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Editorial

Foco, força e luta

Uma avalanche de informações, correntes de influência midiática, instabilidade institucional e confusão política, podem gerar um desânimo, uma sensação de que não vale a pena lutar, de que tudo só piora. Mas não há outro caminho. Somente a resistência dos trabalhadores e das trabalhadoras poderá promover a travessia para um tempo de justiça social no País.
Petroleiros e petroleiras, assim como outras categorias estratégicas, sabem que têm uma responsabilidade adicional neste cenário. Entre nós não há espaço para o individualismo despolitizado, para a mesquinharia do “farinha pouca, meu pirão primeiro” — até mesmo por sabermos que isso seria soprar a favor do vendaval que está levando toda a farinha. Nosso papel é de contenção contra os ataques e de acúmulo de forças para a reação que virá.
Se há um lado bom neste ciclo de horrores aberto pelo Golpe de 2016 é o de que as posições se tornaram mais explícitas. Os algozes da classe trabalhadora avançaram com tamanha velocidade, aproveitando uma “janela de oportunidade” que não sabem até quando durará, que acabaram por expor de forma muita clara toda a sua agenda de cortes nos direitos trabalhistas, cortes nos direitos sociais, descaso com a democracia e negligência para com a soberania nacional. Tudo isso ficou mais nítido para a população que, não por acaso, mesmo sob intenso bombardeio, mantém Lula na liderança nas pesquisas.
O anúncio, nesta semana, de fechamento de mais de 500 agências dos Correios, a insistência na “necessidade urgente” de privatizar a Eletrobrás, o desmonte há muito conhecido na Petrobrás, são as faces mais próximas e mais visíveis dessa política anacrônica, privatista, que não certo em lugar algum, e só tornou nações inteiras mais vulneráveis em relação ao poderio das grandes corporações.
Não será fácil retomar o rumo de um desenvolvimento com preocupação social, onde o Estado cumpra um papel indutor da distribuição da renda. Mas é preciso criar as condições políticas para que isso aconteça. O Brasil precisa ser maior do que esses que usurparam o poder. Vamos manter o foco, a força e a disposição para a luta. Greve neles!

 

Espaço aberto

Encontro com Lula

Leonardo Boff**
No dia 7 de maio cumpriam-se 30 dias de prisão do ex-presidente Lula. Foi-lhe concedida pela primeira vez receber a visita de amigos. Tive a honra de ser o primeiro a encontrá-lo pela amizade de mais de 30 anos e pela comunhão de causa: a libertação dos emprobrecidos e para reforçar a dimensão espiritual da vida. Cumpri o preceito evangélico:”estava preso e me visitaste”.
Encontrei-o como o conhecemos fora da prisão: rosto, cabelo e barba, apenas levemente mais magro. Os que queriam vê-lo acabrunhado e deprimido devem se decepcionar. Está cheio de ânimo e de esperança. [...]
O importante foi a conversação de natureza espiritual na qual se misturavam observações políticas.. Lula é um homem religioso, mas da religiosidade popular para a qual Deus é uma evidência existencial. [...]
Na cabeceira da cama há um crucifixo. Aproveita o tempo de reclusão estrita para refletir, meditar, rever tantas coisas de sua vida e aprofundar as convicções fundamentais que dão sentido a sua ação política, aquilo que sua mãe Lindu (que a sente como um anjo protetor e inspirador) sempre lhe repetia: sempre ser honesto e lutar e mais uma vez lutar. [...]
Indigna-se profundamente por causa das mentiras que divulgam contra ele e sobre elas montaram o processo do triplex. Pergunta-se, como podem as pessoas mentirem conscientemente e poderem dormir em paz? Faz um desafio ao juiz Sérgio Moro: “apresente-me uma única prova sequer, de que sou dono do triplex de Guarujá. [...]
A meditação o fez entender que esta prisão possui um significado que transcende a ele, a mim e às disputas políticas. Deve ser o mesmo preço que Gandhi e Mandela pagaram com prisões e perseguições para alcançarem o que alcançaram. “Assim creio e espero”, dizia, “que é o que estou passando agora”.
Eu que entrei para anima-lo, saí animado. [...]

* Trechos do artigo “Encontro com Lula na prisão: espiritualidade e política”, publicado no blog do autor, em bit.ly/2I94CyU. ** Teólogo.


Capa

APROVAR GREVE E DEFENDER A PETROBRAS

Categoria avalia indicativo de greve contra a privatização da Petrobrás, o desmonte da democracia e dos direitos sociais. Hoje é dia de assembleias no Parque de Tubos e em grupos de Cabiúnas

Chegou a hora. A categoria petroleira na região está mobilizada com a realização de assembleias, desde ontem, para avaliar o indicativo de greve no Sistema Petrobrás contra a privatização e retirada de direitos dos trabalhadores próprios e terceirizados, com data a ser definida pela FUP.
As assembleias também avaliam indicativos de desconto assistencial e de aprovação de manifesto em defesa da soberania, pela democracia e contra a prisão politica do ex-presidente Lula.
A diretoria do NF tem reforçado em contatos nas bases e aeroportos a importância de uma participação massiva nas assembleias. O chamado também foi tema de Face to Face na última quinta-feira.
Para o coordenador geral do Sindipetro-NF, Tezeu Bezerra, este é o momento de a categoria petroleira dar uma mostra muito intensa de disposição para a luta contra a privatização da Petrobrás e todo o desmonte do estado brasileiro, que estão entre os principais objetivos do Golpe de 2016.

Confira abaixo o calendário de assembleias e participe.

Base Data Hora

*Sede Campos Quarta, 9 10h
*Imbetiba Quarta, 9 13h
P. Tubos Quinta, 10 13h
Edinc Sexta, 11 12h30
Cabiúnas
ADM e Grupo D Quarta, 9 7h
Grupo C Quarta, 9 15h
Grupo E Quinta, 10 7h
Grupo A Quinta, 10 23h
Grupo B Sexta, 11 23h

Plataformas
De quinta, 10, a domingo, 13, com retorno das atas até às 12h da segunda, 14.

Indicativos:
1 - Aprovar greve no Sistema Petrobrás contra a privatização e retirada de direitos dos trabalhadores próprios e terceirizados, com data a ser definida pela FUP.
2 - Aprovar o desconto assistencial de 1% (UM por cento) sobre o salario líquido durante três meses, sendo 0,5% para a FUP e 0,5% para os respectivos Sindicatos.
3- Aprovação do manifesto em defesa da soberania, pela democracia e contra a prisão politica de Lula.

*Assembleias realizadas.


Setor privado

Halliburton: Luta conquista reintegração

Demitidos por participar de greve retornam à empresa após mobilização da categoria e do sindicato

O Sindipetro-NF esteve na terça, 8, na sede Halliburton em Macaé para acompanhar a reintegração de três trabalhadores da divisão de WP (Wireline e Perforating) demitidos no dia 10 de abril
No dia 2 de maio, durante audiência de conciliação na Seção Especializada em Dissídios Coletivos do Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (TRT/RJ), a desembargadora Rosana Salim Villela Travesedo, vice-presidente do TRT/RJ, julgou o pedido liminar da empresa, determinando que a Halliburton reintegrasse os quatro trabalhadores demitidos.
Na mesma decisão, a desembargadora considerou que, em março deste ano, foi criado um grupo de trabalho para resolução em 120 dias da questão das folgas suprimidas, que está sendo reivindicada por todos os trabalhadores das outras linhas da empresa.
A próxima etapa é o envio de um telegrama, por parte do RH da empresa, ao trabalhadores que foram readimitidos para normalização da escala de trabalho. Todo esse processo é uma vitória da categoria.


Petros

NF mantém batalha na Justiça

O Sindipetro-NF informou, nesta semana, que a Justiça em primeira instância de Campos dos Goytacazes negou que tenha competência para decidir sobre ação com pedido de abrangência, para os residentes no município, da suspensão dos descontos do equacionamento do Plano Petros 1.
O juiz que avaliou o caso em Campos declarou que a competência para julgar a ação é justamente a 11ª Vara do Rio de Janeiro, a que inicialmente restringiu os efeitos da liminar por ela mesma concedida apenas aos residentes na capital do estado — fazendo com que, mesmo mantendo a luta pelo mérito, o sindicato precisasse mover ações nos municípios da sua base.
“Nesse caso acontece o que se chama ´Conflito Negativo de Competência´. O juiz de Campos diz que o do Rio deve apreciar o pedido e o juiz do Rio diz que quem o deve fazer é o de Campos. Por isso o NF irá demandar o Tribunal de Justiça, para que resolva este jogo de empurra”, explicou o Jurídico do NF.
Diferentemente da Justiça em Campos, juízes de Macaé e de Rio das Ostras haviam concedido decisões liminares em favor dos filiados do NF residentes nestes municípíos. O sindicato apura, no entanto, relatos de participantes da Petros nestas cidades de que, mesmo com as decisões, os descontos ainda estavam ocorrendo neste mês.
“Isso se trata de uma desobediência da justiça já que a Petros recebeu a decisão da liminar de Macaé pelo oficial de justiça em 25 de março, e a de Rio das Ostras em 2 de abril, ou seja, com tempo de sobra para que a Fundação as cumprisse”, informou o departamento.
O Sindipetro-NF solicita a todos que possuam domicílio em Macaé ou Rio das Ostras, e que eventualmente sofram o desconto (ou que já tenham o indicativo de que isso ocorrerá), que entrem em contato com diretoria do sindicato, deixando cópias de documentos, para que a justiça seja informada da desobediência. Os modelos dos documentos estão disponíveis em bit.ly/2rt1I0I.
A entidade lembra ainda que, embora esteja empreendendo todos os esforços jurídicos para combater a injustiça dos descontos da Petros, nada substitui a mobilização dos trabalhadores e das trabalhadoras, que devem estar prontos para a luta.


Habitabilidade crônica

Comunicação está limitada em PNA-1

O Coordenador do Sindipetro-NF, Tezeu Bezerra, embarcou no último dia 3 para participar da reunião de Cipa em PNA-1. Durante a reunião, foi verificada uma série de pendências já relacionadas na ata anterior como comentário e não como pendência.
Os terceirizados da unidade não têm acesso aos telefones, que ficam bloqueados durante a semana e só são liberados aos finais de semana. Segundo o geplat, por orientação do próprio gerente de base, para economizar. Os computadores também são limitados, o que dificulta ainda mais a comunicação dos trabalhadores com suas famílias.
Há vazamentos de água no container da sala da inspeção inclusive em cima dos equipamentos elétricos, assim como em salas de equipamentos industriais e painéis elétricos da área industrial, correndo o risco de um curto circuito a qualquer momento. E quadra de esporte está fechada.
O vazamento sobre equipamentos elétricos é gravíssimo. Em 14 de outubro, aconteceu um incêndio na plataforma PVM-2 cujo o fogo teve como origem um curto-circuito em uma tomada no laboratório.
A diretoria do Sindipetro-NF está indignada com a situação da unidade e encaminhará denúncia aos órgão fiscalizadores para pressionar a empresa a fazer melhorias em PNA-1. "Nosso trabalho em plataforma já é penoso e insalubre, imaginem o trabalhador ficar impossibilitado de conversar com sua família durante vários dias? É no mínimo desumano e o sindicato não irá aceitar!", afirma Bezerra.

Reintegração

JUSTIÇA ORDENA REINTEGRAR DIRETOR DO NF

A 1ª Vara do Trabalho de Macaé determinou na terça, 8 de maio, a reintegração do diretor do Sindipetro-NF injustamente afastado pela Transpetro.
Segundo a assessoria jurídica do NF, “numa flagrante tentativa de confundir o juízo, a Transpetro tumultou a instrução processual com uma série de pseudo faltas disciplinares, completamente desconectadas da acusação. E ainda juntaram documentos estranhos ao caso concreto”.
No entanto, a juíza do caso entendeu como “não comprovada a alegada falta grave”, e assim determinou a reintegração imediata do diretor ao emprego, no prazo de oito dias a partir da publicação da sentença no Diário Oficial, independente do término do processo.
Da decisão ainda cabem recursos, e por esta razão a unidade da categoria na luta se torna ainda mais importante, ainda mais num momento de retirada dos direitos dos trabalhadores e os retrocessos sociais promovidos pela agenda neoliberal da gestão Parente.

Normando

O petróleo é de quem?

O barril tipo Brent iniciou a semana acima dos 75 U$. É a primeira vez que isso ocorre desde 14, e as análises apontam Irã e Venezuela como pivôs da alta. Mas não pelas razões apregoadas.
No caso do Irã, o motivo foi a confirmada expectativa de que Trump romperia o acordo nuclear, ruptura, por sua vez, motivada pelo Líbano.
O fato é que o Hezbollah, patrocinado pelo Irã, ganhou as eleições do Líbano no domingo, 6 de maio, e passará a ocupar mais da metade das 128 cadeiras do parlamento, nas primeiras eleições realizadas desde 2009. E, como nas sucessivas vitórias eleitorais do Hamas, na Faixa de Gaza, os EUA exigem que todos os países façam eleições; desde que o vitorioso não seja mau, feio e bobo.
Quanto à Venezuela, a causa real não são calotes, mas a instabilidade na indústria, provocada por uma empresa americana: a ConocoPhilips avança sobre ativos da PDVSA que haviam sido nacionalizados. Como esta atitude é baseada em sentença arbitral, e não em decisão judicial, as incertezas dispararam.
Enquanto isso, o Golpe de Estado prossegue na destruição da Petrobrás, e correrá para vender refinarias antes que a alta dos preços do petróleo se torne tendência, desmoralizando ainda mais o sucateamento imposto por Parente.
Para isso, o Golpe segue apostando fichas no Judiciário e nos Militares. E seu investimento é bem recompensado. Barroso, do STF, aquele que tudo na vida deve ao Estado, declarou-se sacerdote do Deus Mercado esta semana.
Já Temer, o Descartável, baixou decreto sobre a lei 13.491/17, concedendo foro privilegiado a militares, quando acusados de crimes praticados contra civis. No mesmo dia o PSDB do Ceará anunciou que seu candidato ao governo do estado será o General de Exército Guilherme Teóphilo, recém-reformado.
Em tempo: apesar de Temer ser descartável, os golpistas sabem que faltam 6 meses para as eleições. Exatamente por isso Barroso prorrogou por 6 meses o prazo para a conclusão do indesejável inquérito dos portos.
O dono da bola
Fica evidente a força do PSDB no Golpe, reagindo às possibilidades de candidaturas aventureiras. Alckmin se movimenta, e lançará o "Manifesto do Golpe", redigido por Cristóvão Buarque, pretendendo integrar numa só frente Flávio Rocha, Rodrigo Maia, Meirelles, Marina Silva, Amoedo e Álvaro Dias.
E Persio Arida, coordenador de Economia de Alckmin, já prega abertamente emendas constitucionais para liberar o governo de gastos com Educação e Saúde.

Curtas

RESISTÊNCIA EM CURITIBA
Na última segunda, 7, os movimentos sociais marcaram a passagem dos 30 dias de resistência em apoio e solidariedade ao ex-presidente Lula, mantido como preso político na sede da Superintendência da Polícia Federal (PF), em Curitiba. O Acampamento Marisa Letícia, instalado nas proximidades da PF, mantém uma média 250 pessoas por dia, com atividades políticas e culturais. Na foto, ato em frente ao Sindicato dos Metalúrgicos.

PLR 2017
A FUP cobrou na Petrobrás o pagamento da PLR 2017 a todas as empresas do Sistema. A Federação também exige que este pagamento seja feito como previsto pelo Acordo Coletivo, com metade de uma remuneração. As cobranças da FUP foram feitas na semana passada, após os representantes da empresa afirmarem, em reunião, que todas as empresas do sistema receberiam a PLR, "exceto a Araucária Nitrogenados". A companhia também manifestou a intenção de pagar, como PLR, a RMNR acrescida do ATS.

Correios
A Federação Nacional dos Trabalhadores dos Correios (Fentect) mobiliza a categoria para reverter a decisão da gestão da empresa e do governo MiShell de fechar mais de 500 agências, o que desempregaria cinco mil pessoas. “Essa é mais uma proposta de desmantelamento dos Correios como empresa pública. Trata-se do sucateamento proposital”, protestou a Fentect. Saiba mais em bit.ly/2wu6zoe.

Cadê as panelas
Os aumentos nas contas de luz que estão atacando os já apertados orçamentos familiares variam de 5% a 25,87%. Os eletricitários alertam que, se MiShell insistir na privatização da Eletrobras, os aumentos serão ainda maiores. “Os trabalhadores e trabalhadoras já foram penalizados em 2017 com reajustes de, em média, 42,8% nas contas de luz”, protesta a CUT. As classes média e alta do País, aquelas dos bairros nobres, não parecem se importar: onde está o bater de panelas?

De olho na P-74
Filiados do Sindipetro-NF que foram transferidos para P-74 denunciaram que a unidade, situada no Campo de Búzios está com uma série de problemas de gestão.
Os camarotes com seis camas não tem espaço de circulação; não há recepcionista; salas de rádio estão sem operador a noite; não tem sala de operadores e o contrato de alimentação não está sendo cumprido.
Também ocorreram dois acidentes com serviços sem Permissão para o Trabalho (PT). Estamos de olho!

 

 

 

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