamos fazê-la.

 

Espaço aberto

Lula sairá ainda maior da prisão

Vitor Menezes**

A grandeza de Lula está em ter mantido a rudeza de um trabalhador comum, mesmo tendo frequentado alguns dos maiores palácios do mundo. Isso permite que ele saiba exatamente que espécie de confusão pode estar passando pela cabeça do povo humilde nesse momento, e que espécie de sentimento ainda cala num canto angustiado do seu peito.
A cena de militantes pressionando as grades do portão do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo, impedindo a saída do carro que levaria Lula até a custódia da polícia, é altamente simbólica: os militantes sabiam da militância, e estavam genuinamente convictos do que seriam capazes de fazer, mas o ex-presidente sabia do porteiro, do motorista de ônibus, do metalúrgico que ele já foi, daqueles e daquelas que formam a maioria que sequer se veem representados por sindicatos.
É possível que essa alma brasileira precise, em algum momento, ser sacudida por um processo revolucionário, por uma guerra civil, para que se posicione definitivamente acerca das mazelas seculares que o aprisionam e fazem desse país esse contraste agudo entre ilhas de riqueza em um oceano de desigualdade. Mas, com a responsabilidade histórica que adquiriu, não será Lula a liderar esse momento. Ele nunca se propôs a isso.
Restava o que restou: extrair da situação o máximo de força de mensagem, tanto verbal quanto imagética, não faltando nem mesmo outro fator muito caro ao brasileiro: o aspecto religioso. O último almoço com os familiares, a missa em memória de Dona Marisa, a condução pelos braços da militância — na foto que correu o mundo — guardam tantos paralelos com referências profundas de espiritualidade e de significação histórica que, certamente, ainda serão objeto de muitos estudos. Lula conseguirá sair ainda maior dessa prisão.

* Editado em razão de espaço. Íntegra publicada originalmente no Blog do Sócio da Carta Capital, em bit.ly/2HrNQi9.
** Jornalista do Departamento de Comunicação do Sindipetro-NF.

 

Insegurança no trabalho

Lembrança, luta e homenagens

Dia em Memória das Vítimas de Acidentes no Trabalho é neste sábado, em meio a novos casos

Neste sábado, 28, o Dia Mundial em Memória das Vítimas de Acidentes do Trabalho promove uma reflexão global acerca de uma das maiores causas de mortes entre os trabalhadores e trabalhadoras. Na Bacia de Campos, este continua a ser um problema crônico, que todos os anos causa perdas de vidas e mutilações. Somente em 2018, o site do Sindipetro-NF registrou 18 notícias, até a tarde de ontem, relacionadas a acidentes ou pendências de segurança na região.
O sindicato marca a semana com a priorização do tema da segurança nas conversas com os trabalhadores nas setoriais. As sedes da entidade e as bases da Petrobrás também foram identificadas com faixas que fazem referência ao 28 de Abril. Nos últimos dias, dois graves casos na região poderiam ter se tornado tragédias.
Na segunda, 23, uma coluna de riser e BOP (Blow out preventer) desceu de modo descontrolado, durante operação em um dos poços do navio sonda SS-75, contratado da Brasdril, na Bacia de Campos. As primeiras informações foram de que teria havido uma falha no sistema de frenagem do guincho que descia os equipamentos. O freio de emergência foi acionado, mas não suportou o peso do conjunto. Não houve feridos.
Raio atinge plataforma
Ainda na última na segunda, um raio atingiu, por volta das 18h, o vent post da plataforma P-37, na Bacia de Campos. A instalação é responsável por destinar o gás residual dos tanques de carga para a atmosfera. O raio provocou uma chama, que foi debelada após duas horas de intensa atuação da brigada de emergência — que enfrentou dificuldade em razão da altura da linha. Também não houve feridos. O sindicato questiona se há alguma falha no sistema de para-raios, ou até mesmo inexistência do equipamento na unidade.

 

Petros

Desconto suspenso para RO

Depois de ter conquistado liminares que garantiram a suspensão dos descontos do equacionamento do Plano Petros 1 para filiados nos municípios do Rio de Janeiro e Macaé, o Sindipetro-NF conquistou, ontem, nova liminar, dessa vez abrangendo os filiados residentes no município de Rio das Ostras. O sindicato também entrou com pedidos de liminar para garantir a mesma conquista para os filiados que moram em Campos dos Goytacazes em em outros municípios.
“É importante ratificar que essa e outras conquistas jurídicas só terão utilidade no longo prazo se forem acompanhadas de mobilização e participação pela categoria. Destacamos que a luta para aumento da abrangência pra todos os filiados continua na ação principal e, paralelamente, da mesma forma das liminares conquistadas no município do Rio de Janeiro, em Macaé e Rio das Ostras, temos em curso a ação de Campos e outras de municípios de representa-tividade para os filiados estão em desenvolvimento”, explica o Departamento Jurídico da entidade.

 

Dia do trabalhador

Com o dedo ferida

Evento com Silvio Tendler na próxima quarta no NF

O Dia do Trabalhador (e da trabalhadora) será marcado pelo Sindipetro-NF com a realização de evento com a presença do cineasta Silvio Tendler, na sede do sindicato em Macaé, na próxima quarta, 2, às 19h, com entrada gratuita e aberta ao público. Após a exibição do seu filme “Dedo na Ferida”, Tendler debaterá com a plateia sobre a obra e a conjuntura de ataques aos direitos sociais no Brasil e no mundo.
"Dedo na Ferida" discute “o fim do estado de bem-estar social e a interrupção dos sonhos de uma vida melhor para todos em um cenário onde a lógica homicida do capital financeiro inviabiliza qualquer alternativa de justiça social”, explica a sinopse.
Entre os entrevistados para o documentário estão Costa-Gavras (cineasta), Yanis Varoufakis (ex-ministro das Finanças da Grécia), Celso Amorim (ex-ministro das Relações Exteriores do Brasil). Maria José Fariñas Dulce (Universidade Carlos III, Espanha) e Boaventura de Souza Santos (Universidade de Coimbra). Eles abordam temas como o fim dos direitos sociais, o desemprego, o mercado e o consumo.


GRANDE ATO HOJE NO RIO RUMO A GREVE

Categoria mobilizada quer impedir avanço das privatizações, desmonte da Petrobrás e corte de direitos. Petroleiros e petroleiras também se somam ao grito nacional por justiça, democracia e liberdade para o ex-presidente Lula

Centenas de petroleiros e petroleiras, estudantes e militantes sociais de outras categorias do Norte Fluminense seguem hoje para o Rio, em caravanas organizadas pelo Sindipetro-NF e por outras entidades, para promoverem grande ato pela Soperania e pela Democracia. O evento será a partir das 11h, na Avenida Rio Branco, com concentração no Metrô da Carioca.
Organizado pela FUP, Centrais Sindicais e pela Frente Brasil Popular, o ato vai chamar a atenção da sociedade para a desintegração da Petrobrás, em um cenário de avanço da entrega das empresas estatais e de cortes de direitos sociais. Para hoje está prevista assembleia dos acionistas da Petrobrás, que deve oficializar a nomeação de um ex-diretor da Shell para o Conselho de Administração da companhia. O protesto também vai denunciar a prisão política do ex-presidente Lula e exigir a sua libertação.
Mobilização crescente
A mobilização acontece em meio à expectativa para dois grandes momentos: a realização, pela primeira vez, de um Ato Unificado do Dia do Trabalhador, em Curitiba, no próprio 1º de Maio, e a deflagração de uma greve nacional da categoria petroleira, a ter indicativo avaliado em assembleias em maio.
O anúncio recente de privatização das refinarias, dutos e terminais feito no último dia 19 só fez aumentar a disposição de luta da categoria petroleira. Nas unidades que estão na lista de privatização anunciada por Pedro Parente, os trabalhadores estão indignados e a reação já começou, com atrasos e paralisações no início do expediente. Nos terminais da Transpetro, que também estão na lista de privatização, houve mobilizações em várias unidades do país, bem como em outras refinarias e demais unidades do Sistema Petrobrás, onde os trabalhadores estão reafirmando que essa é uma luta de toda a categoria e que não há salvação individual.
Rumo à greve
Entre os dias 30 de abril e 12 de maio, os sindicatos realizam assembleias para que a categoria petroleira se posicione sobre o indicativo de aprovação de uma greve nacional por tempo indeterminado, com data a ser definida pela direção da FUP. O indicativo foi definido durante o Conselho Deliberativo realizado no dia 12 de abril, em Curitiba. Só com uma reação contundente e coletiva, os petroleiros conseguirão estancar as privatizações no Sistema Petrobrás e as retiradas de direitos dos trabalhadores próprios e terceirizados.


Setor Privado

Luta reverte perseguição

Halliburton quer demitir grevistas, mas sindicato e categoria conquistam reversão das dispensas políticas

Depois de uma negociação em mesa, mediante pedido da Federação Única dos Petroleiros, e de um movimento de alerta na porta da empresa (um trancaço de duas horas), o Sindipetro-NF e a categoria petroleira conquistaram a reversão da demissão de quatro trabalhadores do histórico movimento grevista de 2017, do setor de WP da Halliburton.
O caso foi decidido pelo TRT no Rio de Janeiro, na última sexta-feria, depois de uma audiência que contou com a participação do coordenador do Departamento de Trabalhadores do Setor Petróleo Privado, Wilson Reis, e do assessor jurídico do Sindipetro-NF, Marco Aurélio Parodi.
"A desembargadora permitiu um tempo para que a empresa juntasse material para explicar as demissões e, enquanto isso, o Ministério Público sugeriu ao tribunal que os trabalhadores devem ser readmitidos pela empresa. O NF e a FUP mantém a posição de que essas demissões foram retaliações, pois, no entedimento nosso, a empresa não perdeu em atividades”, disse o diretor Wilson Reis.


TRANSPARÊNCIA

A categoria petroleira avaliou ontem, em Assembleias nas sedes do NF, as contas da entidade (balanço de 2017 e previsão orçamentária de 2018). Realizada no período da manhã, a assembleia da sede de Campos (foto) aprovou as contas do sindicato. Para o final da tarde, após o fechamento desta edição do Nascente, estava prevista a realização da assembleia da sede de Macaé. As contas do NF estão disponíveis em bit.ly/2HMQ8HU. “Num momento de grande ataque à organização sindical imposta pela Reforma Trabalhista do Governo MiShell Temer, os trabalhadores devem estar ainda mais unidos no sentido de proteger a sua entidade de classe”, destacou o sindicato na convocação para as assembleias.


Normando

Vender refinarias

É básico nas relações internacionais que o grau de dependência, de inserção subserviente de um país no grande jogo dos países centrais, está diretamente relacionado à exportação de produtos de baixo valor agregado.
A conta é simples: exportar matéria-prima, semi-transformados, e commodities, é exportar empregos e valores a serem acumulados, transferir renda da periferia para o centro.
É essa a lógica do Golpe, para o Brasil e para a Petrobrás. Tocado pelo Capital Financeiro – matéria de capa do “Valor Econômico” desta quarta aponta que o lucro dos bancos, em 18, será ainda maior do que o previsto –, a decorrente acomodação entre os interesses dos que vivem de juros e os interesses dos países centrais é bastante natural.
Não há novidade aí. Apenas mais uma manifestação da simbiose parasitária entre a classe dominante dos países centrais e a submissa e acéfala burguesia brasileira, que acredita ser tratada como igual por bem lamber as botas de quem manda, e sequer enxerga a desindustrialização.
O que há de novo é a forma, a desfaçatez, a completa falta de pudor da República dos “bundas-de-fora”, que sequer disfarça a cumplicidade entre os “gestores”, que vendem, e seus clientes e investidores, que compram. Os que tocam o desmanche industrial do Brasil integram um pequeno clube de amigos que, desavergonhados, não mais têm medo do Sol.
Mantido o desmanche – termo bem aplicado, porquanto usual na definição do destino de carros roubados –, a Petrobrás será em breve um escritório gerenciador da produção terceirizada de óleo bruto, e o Brasil transformado numa Nigéria, cada vez mais a exportar cru e a importar derivados.
E, com todo o respeito ao povo nigeriano, um país onde seja predominante uma economia primária, estará fadado à baixa institucionalidade, e a relações sociais semi-feudais.
Não há nada de acidental, nem mesmo de colateral, nesse resultado. Ele é planejado e bem urdido. Talvez apenas seus efeitos mais subjetivos – como o triste fato de se tornar moda ser escroto – sejam impensados.
Por fim, sobre a falência das instituições, é já o que ocorre, e se acentua, desde o Golpe de 16. Temer finge que governa, e apenas carimba atos, do alto de sua descartabilidade. O Congresso finge representar o povo, e prossegue em infinitas negociatas, a aprovar leis do século XIX. E o narcísico STF finge ser um tribunal, e se entrega a casuísmos inadjetiváveis.
E você finge que não tem nada a ver com isso.

Curtas

Petroleiras
Petroleiras do NF participam de amanhã a domingo, em Natal, do 6º Encontro Nacional das Mulheres Petroleiras da FUP. O evento tem como tema “A luta das Mulheres por Democracia e Direitos”, com discussões acerca da conjuntura nacional e internacional, com ênfase na retirada de direitos e nos ataques à democracia. A região será representada por 11 trabalhadoras, entre elas as diretoras Conceição de Maria, Jancileide Morgado e quatro petroleiras do setor privado que participam pela primeira vez.

NF de olho
O Sindipetro-NF está de olho nos transtornos enfrentados pelos petroleiros e petroleiras nos embarques para a Bacia de Campos. A entidade recebeu relato de que, no último dia 18, vários trabalhadores das plataformas P-54 e P-55 foram sem necessidade para o aeroporto Bartolomeu Lisandro, em Campos dos Goytacazes. Os voos haviam sido transferidos e eles não haviam sido avisados.

Debate hoje
O mandato do vereador macaense Marcelo Silvano (PT) promove hoje o debate “Mídia, Poder e Politização da Justiça”. O evento acontece às 18h, na Cidade Universitária, em Macaé. Além do próprio Marcelo, participam do debate Carol Proner (professora de Direito Internacional da UFRJ), Gerson Dudus (professor e mestre em Comunicação Social) e José Maria Rangel (coordenador da Federação Única dos Petroleiros). O evento tem entrada gratuita e aberta ao público.

Luto
O Sindipetro-NF informou, no último domingo, a morte do petroleiro Raimundo Vitoriano de Oliveira, 62 anos, aposentado da Petrobrás, que trabalhou na Bacia de Campos e morava em Fortaleza. Antigos amigos da plataforma PPG-1 destacaram o caráter e a combatividade do companheiro. A entidade manifestou as condolências aos colegas de trabalho e familiares.

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