22º Congrenf: Mesa de abertura política debate geração de emprego, renda e participação das mulheres na construção do futuro do país

A abertura política do 22º Congrenf foi marcada por um encontro entre cultura  e reflexão política. Antes do início dos debates, o público presente na sede do Sindipetro-NF, em Macaé, foi presenteado com uma apresentação da Orquestra de Violinos Caixa de Música, formada por estudantes do Colégio Municipal Eraldo Mussi, no bairro Malvinas.

Sob a regência do maestro Hélio Júnior, cerca de 18 jovens músicos emocionaram os participantes com um repertório que incluiu obras como a Nona sinfonia de Beethoven, além de clássicos da música brasileira, como Asa Branca e Frére Jacques. A apresentação arrancou aplausos do público e reforçou a importância dos investimentos em cultura e educação como instrumentos de transformação social.

A Orquestra Caixa de Música é um projeto social e educacional desenvolvido pela Associação Caixa de Música em parceria com a Secretaria Municipal de Educação de Macaé.

Após a apresentação cultural, teve início a mesa de abertura política do congresso, mediada pelo coordenador-geral do Sindipetro-NF, Sérgio Borges, e pela diretora de Cultura da entidade, Bárbara Bezerra. O debate reuniu a deputada estadual Dani Balbi (PCdoB) e a professora e pesquisadora Dra. Luciana Soares para discutir temas relacionados à democracia, desenvolvimento econômico e participação popular.

A professora e pesquisadora Dra. Luciana Soares trouxe ao debate uma análise sobre os impactos da violência territorial, da exclusão política e das violações de direitos humanos na vida das mulheres das periferias brasileiras.

Vice-presidente do Diretório Municipal do PT em Campos dos Goytacazes, Luciana destacou que a violência contra as mulheres precisa ser compreendida para além dos casos de feminicídio e violência doméstica. Segundo ela, milhares de mulheres vivem diariamente os efeitos da violência institucional, das disputas territoriais e da ausência de políticas públicas em comunidades periféricas.

A pesquisadora chamou atenção para o crescimento da influência conjunta de facções criminosas e milícias em diversas regiões do estado, fenômeno que, segundo ela, compromete o exercício da cidadania e impõe obstáculos à democracia.

Luciana também abordou a violência política de gênero e relembrou o assassinato da vereadora Marielle Franco, destacando os riscos enfrentados por mulheres que atuam em movimentos sociais, sindicatos, comunidades e espaços de representação política.

Outro ponto enfatizado foi o protagonismo das mulheres das periferias na defesa de suas famílias e comunidades. Segundo a pesquisadora, são elas que frequentemente lideram mobilizações por justiça, preservam a memória das vítimas da violência e enfrentam processos de criminalização de jovens mortos em operações policiais.

Ao final, a professora defendeu a ampliação dos espaços de formação política e sindical para mulheres e alertou para a necessidade de fortalecer políticas públicas de proteção às lideranças femininas e aos defensores dos direitos humanos.

Na sequência, a deputada estadual Dani Balbi iniciou sua participação destacando a importância da categoria petroleira para a economia do Estado do Rio. Ela agradeceu aos trabalhadores e trabalhadoras do setor pela contribuição fundamental para a produção de petróleo e para a geração de riquezas que impulsionam o desenvolvimento do país.

Durante sua fala, a parlamentar defendeu um projeto de desenvolvimento baseado na valorização do trabalho, na geração de empregos de qualidade, na reindustrialização e no fortalecimento dos serviços públicos. Segundo ela, não há soberania nacional sem investimentos em educação, saúde, tecnologia e políticas públicas capazes de garantir oportunidades para a população trabalhadora.

Dani Balbi também ressaltou a necessidade de colocar as mulheres, especialmente as mulheres negras e em situação de vulnerabilidade, no centro das políticas de desenvolvimento. Para a deputada, as pautas ligadas aos direitos das mulheres, da população negra e LGBTQIA+ estão diretamente conectadas às lutas históricas da classe trabalhadora.

“A expressão da classe trabalhadora é uma mulher negra”, afirmou, ao defender que o combate às desigualdades sociais deve caminhar lado a lado com a geração de emprego, renda e inclusão econômica.

A parlamentar ainda destacou sua atuação à frente da Comissão de Trabalho da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) e citou o diálogo mantido com o Sindipetro-NF sobre temas relacionados à saúde do trabalhador, ao combate à contaminação pelo Benzeno, à implementação da NR-1 e à fiscalização das condições de trabalho no setor petroleiro.

As palestrantes convergiram na avaliação de que a construção de um projeto de desenvolvimento soberano para o Brasil passa necessariamente pela valorização da classe trabalhadora, pela ampliação da participação popular e pelo fortalecimento da democracia.

A programação do 22º Congrenf segue até o dia 12 de junho, reunindo delegados e delegadas para debater os desafios do setor, da classe trabalhadora e definir as diretrizes da atuação sindical para os próximos anos.