NF chama reuniões de petroleiros para levantamento e aprovação de manifesto sobre terceirização de TS

O Sindipetro-NF decidiu, em reunião da Diretoria Colegiada realizada na última terça-feira (10), orientar os petroleiros e petroleiras que atuam nas plataformas da Bacia de Campos a realizarem reuniões a bordo para cumprirem duas atividades:

1 – Aprovação de manifesto contra a terceirização da atividade de Técnico de Segurança (íntegra abaixo).

2 – Levantamento das condições da atividade de TS na sua unidade, para enviar ao sindicato informações sobre a existência de TS de empresa contratada, se têm treinamento, se estão trabalhando na liberação de serviços, quanto tempo eles têm de experiência, se é o primeiro embarque. Também é desejável que sejam informados o número de técnicos lotados; quantitativo Petrobrás e quantitativo de empresa privada; POB da plataforma, com uma avaliação sobre se está adequado ou não; e relatos sobre existência de mobilização a bordo sobre o tema.

As reuniões a bordo, com os levantamentos e a aprovação do manifesto, vão dar ainda mais corpo à luta do Sindipetro-NF em defesa da categoria, que não se restringe aos interesses imediatos dos técnicos de segurança, abrangendo toda a segurança operacional das unidades.

Confira o manifesto: 

Manifesto contra a terceirização da atividade de Técnico de Segurança e em defesa da vida

Nós, petroleiros e petroleiras da plataforma ______, nos unimos ao Sindipetro-NF na denúncia e no repúdio ao avanço das terceirizações das atividades dos técnicos de segurança nas unidades da Petrobrás. Manifestamos preocupação com os relatos de atuação de trabalhadores sem experiência nas unidades, inclusive sendo “tutorados” de forma obrigatória por empregados da Petrobrás.

Registramos que esta preocupação não representa nenhuma forma de hostilidade pessoal em relação aos trabalhadores terceirizados, nossos companheiros de classe e de luta por condições dignas de trabalho e de valorização profissional. Para com eles, a nossa solidariedade sempre estará presente. Trata-se de uma visão global dos processos e dos impactos do modelo de terceirização, como mostram os parágrafos seguintes. 

A Petrobrás é uma empresa de alto risco operacional. Plataformas, refinarias, terminais e unidades industriais exigem rigor técnico, conhecimento acumulado, compromisso institucional e, acima de tudo, autonomia para agir quando a vida dos trabalhadores está em jogo. O técnico de segurança próprio da empresa não é apenas um executor de normas: ele é agente ativo na prevenção de acidentes, na fiscalização de procedimentos e na interrupção de atividades quando há risco iminente.

E para exercer essa função com independência, ele precisa ser empregado direto da Petrobrás, com estabilidade e proteção contra pressões.

A terceirização fragiliza essa estrutura. Um trabalhador contratado por empresa privada, subordinado a contratos comerciais e metas financeiras, está mais vulnerável a coações, a conflitos de interesse e a pressões para “não criar problemas”. Em ambientes de risco, silenciar diante de uma irregularidade pode custar vidas. Segurança não pode estar subordinada à lógica do menor preço ou à rotatividade contratual.

É inaceitável que profissionais concursados, com experiência nas unidades, sejam substituídos por terceirizados sem vivência operacional, ainda mais em um contexto em que a categoria realizou uma greve nacional entre 15 e 30 de dezembro de 2025, exercendo um direito legítimo de mobilização. Se a prática foi intensificada durante a Campanha Reivindicatória, estamos diante de um cenário ainda mais preocupante: o uso da terceirização como instrumento de retaliação e enfraquecimento da organização dos trabalhadores.

A história da indústria do petróleo — no Brasil e no mundo — é marcada por acidentes de grandes proporções quando a segurança foi relativizada, como bem sabem os petroleiros e as petroleiras da Bacia de Campos. Cada norma, cada procedimento, cada treinamento foi construído sobre lições duras, como as tragédias de Enchova e a da P-36. Enfraquecer o corpo próprio de segurança é abrir brecha para que erros se repitam.

A privatização das atividades de técnicos de segurança reduz a autonomia técnica nas decisões críticas, aumenta a rotatividade e a perda de conhecimento acumulado, submete a segurança à lógica contratual e financeira, fragiliza a capacidade de autuação diante de irregularidades e amplia o risco de acidentes que podem atingir trabalhadores, comunidades e o meio ambiente.

Defendemos que os técnicos de segurança continuem a ser contratados diretamente pela Petrobrás, com estabilidade no emprego, garantias institucionais e respaldo para atuar com independência. Há, inclusive, um concurso em aberto, com profissionais da área aguardando convocação. 

A Petrobrás deve ser exemplo de excelência operacional, não laboratório de precarização. Segurança se faz com trabalhadores valorizados, protegidos e respeitados.

Em defesa da vida, da Petrobrás pública e dos direitos da categoria, seguimos mobilizados.

Petroleiros e petroleiras da Bacia de Campos

Fevereiro de 2026