Em resposta à solicitação da FUP, a Petrobrás confirmou nova reunião na segunda-feira, 27, às 15 horas, no Rio de Janeiro.

A Federação apresentará à empresa o resultado das assembleias, onde os petroleiros estão reafirmando que não há acordo com retirada de direitos.

Entre os indicativos aprovados pela categoria está a realização de uma greve por tempo indeterminado, com data de início a ser definida pela FUP, em caso de qualquer redução de direitos como descritos e consagrados pelo ACT 2015/2017.

As assembleias também estão aprovando que a conclusão do ACT deverá contemplar os trabalhadores da Petrobrás e de todas as subsidiárias, inclusive a Araucária Nitrogenados, com renovação e validade por dois anos, contemplando também o termo aditivo, com as salvaguardas à contrarreforma trabalhista.

A reunião de segunda-feira terá cobertura em tempo real pelo Radar FUP.

Imprensa da FUP - "Houve um certo endeusamento do Pré-Sal, quando temos em outras áreas da empresa campos excelentes, como na Bacia de Campos". Esta foi uma parte do discurso que o presidente da Petrobrás, Pedro Parente, fez em julho de 2016, sobre as pesquisas realizadas pela Estatal que levaram à descoberta das reservas.

Mas olhem a ironia. Passado um pouco mais de um ano, com o processo de entrega para as petroleiras estrangeiras em andamento, Parente mudou seu discurso. Agora, o Pré-Sal é valioso para ele.

Em entrevista realizada no último dia 21 ao jornalista Roberto D´Ávila, na GloboNews, o entreguista afirmou que a descoberta das reservas do Pré-Sal foi fundamental para a sobrevivência da Petrobrás no mercado. A declaração foi feita em resposta a pegunta do jornalista se a empresa quebraria sem o recurso: “Eu não acredito que ela quebraria, mas ela estaria com problemas complicadíssimos na manutenção daquele nível adequado entre reservas e produção”, afirmou Pedro Parente.

E, pasmem, ele ainda elogiou o trabalho realizado no governo Lula: “o conjunto de geólogos, geofísicos e engenheiros da Petrobrás foram persistentes na sua avaliação de que ali deveria haver alguma coisa importante, foi por pouco”, declarou.

É muita cara de pau Parente mudar de opinião após o desmonte que ele ajudou a promover, ao defender a retirada da obrigação de participação da Petrobrás em todos os blocos do pré-sal, a aniquilação da política de conteúdo local e mudanças na lei para isenção e redução de impostos para as petroleiras estrangeiras, que, segundo recentes estudos, causarão, em 25 anos, perdas de R$ 1 trilhão ao país. O Pré-Sal que ele desdenhou agora é valioso. No leilão que ele defendeu que fosse realizado a toque de caixa, a Petrobrás adquiriu áreas ofertando 80% de óleo excedente para a União, enquanto Shell e BP adquiriram áreas ofertando o valor mínimo exigido pela ANP (11%). 

Lembrem que, ainda esta semana, o jornal The Guardian denunciou o lobby feito pelo governo britânico buscando obter vantagens para suas petroleiras, Shell, BP e Premier Oil.

E hoje Pedro Entreguista valoriza o Pré-Sal.

Nunca é por acaso.

As declarações de Parente desdenhando do Pré-Sal, em julho de 2016, aconteceram uma semana antes da votação do projeto de lei que tirou a obrigatoriedade da Petrobrás de participar de toda a exploração, abrindo o negócio a empresas estrangeiras.

Em julho, o governo Michel Temer vendeu a participação de 66% da empresa no Campo de Carcará por US$ 2,5 bilhões, valor considerado irrisório por geólogos de todo o Brasil.

FUP

Mesmo com a tentativa da gestão de mandar seus gerentes em peso para as assembleias, os trabalhadores das bases de terra entraram na disputa e aprovaram os indicativos da FUP e do NF. As assembleias aconteceram hoje, 24, simultâneamente no Parque de Tubos, Imbetiba e Edinc (Edifício Novo Cavaleiros). Confira o resultado das assembleias até agora

Ainda nesta sexta, 24, haverá assembleia do Grupo E no UTGCab. Já as plataformas tem o prazo de 24 a 26 de novembro para realizar suas assembleias. 

Calendário da Assembleias:

Del. Campos - Segunda, 27 - 10h

UTGCab
Grupo E - Sexta, 24 - 23h

Plataformas
Assembléias da sexta, 24, com retorno de atas até às 12h da segunda, 27.

Indicativos

1 - Em caso de qualquer redução de direitos, como descritos e consagrados pelo ACT 2015/2017, fica pré-aprovada a greve por tempo indeterminado, com data de início a ser definida pela FUP.

2 - A conclusão do ACT deverá contemplar os trabalhadores da Petrobrás e de todas as subsidiárias, inclusive a Araucária Nitrogenados, com renovação e validade por dois anos, contemplando também o termo aditivo, com as salvaguardas à contrarreforma trabalhista.

3 - O NF também solicita à categoria, em todas suas bases, que encaminhem manifestos de repúdio à tentativa da Petrobrás e a da Transpetro de retirar direitos e relembra a todos e todas que a Comissão de Ética do Sindipetro-NF está a postos para receber denúncias acerca de filiados que porventura não cumprem o Estatuto da entidade.

 

Resultado das assembleias

01 - Apr. Greve Tempo Indeterminado
Unidade Favor Contra Abstenção
Cabiunas 105 19 8
Sede Campos      
Edinc 67 0 1
Imbetiba 235 97 3
AeroCampos      
PT 152 0 0
PCE-1       
PGP-1       
PRA-1       
PPM-1      
PPG-1       
PNA-1       
PNA-2       
PCH-1       
PCH-2       
PCP 1/3       
PCP 2       
PVM-1      
PVM-2       
PVM-3       
P-07       
P-08       
P-09       
P-12       
P-15       
P-18       
P-19       
P-20       
P-25       
P-26       
P-31       
P-32       
P-33       
P-35       
P-37       
P-38       
P-40       
P-43       
P-47       
P-48       
P-50       
P-51      
P-52       
P-53       
P-54       
P-55      
P-56      
P-61      
P-62      
P-63      
P-65       
Total 559 116 12
Percent 81,37% 16,89% 1,75%

 

02 - ACT contemplando Petrobrás e Subsidiárias
Unidade Favor Contra Abstenção
Cabiunas 105 19 8
Sede Campos      
Edinc 67 0 1
Imbetiba 267 31 37
PT 152 0 0
PCE-1       
PGP-1       
PRA-1       
PPM-1      
PPG-1       
PNA-1       
PNA-2       
PCH-1       
PCH-2       
PCP 1/3       
PCP 2       
PVM-1      
PVM-2       
PVM-3       
P-07       
P-08       
P-09       
P-12       
P-15       
P-18       
P-19       
P-20       
P-25       
P-26       
P-31       
P-32       
P-33       
P-35       
P-37       
P-38       
P-40       
P-43       
P-47       
P-48       
P-50       
P-51      
P-52       
P-53       
P-54       
P-55      
P-56      
P-61      
P-62      
P-63      
P-65  591 50 46

Aos companheiros e companheiras do Norte Fluminense

Em momento decisivo, é essencial que todos façam as assembleias nas plataformas

A categoria petroleira está em assembleias nesta semana. Entre os indicativos está o de realização de uma greve por tempo indeterminado. O momento, portanto, é de extrema mobilização e pressão sobre a gestão da Petrobrás. Por isso, é muito importante que as assembleias sejam massivas, sinalizadoras da grande disposição dos trabalhadores e das trabalhadoras de não aceitar nenhum corte de direitos.

A gestão da companhia, alinhada aos ataques empreendidos contra a classe trabalhadora pelo governo e pela maioria no Congresso Nacional, espera vencer a categoria petroleira valendo-se do clima geral de apatia e descrença que tomou a vida nacional. Mas, ao fazê-lo, demonstra não conhecer a história de luta e capacidade de resistência dos petroleiros e das petroleiras.

A resposta que temos que dar, neste momento, é de fortalecimento das nossas entidades na mesa de negociações, por meio de assembleias muito expressivas, para que toda a disposição para a greve fique evidenciada. Como tem repetido a FUP, o acordo coletivo será do tamanho da nossa capacidade de mobilização.

A categoria precisa ficar atenta, especialmente nas plataformas — que têm assembleias neste final de semana — para o fato de que não poderá haver prorrogação. Cumprindo calendário aprovado no Conselho Deliberativo da FUP, todas as assembleias no País consolidarão seus resultados nesta segunda, 27, para quando está marcado o retorno das atas das unidades marítimas da região, até às 12h.

É essencial que todos façam as assembleias a bordo e encaminhem as atas o quanto antes para o sindicato.
Vamos dizer um "não" do tamanho da força petroleira para os cortes de direitos e exigir da Petrobrás um recuo nas suas tentativas de precarizar no nosso Acordo Coletivo de Trabalho. Não nos renderemos às ameaças em torno do fim da vigência do ACT (prorrogado até o próximo dia 30) e lutaremos até o fim por um acordo sem perdas para a categoria.
Estejamos nas assembleias, estejamos prontos para a greve e estejamos unidos.

Saudações sindicais

Diretoria do Sindipetro-NF

Macaé, 24 de Novembro de 2017

 

 

Em entrevista ao jornal Brasil de Fato para o Rio de Janeiro, o coordenador geral da FUP e diretor do Sindipetro-NF, José Maria Rangel, fala sobre a denúncia de lobby das petroleiras inglesas que ditou as regras do leilão da área do pré-sal. O sindicalista denuncia o envolvimento direto do governo brasileiro para beneficiar a Shell. Ele também falou sobre a necessidade de que a Petrobrás retome os investimentos na indústria nacional.

Confira a entrevista:

José Maria Rangel: “Temer está beneficiando a Shell na privatização do pré-sal”

Para coordenador da FUP, matéria do The Guardian escancara acordos entre governo brasileiro e empresas estrangeiras

Mariana Pitasse
Brasil de Fato | Rio de Janeiro (RJ)

Na última semana, o jornal britânico The Guardian denunciou um esquema entre o ministro do Comércio do Reino Unido, Greg Hands, e o governo brasileiro para beneficiar grandes companhias petrolíferas britânicas, especialmente a BP, a Shell e a Premier Oil na exploração do pré-sal. Em janeiro deste ano, o governo Temer já havia cortado pela metade o percentual obrigatório de conteúdo nacional na exploração do petróleo. Em agosto, renovou o regime de isenções fiscais para importação de equipamento de exploração petrolífera.

Em entrevista ao Brasil de Fato, José Maria Rangel, coordenador geral da Federação Única dos Petroleiros (FUP), fala sobre as ameaças à soberania nacional e o desmonte da Petrobras após o golpe de estado instaurado no país.

Brasil de Fato: O que significa essa relação entre governo brasileiro e o britânico que foi divulgado pelo jornal The Guardian?

José Maria Rangel: A reportagem fala de um telegrama diplomático que foi interceptado. Nele, o governo britânico solicita ao governo brasileiro que acabe com a política de conteúdo local, que flexibilize as regras ambientais e que interfira na legislação para exploração de óleo e gás. Tudo isso para favorecer as empresas estrangeiras, principalmente a Shell. Outro indício que confirma tudo isso é que assim que o golpe é consolidado no Brasil, o presidente da Shell é recebido por Michel Temer no Palácio do Planalto. Está mais do que confirmado que o governo brasileiro está beneficiando a Shell nesse processo de abertura do pré-sal às empresas estrangeiras.

Isso já vem sendo denunciado pela FUP há um tempo, não é?

Na nossa visão, essa denúncia fecha o quebra cabeça. Tudo o que estávamos falando há tempos, se confirma agora, especificamente com a Shell. Outro ponto interessante de notar é que todos os ataques feitos à Petrobras no último ano, vieram com a argumentação de que trabalhavam no combate à corrupção. A Shell está envolvida em grandes casos de corrupção pelo mundo afora, principalmente, na Nigéria. Que combate a corrupção é essa que eles estão pregando?

Nesta semana, a FUP ingressou com uma petição insistindo no pedido de anulação da 2ª e 3ª Rodadas de Licitação do pré-sal. Explique um pouco mais sobre isso.

Na época dos leilões, já levantamos a suspeita de que os valores que o governo federal esperava arrecadar, algo da ordem de R$ 7 bilhões, faziam com que o preço do litro do óleo, saísse a menos de R$ 0,01 centavo. Baseado nessas informações, ingressamos com uma ação na justiça, pedindo que o leilão fosse suspenso, mas não conseguimos. Agora com essas notícias que saíram no jornal britânico e também com a edição de Temer de uma medida provisória, a de nº 795, que isenta de tributação da importação de máquinas, equipamentos e plataformas para operar neste setor, resolvemos ratificar a ação. Estamos falando de uma renúncia fiscal na ordem de R$ 1 trilhão. O empresário se produzir aqui será tributado, se fizer lá fora não vai pagar nada. Então, vai fazer lá fora. É escancarado o que está acontecendo.

Como o desmonte da Petrobras impacta o emprego e a população do Rio?

Até 2013, 40% da receita do estado do Rio vinha do setor de óleo e gás. Por conta da crise no setor, só na atividade de óleo e gás já foram perdidos quase 150 mil empregos. Hoje, mais de 1,5 milhão de trabalhadores estão desempregados no estado. É o maior índice de desemprego em todo o território nacional. O desaquecimento dessa atividade no estado tem efeitos devastadores sobre a economia como um todo. Se for a Niterói vai ver a quantidade de estaleiros que estão fechados. Não impacta só a cadeia de óleo e gás, mas a metalurgia, o setor hoteleiro, o comércio e serviços. Isso tudo é fruto do desmonte das grandes construtoras a nível nacional, do fim da política de conteúdo local e também do novo foco da Petrobras, que passou a ser o pré-sal, deixando de investir nos outros campos de exploração.

Além do desemprego, como o desmonte da Petrobras impacta diretamente no bolso dos trabalhadores?

O gás de cozinha subiu quase 100% neste ano. Quando Lula chega ao governo, compra a Liquigás, com o objetivo claro de regular o setor, evitar os aumentos abusivos sobre o gás de cozinha, porque ele tinha essa preocupação. Hoje o brasileiro voltou a utilizar lenha para cozinhar porque não consegue mais ter acesso ao gás. Tudo isso porque quando Temer chega ao poder, vende a participação da Petrobras nas distribuidoras estaduais de gás, em seguida vende a Liquigás. Assim, o mercado está liberado para fazer o que quiser. Tem lugares do Brasil que você paga R$ 70 ou R$ 80 pelo gás de cozinha. Essa é uma atitude que dialoga muito com o caráter que a Petrobras assumiu desde que Temer está no poder. A Petrobras deixa de ser uma empresa voltada para o estado brasileiro e passa a ser uma empresa que tem como único objetivo dar retorno aos seus acionistas.

Quais saídas você aponta para que o estado do Rio e o Brasil consigam sair dessa crise?

É fundamental que a Petrobras volte a investir. Para cada R$ 1 bilhão que ela investe, temos a geração de 1,2 mil empregos. A partir daí precisamos colocar a roda da economia para girar, retomar atividades. Infelizmente, elegemos o Congresso Nacional mais conservador de todos os tempos e eles têm voto para mudar o que quiserem. Mais de 200 empresários estão lá na Câmara dos Deputados e não vamos achar que eles vão votar alguma coisa a nosso favor. Mas nós, trabalhadores, não podemos cair no erro de negar a política, não nos interessa abaixar a cabeça, temos que ficar de cabeça erguida. É verdade que eles não arquitetaram o golpe para nos entregar 2018 de bandeja, por isso nós temos que lutar, ser mais seletivos nas escolhas dos nossos parlamentares. Temos que votar em quem tem história de vida e comprometimento com a classe trabalhadora.

 

As bases administrativas da Petrobrás têm assembleias simultâneas hoje, às 13h, para avaliar indicativos da FUP e do Sindipetro-NF para a Campanha Reivindicatória. Petroleiros e petroleiras estão próximos da realização de uma greve por tempo indeterminado, caso a companhia insista em cortar direitos do Acordo Coletivo.

Das bases de terra em Macaé, também tem assembleia hoje o Grupo E de Cabiúnas. Os demais grupos do terminal realizaram assembleias ontem e na quarta-feira. Nas plataformas, as assembleias começam hoje e seguem até o domingo, com retorno das atas até às 12h da segunda, 27.

As assembleias deverão avaliar dois indicativos: A aprovação de uma greve por tempo indeterminado, com data de início a ser definida pela FUP, caso a Petrobrás insista na redução de qualquer direitos, como descritos e consagrados pelo ACT 2015/2017; e que o ACT deverá contemplar os trabalhadores da Petrobrás e de todas as subsidiárias, inclusive a Araucária Nitrogenados, com renovação e validade por dois anos, contemplando também o termo aditivo, com as salvaguardas à contrarreforma trabalhista. Além destes, o NF também orienta a categoria a elaborar manifestos contra o corte de direitos.

 

Confira o calendário de Assembleias:

Base - Dia - Hora

PT - Sexta, 24 - 13h

P. Campista - Sexta, 24 - 13h

Edinc - Sexta, 24 - 13h

Del. Campos - Segunda, 27 - 10h

UTGCab
*Grupo A - Quarta, 22 - 15h
*ADM + G.C - Quinta, 23 - 07h
*Grupo B - Quinta, 23 - 15h
*Grupo D - Quinta, 23 - 23h
Grupo E - Sexta, 24 - 23h

Plataformas
Assembléias da sexta, 24, com retorno de atas até às 12h da segunda, 27.


*Realizadas.

Indicativos

1 - Em caso de qualquer redução de direitos, como descritos e consagrados pelo ACT 2015/2017, fica pré-aprovada a greve por tempo indeterminado, com data de início a ser definida pela FUP.

2 - A conclusão do ACT deverá contemplar os trabalhadores da Petrobrás e de todas as subsidiárias, inclusive a Araucária Nitrogenados, com renovação e validade por dois anos, contemplando também o termo aditivo, com as salvaguardas à contrarreforma trabalhista.

3 - O NF também solicita à categoria, em todas suas bases, que encaminhem manifestos de repúdio à tentativa da Petrobrás e a da Transpetro de retirar direitos e relembra a todos e todas que a Comissão de Ética do Sindipetro-NF está a postos para receber denúncias acerca de filiados que porventura não cumprem o Estatuto da entidade.

 

Marize Muniz / CUT Brasil

Em discurso no Encontro Internacional de Organizações Sindicais, na sala Novo do Sínodo, na Cidade do Vaticano, a vice-presidenta da CUT Nacional, Carmen Foro, falou sobre a realidade atual e os desafios do movimentos sociais e sindicais ante a globalização do paradigma tecnocrático e denunciou os ataques do governo ilegítmo de Michel Temer (PMDB-SP) aos direitos sociais e trabalhistas.

Segundo ela, no Brasil, a classe trabalhadora e a população mais pobre, que mais necessita de políticas públicas para sobreviver com o mínimo de dignidade, lida no momento com uma agenda de ataques a CLT, ao direito à aposentadoria, à casa própria, saúde e educação e tantas outras conquistas que veem sendo exterminadas pelo governo Temer.

“A sanha do mercado ultraneoliberal, que produziu um golpe parlamentar com apoio da mídia e de parte do judiciário, que derrubou uma presidenta legitimamente eleita, para implantar uma agenda que está acabando com os programas sociais, da reforma agrária e apoio a agricultura familiar, com a legislação de proteção aos trabalhadores/as e de combate ao trabalho escravo”, denunciou a vice-presidenta da CUT ao iniciar seu discurso na manhã desta uinta-feira (23), em Roma.

Carmen lembrou as leis recentemente criadas para facilitar a venda de terras a grupos estrangeiros e permitir a privatização da água, da produção agrícola, dos recursos naturais como o pré-sal abundantes em nosso país e do congelamento por 20 anos dos recursos para a saúde e educação, entre outras áreas atingidas pelas medidas tomadas pelos golpistas que usurparam a Presidência da República no ano passado.

“Retrocedemos quase 100 anos. Falta apenas revogação da Lei Àurea, que aboliu a escravidão no país em 1883!”, denunciou Carmen com indignação.

E criticou o uso dos avanços tecnológicos que “só servem para aumentar os lucros já obscenos das grandes corporações e o poder – dos empresários - de movimentar recursos por meio dos paraísos fiscais, sem pagar os devidos impostos aos países, que poderiam ser revertidos em benefícios para toda sociedade”.

Ela ressaltou que o progresso tecnológico trouxe avanços e conquistas como empregos, progressos científicos que melhoraram a qualidade de vida da humanidade, “mas a apropriação dos seus benefícios sempre foi desigual”. E citou pensamentos do Papa Francisco sobre o uso da política e da economia a serviço da vida, especialmente a vida humana, salientando que o movimento sindical do Brasil e do mundo concorda com Sua Santidade.

Em uma encíclica o Papa Francisco afirmou: “A política não deve submeter-se à economia, e esta não deve submeter-se aos ditames e ao paradigma eficientista da tecnocracia. (...) hoje precisamos imperiosamente que a política e a economia, em diálogo, se coloquem decididamente a serviço da vida, especialmente da vida humana”.

E é neste sentido que a CUT luta por um mundo melhor e para todos, com justiça e inclusão social, disse Carmen. Para ela, a defesa que o Papa faz dos direitos sociais fortalece a luta por um mundo melhor e mais justo, “um mundo capaz de proporcionar desenvolvimento sustentável, crescimento econômico, com distribuição de renda, inclusão e justiça social. Por um breve período de 13 anos pudemos experimentar e comprovar isso no Brasil”.

Carmen prosseguiu falando sobe a importância do avanço tecnológico ser incorporado à produção e ao cotidiano da população, garantindo benefícios aos trabalhadores/as e a sociedade, não apenas do dono da máquina ou da invenção, sugeriu pontos para pensar o futuro do mundo do trabalho, como você poderá ver na íntegra do discurso abaixo, e encerrou pedindo ajuda ao Papa na luta dos movimentos sociais e trabalhistas.

“Acredito que a Igreja Católica pode dar uma grande ajuda através de sua ampla rede espalhada em todos os países, contribuindo nesse processo de conscientização, mobilização, pressão e lutas que serão necessárias para a construção de um novo mundo com igualdade, justiça e inclusão social”, concluiu a vice-presidenta da CUT.


Integra do discurso

Sua Eminência Cardeal Peter Turkson, Prefeito do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral

Companheiros Sindicalistas,

Em 1891 o Papa Leão XIII publicou a encíclica Rerum Novarum (“Das Coisas Novas”) e abordou a questão da classe trabalhadora e os sindicatos.

Disse o Papa: “A sede de inovações, que há muito tempo se apoderou das sociedades e as tem numa agitação febril, devia, tarde ou cedo, envolver toda a sociedade (...) os progressos incessantes da indústria (...) a alteração das relações entre os operários e os patrões, a influência da riqueza nas mãos de um pequeno número ao lado da indigência da multidão (...) sem falar da corrupção dos costumes, deu resultado final um temível conflito”.

E acrescentou “... pouco a pouco, os trabalhadores, isolados e sem defesa, têm-se visto, com o decorrer do tempo, entregues à mercê de senhores desumanos e à cobiça duma concorrência desenfreada. A usura voraz veio agravar ainda mais o mal. (...). A tudo isto deve acrescentar-se o monopólio do trabalho e dos papéis de crédito, que se tornaram o quinhão dum pequeno número de ricos e de opulentos, que impõem assim um jugo quase servil à imensa multidão dos proletários”.

Passado mais de de século, quem lê pode pensar que o Papa está analisando a situação atual dos trabalhadores e das trabalhadoras do Brasil e do mundo.

Se é verdade que o progresso tecnológico trouxe mais empregos, progressos científicos, em especial na medicina que melhoraram a qualidade de vida da humanidade, também é verdade que a apropriação dos seus benefícios sempre foi desigual.

Só com muita pressão, negociação e muitas lutas – que inclusive custou a vida de milhares de trabalhadores e trabalhadoras – podemos dizer que ainda hoje apenas uma pequena parcela dos que estão organizados consegue usufruir de uma pequena parte desse progresso.

A globalização tecnocrática vem se dando sob a égide do mercado que busca a maximização dos lucros a qualquer preço, da concentração de renda, da retirada dos direitos dos trabalhadores/as em todo o mundo, da exploração irracional do meio ambiente e dos recursos naturais, condenando milhões de trabalhadores/as ao desemprego, a fome e a miséria tanto nos centros urbanos quanto nas áreas rurais.

Para esse mercado invisível, a globalização tecnológica só serve para aumentar os lucros já obscenos das grandes corporações e poder movimentá-los por meio dos paraísos fiscais, sem pagar os devidos impostos aos países, que poderiam ser revertidos em benefícios para toda sociedade.

No Brasil, orientados por essa sanha do mercado ultra neoliberal, se produziu um golpe parlamentar com apoio da mídia e de parte do judiciário, que derrubou uma presidenta legitimamente eleita, para implantar uma agenda que está acabando com os programas sociais, da reforma agrária e apoio a agricultura familiar, com a legislação de proteção aos trabalhadores/as e de combate ao trabalho escravo.

Aprovam leis que facilitam venda de terras a grupos estrangeiros e permitem a privatização da água e a produção agrícola a essas corporações transnacionais, sem falar dos recursos minerais abundantes em nosso país.

Com a privatização da exploração do petróleo localizado no pré-sal (grandes profundidades) bilhões de dólares oriundos dos royalties que seriam destinados para a educação (75%) e saúde (25%) vão desaparecer, ao mesmo tempo as empresas compradoras serão beneficiadas com bilhões de dólares em isenção fiscal.

Não satisfeitos, congelaram os investimentos do Estado em educação e saúde por 20 anos e querem acabar com a aposentadoria.

Retrocedemos quase 100 anos. Falta apenas revogação da Lei Àurea, que aboliu a escravidão no país em 1888!

Como bem constatou o Papa Francisco na Encíclica “Laudato Si” (“Louvado Sejas”):

“O paradigma tecnocrático tende a exercer o seu domínio também sobre a economia e a política. A economia assume todo o desenvolvimento tecnológico em função do lucro, sem prestar atenção a eventuais consequências negativas para o ser humano. Não se aprendeu a lição da crise financeira mundial...”.

Essa política tem a sua disposição um grande aparato midiático que tenta a todo custo convencer os cidadãos – algumas vezes com sucesso – de que o mercado, o simples crescimento econômico e as iniciativas individuais vão resolver os problemas da pobreza, da miséria e do meio ambiente.

É uma luta desigual, mas é preciso enfrentá-la para desmascarar o engodo que ela significa na prática.

“A política não deve submeter-se à economia, e esta não deve submeter-se aos ditames e ao paradigma eficientista da tecnocracia. (...) hoje precisamos imperiosamente que a política e a economia, em diálogo, se coloquem decididamente a serviço da vida, especialmente da vida humana. ” Afirma ainda o Papa Francisco.

O movimento sindical do Brasil, e creio que do mundo, concorda totalmente com Sua Santidade.

Acreditamos que um outro mundo é possível e que é capaz de proporcionar desenvolvimento sustentável, crescimento econômico, com distribuição de renda, inclusão e justiça social. Por um breve período de 13 anos pudemos experimentar e comprovar isso no Brasil.

Aos trabalhadores/as não interessa lutar contra o avanço tecnológico e sua incorporação na produção e no cotidiano. Mas garantir que o avanço tecnológico se reverta em benefício dos trabalhadores/as e da sociedade, não apenas do dono da máquina ou da invenção.

Para isso, gostaria de sugerir quatro pontos centrais para pensar o futuro do trabalho no mundo da globalização e do paradigma tecnocrático:

Primeiro, é preciso um grande investimento em educação, formação e conscientização para capacitar os trabalhadores para essa nova era. Os trabalhadores devem ser capazes de realizar as tarefas propriamente humanas e que não podem ser realizadas por uma máquina ou computador. As máquinas ficam obsoletas, mas não podemos admitir a obsolescência humana.

Segundo, os estados precisam ter políticas e programas voltados para incluir os trabalhadores que perderam seus postos de trabalho por causa do avanço tecnológico. A introdução de novas tecnologias não pode se dar ao custo do desemprego de milhares de homens e mulheres atingidos pelas inovações. Isso significa que a adoção de novas formas de produção não pode ser feita à revelia dos sindicatos e das comunidades que serão impactadas pelas mudanças. Para isso é preciso construir amplos processos de negociação e diálogo que levem ao bem comum e onde a sociedade sinta-se representada. As inovações devem contribuir para a melhoria dos empregos, das condições de vida e da construção de um novo ser humano.

Terceiro, precisamos garantir que a os benefícios da introdução de novas tecnologias não alimentem a desigualdade e a concentração de riqueza. O conhecimento atual não é obra apenas individual, mas social, fruto de milhares de anos de conhecimento acumulado da humanidade. A globalização tecnológica deve ser inclusiva e abrir novas perspectivas para os trabalhadores.

Quarto, é necessário um amplo diálogo entre o movimento sindical, para, juntamente com os movimentos sociais, comunitários e religiosos, comprometidos com essa proposta de desenvolvimento sustentável, inclusivo e solidário construirmos propostas globais, regionais, nacionais e locais que possam contribuir na conscientização e a mobilização necessária da maioria dos cidadãos que com muito trabalho e suor constroem verdadeiramente a riqueza das nações. Esse esforço conjunto é ainda mais necessário se levarmos em conta que aqueles que defendem o atual modelo excludente e impiedoso de exploração do meio ambiente, dos recursos naturais e dos trabalhadores/as, detém não apenas muito capital, como também os meios de comunicação com os quais procuram enganar a maioria da população.

Acredito que a Igreja Católica pode dar uma grande ajuda através de sua ampla rede espalhada em todos os países, contribuindo nesse processo de conscientização, mobilização, pressão e lutas que serão necessárias para a construção de um novo mundo com igualdade, justiça e inclusão social.

 

 

 

Começa nesta sexta, 24, e segue até o domingo, 26, o prazo para que as plataformas da Bacia de Campos realizem assembleias com indicativos da Campanha Reivindicatória. Além dos indicativos, NF orienta produção de manifestos contra o corte de direitos pretendidos pela Petrobrás e pela Transpetro. O retorno das atas poderá ser feito até às 12h da segunda, 27.

[Acesse aqui o Modelo de Ata]

Para dar uma resposta a altura à tentativa de ataque a conquistas históricas da categoria e desmonte do Sistema Petrobras, o CD da FUP, reunido nos últimos dias 14 e 15, corroborado pela decisão de todos petroleiros e petroleiras em assembleias de que não aceitará a retirada de direitos, definiu a partir do dia 20 a realização de assembleias e mobilizações em suas bases.

No Norte Fluminense as assembleias começaram na última quarta-feira. A categoria está avaliando dois indicativos: A aprovação de uma greve por tempo indeterminado, com data de início a ser definida pela FUP, caso a Petrobrás insista na redução de qualquer direitos, como descritos e consagrados pelo ACT 2015/2017; e que o ACT deverá contemplar os trabalhadores da Petrobrás e de todas as subsidiárias, inclusive a Araucária Nitrogenados, com renovação e validade por dois anos, contemplando também o termo aditivo, com as salvaguardas à contrarreforma trabalhista. 

 

Indicativos

1 - Em caso de qualquer redução de direitos, como descritos e consagrados pelo ACT 2015/2017, fica pré-aprovada a greve por tempo indeterminado, com data de início a ser definida pela FUP.

2 - A conclusão do ACT deverá contemplar os trabalhadores da Petrobrás e de todas as subsidiárias, inclusive a Araucária Nitrogenados, com renovação e validade por dois anos, contemplando também o termo aditivo, com as salvaguardas à contrarreforma trabalhista.

3 - O NF também solicita à categoria, em todas suas bases, que encaminhem manifestos de repúdio à tentativa da Petrobrás e a da Transpetro de retirar direitos e relembra a todos e todas que a Comissão de Ética do Sindipetro-NF está a postos para receber denúncias acerca de filiados que porventura não cumprem o Estatuto da entidade.

 

"Racismo não existe...É coisa da sua cabeça!" Com essa frase a diretora do Sindipetro-NF, Conceição de Maria abriu a comemoração do Dia da Consciência Negra no sindicato. Uma frase que num primeiro momento pode chocar, mas que foi desmistificada pela própria diretora, quando começou a relatar fatos do cotidiano que demonstram o quanto ainda existe de racismo na sociedade brasileira.

"Se pensarmos no genocídio dos jovens negros, racismo não existe. Porque de 100 pessoas mortas, 79, no Brasil são jovens negros e negras" - comentou Conceição, fazendo uma reflexão sobre a data e mostrando que "vinte de novembro não é coisa de preto" é uma data para o povo brasileiro pensar.

A arte e cultura fizeram parte da comemoração dando leveza ao momento através da apresentação do Coral do Sindipetro-NF, com o repertório Canto das Três Raças, Sina, Sal da Terra e Tropicália.

Em seguida, foi instalada a Roda de Conversa para falar de "Memória e Construção da Identidade Negra" com o professor da Faculdade Batista de Macaé e Mestre em Políticas Públicas Educacionais pela UniRio, Jorge Luiz R. Santos e a professora da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro e Doutora em sociologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro,  Luciane Soares, mediada pelo diretor Ricardo Barbosa Junior.

Luciane Soares também citou casos recentes de racismo para contextualizar o tema e comentou "todo mundo repudia o racismo, que engraçado que ele exista" . Para a professora, o setor cultural é um lugar de disputa, onde o negro precisa assumir sua posição de protagonismo intelectual através da literatura, do cinema... A ocupação das praças públicas com saraus de poesias negras e cordéis foi sugerida por Soares como de grande importância para o movimento de resistência.

Na época de estudante, o professor  Jorge Luiz Santos começou sua militância em 2008, participando de uma atividade no Sindipetro-NF. Em 2017, ele volta ao mesmo lugar para participar de um debate sobre racismo.

"O racismo é uma luta incessante que não acaba nunca! A gente não pode achar que vai dar conta de acabar com ele, porque não vai. Ele se renova a cada dia!"  - afirmou o professor, que se tornou pesquisador da área por conta do racismo que sofreu em seus locais de trabalho, inclusive sendo impedido de ser diretor porque era negro.

Para Santos, ser negro é todo o dia enfrentar o racismo de maneira direta ou indireta. É necessário ter a sensibilidade de como desconstrói. Para ele o confronto pessoal adoece e desgasta, cansa e é demorado. A academia empodera e o caminho passa por aí. A pesquisa chancela a verdade.

Para fechar o evento foi exibido o documentário Menino 23, que trouxe imagens fortes de um tempo em que o nazismo era forte no Brasil e principalmente no seio de famílias ricas, no caso a Rocha Miranda, que adotava crianças negras para trabalhar em sua fazenda.  A professora da UFRJ e membro do Neab-UFRJ/UFF Macaé, Caroline Guilherme, que orientou as conversas pós-filme ressaltou que era importante conhecer a história para que todos lembrem do que aconteceu e os fatos não se repitam.

Um petroleiro de 36 anos, há seis na Petrobrás como operador de produção na plataforma de Pampo, na Bacia de Campos, está entre os premiados do Concurso de Crônicas do I Festival de Literatura e Cultura de Macaé (Flicmac). A premiação foi entregue na manhã de hoje, durante o evento, que acontece na Praia de Imbetiba.

O petroleiro cronista é Carlos Alberto Bisogno, que ficou em terceiro lugar no concurso com a crônica "Um Minotauro na Ilha de Aço". O texto foi produzindo justamente sob inspiração de um episódio de emergência ocorrido a bordo de Pampo.

Bisogno, que também é cineasta, tem um olhar atento e sensível às rotinas do trabalho e pretende escrever mais sobre este universo. Sua intenção é reunir as crônicas em um livro. Este é o seu primeiro texto premiado em concurso literário.

Confira abaixo a crônica premiada.

 

Um minotauro na ilha de aço

Carlos Alberto Bisogno

"Como o mundo toma um rumo delirante, devemos também ter sobre ele um ponto de vista delirante." (Jean Baudrillard, 1990)

Um ruído constante, oscilando em ondas complexas de tons e dissonâncias, cobria todo ambiente em que ele caminhava em ronda mais aquela noite. A chuva diagonal, jogada para dentro das instalações industriais por um vento cortante vindo do leste, anunciava sua longa viagem com sua força. Até então, as gotas pesadas apenas umedeciam seu macacão laranja, mas logo encharcariam suas botas e já escorriam pelo capacete, óculos e cobriam seu rosto. Vez ou outra, era iluminado por fachos de luz que perpassava as estruturas enquanto seus passos avançavam por vigas e tubulações que ao seu redor formavam corredores disformes. Seu olhar estava suspenso, cego naquele momento. Cegueira criada pela mistificação do ambiente que vinha de sua imaginação, imaginação em forma de música (delirava ouvir Antonio Vivaldi e suas Quatro Estações). Se não fosse o feitiço que acortinava sua visão, qual fosse o foco, seu olhar encontraria a corrosão. Sim, corrosão mesmo, não é figura poética. Para onde se pudesse olhar, a degradação dos materiais por entre suas pinturas se mostrava evidente e a cada instante mais opressora entre grades de piso, tubulações e fios suspensos; elementos contorcidos em tangências que se elevavam, cruzavam ou fluíam em todos os sentidos pelas chapas de pisos e tetos como galhos metálicos de árvores multicoloridas mortas. Sem mais rodeios, ele estava numa plataforma oceânica de produção e petróleo.

O alarme soou agudo e intermitente em lá sustenido entre as luzes que piscavam e alertavam para o perigo iminente. No radiocomunicador alguém gritava na Sala de Controle Central:

—311! 311! 311!

Era o número de identificação de um vaso de pressão de gás que estava “lotando”. Ele apressou o passo, sabia que tinha que alcançar a tempo a válvula de alivio antes que o pior acontecesse — e o pior viria em explosões de calor que invadiriam todos os ambientes numa ignição incontrolável e mortal.

— Ok ! Ok! Chegando...! — ele respondeu no rádio.

Nesse instante antes que pudesse terminar sua frase, sentiu o blackout como se a escuridão abraçasse seu corpo. Assim, num legato para o grave, todos os ruídos artificiais cessaram, inclusive o alarme, em meio ao barulho dos ventos e das ondas na base da plataforma. Ele estacou os passos por um instante tentando entender, ou pensar sua situação — não há como afirmar ao certo o que se passava por sua cabeça. 

Sem lanterna, ou qualquer luz para o guiar, fechou os olhos, ouvia em delírio o Adagio molto do Outono de Vivaldi — ao passar a mão na testa, sentiu seu suor oleoso. A passo curtos, guiado pela memória, tateou pelo ambiente atravessando o obstáculo de metros de uma prisão labiríntica que ele, feito Minotauro, percorreu como conhecia. Quando chegou a válvula ambicionada, já era o Inverno de Vivaldi, acionou-a com todas as suas forças girando-a rapidamente — foi quando ouviu ao seu redor, como um bater de asas de dragão, ou qualquer criatura alada colossal, o rumor que fez tremer as tubulações sobre sua cabeça. Uma luz alaranjada tremeluziu entre as estruturas de forma fantasmagórica — a ameaça estava afastada — através do flare, lança que blotava de uma das esquinas em direção a mar, como um pescoço gigantesco do sistema de despressurização, as ameaçadoras chamas foram cuspidas para o alto e distante da plataforma. Por muitos minutos, o mar profundamente obscuro, sob as chamas, tomou-se de cor esverdeada e suave.

A chuva já havia cessado e ao longe, aos poucos, já se podia ver que amanheceria, foi então que as luminárias se acenderam com o retumbar grave da volta dos turbo geradores. Como se esse fosse um sinal para baixar a guarda, ele caminhou estafado a sua sala, sentou-se, sentindo escorrer o suor grosso de seu rosto; ligou os aparelhos, abriu sua última mensagem em áudio que dizia: 

— Bom dia, meu bem!

Então ele sorriu. E como numa crônica de uma liberdade possível, pensou: Amo minha vida!

(Dedicado à Princesa regente das profundezas dos mares risonhos)

 

 

 

Em um País soberano e democrático, que não tivesse a sua grande imprensa comprada e colonizada, o escândalo denunciado pelo jornal inglês The Guardian, no último domingo, seria repercutido localmente por toda a semana e provocaria abalos sérios no governo. Por muitíssimo menos, quase toda a cúpula do setor de ônibus do Rio de Janeiro está presa. E essa afirmação não é apenas retórica: os esquemas de suborno no Rio, de acordo com a denúncia que levou à prisão empresários e políticos é de R$ 260 milhões. O caso denunciado pelo Guardian revela uma renúncia fiscal para o Brasil de R$ 1 trilhão. A propinagem de Cabral, Jacob Barata e companhia no Rio é um cafezinho perto do esquema de MiShell com as petroleiras estrangeiras.

Não é de hoje que a conversa das multinacionais do setor petróleo é muito íntima com a parte da elite brasileira que sempre esteve à venda. Se dependesse dela, a Petrobrás nunca teria existido. As primeiras campanhas do “Petróleo é Nosso” foram justamente para denunciar os entreguistas. O modo de operação desses abutres é muito conhecido no setor petróleo: onde dá, fica mais barato e pega menos mal, eles fazem a guerra; onde é mais difícil encontrar um bom pretexto, eles compram governos, parlamentares, “formadores de opinião”.

Para quem não viu na imprensa (até mesmo por não ter saído), ou não clicou nos links da mídia progressista alternativa, um resumo: o Greenpeace acionou o governo da Grã-Bretanha, por meio de uma lei semelhante à brasileira de acesso à informação, e obteve documentos que comprovam que o ministro do Comércio da Inglaterra, Greg Hands, esteve no Brasil neste ano para reuniões com o secretário do Ministério das Minas e Energia, Paulo Pedrosa, e ditou as necessidades de petroleiras como a Shell, BP e Premier Oil para obterem benefícios em tributação e licenciamento ambiental. A matéria estarrecedora está disponível em bit.ly/2hDhcuv.

As regras do leilão do pré-sal do último mês de outubro vieram sob este tipo de encomenda (pela MP 765), acabando com a política de conteúdo nacional. Antes, o mesmo havia ocorrido com o PLS131/2015, apadrinhado pelo senador José Serra (PSDB-SP).

Por qualquer ângulo que se olhe, estamos diante de um crime de lesa-pátria. Senadores progressistas e a FUP exigem a anulação do leilão do pré-sal e tomaram medidas jurídicas neste sentido. Você não verá isso no Jornal Nacional.

[Nascente 1019]

 

O Sindipetro-NF recebeu denúncia dos trabalhadores de ocorrência de vazamento de óleo no mar na plataforma PCP-2, na Bacia de Campos. Ainda é desconhecido o momento exato do vazamento e as proporções, mas petroleiros afirmam que o caso ocorreu entre segunda e terça-feira passadas e que o volume de óleo foi suficiente para formar uma mancha no mar em um dos lados da unidade.

O sindicato continua a apurar a denúncia e solicita mais informações da categoria. A entidade também vai notificar os órgãos fiscalizadores. Questionada pelo NF, a área de SMS da Petrobrás negou o vazamento e afirmou que "apenas gotejou líquido da extremidade do queimador que estava parado".

O coordenador do Departamento de Saúde do Sindipetro-NF, Sérgio Borges, lembra que a empresa tem um histórico de subnotificações de acidentes e que é preciso estar atento aos relatos da categoria. Os trabalhadores que tiverem mais informações sobre o caso devem entrar em contato pelo e-mail O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. .

As informações iniciais recebidas pelo diretor do sindicato, Alessandro Trindade, vindas dos petroleiros, são de que o pessoal da operação recebeu um poço após a intervenção de uma sonda, houve descontrole que atingiu o separador de teste e o óleo foi para o mar.

 

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