1º de abril de 1964: O Golpe, a Petrobras e a resistência petroleira

O golpe militar de 1º de abril de 1964 mergulhou o Brasil em um período de repressão, censura e perseguição política que durou 21 anos. Nesse cenário, a Petrobras desempenhou um papel ambíguo: enquanto setores da empresa colaboraram com o regime, fornecendo informações e sustentação econômica à ditadura, os petroleiros se tornaram símbolos de resistência e luta pela democracia. Esse período é abordado em detalhes no livro “Petrobras e Petroleiros na Ditadura: Trabalho, Repressão e Resistência”, publicado pela editora Boitempo.

A obra, que reúne artigos de diversos pesquisadores acadêmicos – Luci Praun, Alex de Souza Ivo, Carlos Freitas, Claudia Costa, Julio Cesar Pereira de Carvalho, Luiz Marques, Márcia Costa Misi, Marcos de Almeida Matos e Vitor Cerqueira Góis – traz à tona os bastidores da repressão dentro da Petrobras, destacando a perseguição sistemática aos trabalhadores que se posicionavam contra o regime. Muitos petroleiros foram demitidos, presos, torturados e até mesmo assassinados pelo aparato repressivo da ditadura.

A colaboração da Petrobras com a ditadura

O livro revela que a Petrobras não apenas se adaptou ao regime, mas também serviu como uma ferramenta de vigilância e controle. A estatal criou mecanismos internos de repressão, como a cooperação com órgãos de inteligência, o monitoramento de funcionários e a elaboração de listas para afastar opositores do governo militar. Além disso, as investigações acadêmicas mostram que o apoio da Petrobras à ditadura não se limitou à espionagem interna, mas incluiu também sua função estratégica na sustentação econômica do regime.

A Petrobras garantiu o fornecimento de combustível para o aparelho repressivo e ajudou na manutenção da política econômica dos governos militares. Ao mesmo tempo, a empresa passou por um processo de alinhamento com os interesses do regime, restringindo a atuação sindical e criminalizando movimentos de trabalhadores.

 

A resistência dos petroleiros

Apesar da intensa repressão, os petroleiros foram uma das categorias que mais resistiram ao regime militar. Mesmo sob perseguição, organizaram greves, denunciaram abusos e, muitas vezes, arriscaram suas próprias vidas na luta contra a ditadura. O livro da Boitempo relata casos emblemáticos de militância dentro da estatal, mostrando como os trabalhadores mantiveram a luta sindical ativa mesmo diante da censura e da repressão policial.

A história dos petroleiros na ditadura é um exemplo de coragem e determinação. A categoria não apenas enfrentou a opressão dentro da própria empresa, mas também desempenhou um papel fundamental na mobilização popular que culminou na redemocratização do Brasil.

Memória e luta: um compromisso permanente

Passados 61 anos do golpe militar de 1964, a memória da repressão e da resistência segue viva entre os trabalhadores petroleiros. O Sindipetro-NF reafirma seu compromisso com a defesa da democracia, a valorização da memória da luta sindical e a denúncia de qualquer tentativa de revisionismo histórico.

A leitura de “Petrobras e Petroleiros na Ditadura: Trabalho, Repressão e Resistência” é essencial para compreender como a repressão se estruturou dentro da maior estatal brasileira e, sobretudo, para honrar aqueles que, mesmo diante do terror do regime, não se calaram.

A resistência dos petroleiros foi e continua sendo um exemplo para todas as gerações de trabalhadores que lutam por um país mais justo e democrático.

Quem tiver interesse em saber um pouco mais sobre esse conteúdo, acesse https://www.youtube.com/watch?v=HGpWxFQFt4s

 

Leia também: https://sindipetronf.org.br/1964-o-ano-que-jamais-sera-esquecido/

Segue o link para aquisição do livro na Boitempo Editorial.

https://www.boitempoeditorial.com.br/produto/petrobras-e-petroleiros-na-ditadura-153042?srsltid=AfmBOoqyK4Xu-BePCoPZ8GqVAxTmuOaQUiWeKKXrO_Up7UNRqKFFvUPD