Rock da Independência e Grito dos Excluídos no Sete de Setembro de Campos dos Goytacazes

Nem só de corneta, trompete, trombone, bumbo, pratos e surdo se faz um Sete de Setembro. Em Campos dos Goytacazes, tem guitarra também. Com patrocínio do Sindipetro-NF, o Coletivo Cultural Resistência Goytacá vai realizar a 5ª edição do Rock da Independência, no próprio dia 07, a partir das 16h, no Kasick Tropical Bar (Rua Almirante Greenhalgh, 36, Pelinca). Neste ano, o evento vai se somar ao Grito dos Excluídos, reforçando o caráter de denúncia social que marca o projeto desde a primeira edição.

“Esse ano a gente pediu um apoio do Sindipetro-NF para ajudar a gente a realizar o evento e aí veio a ideia de fazer junto o Grito dos Excluídos e a gente prontamente aceitou. Foi uma ótima ideia. Tem tudo a ver as causas que dialogam com a falta de acessos, a falta de espaços. Tudo isso está coligado na carência artística, na carência da sociedade como um todo, e achamos super pertinente elaborar esse evento conjunto entre o Coletivo Resistência e o Sindipetro, fazendo o Rock da Independência junto com o Grito dos Excluídos”, explica Kiko Anderson, um dos organizadores e vocalista da banda Tubarão Martelo, que está entre as que vão se apresentar no evento.

Além da Tubarão, haverá shows com Lula Ferreira (uma lenda do Rock em Campos dos Goytacazes) e Aze, assim como outras atividades culturais e exposições, com foco na valorização do trabalho autoral.

“É um evento de música, mas que pode absorver outros tipos de arte, outras edições a gente já teve exposição de artesanato, inclusive a gente está falando com alguns aí para ver se a gente consegue botar essa galera para participar também. E a gente aproveita o mote do 7 de setembro, no Dia da Independência, para fazer um evento de música independente, de artistas independentes locais, preferencialmente que sejam compositores, visto que a música autoral não tem muito espaço no mercado formal do consumo da música em Campos, as pessoas não se ligam muito, os contratantes não se preocupam em valorizar a arte local”, afirma Kiko.

A primeira edição do Rock da Independência aconteceu em 2011. Desde então as edições são realizadas sempre que há viabilidade. A edição anterior a deste ano, a quarta, foi em 2022. De acordo com o músico [que também é petroleiro], a ideia nasceu pela constatação de que não havia eventos de rock neste dia: “o feriado do 7 de setembro sempre foi uma data muito carente de eventos na cidade. Você tem ali aquela parte cívica do desfile matinal, que vai até uma e pouca da tarde, e não costumava ter nada depois disso”.

“As ideias surgiram aqui em casa, né? Tipo, pô, como que a gente vai fazer? Pô, vamos organizar um festival de músicos locais independentes pra combinar com a data e dar uma função pra essa tarde do 7 de setembro. O evento nasce aqui na minha casa, na sala da minha casa, conversando com o pessoal da banda lá em 2010, 2011, a banda que eu tinha antes da Tubarão Martelo, a Osso Criativo. O evento nasce da vontade de fazer música, de apresentar músicas autorais, de cavar espaço numa cena cultural cada vez mais sufocada, isso numa época que a gente não estava contando com muitos espaços na cidade para divulgação musical, era um grito de independência mesmo, a ideia sempre foi um grito de independência do rock autoral campista”, conclui, Kiko.

O diretor do Sindipetro-NF, Guilherme Cordeiro, explica que a parceria com o Rock da Independência é mais uma ação da entidade para valorizar a cultura local e adicionar uma atividade ao Grito dos excluídos. “A gente decidiu apoiar o evento, que casa muito bem com as ideias e com os valores que o sindicato defende de uma sociedade mais justa. A gente está muito animado, a cultura é uma forma de mobilização e o Sindipetro-NF sempre na vanguarda desse processo”, afirma, Cordeiro.

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