Nascente 1043

 

 

 



 

 

Editorial

Parente deixa um aparentado

Pedro Parente caiu. E isso não é pouco no país do Golpe. Uma máxima sindical diz que sindicalista transforma até as suas vitórias em derrotas, vendo sempre os problemas a enfrentar e esquecendo-se de celebrar as conquistas. Neste caso, todos sabemos que uma vitória consistente, real, só virá com a retomada de um projeto nacional que entenda a Petrobrás como estratégica para o desenvolvimento social, mas não há de se desprezar o abalo sofrido pelos golpistas com o desgaste de Parente, corroído que já vinha pelas denúncias dos petroleiros. Agora, ele deixou um seu aliado de fé liberal, Ivan Monteiro, e a luta continua.

Como lembrou a FUP, logo após o anúncio da assunção de Monteiro à interinidade no exercício da presidência da companhia, seu perfil corresponde exatamente ao de Parente e ao exigido pelos artífices do Golpe: “empresário, banqueiro, executivo, bem relacionado com o mercado financeiro”.

“Braço direito do Deus Mercado, Monteiro foi vice-presidente de Finanças do Banco do Brasil entre 2009 e 2015. Antes de se tornar presidente interino da Petrobrás, ocupava a diretoria financeira e era o responsável pelo programa de privatização da empresa, que tem como meta vender R$ 21 bilhões em ativos até o fim deste ano”, como descrito pela Federação

Neste mesmo posicionamento, a FUP lembrou ainda que manteve-se o receituário: “Monteiro, ao aceitar a nomeação, exigiu a não interferência do governo no seu plano de política de preço atrelada ao preço internacional do petróleo. Mantendo o projeto de privatização da Petrobrás e ignorou as reivindicações do povo que é o acionista majoritário da empresa. Em seu primeiro dia de reinado, aumentou em 2,25% o preço da gasolina nas refinarias. Em um mês o combustível teve 11% de aumento, enquanto a inflação cresce 0,6%. Em dois anos de governo Temer, o gás de cozinha teve a maior alta em 15 anos. Se a política de preços da Petrobrás continuar, um botijão de gás poderá chegar aos R$100,00. Valor fora da realidade da população. Os aumentos consecutivos levaram 1,2 milhão de brasileiros a voltar a cozinhar com lenha e carvão em 2017, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)”.

A luta contra o que Parente representava segue, portanto, necessária contra o que representa, agora, este seu aparentado.

 

Espaço Aberto

Há política!

 Leonardo Ferreira*

 

Tudo, tudo na vida, é politica!

E na nossa empresa não haveria de ser diferente.

Desde quem usa a baia mais perto ou mais longe dos corredores, quem divide o camarote com quem na plataforma, quem senta do lado de quem no busão que te leva pro turno, passando por maior ou menor investimentos em diretorias, pela escolha dos diretores, da definição dos componentes do conselho administrativo e principalmente de quem preside a companhia.

É ela, a política, indo muito além da mera escolha de representantes do executivo ou legislativo, que define os rumos dessa grande nave chamada Petrobrás.

Onde e em que investir. Quanto investir. Ou o que se compra ou o que se vende, de um parafuso a um campo de petróleo.

Não há portanto como um coletivo, uma categoria, não se posicionar politicamente sobre os rumos dessa nave. Tomar partido politicamente sobre os rumos da empresa é não aceitar ser somente passageiro, mas se necessário for, tomar o leme e redirecionar as velas pra conduzir, rumo a águas tranquilas, a nossa nave!

Em tempos de golpe, de ditadura jurídico midiática, de vergonhosas decisões dos torturadores de toga contra direitos legítimos garantidos na Constituição Federal, como o direito a greve, faz-se ainda mais necessário o contundente posicionamento político enquanto categoria organizada e de vasto histórico de lutas e conquistas.

Não há portanto espaço para neutralidade.

É hora de escolher politicamente de que lado você companheiro e companheira estará nessa luta.

E se há luta, há política!

 

 14º Congrenf

Categoria unida rumo à greve

Em clima de luta contra o golpe, a 14ª edição do Congresso dos Petroleiros e das Petroleiras do Norte Fluminense (Congrenf) foi realizado da última segunda, 04, até ontem, no Teatro do Sindipetro-NF, em Macaé. Neste ano, o congresso também incluiu um Seminário de Greve, em razão de a categoria petroleira estar na iminiência da realização de uma paralisação por tempo indeterminado, já aprovada em assembleias, que terá a data marcada no Conselho Deliberativo da FUP, no próximo dia 12, em Curitiba.   

Para o coordenador geral do sindicato, Tezeu Bezerra, o tema geral do evento — "Os impactos do golpe de 2016 - Lula Livre" — já demonstra o protagonismo político dos trabalhadores. “Os petroleiros aprovaram em nível nacional, com mais de 70% de assinaturas, um manifesto contra a prisão do Lula, pela Democracia e pela soberania do País. Afinal, se não fossem os concursos e a reconstrução feitos pelo presidente Lula, muitos de nós não estaríamos aqui hoje realizando essa discussão", explicou.

A própria composição da mesa de abertura do evento mostrou a diversidade das representações que estão junto aos petroleiros na luta contra o golpe e pela defesa do Brasil. Também foi um momento para reforçar a presença das mulheres em grandes debates, já que foi notória a presença feminina tanto na mesa quanto na plenária.

Compuseram a mesa os representantes do Crea, André Barbosa; da União Nacional dos Estudantes, Júlia Aguiar; do MST, Marcelo Souza; do PSOL, Leonardo Esteves; do PT, Stephanie Zuma; do PCdoB, Ricardo Barbosa; da CTB, Fátima Maria; da CUT, Duda Queiroga; da FUP, Simão Zanardi; Da CNRQ, Chico Zé e do Sindipetro-NF, Tezeu Bezerra.

Importância da greve

Bezerra chamou a atenção para a importância das greves para a queda de Parente. "Tentaram creditar exclusivamente aos caminhoneiros a queda do Pedro Parente. Mas acreditamos que essa greve seria a jogada perfeita que não teria chegado ao gol, se não fosse a greve dos petroleiros. Se não fosse o enfrentamento que nós fizemos", destacou.

Na mesma noite da abertura foi realizada a mesa "Conjuntura: O impactos do Golpe no Brasil", composta pelo petroleiro José Maria Rangel, que licenciou-se nesta semana da coordenação geral da FUP, e pelo vereador de Macaé Marcel Silvano (PT). Eles fizeram uma avaliação do atual cenário.

Marcel abordou o golpe que o Brasil sofreu em 2016 e que vem sofrendo todos os dias desde então. O vereador também falou sobre a criminalização daqueles que estão na luta. "A prisão do Lula é uma injustiça contra todos. Trazendo para nossa realidade, vemos o retrocesso no interior. De 13 anos para cá, a Região conquistou um Instituto Federal para formar mão de obra, faculdade e universidade públicas, essas que quase fecharam as portas após o golpe. Agora, são 32 mil postos de trabalhos fechados. 15% da população desempregada. Pessoas que estavam se alimentando melhor, voltando a cozinhar a lenha", listou o parlamentar, que lamentou ainda o aumento da violência na região, consequência dessa redução na qualidade de vida, lembrando ainda a violência contra companheiros de luta como Mariele Franco.

Hora de retomar o Brasil

O petroleiro José Maria também destacou os transtornos causados pelo golpe e frisou que essa é a hora do povo retomar o Brasil. "Esse ano vai ser decisivo para nossas vidas. Ou a gente retoma o Brasil ou vamos perder o pouco que temos. Eles já estão fazendo tudo isso, através do golpe, imagina se eles são legitimados pelo voto nas urnas", questionou Zé Maria.

 

Nas ruas

Ato em terminal de ônibus de Macaé

Participantes do Congrenf se uniram à diretoria do Sindipetro-NF para realizar, na manhã de ontem, um ato no Terminal Central de Macaé, com o objetivo de conscientizar a população sobre a política de preços praticada pela Petrobras.

Foram distribuídos exemplares de um material informativo e feitos discursos e interações com os usuários do terminal. Além da falar sobre os preços dos combustíveis e do gás de cozinha, os militantes também abordaram a privatização do Pré Sal e a entrega das refinarias.

"A mídia mostra o tempo inteiro muita mentira sobre a Petrobrás e nós temos clareza de que a Petrobras tem que ser uma empresa para servir ao povo. Estamos construindo, de novo, uma grande greve, e queremos dialogar com o povo sobre a nossa luta. Explicar que privatizar faz mal ao Brasil", destacou o coordenador geral do Sindipetro-NF, Tezeu Bezerra, lembrando ainda que, hoje,  a Petrobrás está subutilizando propositalmente as suas refinarias.

 

Setor petróleo

Preços do petróleo e o Golpe de 2016

Exposições em mesa sobre o Setor do Petróleo abriram a programação de ontem do Congrenf, o último dia do congresso. O engenheiro e  professor do IFF (Instituto Federal Fluminense), Roberto Moraes, falou sobre a funcionalidade econômica da Petrobras, o ciclo de preços do Barril do petróleo e seus impactos no cotidiano de diversas atividades. O professor apresentou dados que mostram a grandiosidade da questão do Pré-Sal.

Em seguida, William Vella Nozaki, doutorando em Desenvolvimento Econômico, falou sobre a saída do agora ex-presidente da Petrobrás, Pedro Parente, e sobre o Golpe de 2016. Ele destacou como a opinião pública tem se tornado crítica e não aceitado as desculpas apresentadas pelo atual governo.

O expositor afirmou ainda que esse é um momento favorável para dialogar com a sociedade, que está sensível para entender sobre esse projeto que está sendo aplicado, além de se mostrar contrária aos resultados e disposta a buscar soluções.

 Comunicação

 Para enfrentar a grande mídia

 Um dos temas considerados estratégicos pelos movimentos sociais para a disputa de opinião na sociedade, a comunicação foi debatida durante o Congrenf. Na mesa “Democracia & Comunicação”, integrada pelo da CUT-RJ, Rafael Caliari, e pelos diretores do Sindipetro-NF, Marcelo Nunes e Alexandre Vieira, foram trocadas experiências e feitas análises sobre os desafios das entidades sindicais para furar o bloqueio do monopólio midiático no Brasil.

Embora a militância polular tenha experimentado cada vez mais acesso a plataformas de redes sociais, a disputa pela atenção, em meio a um oceano de impulsos de informações, continua a ser uma barreira a vencer, sobretudo diante do grande poder de corporações da própria internet e dos meios tradicionais.

Experiências nas mídias alternativas, como as que reúnem blogueiros progressisas, têm sido algumas das formas de manter a resistência da agenda popular, que não encontra espaço na imprensa comercial.

 

Normando

Proíba-se o conflito

Normando Rodrigues*

Participantes do Congrenf se uniram à diretoria do Sindipetro-NF para realizar, na manhã de ontem, um ato no Terminal Central de Macaé, com o objetivo de conscientizar a população sobre a políticapital, a magistratura sempre inova na repressão aos trabalhadores. E sua capacidade de constranger direitos fundamentais só é limitada por sua escassa criatividade.

Os empregados da Petrobrás lançaram-se à greve contra os preços altos da gasolina e do gás de cozinha, como forma de denunciar o deliberado desmonte do refino nacional, e a importação de derivados.

Em lugar de investigar se a Constituição era ferida pela exportação de óleo cru, renda e empregos, e importação de derivados, dívidas e desemprego, a solução fácil do Judiciário foi a de proteger Temer e Parente, em detrimento da população.

Proibiram a Greve!

A proibição é significativa. Tanto mais que se seguiu a duas semanas de omissões quanto à greve dos caminhoneiros e locaute das empresas de transporte rodoviário. Julgou-se, ainda uma vez, que era necessário ser forte com os fracos, para assim afirmar que “as instituições funcionam normalmente”, no Brasil do Golpe de Estado.

Lamento, mas não funcionam. No Brasil do Golpe, o Judiciário serve a interesses cada vez mais mesquinhos, e dia a dia rasga seus valores.

Assim, por exemplo, popularizam-se decisões judiciais que se utilizam da mesma lógica da prisão por dívidas, para reter carteiras de habilitação e passaportes. Assim, por exemplo, liminares permitem destruir centenas de casas em comunidades. Assim, por exemplo, o Conselho Nacional de Justiça... aaahhh, o CNJ... autorizou juízes a presidir audiências ostensivamente armados. Bem vindo ao Velho Oeste!

Coerência Temporal

Também do Velho Oeste é a legislação que dá direitos absolutos aos concessionários de contratos de exploração de petróleo e gás natural, e a contrarreforma trabalhista, que rasgou a “anacrônica” CLT para adotar princípios e padrões do século XIX (Não errei! É 19 mesmo!).

Considerados esses tópicos, a decisão liminar, pró Temer e Parente, que proibiu a greve, está em franca sintonia com os retrocessos. Não se trata de retroceder 20 anos, como assumiu Temer, mas de voltar no tempo mais de 120 anos.

120 anos atrás, o Judiciário primava por negar a existência do conflito social, e impor suas canetadas à realidade. Foi isso o que saiu do TST, quanto à greve dos empregados da Petrobrás.

Ocorre que a dialética entre as instituições e a realidade social é implacável. Quando o TST se reunir para julgar essa greve, a única coisa que estará em julgamento será o próprio Tribunal.

 

Denúncia

Perseguição a grevistas

Plataformas da Bacia de Campos pressionando os trabalhadores para saber quais deles fizeram a Greve de Advertência, na semana passada. A entidade alerta que esta prática é caracterizada como assédio moral e atitude antissindical, passível de denúncia aos órgãos fiscalizadores e ação judicial.

Durante o período de greve, o contrato de trabalho fica suspenso e todas as informações e negociações sobre o movimento devem ser feitas diretamente entre o sindicato e a empresa, nunca entre gerentes e trabalhadores.

Em um dos casos relatados ao NF, o gerente que fez o assédio verbalmente junto aos trabalhadores se negou a fazê-lo institucionalmente, por e-mail, em uma demonstração de que tem ciência de que está fazendo algo errado.

O sindicato mantém canal aberto para denúncias dos trabalhadores e das trabalhadoras, pelo e-mail  O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. , sobre este e outros temas do cotidiano da categoria.

 

Edital

EDITAL DE CONVOCAÇÃO

(BENEFICIÁRIOS AÇÃO Nº 0005100-28.2002.5.01.0481)

 A Diretoria Colegiada do Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense – SINDIPETRO/NF convoca todos os beneficiários da AÇÃO Nº 0005100-28.2002.5.01.0481, para assembleia a ser realizada nos dias 20/06/2018 às 18:00h, em primeira convocação, na sede do SINDIPETRO/NF, localizada a Rua Tenente Rui Lopes Ribeiro, 257 – Centro, Macaé e no dia 21/06/2018 às 18:00, em primeira convocação, na delegacia do SINDIPETRO/NF de Campos dos Goytacazes, localizada a Av. 28 de Março, 485 Centro, Campos, tendo por pauta de deliberação a forma de divisão e recebimento do objeto da ação, e as incidências de contribuições assistenciais, e de honorários advocatícios. A presença dos beneficiários é vital para a discussão de pontos sensíveis ao andamento do processo em tela.

 

Macaé, 06 de junho de 2018  - DIRETORIA COLEGIADA - SINDIPETRO/NF

 

 

Curtas

Zé se licencia

Desde segunda-feira, 04, o petroleiro Simão Zanardi Filho passou a ocupar a Coordenação Geral da FUP, em substituição a José Maria Rangel, que se licenciou do cargo para disputar as eleições de 2018 como pré-candidato a deputado federal pelo Partido dos Trabalhadores (PT/RJ). O anúncio foi feito por José Maria durante cerimônia do Congrenf. Pelo mesmo motivo, José Maria passou a estar licenciado da diretoria do Sindipetro-NF desde a mesma data.

 

Plenafup 2018

Para horário após o fechamento desta edição do Nascente estava prevista, ontem, no Congrenf, a eleição dos delegados e delegadas da região para a Plenária Nacional da FUP (Plenafup), que acontecerá no Rio, de 8 a 11 de agosto. Na próxima edição, o boletim publicará a relação dos delegados, que também estará disponível no site do NF.

 

Debate na Uenf

Coordenador licenciado da FUP e do Sindipetro-NF, José Maria Rangel será um dos expositores no workshop "Petróleo, Soberania e as implicações para o Rio de Janeiro", na próxima quarta, 13, às 18h, no Centro de Convenções da Uenf, em Campos dos Goytacazes. A atividade faz parte das comemorações do aniversário de 25 anos da universidade. Também participam o ex-presidente da Petrobrás, José Sergio Gabrielli, o professor e pesquisador da Uenf, Carlos Alberto Dias, e o prefeito de Campos, Rafael Diniz.

 

Não escapa

A FUP ingressou na segunda, 04, com Ação Civil Pública contra o ex-presidente da Petrobrás, Pedro Parente, por improbidade administrativa. A ação cobra a anulação do pagamento de US$ 600 milhões (cerca de R$ 2,2 bilhões) ao banco J.P. Morgan, como antecipação de quitação de uma dívida que só venceria em 2022. Parente é sócio do presidente do banco, José de Menezes Berenguer Neto, em claro conflito de interesses.

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