Tatiana Melim / Da Imprensa da CUT - O amplo programa de privatizações do candidato de extrema direita, Jair Bolsonaro (PSL), prevê o desmonte total de praticamente todo o patrimônio público brasileiro. Se vencer as eleições no segundo turno, em 28 de outubro, ele pretende desnacionalizar, vender para grupos internacionais, ou fechar empresas que prestam serviços essenciais à população, como o fornecimento de água, energia e crédito bancário, além da chamada joia da coroa, o Pré-Sal brasileiro, a terceira maior reserva de petróleo do mundo. E tudo isso para pagar a dúvida pública e não para investir no Brasil e na qualidade de vida dos brasileiros.

Trabalhadores e especialistas alertam que, além das privatizações fecharem milhares de postos de trabalho, nenhum país do mundo se desenvolveu de forma sólida sem que tivesse como base uma indústria nacional forte, em especial nos setores estratégicos, como é o caso do petróleo.

Não é o que pensa Bolsonaro e sua equipe que colocaram na mira do capital privado empresas públicas e estatais, como Petrobras, Eletrobras e Caixa Econômica Federal, entre outras. O mentor da plataforma econômica de Bolsonaro, o banqueiro e economista ultraliberal Paulo Guedes, já deixou claro em declarações à imprensa, mais de uma vez, que pretende promover a privatização de “todas” as estatais, justificando que essa seria uma forma de reduzir o endividamento público.

As intenções e declarações, tanto do presidenciável do PSL quanto do seu guru econômico, estão escritas também em seu plano de governo, que diz expressamente que algumas estatais serão simplesmente extintas, outras entregues à iniciativa privada e uma minoria poderá ser preservada.

No programa não há a especificação de quantas ou quais das 147 empresas da União seriam vendidas. A única definição é que “todos os recursos obtidos com privatizações e concessões deverão ser obrigatoriamente utilizados para o pagamento da dívida pública”, ou seja, nenhum centavo retornará em benefícios para o Brasil e os brasileiros.

Especialistas e trabalhadores dos setores que estão na mira das privatizações contestam as justificativas de Bolsonaro e afirmam que as propostas do presidenciável não passam de uma extensão do desmonte do patrimônio público iniciado pelo ilegítimo e golpista Michel Temer (MDB-SP).

“O programa pretende seguir exatamente o que Temer já está fazendo no Brasil, ou seja, vendendo tudo. Estão abrindo mão do patrimônio que o povo brasileiro ajudou a construir, ignorando completamente que a maioria da população é contra a privatização”, diz o petroleiro e coordenador do Comitê em Defesa das Estatais da CUT, Roni Barbosa.

Além disso, completa o dirigente, a proposta desconsidera a importância do fortalecimento dessas empresas no investimento em tecnologia e ciência e na geração de postos de trabalho no Brasil e para os brasileiros e não para os estrangeiros. “A cadeia produtiva de petróleo, por exemplo, é responsável pela geração de milhões de empregos no país”, alerta Roni, que também é secretário de Comunicação da CUT.

O economista e técnico do Dieese da Federação Única dos Petroleiros (FUP), Cloviomar Cararine, reforça a avaliação feita por Roni e acrescenta que essa proposta vai contra os interesses políticos, econômicos e estratégicos do país.

Se não fosse o Estado brasileiro, diz ele, provavelmente o Pré-Sal não teria sido descoberto. “Considerando os altos riscos envolvidos, uma empresa privada não arriscaria o investimento. A descoberta só foi possível porque uma empresa pública, a Petrobras, investiu na pesquisa tecnológica e confirmou a presença dessa riqueza em solo brasileiro”, explica.

O economista do Dieese lembra ainda que a proposta de privatizar tudo o que é possível para pagar a dívida pública já foi apresentada na década de 1990 e não resolveu o problema. “Além de abrir mão da soberania nacional, as privatizações não garantem o pagamento da dívida nem a melhora do serviço e/ou redução de tarifas”.

“Para que privatizar empresas públicas estratégicas, como a Petrobras, sem deixar claro qual o objetivo diante do debate em torno da dívida pública e de experiências passadas que se mostraram ineficazes?”, questiona.

É o que pergunta também o economista e técnico do Dieese da Federação Nacional dos Urbanitários (FNU), Gustavo Teixeira. Ele lembra que um setor que foi amplamente privatizado na década de 1990 foi a distribuição de energia elétrica.

“E, ao contrário da expectativa do governo, as desestatizações se mostraram incapazes de resolver a crise fiscal”, lembra Gustavo, citando a nota técnica do Dieese, que mostra que entre 1995 e 2003, a dívida líquida do setor público passou de 28% para 52% do Produto Interno Bruto (PIB).

“Além disso, não aumentaram a eficiência, os preços crescem acima da inflação e a qualidade do serviço ainda é muito inferior da desejada pela população”, diz o economista.

Isso sem falar que as estatais federais, nos últimos 15 anos, distribuíram mais de R$ 250 bilhões de dividendos para a União. "Por que, então, vender empresas que garantem dividendos para o governo e podem ser responsáveis por gerar receitas no futuro?", questiona.

Na contramão do mundo

Os dois economistas do Dieese denunciam, ainda, que as propostas apresentadas por Bolsonaro vão na contramão do que está sendo feito no mundo. Países classificados como liberais, como é o caso do Reino Unido, que aderiu à cartilha dos economistas da Escola de Chicago – a mesma de Paulo Guedes - na década de 1990, estão tendo de voltar atrás e reestatizar empresas estratégicas.

“É o caso do serviço de água e esgoto. Com tanto problema na qualidade e oferta do serviço, os ingleses decidiram reestatizar, pois perceberam que é um serviço básico e essencial à população”, diz Cloviomar Cararine, técnico do Dieese da FUP.

É possível verificar esse processo por meio de uma plataforma com o “mapa das reestatizações” criada pelo Observatório Corporativo Europeu e pelo Instituto Transnacional de pesquisa e defesa de um planeta justo, democrático e sustentável.

De acordo com a análise das informações coletadas, entre 2000 e 2015, foram identificados 235 casos de remunicipalização de sistemas de água, abrangendo 37 países e afetando mais de 100 milhões de pessoas. Acesse o site aqui.

“Até mesmo o governo liberal de Donald Trump, que o Bolsonaro tanto adora, está criando uma política de conteúdo local e proteção das empresas nacionais”, completa Cloviomar.

Haddad é o oposto

Já o programa do candidato à Presidência da República pelo PT, Fernando Haddad, diz justamente o oposto e defende a suspensão da política de privatização de empresas estratégicas para o desenvolvimento nacional e da venda de terras, água e recursos naturais para estrangeiros.

“É preciso qualificar os concursos públicos e conter a privatização e a precarização dos serviços públicos, expressas pela terceirização irrestrita e pela disseminação de modelos de gestão e agências capturados e controlados pelo mercado”, diz trecho do programa de governo.

Para recuperar a capacidade do Estado em investir nos serviços públicos, Haddad se comprometeu a revogar a PEC do Teto. “O congelamento de gastos por 20 anos impõe severos prejuízos à população. Nós não teríamos condições de contratar médicos, professores, policiais na vigência da Emenda Constitucional 95 e o povo está pedindo mais saúde, educação e segurança. Sem investimento não se pode dar assistência ao povo”, disse Haddad no encontro com sindicalistas nesta quarta-feira (10).

“É uma contradição do nosso adversário manter todas as medidas do Temer e dizer que vai oferecer mais serviços públicos”.

Segundo o programa de governo, a crise de representatividade do sistema político é também uma crise da capacidade do Estado prover serviços públicos. Por isso, diz o programa, “é necessário estabelecer maior associação entre os valores republicanos, gestão pública e demandas da população por serviços públicos de qualidade, garantindo ao Estado instrumentos para induzir o crescimento econômico e reduzir desigualdades”.

“A relação entre os interesses públicos e privados deve se pautar pela mais absoluta transparência”, conclui o documento.

 

Do boletim Nascente - Para escolher, basta ler. O Nascente verificou os programas dos dois candidatos à Presidência da República que disputarão o segundo turno no próximo dia 28, Fernando Haddad e Jair Bolsonaro, para identificar o que propõem para a Petrobrás. Sem surpresa, os caminhos anunciados em caso de vitória de um ou de outro não poderiam ser mais opostos.

Haddad se compromete, no documento protocolado no Tribunal Superior Eleitoral (bit.ly/2Ot0FeE), a retomar a companhia à “sua função de agente estratégico do desenvolvimento brasileiro, garantindo-a como empresa petrolífera verticalizada — atuando em exploração, produção, transporte, refino, distribuição e revenda de combustíveis — e como empresa integrada de energia, presente no ramo de petróleo e em biocombustíveis, energia elétrica, fertilizantes, gás natural e, sobretudo, petroquímica”.

No sentido contrário, Bolsonaro, também no programa registrado no TSE (bit.ly/2N9Sdgv), defende “promover a competição no setor de óleo e gás, beneficiando os consumidores. Para tanto, a Petrobrás deve vender parcela substancial de sua capacidade de refino, varejo, transporte e outras atividades onde tenha poder de mercado”.

Há diferença considerável ainda entre os programas no que diz respeito ao detalhamento do que é proposto para a Petrobrás. No caso de Haddad, o programa se atém de modo mais específico, cita a recuperação do regime de partilha no pré-sal, a volta da política de conteúdo local, a reorientação na política de preços dos combustíveis, entre outros pontos. No caso de Bolsonaro, passa-se rápido pelo tema, avançando um pouco mais apenas para defender que “os preços praticados pela Petrobrás deverão seguir os mercados internacionais” e a promoção da competição no setor de gás.

NF tem lado

Para o Sindipetro-NF, além de todos os outros temas que possam ser levantados para comparação das candidaturas, especialmente os relacionados às garantias democráticas e à manutenção de direitos trabalhistas e sociais, esta comparação específica sobre a Petrobrás é muito ilustrativa da diferença entre os projetos de País que estão em jogo nestas eleições. A entidade, como manifestado desde o primeiro turno, avalia que a candidatura de Fernando Haddad é a que representa aqueles que defendem uma Petrobrás forte, indutora do desenvolvimento e da geração de empregos em toda a cadeia produtiva, como quer a categoria petroleira e demais trabalhadores e trabalhadoras do País.

Das Imprensas da FUP e do NF - Em documento enviado à FUP, no último dia 11, a empresa justifica o atraso no pagamento da PLR por problemas operacionais. De acordo com a nota, os trabalhadores desligados da empresa deverão receber o pagamento da PLR 2017 entre os dias 17 e 31 deste mês.

O pagamento aos aposentados da Petrobrás, que tem direitos ao proporcional trabalhado em 2017, está previsto para hoje, 15. Já para os aposentados da Transpetro, a subsidiária informou que realizará o pagamento entre 17 e 31 de outubro.

A direção da Federação Única dos Petroleiros continuará acompanhando o cumprimento do acordo, pois falta ainda o pagamento dos trabalhadores da FAFEN Araucária.

Da Imprensa da CUT - A Direção Executiva da CUT, reunida em São Paulo no dia 10 de outubro de 2018, avaliou os resultados do primeiro turno das eleições de 2018, e convoca a mais ampla mobilização nas bases CUTistas para virar o jogo , derrotar a extrema direita à serviço dos empresários que é a candidatura Bolsonaro e eleger Haddad e Manuela, em defesa da democracia e dos direitos da classe trabalhadora!

É possível vencer as eleições presidenciais e não há tarefa mais importante neste momento! O tempo é curto e todos os sindicatos e ramos da CUT devem tomar clara posição contra o retrocesso, os ataques aos direitos sociais e trabalhistas, que significa a do ex-capitão candidato do PSL. É preciso desmascarar este farsante, que há quase 30 anos faz parte do sistema político apodrecido que diz combater, especialmente junto às nossas bases sindicais, trabalhadores e trabalhadoras que estão sendo manipulados contra seus próprios interesses de classe!

Os grandes partidos (MDB, PSDB, DEM) que deram o golpe de Estado e abriram o esgoto da sociedade de onde emergiram viúvas da ditadura militar como o nosso inimigo no 2º turno, ruíram nessas eleições. O fato do candidato do PT ter resistido a essa pressão e hoje ser a única possibilidade de defender a democracia e os direitos, o fato da bancada do PT eleita ser a maior na Câmara Federal e a eleição de governadores que se colocam contra o retrocesso, é uma vitória política que pode nos dar a vitória eleitoral no 2º turno.

O ex-presidente Lula, perseguido e encarcerado, teve uma importância central nesse resultado. A CUT não abre mão da batalha por Lula Livre, que será reforçada com a vitória de Haddad contra a extrema direita reacionária. A CUT chama todos os democratas, independentemente de suas preferências partidárias a somarem-se na luta contra o autoritarismo, o ódio e o retrocesso. Não há meio termo possível, agora é 13!

A força da militância CUTista é fundamental neste momento crucial: ajudamos a colocar no segundo turno Fernando Haddad, representante do projeto democrático e da defesa dos direitos dos trabalhadores, e agora tudo faremos para a virada e a vitória eleitoral no 2º turno! Vamos agir como CUT, como representação sindical da classe trabalhadora, concentrando a nossa ação na defesa dos direitos trabalhistas, da defesa da Previdência Pública e das aposentadorias, na defesa da livre organização sindical ameaçada, na defesa dos serviços públicos e das estatais, numa palavra, na pauta da classe trabalhadora, desmascarando o candidato inimigo como representante dos interesses dos patrões, do mercado financeiro e das multinacionais, que querem liquidar todas as conquistas e a organização de nossa classe.

Vamos reverter em nossas bases os votos de trabalhadores e trabalhadoras que não são “fascistas” mas que foram manipulados por uma enxurrada de notícias falsas e também pela grande mídia que esconde a barbárie que é o ex-capitão, um farsante que se diz “anti-sistema” mas que votou a favor de todas as medidas do golpista Temer contra os direitos dos trabalhadores e a soberania nacional, que apoiou as privatizações a EC 95, a terceirização ilimitada, que acoberta a violência do agro-negócio e do latifúndio contra trabalhadores e trabalhadoras rurais! Um sindicato digno desse nome não pode ficar neutro diante da polarização do 2º turno. A CUT e outras seis centrais sindicais já tomaram clara posição a favor da chapa Haddad/Manuela, em defesa dos direitos e da democracia.

O cenário de polarização entre direita-esquerda expõe a intensa luta de classes que sempre existiu no Brasil, mas que agora se apresenta sem nenhum pudor; em que o fantasma do militarismo ameaça nossa democracia e em que o ódio pelas minorias espalha um rastro de violência covarde com assassinatos e agressões de quem não bate continência para o ex-capitão, a CUT reafirma seu compromisso com os trabalhadores, trabalhadoras, com a sociedade brasileira e na defesa de todo e qualquer direito conquistado e garantido ao povo brasileiro.

A CUT reafirma seu compromisso com os trabalhadores, trabalhadoras e com a sociedade brasileira na defesa de todo e qualquer direito já conquistado e garantido ao povo brasileiro.

As diretrizes e os princípios históricos que sempre nortearam a atuação CUTista também estarão presentes no segundo turno das eleições de 2018, quando apoiaremos o projeto do campo democrático de governo que:

Devolva, preserve e aumente os direitos dos trabalhadores e da sociedade, revogando a Reforma Trabalhista de Michel Temer em todas as suas frentes;

Defenda e aumente a oferta de empregos formais, decentes, com remuneração digna;

Reverta as medidas que trouxeram a carestia e privilegiaram o rentismo em detrimento da vida;

Implemente medidas que trarão de volta o desenvolvimento humano, social e econômico ao Brasil;

Reverta o desmonte dos serviços públicos, as privatizações e concessões que estão destruindo o patrimônio de todos os brasileiros;

Revogue completamente a EC 95 e o congelamento dos gastos públicos por 20 anos;

Priorize os investimentos na saúde, educação, assistência social e outros setores fundamentais para o povo brasileiro;

Defenda a soberania brasileira de qualquer ameaça interna ou externa;

Priorize, enfim, todas as reformas estruturais e medidas que possam garantir uma vida melhor para todos os brasileiros.

Nesse sentido, a CUT orienta seus dirigentes e trabalhadores a organizar e intensificar o trabalho junto à classe trabalhadora para:

IR PARA AS RUAS – Fazer o debate pessoalmente é imprescindível

Fazer materiais informativos para as bases sindicais mostrando as diferenças de propostas dos candidatos e seus impactos nas categorias e na classe trabalhadora;

Engajar-se na organização de comitês de luta pela democracia e pelos direitos juntamente com outros sindicatos e organizações dos movimentos populares;

Priorizar o debate nas ruas das periferias, nos locais de trabalho, nas praças e onde for possível explicar os direitos que serão retirados e as consequências concretas para a vida de cada trabalhador e trabalhadora, suas famílias e suas vidas;

Dialogar em especial com a mulher trabalhadora, grande prejudicada pela discriminação e pela retirada de direitos que pode se tornar realidade;

Falar com os jovens trabalhadores e trabalhadoras sobre trabalho, estudo, violência;

Falar com todos de maneira simples, de forma clara e acessível; de trabalhador para trabalhador, de mulher para mulher, de jovem para jovem;

Debate, debate, debate. Assim será a disputa do discurso e a conquista de corações e mentes.

RADICALIZAR O DEBATE NA DEFESA DOS DIREITOS TRABALHISTAS, SOCIAIS E DA DEMOCRACIA.

ENFRENTAR O DEBATE NAS REDES SOCIAIS, FOCANDO SEMPRE NA PERDA DE NOSSOS DIREITOS.

Temos raízes, temos história!

A CUT vai inteira para a luta: forte, vermelha, pelos trabalhadores, pela sociedade e pela democracia!

Direção Executiva da CUT Nacional

Na velocidade bem humorada das redes sociais, em que o brasileiro e a brasileira, para espanto de muitos estrangeiros, consegue rir e produzir riso mesmo à beira do abismo, mal havia sido concluída a apuração dos votos no primeiro turno das eleições presidenciais que apontaram a primeira colocação de uma candidatura fascista — de um candidato que tece elogios públicos, inclusive no parlamento, a torturadores — subia a hashtag galhofeira “#FicaTemer”.

A brincadeira tem um fundo trágico de verdade: mesmo que, por um surto democrático, uma iluminação sobrenatural ou por qualquer outro fenômeno, o candidato da direita extremista resolvesse, se eleito (bate na madeira) respeitar regras democráticas, controlar a sua turba violenta e manter os militares (incluindo o seu vice) aonde devem estar, restaria ainda o futuro sombrio da acentuação da agenda neoliberal que penaliza os mais pobres e faz a festa dos mais ricos.

Seria um Temer ainda mais violento, ávido por aceitação dos donos do “mercado” e, desta vez, ungido pelo voto popular. Em um Congresso que continua de ampla maioria conservadora — tendo a própria bancada do partido do inominável se tornado a segunda da Câmara Federal, atrás apenas do PT —, as condições para acelerar no corte de direitos trabalhistas e sociais estariam ainda mais dadas do que no cenário já trágico em que nos encontramos. Ou seja, o que é ruim pode piorar.

Por isso é que todo brasileiro e toda brasileira que tem o mínimo de senso acerca do que está em jogo, tanto sob o ponto de vista do funcionamento da democracia quanto sob o ponto de vista dos direitos, não pode manter-se em omissão neste momento crítico. É preciso dialogar com amigos, parentes, vizinhos. É preciso posicionar-se nas redes sociais, ajudar a combater notícias falsas e divulgar as propostas da candidatura que verdadeiramente promove justiça social e distribuição de renda, que fará o País crescer de baixo para cima, com mais inclusão, como ocorreu no País antes que a onda conservadora iniciasse uma desestabilização institucional que culminou com o Golpe de 2016.

A CUT, a FUP e o Sindipetro-NF, estão ao lado dos trabalhadores e das trabalhadoras, como sempre. E por isso não vacilam, não ficam em cima do muro, não brincam com coisa séria: todos e todas com Haddad para a Presidência.

[Nascente 1061]

 

O Sindipetro-NF promove, no próximo dia 18, às 18h, no Teatro da entidade em Macaé, a palestra "Quando o trabalho adoece e mata", com a professora Terezinha Martins. Doutora em psicologia pela PUC-SP, a palestrante é integrante do Departamento de Saúde Coletiva da UNIRIO.

O evento dá continuidade ao Ciclo de Debates e Palestras sobre a questão de gênero e assédio, realizado pelo NF desde agosto.

Imprensa da CUT - Presidenciável do PT fez a afirmação ao receber um documento do movimento sindical que pede a revogação da reforma Trabalhista e PEC do Teto. Para Vagner Freitas, Haddad é o único capaz de devolver os direitos

A candidatura de Haddad é a que melhor representa as demandas da classe trabalhadora brasileira, além de ser a garantia de defesa e fortalecimento da democracia, segundo os presidentes da CUT Vagner Freitas, da Força Sindical Miguel Torres, da CTB Adilson Araújo, da UGT Ricardo Patah, CSB Antônio Neto, NCST Antônio Calixto e Internsindical Edson Índio, que assinaram o manifesto.

Haddad agradeceu o movimento sindical pelo apoio, lembrou de sua trajetória democrática e de luta em defesa dos direitos da classe trabalhadora e se comprometeu com a agenda apresentada pelos sindicalistas que reivindicam a imediata revogação da reforma Trabalhista e da PEC do Congelamento.

“Essa mesa aqui não é nova na minha vida, eu tive a oportunidade de sentar com as centrais sindicais como ministro da educação e como prefeito de SP e em todas as ocasiões, tive um debate muito respeitoso com os representantes das centrais”

“Tivemos oportunidade de estabelecer acordos sempre no sentido da valorização dos trabalhadores e trabalhadoras. Nós tivemos a oportunidade de fazer o país avançar”, disse Haddad.

O presidente da Força Sindical, Miguel Torres, disse que em reunião realizada na sede da entidade, nesta segunda-feira (8), os dirigentes decidiram ficar ao lado do progresso, da democracia, do desenvolvimento e do futuro do País.

“Estamos de corpo e alma na campanha de Fernando Haddad e Manuela d’Ávila”, afirmou.

“Não queremos ficar em cima do muro: de um lado está o desenvolvimento e do outro lado, o atraso. Já se fala em ter de escolher entre trabalho e direitos, férias e 13º. Temos obrigação de abrir os olhos dos trabalhadores e colocar o País no rumo do crescimento”, ressaltou Miguel Torres.

O presidente da CTB, Adilson Araújo, criticou os ataques à Manuela e à sua filha, a crise do sistema capitalista internacional e disse que chegar ao segundo turno da eleição presidencial é motivo de celebração, pois é possível ganhar.

"Vivemos um quadro de restauração do sistema neoliberal, de golpes no país que levaram ao desastre econômico e social”, disse ele, que concluiu: "foram 12 anos bombardeando os governos do PT, chegar até aqui [segundo urno] é para celebrar. Somos vencedores. Temos condições de ganhar para defender a democracia, a soberania nacional e o estado democrático de direito".

O presidente da CUT, Vagner Freitas, fez um apelo aos trabalhadores e trabalhadoras para que “votem em Fernando Haddad, no número 13, porque nesta eleição há dois lados, o lado do trabalhador e o lado dos patrões e do golpista e ilegítimo Michel Temer”.

Nesta eleição, disse Vagner, será definido o futuro do país e o tipo de sociedade em que os brasileiros querem viver. “Está em jogo não apenas a liberdade sindical, mas a democracia e os direitos individuais”, disse o presidente da CUT, que criticou as declarações e posicionamentos do candidato Jair Bolsonaro (PSL), que defende a ditadura, o armamento da população e a violência.

O presidente da Intersindical complementou dizendo que, nesta eleição, o que está em jogo é o futuro do povo brasileiro, a soberania nacional, a civilização.

“Somos contra a barbárie, a miséria e violência. Neste momento, todos os setores democráticos devem estar com a candidatura de Haddad. É a candidatura de quem tem compromisso com o Brasil”, disse Índio.

Luiz Gonçalves, o Luizinho, presidente estadual da Nova Central Sindical em São Paulo, alertou que “Bolsonaro já anunciou um ministério de guerra e há perigo até de fechamento do congresso”.
No seu discurso, Haddad falou sobre os estragos do golpe de 2016 para o Brasil e para os brasileiros e disse que não é cortando direitos dos trabalhadores nem dando reajuste do salário mínimo abaixo da inflação que o país vai reativar a economia.

“Ao contrário, nós vamos agravá-los. A economia se reativa com aumento e não diminuição do poder de compra do salário”, disse o candidato petista que continuou “não é cortando direitos históricos, como 13° e férias, que será possível tirar o Brasil da crise”.

“O problema do nosso adversário é que ele já nomeou um banqueiro para Ministro da Fazenda. E um banqueiro tem uma visão do mundo completamente diferente. Nossa visão de mundo é tornar o povo parte da solução não do problema”.

Nossa solução não é uma arma em uma mão e outra arma na outra, é uma carteira de trabalho em uma mão e um livro na outra- Fernando Haddad

Haddad criticou também o “congelamento de gastos por 20 anos que impõe severos prejuízos à população. Nós não teríamos condições de contratar médicos, professores, policiais na vigência da Emenda Constitucional 95 e o povo está pedindo mais saúde, educação e segurança. Sem investimento não se pode dar assistência ao povo”.

É uma contradição do nosso adversário manter todas as medidas do Temer e dizer que vai oferecer mais serviços públicos- Fernando Haddad

Barrar a violência

O candidato à Presidência pelo PT, que tem assumido o compromisso de ser o representante de uma frente ampla nacional em defesa da democracia, fez ainda um alerta: “não são só os direitos trabalhistas e sociais que estão em risco no Brasil. Os direitos civis e políticos estão cada vez mais ameaçados”.

“Temos de interromper a escalada de violência. Nós estamos falando dos fundamentos de uma sociedade civilizada, de direitos civis e políticos que têm 200 anos de história na civilização ocidental”, disse Haddad, se referindo a uma série de agressões por parte de simpatizantes do capitão reformado a pessoas que têm posições políticas diferentes, como o assassinato do mestre de capoeira na Bahia e a agressão a uma menina de 19 anos, que teve a suástica “tatuada” a canivete em suas costas porque vestia a camisa com os dizeres ‘ele não’.

Manifesto sindicalistas

No ato de entrega do documento, intitulado ‘Movimento Sindical em Defesa dos Direitos Trabalhistas e da Democracia”, estiveram presentes a candidata à vice presidente na chapa ‘Brasil Feliz de Novo’, Manuela D'Ávila (PC do B), o ex ministro do Trabalho e da Previdência, Luiz Marinho, a presidenta do PT Gleisi Hoffmann, além de outros representantes do Partido dos Trabalhadores e do movimento sindical.

Centrais Sindicais entregam nesta quarta manifesto de apoio a Haddad

 

Os presidentes de sete centrais sindicais entregarão nesta quarta-feira (10) um manifesto ao candidato à Presidência da República Fernando Haddad (PT) em apoio à sua eleição. Os sindicalistas acreditam que o candidato petista é o que melhor representa a defesa dos direitos dos trabalhadores e trabalhadoras e do fortalecimento da democracia nesse momento tão delicado pelo qual atravessa o País.

Para o presidente da CUT, Vagner Freitas, defender Haddad na presidência da República é defender os direitos trabalhistas e a soberania nacional, ao contrário de Jair Bolsonaro (PSL), que defende o projeto dos patrões e de Temer, contrários à classe trabalhadora.

“Os trabalhadores e trabalhadoras viveram o seu melhor momento no governo Lula, e Fernando Haddad vai ao encontro do mesmo projeto do ex-presidente, que é a criação de empregos e a carteira de trabalho assinada”, defende Vagner.

“Já o candidato do PSL aprovou a terceirização e a reforma Trabalhista. Por isso, eu e os demais presidentes das centrais defendemos Haddad na presidência da República”.

O presidente da CTB Adilson Araújo afirmou ao Portal Vermelhoque está confiante de que as centrais sindicais se unificarão em torno do ex-prefeito de São Paulo que disputa o segundo turno presidencial com Jair Bolsonaro (PSL). No primeiro turno, apenas Haddad e Ciro Gomes tiveram apoio das centrais.

“São dois projetos opostos. O projeto de Bolsonaro é vocacionado para defender a continuidade e o aprofundamento das maldades de Temer contra o trabalhador. Ele propõe uma carteira verde e amarela que significa menos direitos, menos benefício, menos salário. É o trabalho análogo à escravidão”.

Para o dirigente, Haddad é o candidato que tem compromisso com a Agenda dos Trabalhadores. “Ele se comprometeu a revogar a Emenda Constitucional 95, que congelou gastos por 20 anos, e a reforma trabalhista. Haddad também coloca no centro do seu programa um projeto de desenvolvimento nacional que se sustenta na defesa do investimento público, em destravar a economia, combater o desemprego e valorizar os salários”, enumerou Adilson.

A Força Sindical realizou plenária na segunda-feira (8) em que orientou os filiados a apoiarem Fernando Haddad neste segundo turno. No primeiro turno, o candidato da coligação O Brasil Feliz de Novo (PT, PCdoB e Pros) foi apoiado pela CTB e pela CUT. 

O ato “Movimento Sindical em Defesa dos Direitos dos Trabalhadores e da Democracia” será realizado com a presença de Haddad, a partir das 16h30, no Leques Brasil Hotel, no bairro da Liberdade, em São Paulo.

O manifesto é assinado por: Vagner Freitas - CUT, Miguel Torres – Força Sindical, Ricardo Patah – UGT, Adilson de Araújo – CTB, Antonio Neto – CSB, José Calixto - Nova Central e Edson Carneiro Índio – Intersindical

[Com informações da CUT e do Portal Vermelho]

Imprensa da FUP - Sindicatos ligados à FUP reúnem-se para fazer análise de conjuntura. 

Até ao final desta semana todos os dirigentes sindicais dos sindipetros ligados à Federação Única dos Petroleiros, vão reunir a categoria para analisar a conjuntura política do país. Propostas sobre o que fazer para impedir o avanço do fascismo serão discutidas e resultarão em preposições para orientar a luta em defesa da democracia.

No dia 16 de outubro, no Rio de Janeiro, a FUP reunirá seus representantes para ouvir as análises regionais e traçar o caminho da luta para os próximos dias.

 

O Sindipetro-NF participa desde 2015 da Comissão Estadual do Benzeno, onde está na Coordenação da Bancada dos Trabalhadores e denuncia que a Comissão não se reúne desde março por conta da FIRJAN, que é coordenadora da bancada patronal e tem criado dificuldade em cumprir a agenda da CEBz-RJ.

Para o NF essa atitude de esvaziamento por arte da FIRJAN tem a ver com o período eleitoral pelo qual o país passa. A bancada dos trabalhadores vem tentando negociar com as outras duas bancadas uma data para se reunir, mas até o momento não foi fechada uma agenda. Caso não seja definida uma data a ideia é tomar uma atitude política mais firme.

Além da CEBz, o sindicato tem resistido em outras frentes fazendo reuniões períódicas com a categoria petroleira, entrando na justiça com três ações civis públicas sobre a existência de benzeno nas áreas de trabalho do Sistema Petrobrás.

Durante essa semana, o NF realizará uma série de ações de formação dobra a exposição ao Benzeno, a partir do dia 10. Serão encontros nas bases e conversas ao vivo pelo Facebook para contribuir na luta pela saúde dos trabalhadores e trabalhadoras. Confira a programação abaixo e participe.

Dia 10
Manhã - Farol.
19h - Face to face com mediador do NF, o médico do trabalho do sindicato, Ricardo Garcia, e um representante da Comissão Nacional do Benzeno.

Dia 11
Manhã - Aeroporto de Campos.

Dia 15
Manhã - Falcão Bauer.

Dia 22
Manhã - Aeroporto de Cabo Frio.

Dia 24
Manhã - Aeroporto de Macaé.

Leia o texto do economista Rodrigo Leão do INEEP, publicado no Le Monde Diplomatique:

 

Ascensão do bolsonarismo e os rumos do campo progressista

*Rodrigo Leão

O bolsonarismo atende aos anseios da sociedade ao oferecer algo aparentemente novo e aqui exige um cuidado fundamental: o novo não é na figura, mas na forma. A forma de comunicar, de tratar dos problemas e achar soluções

Independente dos resultados do segundo turno das eleições, a nova bancada de deputados, senadores e governadores expõe uma nova configuração da política nacional marcada pela ascensão de novas forças políticas e rupturas de antigas estruturas de poder materializada na destruição da “velha direita democrática”, aquela formada após a Constituição de 1988, e numa crescente fragmentação do campo progressista, sem que isso significasse uma ampliação relevante da sua representação no campo institucional.

Para essa nova força, os partidos são apenas mera formalidade para a disputa política, sua ferramenta de representação está na massificação das redes sociais. E aqui se caracteriza uma primeira diferença importante entre essa nova direita e as velhas forças políticas, sejam elas de direita ou esquerda.

A nova direita opta por um caminho de comunicação aparentemente excêntrico porém não desconhecido: por um lado, inicia uma espécie de ataque sistêmico aos meios de comunicação tradicionais de massa associado à direita e às novas formas de comunicação criadas pelo campo progressista, jogando todos num mesmo balaio: parciais, ideológicos e imorais. Por outro lado, aproveitando-se da velocidade e da capilaridade das redes sociais, cria um instrumento próprio de comunicação, extremamente despolitizado, personalizado, de fácil entendimento e mais raivoso.

Essa forma de comunicação permite a ascensão da nova direita, principalmente do bolsonarismo, impulsionando sua base a partir de dois mantras; i) o discurso de ódio contra tudo que está associado à velha política e; ii) a associação do caos político, social e econômico do país à ruptura de determinados padrões culturais.

Essa narrativa ganha ainda mais aderência com a devassa à política tradicional provocada pela forma de combate à corrupção da Lava-Jato. Como adverte Reinaldo Azevedo, em sua coluna na Folha de São Paulo, em agosto de 2018, “os populismos que nos ameaçam são a consequência do processo de destruição da política a que passaram a se dedicar o MPF, a PF e setores do Judiciário”. O vácuo politico, por sua vez, é rapidamente ocupado pela narrativa do “novo” e do apelo a moralidade bolsonarista.

Um segundo aspecto conectado ao bolsonarismo é a construção de uma nova base social, bastante fragmentada, heterogênea e recheada de contradições. Com o advento das redes sociais ela não precisa ser coesa socialmente, pelo contrário. A grande chave agora é a criação de um laço alimentado pelo discurso simplório, tosco, aparentemente honesto, desconexo entre si, mas que deve ser capaz de fazer a mensagem chegar a um número crescente de pessoas. Alguns exemplos:

i) A ignorância e a raiva para tratar de assuntos econômicos, educacionais e de saúde não são vistas mais como despreparo, mas sim como um atributo de transparência, indignação e honestidade, de um político que não quer enganar o eleitor;

ii) A crise educacional do país é uma questão moral e ideológica: primeiro de conteúdo, tais como ideologia de gênero, discussões filosóficas, que estaria desviando o foco do ensino e, segundo, de ausência de disciplina e desrespeito ao professor. A solução é alterar a diretriz de conteúdo e aumentar a rigidez nas escolas.

iii) A solução para a violência é armar o cidadão de bem, assim, como há um número maior de cidadãos de bem do que maus cidadãos, haveria uma espécie de extermínio natural dos maus cidadãos, os marginalizados.

Ao unir esses três discursos, o bolsonarismo consegue se conectar de forma rápida à parte da elite antilulista que julga a corrupção como o maior mal do país, aos professores cansados de mau tratamento nas escolas, à parcela mais pobre e religiosa da população defensora de hábitos bastante conservadores e, por fim, à população amedrontada pela violência. A novidade aqui é que não há pautas amplas e coletivas, mas sim pontuais e bastante individualizadas.

Um terceiro aspecto importante diz respeito a estrutura econômica e financeira que sustenta a formação do bolsonarismo. Saem de cena os grandes conglomerados financeiros e os grupos empresarias industriais, típicos financiadores de campanha da velha direita e esquerda e, entram no seu lugar, os grandes grupos de comércio de varejo nacional e o empresariado evangélico. Há uma forte identidade de classe, discursos e valores entre os empresários e o bolsonarismo.

Carreata pelas ruas de Brasília a favor do candidato à Presidência da República, Jair Bolsonaro.

Dessa forma, rompe-se o padrão de relação direta de financiamento que passa a ser substituída por uma nova forma indireta. Isto é, os recursos não são mais direcionados à campanha, mas diretamente ao eleitor, utilizando a forte capilaridade dessas empresas e igrejas que detém um poder avassalador sobre os seus funcionários e fieis. Aqui não há problemas em gerar constrangimentos, violência, afinal esses são dois dos valores compartilhados pelo líder político e seu financiador.

A desindustrialização observada desde o governo FHC, a profunda liberalização econômica e a retomada do crescimento do consumo também traz impactos fundamentais ao tecido social contemporâneo: desorganiza a base historicamente associada aos partidos progressistas e da velha direita. Em substituição, expande-se, parafraseando Marx, um exército de reserva de mão de obra, por um lado, e uma demanda gigantesca fruto da expansão extraordinária do consumo desde o governo FHC, por outro. Com isso, grandes marcas como Americanas, Havan se expandem, criam uma rede extensa de consumidores e constituem uma base imensa e capilarizada de trabalhadores pelo país; esta bastante abandonada pelas estruturas tradicionais de representação política e sindical. Isso sem contar que, no cenário de caos político, moral e econômico, há um aprofundamento da relação da população mais vulnerável com os grandes espaços religiosos.

Enfim, o bolsonarismo atende aos anseios da sociedade ao oferecer algo aparentemente novo e aqui exige um cuidado fundamental: o novo não é na figura, mas na forma. A forma de comunicar, de tratar dos problemas e achar soluções. As mensagens são simples, palatáveis, os problemas são de culpa de todos que estiveram e estão por aí, bem como as soluções residem na mudança da “velha forma” de fazer política. Com todas as reservas, é isso que Mao Tse Tung fez na China nos anos 1930 para se consolidar como uma alternativa ao poder imperial. Esse exemplo é fundamental para entender que, nesse fenômeno, o espectro ideológico da inovação não é decisivo.

Além disso, esse novo representado pelo bolsonarismo possui uma forte conexão com os valores tradicionais da nossa sociedade, aqueles da Senzala e não da Casa Grande. O bolsonarismo presta um tipo de solidariedade ao resgate desses valores que, nessa perspectiva, são fundamentais para enfrentar a crise moral vivida no país.

Enquanto isso, o campo progressista disputa os valores da Casa Grande, digladiando com a velha direita sobre os responsáveis da crise econômica e do desastre social, sem compreender que todas as forças politicas tradicionais seriam culpabilizadas. E, mais grave: como solução apresenta a alternativa – fracassada, diga-se de passagem – da união do “velho” assentada em forças políticas do lulismo, em menor escala, do brizolismo, e com candidatos exaustivamente conectados ao passado. Coloca-se aqui um dilema: precisa-se do lulismo, mas também sua transição é urgente. O que fazer?

Essa é tarefa para o médio e longo prazo, no curto isso significa perguntar se a frente progressista tem capacidade de trazer algo novo em relação ao bolsonarismo nos próximos vinte dias? A missão é hercúlea e a capacidade de alcançar sucesso é mais difícil ainda. No entanto, a chance de êxito depende da compreensão das reais demandas do povo e de uma nova forma de se comunicar a ele, sempre lembrando do sinal já dado no primeiro turno: somente a união do velho não é mais suficiente, a menos que consiga-se associar o bolsonarismo ao que há de mais retrógrado na política.

Do passado, ficam apenas a necessidade de voltar aos escritos de Gilberto Freyre, de compreender melhor a história da ascensão maoísta (e de outras novas lideranças que surgiram em diferentes momentos) e, principalmente, de tirar lições de como se conectar com a alma do povo mais sofrido do país. Essa última tarefa, um certo partido brasileiro foi capaz de fazer com rara maestria há cerca de quarenta anos atrás.

 

*Rodrigo Leão é mestre em desenvolvimento econômico (Unicamp), pesquisador-visitante do Núcleo de Estudos de Conjuntura Econômica da UFBA e diretor-técnico do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep).

Rede Brasil Atual - Na comparação com o salário médio dos homens, em 2017, as mulheres encerraram o ano ganhando 17,46% a menos que os trabalhadores do sexo masculino, revelam os dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), do Ministério do Trabalho, divulgados na sexta-feira (28). A discrepância salarial acompanhada da divisão de gênero reflete um conjunto de práticas culturais, segundo o diretor técnico do Dieese, Clemente Ganz Lúcio.

Em entrevista à jornalista Marilu Cabañas, da Rádio Brasil Atual, o diretor técnico destacou que em muitas gestões é comum que as práticas salariais adotadas para as mulheres sejam menores, apresente desvantagens na permanência dentro do mercado de trabalho, restrinja sua participação em ocupação de baixa remuneração e relativize a cultura do trabalho duplo e de cuidados.

"Isso as afastam destas condições de igualdade de presença no mercado de trabalho e essa desigualdade acaba conferindo a elas a desigualdade salarial", avalia Clemente sobre o levantamento, que indica o fechamento do salário dos homens em R$ 3.181, enquanto o das mulheres em R$ 2.708, 85,1% da remuneração masculina. 

Para ele, a lenta variação positiva que o Brasil vem apresentando, com um crescimento de 1,8% no salário das mulheres na comparação com 2016, passa pela criação de condições objetivas, culturais e que permitam a ascensão da força feminina no mercado de trabalho.

Pagina 1 de 821

Sede MacaéMacaé

Rua Tenente Rui Lopes Ribeiro, 257 Centro - CEP 27910-330 Telefone: (22) 2765-9550

Sede CamposCampos

Av. 28 de Março, 485 Centro - CEP 28.020-740 Telefone: (22) 2737-4700