Nascente 969



 

 

Editorial

Ano ainda impõe a luta

Nem sempre a dinâmica política obedece ao calendário gregoriano. Como ocorreu em anos recentes, volta a ocorrer o descolamento entre as datas de final de ano que sugerem certa descompressão, ambiente de festas e congraçamentos, e a realidade árida de um cenário conflagrado. Em meio às compras apertadas do Natal, os brasileiros convivem com a necessidade de enfrentar um dos momentos mais dramáticos da história do País após a redemocratização.
Sucessivas quedas de ministros, prisões de ex-governadores, quedas de presidentes de casas legislativas — Renan Calheiros ainda agoniza, mas parece iminente a sua destituição após ter se tornado réu, como ocorrera na Câmara com Eduardo Cunha —, repressões violentas a manifestações em Brasília e no Rio de Janeiro, ataques orquestrados contra os trabalhadores nas áreas de Previdência, Direitos Trabalhistas e investimentos sociais, são algumas das pautas que pululam nos jornais e não deixam o ano acabar.
Desde o momento em que a ordem democrática foi quebrada, por meio de um golpe parlamentar de inspiração reacionária para implementar uma agenda de retrocessos contra os trabalhadores, toda a institucionalidade foi abalada e não há prognóstico seguro possível para o País.
Na Petrobrás não tem sido diferente. Os petroleiros continuam com uma campanha salarial em aberto e não há perspectiva de que ela possa ser concluída sem uma grande luta a ser empreendida ainda dentro deste calendário de 2016.
Com a sua intransigência, a companhia está pagando para ver e acabará mesmo por enfrentar o acirramento da reação da categoria a uma série de desmandos, assédios e desrespeitos em uma ambiência de trabalho cada vez mais degradada, associada ao entreguismo criminoso do Parente de Mishell.
O Sindipetro-NF entende o peso e a simbologia das datas festivas que se aproximam. Mas a entidade não se furtará a cumprir a sua obrigação política de mobilizar a categoria, caso a Petrobrás insista na postura desrespeitosa que tem adotado nas negociações da campanha salarial.
O ano pode não acabar em 31 de dezembro. Estejamos prontos para a luta.

 

Espaço aberto

Estamos divididos

Claudio da Costa Oliveira**

Getúlio Vargas quando sancionou a lei nº 2004 em 3 de outubro de 1953, criando a Petrobras falou: “É portanto com satisfação e orgulho patriótico que hoje sancionei o texto de lei aprovada pelo Poder Legislativo que constitui novo marco de nossa independência econômica”.
Nosso maior (talvez único) estadista, jamais imaginaria que as forças políticas que o levaram ao suicídio, conforme sua Carta Testamento aos brasileiros, sobreviveriam para em pleno século XXl, buscar destruir a empresa de sucesso que ele criou juntamente com seu sonho de “independência econômica”.
Após o descobrimento da corrupção que tomou conta da Petrobras, pela qual esperamos que todos os responsáveis sejam devidamente punidos, o grupo que assumiu a direção da empresa, aproveitando-se do atordoamento da opinião pública brasileira, pretende cometer crimes ainda maiores, aplicando o que chamamos de “Projeto Lesa-Pátria.”
O PGN 2017/2021 reduziu os investimentos da empresa para US$ 74,1 bilhões dos quais 82% (US$ 60,6 bilhões) serão destinados à Exploração & Produção conforme informa a direção da Petrobras. Mas destes US$ 60,6 bilhões, muito pouco será destinado à Exploração, como disse a diretora de E&P Solange Guedes: “O novo Plano de Negócios da Petrobras indica que a companhia pretende manter em baixa os investimentos em exploração e que a recuperação do setor dependerá essencialmente das demais petroleiras”.
Infelizmente, a maioria dos brasileiros, com a mente “lavada e enxaguada” por uma mídia entreguista, continua absorvida pelos capítulos diários da novela “Lava Jato” e tenta matar as formigas enquanto os elefantes passam despercebidos às suas costas.

*Editado em razão de espaço. Publicado originalmente no Diálogo Petroleiro, acesso em bit.ly/2gzKJTI.
**Economista aposentado da Petrobrás.

 

Capa


IMPASSE DEIXA CATEGORIA EM LUTA IMINENTE

Petroleiros podem deflagrar grande mobilização ainda neste final
de ano, se Petrobrás insistir em cortar direitos e descumprir acordo. Trabalhadores também lutam contra desmonte da empresa

O Sindipetro-NF está intensificando as setoriais e demais formas de contato com os trabalhadores de todas as bases de terra e unidades marítimas, nos aeroportos, na preparação para uma iminente mobilização. A categoria cobra nas negociações da Campanha Salarial o cumprimento do Acordo do ATS em relação à Fafen-PR, a retirada do termo aditivo de qualquer discussão de redução de jornada com redução de salários e o fim do desmonte privatista da empresa.
Em reunião no último dia 1º, o Conselho Deliberativo da FUP reafirmou que “é imperativa a luta contra a privatização do Sistema Petrobrás e que acordo é pra ser cumprido”. Em resposta, a companhia enviou documento à Federação, com os argumentos de que o caso da Fafen está encaminhado por meio da orientação de voto da Petrobrás na diretoria da Fafen pela implementação do ATS, e, em relação à jornada, a empresa nega que haja pressão.
Os sindicatos petroleiros têm entendido de outro modo. A FUP afirmou que assinar o acordo nestes termos seria dar um “cheque em branco” para a gestão da Petrobrás, e que não iria encaminhar a proposta da empresa para avaliação da categoria enquanto os impasses não estivessem superados.
“O que a companhia propôs é um cheque em branco. Aquilo que chama de equacionar é na verdade “envidar esforços” junto à diretoria da Araucária para que aprove o Termo Aditivo. Ainda assim, condiciona isso à retirada das ações na Justiça que cobram o cumprimento do Acordo”, afirmou a Federação.
Conselho Deliberativo dia 13
O Conselho Deliberativo da FUP, do qual também faz parte o Sindipetro-NF, volta a se reunir no próximo dia 13 para avaliar o quadro das negociações da Campanha e discutir indicativos para a categoria.
“Até lá vamos manter as reuniões com os trabalhadores e a preparação para uma forte luta iminente contra o ataque aos nossos direitos, o escumprimento do acordo e o desmonte da companhia, que se confirma pelos casos recentes de venda da Liquigás e apresentação de propostas para compra de campos maduros”, explica o coordenador geral do Sindipetro-NF, Marcos Breda.

 

Saúde do trabalhador

Tensão que adoece e mata no trabalho

O Departamento de Saúde do Sindipetro-NF está concluindo levantamento dos atendimentos da entidade na área, nos últimos anos, e tem chamado a atenção a frequencia de casos de petroleiros que “passam mal” nos locais de trabalho. Somente em 2016, dois trabalhadores morreram na Bacia de Campos em razão de doenças cardiovasculares.
De acordo com a assistente social do Sindipetro-NF, Maria das Graças Alcântara, também pode ser considerado elevado o número de atendimentos de trabalhadores com problemas no campo da saúde mental e lesões motivadas por fraturas ou doenças osteomusculares características do ambiente de trabalho.
“Chamamos a atenção para o ambiente de trabalho que ora vivenciamos. Tensão, pressão, estresse causados pela insegurança, perspectiva de demissão e ou perda de direitos”, afirma Maria das Graças.
O levantamento também aponta alteração na média de idade de trabalhadores que são vítimas de adoecimentos. Se, em 2015, o maior número de trabalhadores adoecidos encontrava-se entre 35 e 45 anos, em 2016 aumentou o número de trabalhadores adoecidos entre 25 e 35 anos, como também entre 55 e 60 anos.
Casos recentes
Na sexta, 2, um petroleiro de 35 anos sentiu-se mal no ônibus que havia deixado o Heliporto do Farol de São Thomé, por volta das 16h, e precisou ser atendido no Hospital São José.
No dia 28 de novembro passado, um funcionário da empresa Integrar, de 43 anos, enfartou à bordo da plataforma PCH-1. O trabalhador foi socorrido estabilizado.
E no último dia 22, o super-visor de elétrica e manutenção, Marcelo Lima, 41 anos, faleceu na P-43. Ele passou mal por volta das 4h e foi levado para enfermaria da unidade onde recebeu os primeiros socorros. Não havia médico a bordo e foi acionado o resgate aeromédico que chegou por volta das 6h com dois médicos. Realizaram procedimento de reanimação, mas Marcelo não resistiu e morreu às 8h30.

 

Inferno na P-07

Petroleiros dormem até na quadra

O Sindipetro-NF recebeu denúncia dos trabalhadores de que a plataforma P-07, na Bacia de Campos, passa por problemas constantes no sistema de ar condicionado, submetendo os empregados a altas temperaturas no casario, onde ficam os camarotes. A refrigeração chegou a parar completamente no último final de semana.
Os relatos dão conta de que há grande desconforto térmico, impossibilitando o descanso entre as jornadas de trabalho, o que aumenta o risco de acidentes. Houve registros de até 32° nos camarotes na tarde de ontem, sem ventilação. Muitos trabalhadores tiveram que dormir em locais impróprios como a sala de eventos da plataforma, em oficinas e até na quadra de esportes.
De acordo com a empresa, o sistema de ar condicionado foi normalizado. Caso recente também ocorreu em PCH-1. Trabalhadores devem manter o NF informado sobre a habitabilidade.

 


Insegurança

Navio atinge plataforma e causa danos

O Sindipetro-NF recebeu ontem informações dos trabalhadores que atualizam os relatos sobre o choque entre um navio e a plataforma P-35, na Bacia de Campos. O barco Starnav Taurus bateu no lado boreste da plataforma (lado do navio à direita de quem olha da sua frente), durante a madrugada do último dia 5, e chegou a amassar uma viga de oito polegadas, quebrar o vidro do passadiço (onde fica o comandante), fazendo a embarcação retornar com todo material para terra.
Inicialmente, a Petrobrás tentou minimizar o caso, afirmando não se tratar de “nada relevante”. Os relatos dos trabalhadores, no entanto, confirmaram ao longo dos últimos dias a gravidade do caso.

 

Voz petroleira agora em Coral

Marcadas as primeiras apresentações do Coral dos Petroleiros do NF, com sessão de gala no dia 19

O Coral dos Petroleiros do NF está com apresentações agendadas para esse final de ano. A do próximo dia 19, às 20h, será uma sessão de Gala no Teatro do Sindipetro-NF, em Macaé. A apresentação é aberta ao público.
No repertório, músicas como “Roda Viva”, de Chico Buarque, “Maria Maria”, de Milton Nascimento, “Novo Tempo”, de Ivan Lins e “Só Hoje”, do Jota Quest. Além das natalinas “Natal Todo Dia”, “Imagine” e “Mundo Feliz”.
O grupo ensaia todas as quintas, desde o dia 8 de setembro, às 19h, na sede do Sindipetro-NF em Macaé, sob a batuta do maestro Wilson dos Santos Souza e com o acompanhamento de músicos. A iniciativa faz parte de um projeto de integração e de produção cultural do sindicato.

Agenda
Pestalozzi Macaé 16/12 12h30
Teatro Sindipetro-NF 19/12 20h

 

NF 20 anos

Frei Betto no NF no próximo dia 13

O Sindipetro-NF promove no próximo dia 13, às 19h, no teatro da entidade, na sede de Macaé, palestra com Frei Betto. O evento faz parte das comemorações dos 20 anos do sindicato. A exposição terá como tema as relações e tensões entre a luta de classes, os sindicatos, a política e a ética. O acesso à palestra será gratuito, obedecida a lotação do espaço, e não há necessidade de inscrição prévia.
Frade dominicano e escritor, autor de 60 livros, Frei Betto estudou jornalismo, antropologia, filosofia e teologia. Entre dezenas de premiações no Brasil e no exterior, ganhou em 1982 o prêmio Jabuti, principal prêmio literário do Brasil, por seu livro de memórias Batismo de Sangue (Rocco). Nos anos de 2003 e 2004 atuou como Assessor Especial da Presidência da República e coordenador de Mobilização Social do Programa Fome Zero, no governo Lula.


Jurídico

Estratégias para Você S.A.

OK? Ficamos com saúde e educação públicas?
“É! Pensando bem, é isso mesmo! A Coreia do Sul é o que é, hoje, graças a investimentos em educação!”
Não, meu caro. Essa é uma mentira repetida mil vezes, que você finda por reproduzir. Embora o investimento público em educação, pesquisa e desenvolvimento, seja um fator importantíssimo, a Coreia do Sul “é o que é hoje” graças a uma agressiva política de substituição de importações e proteção de seu mercado interno. Apenas após a consolidação nacional de suas principais indústrias o país se dispôs a competir, interna e externamente.
Superada essa etapa, e tendo aderido ao livre mercado, seguem-se suas benesses e mazelas: hoje a Coreia do Sul enfrenta interessante caso de corrupção a envolver o atual presidente e as poderosas Samsung e Hyundai.
Mas a educação é estratégica. Neste mesmo exemplo: é a educação que permite apropriar o conhecimento histórico de que não foi o livre mercado o responsável pelo desenvolvimento sul-coreano, e a ele aplicar a inteligência, para se retirar aprendizado do exemplo.
“E a saúde permite uma força de trabalho eficaz e produtiva, certo?”
Você inverte valores, amigo. Reflita sobre a frase: “Se é humano é fim, e não recurso!”.
A saúde é estratégica porque somos todos da mesma família. Somos seres sociais, gerados, nascidos, formados e formadores do conjunto da sociedade. O seu bem-estar, individual, depende do bem-estar de cada componente desse coletivo.
Essa é uma verdade que transcende as paredes de sua casa, para se afirmar num amplo espectro de exemplos, desde o psicológico – claro, desde que você não seja um psicopata, que se torna imune à empatia com a dor do outro – até o da medicina social (pense em epidemias, por exemplo).
Evidentemente nem sempre a sociedade, e mesmo o Direito, sob o jugo do Deus Mercado, pensam assim. Na última 2ª, por exemplo, o Superior Tribunal de Justiça decidiu que situações, tratamentos e benefícios, obtidos mediante liminar contra planos de saúde privados, devem ser restabelecidas ao estado anterior, se revogada a liminar.
Radicalizemos didaticamente: você precisa de um transplante de rim. O plano contratado discorda, não cobre o procedimento, e oferta terapias alternativas. Você obtém uma liminar na 1ª instância e realiza a cirurgia. O tribunal cassa a liminar. Resultado jurídico? Devolva o rim que você transplantou.
Deu pra entender porque educação e saúde são objetivos estratégicos para Você S.A.?


Curtas

Mova e PIDV
O Sindipetro-NF foi representado pelo diretor Tadeu Porto em audiência pública da Petrobrás, no último sábado, no Hotel Royal, em Macaé, sobre os impactos das operações da companhia na região. Em sua intervenção, o sindicalista questionou os representantes da empresa sobre a continuidade do projeto Mova Brasil e sobre como será feita a reposição de trabalhadores para as vagas que estão sendo abertas pelo PIDV.

Petros
A FUP alertou nesta semana que a nomeação do novo diretor de seguridade Flávio Castro desrespeita o estatuto da Petros. O documento impede que qualquer diretor exerça outra atividade em empresas patrocinadoras ou em entidades instituidoras de planos que a Petros administra. Flávio Castro é presidente do IBA (Instituto Brasileiro de Atuaria).

Embarques do NF
Diretores do NF embarcaram na terça, 6, para participação em reuniões das Cipas de P-12 (Antônio Raimundo Teles), PCP-2 (Marcelo Nunes), PPG-1 (Rafael Crespo), P-18 (Leonardo Ferreira), P-19 (Flávio Borges), P-25 (Alessandro Trindade), P-35 (José Maria Rangel), P-47 (Antônio Carlos Pereira), e P-61 (Luiz Carlos Mendonça). Por motivos de saúde, não embarcaram Valter Oliveira (PCE-1) e Tezeu Bezerra (PRA-1). Para hoje está previsto embarque na P-55 (Norton Cardoso).

Sedes do NF
As sedes do Sindipetro-NF, em Campos dos Goytacazes e em Macaé, não terão funcionamento no período da tarde da próxima quarta, 14, em razão da realização de almoço de confraternização de final de ano dos funcionários e diretores da entidade. Hora de renovar as energias em um ano que parece nem mesmo querer acabar.

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