Rosangela Buzanelli*
Mais uma vez, a Petrobrás reduz o preço da gasolina e o brasileiro que abastece seu veículo continua a não sentir nenhum alívio real no bolso. A companhia anunciou, no final de janeiro, um novo corte no preço da gasolina vendida às distribuidoras — algo em torno de R$ 0,14 por litro — mas, conforme reportagem do UOL, alguns postos não só não repassaram como aumentaram o preço ao consumidor.
O ponto central dessa discrepância merece ser debatido com honestidade: reduz-se o preço na refinaria, mas o consumidor final segue pagando valores elevados nas bombas. O preço que sai da refinaria representa menos de um terço daquele pago pelo consumidor. E a diferença tem sido sustentada por tributos, custos logísticos e, sobretudo, margens de distribuição e revenda que aumentaram após a privatização da BR Distribuidora. Em artigo recente, o engenheiro Felipe Coutinho, presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobrás (Aepet), explica como a privatização da BR Distribuidora afetou a competitividade e os preços finais ao consumidor. Segundo ele, a privatização, concluída em 2021, coincidiu com uma mudança estrutural nas margens de distribuição e revenda, que passaram a se estabilizar em patamares historicamente mais altos, mesmo quando os preços na origem recuaram. Isso indica que as reduções promovidas pela Petrobrás não têm sido repassadas ao consumidor final.
O texto mostra, com base em dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP), que, após a privatização, a margem média de distribuição cresceu muito, tanto em valores absolutos quanto em termos relativos ao preço final. Essa margem passou a representar uma fatia maior do valor pago pelo consumidor — elemento central para entender por que quedas de preços nas refinarias não se traduzem em reduções equivalentes nas bombas.
A política de preços da Petrobrás para seus derivados, combustíveis e GLP, escorchantemente caro para o consumidor final, somente se torna efetiva se houver mecanismos reguladores no mercado de distribuição e revenda/comercialização. Nesse sentido, a privatização da BR Distribuidora, assim como da Liquigás, foi verdadeiro crime de lesa-pátria. Privatizações que lesaram a Petrobrás, que perdeu o maior mercado de distribuição e revenda de combustíveis do Brasil e um dos maiores do mundo, mas, principalmente, lesou a sociedade brasileira, espoliada pela ganância e abuso de alguns e até, atualmente, pelo crime organizado.
Por isso é imprescindível o retorno da Petrobrás à distribuição e revenda de combustíveis e GLP. E, nesse sentido, o primeiro passo foi dado: a aprovação pelo CA em julho de 2025, por proposta desta conselheira, dos direcionadores estratégicos que apontam para essa retomada. E o executivo da companhia trabalha para viabilizar a decisão.
A reportagem sobre os preços e o artigo citado estão nos links abaixo. Importante ler, especialmente, o artigo completo de Felipe Coutinho:
https://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2026/02/06/gasolina—evolucao-dos-precos.htm
* Representante dos trabalhadores no Conselho de Administração da Petrobrás / Publicado originalmente no Blog da Rosangela.





