Firme & Forte
Construído por você
A primeira diretoria do Sindipetro-NF tomou posse sob os efeitos do movimento grevista de 95, que modificou a história política e sindical no Brasil.
Em 1994, os petroleiros tinham pendências históricas com a Petrobrás e o governo federal, que se recusavam a implementar algumas cláusulas do Acordo Coletivo dos Trabalhadores. A categoria manteve uma intensa mobilização até o início do segundo semestre de 1994, quando aconteceu uma reunião com o Presidente Itamar Franco, que ficou conhecida como o Encontro de Juiz de Fora. Nessa reunião Itamar assumiu o compromisso de honrar o que foi pactuado nos Acordos Coletivos. Aconteceram as eleições majoritárias e FHC ganhou. “Achávamos que Fernando Henrique manteria os compromissos assumidos pelo governo Itamar , mas não foi isso que aconteceu” – explica o fundador e ex- coordenador do Sindipetro-NF, Antônio Carlos Rangel .
Logo no início do governo FHC , os petroleiros receberam sinais por parte da direção da Petrobrás de que os Acordos não seriam honrados. E foi o que aconteceu. A saída foi a retomada das mobilizações pela categoria em todo país.
Nesse período, o presidente da Petrobrás era Joel Mendes Rennó e o Gerente Geral da Bacia de Campos era Rodolfo Landim. Como a empresa manteve sua postura intransigente os trabalhadores fizeram a greve de maio de 95. A primeira de uma categoria em nível nacional realizada no governo FHC, que respondeu duramente ao movimento.
Todos os canais de negociação possíveis foram fechados. Mesmo assim o movimento cresceu! Os petroleiros paralisaram plataformas e refinarias.
Então, o governo FHC começou a usar a intimidação contra os trabalhadores. Usou os meios de comunicação para jogar a sociedade contra os trabalhadores em greve. Colocavam no ar imagens das pessoas na fila do botijão de gás, irritadas por não ter gás para comprar. Com isso o movimento foi sofrendo desgastes diante da sociedade.
Bacia na greve
Na Bacia de Campos, as plataformas pararam a produção. Alguns trabalhadores embarcados que participavam do movimento foram ameaçados de sofrer punições. A gerência da empresa na Bacia de Campos enviava para as plataformas vôos com pessoal para furar a greve, mas os trabalhadores embarcados não deixavam as aeronaves pousar.
Em terra, houve piquete no aeroporto de Macaé também com a intenção de não deixar nenhum helicóptero pousar. Soltavam pipa, colocavam carniça para juntar urubus em cima do aeroporto.
“Por volta da quarta semana começou o desgaste e agonia do movimento. Ao final do movimento muitos trabalhadores foram punidos. Perderam férias, décimo terceiro, alguns sofreram punições de 29 dias. Isso trouxe um grande impacto para a vida funcional dos trabalhadores. Alguns foram desembarcados, perderam adicionais. Foi uma operação arrasa quarteirão” – conta Rangel.
Foi um momento crítico da organização sindical petroleira. Recursos dos sindicatos foram confiscados pelo TST. Tanques do exército reprimiram greves em várias unidades. Mas foi justamente em razão desta grande mostra de mobilização que se evitou, por exemplo, que a Petrobrás viesse a ser privatizada. O governo, naquele momento, sentiu o peso da reação dos petroleiros, e não ousou cometer o crime que intentava contra este patrimônio dos brasileiros.
A construção do NF
A primeira diretoria do sindicato tomou posse em 2 de julho de 1996, tendo como um dos primeiros desafios o de ser solidário aos demais sindicatos, que foram massacrados em 95 pela perseguição imposta pelo primeiro ano da malfadada “Era FHC”. Por se tratar de um sindicato novo, não teve as mensalidades dos associados retidas e seus bens não foram confiscados. Isso possibilitou dar um suporte a todos os outros sindicatos que necessitassem, inclusive a Federação Única dos Petroleiros.
No entanto, o movimento de construção do NF é anterior a greve. No final de 1983, um grupo de petroleiros plantou a semente e lançou a idéia de criar uma associação que defendesse os interesse dos trabalhadores da Bacia de Campos. Foi o início do projeto de criação do Sindipetro-NF. Em 1984, com a idéia enraizada entre a categoria foi fundado o movimento da Associação, que chegou a ser registrada, ter diretoria e publicar alguns jornais.
Nessa época quem representava os petroleiros do Norte Fluminense era o Sindipetro-RJ, que instalou em 1985 a primeira delegacia sindical da região na cidade de Macaé (Av. Rui Barbosa). Essa delegacia servia apenas como ponto de apoio ao sindicato. A categoria não percebia o local como espaço democrático de participação, além de não reconhecer a direção como combativa. Isso levou a criação de um movimento de oposição, “como única forma de garantir a luta efetiva pelos direitos da categoria”, conforme descrito no boletim da Chapa 2. Esse movimento uniu os grupos Surgente do Rio de Janeiro e de Angra dor Reis com a Associação de Macaé para concorrer às eleições do sindicato.
A chapa de oposição só alcançou a vitória em 1990. Um de seus compromissos era a realização de um plebiscito para a criação do SindipetroNF. O primeiro plebiscito foi realizado em 1992, mas devido a falta de quórum não foi válido. Somente em 1995, em novo plebiscito, a categoria petroleira decidiu pela criação do Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense e em julho de 96, tomou posse a primeira diretoria eleita do SindipetroNF.
De lá para cá já são 10 anos de lutas e mobilizações em defesa dos petroleiros e da sociedade da região. Nesse período, o Sindipetro-NF liderou movimentos importantes, como o que evitou a privatização da Petrobrás, além de inúmeras greves. A maior delas, em 2001, que durou cinco dias. Manchete em todos os noticiários do país. A categoria controlou a produção nas plataformas e conquistou, além do reajuste pleiteado, participação nos lucros e um abono.
Também passou por momentos de profunda tristeza, com o acidente da P-36. Quando onze companheiros faleceram e a plataforma foi para o fundo do mar levando alguns corpos.
O sentimento de vitória tem sido uma constante na história do SindipetroNF. Bons acordos coletivos, reposição salarial pelo índice do Dieese, , adicional de periculosidade pelo conceito de intramuros para as…
Linha do Tempo
1997
- Aprovada Lei de Regulamentação do Setor Petróleo
- Assinatura do 1º Acordo Coletivo pelo Sindipetro-NF Campanha “Será que você não está puxando para o lado errado?”
- 19/12 – Publicado em D.O. o registro sindical do NF
1998
- Inaugurada Delegacia de Campos
- Ministério Público investiga Petrobras pela colocação de plataformas em operação sem licença
- Eleição do Primeiro Conselho Fiscal do Sindipetro-NF
- Ano da primeira negociação de PLR para trabalhadores da Petrobrás
1999
- Campanha “Exploração só de Petróleo” é veiculada na mídia contra a ameaça da Petrobras de acabar com o 14×21
- Eleita segunda direção do Sindicato
- Acontece o primeiro leilão da ANP
- Sindicatos realizam primeira Plenária Estadual dos Trabalhadores Terceirizados
2000
- Brasil fez 500 anos
- NF intensificou a atuação junto aos trabalhadores do setor privado
- Petroleiros fazem passeata no Rio de Janeiro contra o segundo Leilão dos Blocos de Exploração
2001
- 15 de março Acidente com a P-36 mata 11 trabalhadores
- 11 de setembro Torres gêmeas do Worl Trade Center são atacadas e caem
- Greve com controle da produção nas mãos dos trabalhadores de 24 a 28 de outubro
2002
- Lula assume a presidência da República
- Dobra o número de sindicalizados do setor petróleo
- Assinado um dos melhores Acordos para os empregados da Petrobrás: reajuste de 15,5%, benefícios
educacionais, anistia dos punidos…
2003
- Acordado entre Petrobrás e sindicato a retirada das punições da greve de 2001 da ficha funcional
- Lula anistia demitidos nas greves de 94 e 95
- Campanhas Salariais agitam trabalhadores do setor privado
- NF promove I Desfile da Beleza Negra
2004
- Falta de segurança continua um problema na Bacia de Campos. cai helicóptero da BHS e mata 6 trabalhadores.
- Exposições, espetáculos, palestras e outros eventos na sede fazem do NF um sindicato cidadão.
- Treze sindicatos param por 24 horas por avanços nas negociações com a Petrobrás
2005
- PNA-1 é fiscalizada pela DRT e Petrobrás recebe sete autos de infração.
- Assinado Acordo do auxílio-deslocamento para quem mora fora do estado do Rio
- Chapa Unidade e Luta é eleita para a direção do Sindipetro-NF
2006
- Conquista do pagamento Intramuros para os trabalhadores novos
Festa dos 10 anos em sintonia com a base
Para marcar a passagem do aniversário de 10 anos do Sindipetro-NF e provar que, faça chuva ou faça sol, o sindicato está lá firme e forte, a noite de quinta-feira, 6 de julho, transformou-se num grande evento para a categoria petroleira do Norte Fluminense.
A belíssima decoração transformou o espaço de luta da sede de Macaé em local de festa. Mesas rústicas estilo botequim, bancos de madeira, flores e velas modificaram e trouxeram delicadeza ao ambiente sindical, que na maioria das vezes exala política.
Entretanto, numa entidade sindical a política não pode ficar de fora e teve seu momento. O palco do teatro cedeu espaço dos espetáculos para a solenidade de aniversário, onde todos os ex-diretores e diretores foram homenageados. Estiveram presentes no evento representantes da Central Única dos Trabalhadores, Federação Única dos Petroleiros, diretores de outros sindicatos petroleiros, além de sindicalizados e representantes da comunidade. Entre eles, o primeiro coordenador da entidade, Luiz Carlos Mendonça, o Meio Quilo, fez um discurso emocionado.”Estar aqui hoje é acreditar que lutar vale a pena. São anos de luta, companheirismo, solidariedade e de entendimento de que a humildade é tudo” – disse.
O coordenador do Sindipetro-NF, José Maria Rangel, comentou que sentia-se honrado com a presença de militantes da oposição no evento. “Nós temos nossas divergências no dia-a-dia, mas nós passamos e a instituição fica. É isso que tem importância” – afirmou José Maria, que agradeceu a presença de todos e fez questão de dizer que se preciso fosse faria tudo novamente para a construção do NF.
Após a solenidade, todos comemoraram as vitórias desses dez anos em ritmo de festa.
A programação comemorativa dos dez anos do Sindipetro-NF se estenderá por todo 2006, com novas palestras e atividades comunitárias.
Estrutura em benefício do sindicalizado
As sedes do Sindipetro-NF são fruto da luta política dos petroleiros. Por conta de greve de 95, os sindicatos petroleiros tiveram que pagar enormes multas por determinação do TST, cerca de R$ 100 mil por dia não trabalhado. Para muitos sindicatos, essa multa implicava no comprometimento de quase toda sua arrecadação e em bens penhorados. O Sindipetro-NF, por ser um sindicato que nasceu após a greve, não teve a receita das mensalidades retida pela justiça, mas o passivo referente às mensalidades do Sindipetro-RJ ficaram retidos. Com a anistia das multas, o Sindipetro-NF pôde finalmente ter acesso a esse dinheiro e foi com ele que construiu uma nova sede em Macaé.
No local onde foi erguida a nova sede, existia nos fundos um pequeno prédio branco de janelas azuis e um enorme galpão na frente, que se transformou muitas vezes em local para assembléias. Depois, a diretoria da época adquiriu a casa ao lado para ampliar as salas dos departamentos e instalar a nova gráfica da entidade. O passo seguinte foi em direção à obra da nova sede que se concretizou em 2003.
“Ver o prédio ser demolido mexeu muito comigo, me deu muita tristeza, mas hoje ver no lugar esse prédio lindo dá uma sensação de enorme conquista” – comenta a administradora Giorgia Gomes.
A sede de Macaé possui 12 salas, uma sala de reunião que pode ser transformada em sala de aula para 20 pessoas – equipada com dvd e videocassete -, cozinha, gráfica, garagem, quadra poliesportiva e um teatro para 180 lugares. Aproveitando todos os espaços disponíveis na nova sede, o Departamento de Cultura, transformou o hall que liga a entrada ao teatro em Corredor Cultural, e assim as paredes ser transformam em galeria de arte onde ficam expostos durante um mês quadros e fotos de artistas renomados ou não.
O sindicalizado pode usufruir desse espaço de várias maneiras. A quadra poliesportiva pode ser reservada para a prática de esportes como futebol, vôlei, handbol e basquete. Para isso, basta agendar na recepção da entidade o horário que melhor lhe convir.
O complexo do teatro engloba além do palco, dois camarins e sala de sonorização. Nesse novo espaço cultural da cidade, o sindicalizado e o cidadão macaense têm sempre a disposição peças de teatro, palestras e eventos promovidos pelos departamentos do sindicato e com temas de seu interesse. No teatro do Sindipetro-NF já foram encenadas as peças infantis como a “Lição das Lições” e de adulto como “Eu também sou mulher” e “Buraco”, a atriz Elisa Lucinda também fez uma apresentação do Dia Internacional da Mulher e já aconteceram palestras com o ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, a feminista Rose Marie Muraro e o ex-presidente da CUT/Nacional, João Felício, entre outros. ]
“Hoje, o petroleiro e a comunidade macaense tem uma das melhores sedes de sindicato do país” – explica o Coordenador Geral do Sindicato, José Maria Rangel.
Delegacia de Campos
Em Campos, o Sindipetro-NF está presente desde a sua fundação. A delegacia sindical da cidade funcionou em uma sala no Edifício Ninho das Águias, no Centro, e depois foi instalada em uma ampla casa na avenida 28 de Março, inaugurada no dia 21 de setembro de 1999 com a presença do então candidato à Presidência da República Luiz Inácio Lula da Silva.
A sede de Campos possui quadra de esportes, área de festas, cantina, sala para associados com computador disponível para acesso à internet, além de um auditório de 93 lugares. O sindicato abriga ainda atividades do Mova Brasil e do MST, com a utilização de salas no segundo prédio.
O NF pretende estender para a sede de Campos parte da programação cultural que já se tornou referência em sua sede de Macaé. Foi criado um espaço para exposições e uma mini-biblioteca está sendo preparada.
Embora não seja um teatro, como em Macaé, o auditório da delegacia sindical de Campos também pode ser utilizado como instrumento de interação com a comunidade, com a organização de palestras e debates.
O principal papel das sedes, no entanto, continuam sendo o político. Além dos serviços prestados à categoria, sendo um ponto de apoio importante para os petroleiros da cidade, as sedes funcionam como um local de mobilização e encaminhamento das lutas petroleiras.
Aposentados: Fazemos parte dessa história
O Sindipetro-NF tem intensificado as atividades voltadas para os aposentados filiados. Desde que essa diretoria assumiu a coordenação do departamento muito tem sido feito, além das reuniões semanais que já aconteciam.
Palestras educativas sobre controle financeiro, Petros e Câncer de Próstata, oficinas de pintura, curso de culinária, passeios em grupo, inclusive uma visita ao Clube dos Empregados da Petrobrás em Belo Horizonte fazem parte dos eventos promovidos pelo Departamento.
Os aposentados também são presença constante em todas as atividades políticas convocadas pela Federação Única dos Petroleiros e sindicatos, foi assim no ato em frente ao Opportunity no Rio de Janeiro.
A força e a união dos aposentados nessas atividade tem trazido mais gás ao Sindipetro-NF.
Quem é quem na Estrutura
Muita gente que vê o trabalho desenvolvido pelo Sindipetro-NF para a categoria e comunidades da região, não tem a real noção da equipe de profissionais que está por trás das atividades. São profissionais administrativos, recepcionistas, pessoal de apoio operacional, jornalistas, advogados, assistente social, estagiário de publicidade, além dos diretores sindicais que gostam do que fazem e se dedicam ao máximo para oferecer melhores serviços ao seu público. Conheça aqui um pouco dessa gente que faz.
Alex Corrêa Martins
Funcionário desde 1990
Trabalha na sede de Macaé como Auxiliar Administrativo, também já atuou como motorista e no departamento de Comunicação. Alex é o esportista do grupo. Gosta de se cuidar por isso faz natação, surf e mergulho nas horas vagas. Adorava uma farra, mas a chegada do filho Gabriel mudou completamente Alex, que hoje é um pai dedicado e amoroso. “Minha vida ficou em segundo plano, a prioridade agora é ele. Muito bem humorado, faz piada de tudo.
Claudia Márcia Silva K. C. Franco
34 anos
Funcionária desde 2001
Claudia foi admitida para trabalhar como Assistente Administrativo do Departamento dos Trabalhadores do Setor Privado, onde trabalhou por quatro meses. Logo surgiu a vaga para Secretária da Direção, função na qual trabalha até hoje. A greve de 2001 marcou muito a entrada de Cláudia no Sindicato. “Nunca tinha participado de um movimento. Dessa vez vi como funciona realmente uma greve. A situação estressante pela qual passam as pessoas envolvidas” – comenta. Muito caseira, para relaxar gosta de frequentar a Igreja Batista e caminhar.
Dougles Santana De-Santis
42 anos
Funcionário desde 1990
Como diz o ditado, tamanho não é documento, para Dougles. Esse baixinho começou a trabalhar como auxiliar de apoio administrativo, passou para auxiliar de apoio operacional e hoje é nosso impressor offset. Quando foi adquirida a máquina offset Catu, viu o trabalho do gráfico e começou a gostar da arte de transformar o papel em branco em publicação. Abraçou as oportunidades oferecidas pelo Sindipetro-NF, foi estudar no Senai Artes Gráficas e agora atua como gráfico do sindicato. No terceiro casamento, Dougles parece ter acalmado. Tem cinco filhos e o mais novo tem dois anos. É com ele que passa seus tempos de folga em casa, na praia ou no parque. Últimas notícias: vai ser vovô.
Ezequiel Viana de Andrade
32 anos
Funcionário desde 1998
Os companheiros de trabalho e a estrutura que o sindicato proporciona são as molas propulsoras do Auxiliar de Apoio Operacional, Ezequiel.
Apesar de gostar do trabalho nunca se acomodou e durante 18 meses fez o curso técnico de radiologia em Rio das Ostras. Depois de formado, em 2001 fez concurso para a prefeitura, passou e hoje faz um plantão de 24 horas por semana no Hospital Público de Macaé. Quando não está no trabalho dedica seus momentos de lazer à sobrinha, seu xodó.
Fátima Bolckau
43 anos
Funcionária desde 1994
Em 1994, Fátima Bolckau deixou seu currículo no Sindipetro-RJ para a vaga de estagiária de recepcionista. No mesmo ano, foi aberto processo seletivo e Fátima passou em quinto lugar. “Ganhei pela minha redação sobre a greve de 94 e em janeiro de 95 comecei a trabalhar”.
Fátima vem de uma família onde pai e mãe eram funcionários do Sindicato dos Ferroviários de Campos. O trabalho em sindicato sempre a encantou, porque vivenciou isso o tempo todo em sua infância. Como era de se esperar, seu sonho acabou sendo o de trabalhar nesse meio sindical. “Meu pai não gostava quando eu dizia que ia trabalhar em sindicato, mas eu fui atrás do meu sonho e hoje me sinto realizada” – diz. Fátima é auxiliar administrativo e trabalha na base de Macaé.
Fernanda Viseu
37 anos
Funcionária desde 1997
Jornalista formada pela Facha (Faculdade Hélio Alonso), já atuou em jornais e em assessorias do movimento sindical em Macaé e no Rio de Janeiro. Pós graduada em Assessoria de Imprensa, é também sócia proprietária da empresa FV2 Comunicação. No Sindipetro-NF, atua em todas as áreas do Departamento de Comunicação, sendo especialmente responsável pela edição da revista Imagem. Extrovertida, gosta de cantar e dançar. Nas festas dos funcionários da entidade, costuma ser uma das atrações. Perseverante, sua máxima é uma frase de Fernando Sabino: “No fim tudo dá certo, se não deu, é porque não chegou ao final”.
Fernando João de S. Pessanha
46 anos
Funcionário desde 1998
Funcionário da sede de Campos, Fernando João é auxiliar administrativo e tem uma trajetória profissional ligada ao movimento sindical. Antes de trabalhar no Sindipetro-NF, atuou no Sepe (Sindicato Estaduais dos Profissionais da Educação). Formado em Administração pela UCAM (Universidade Cândido Mendes), João é responsável pelas compras do sindicato. Um traço pessoal forte deste funcionário é a sua voz, forte, que costuma ser sucesso nos aparelhos de karaokê.
Genilson Alves de Almeida
43 anos
Funcionário desde 1997
Concursado para trabalhar na sede de Macaé, Genilson conseguiu transferência para a sede de Campos, cidade onde mora. Auxiliar de Apoio Operacional, atua a maior parte da sua vida profissional no NF na vigilância noturna. Agora, atua na recepção. No trabalho de atendimento aos associados, relata como episódio marcante o dia em que atendeu a um petroleiro, pelo telefone, que relatava a morte de um colega a bordo. “Ele estava desesperado, porque via o colega, que se enforcou, pendurado por uma corda”, conta. Na vida pessoal, uma característica é o gosto pela música. Cantor, já se apresentou até em um grupo de pagode.
Giorgia Gomes
41 anos
Funcionária desde 1989
A administratora Giórgia Gomes gosta de trabalhar no sindicato por poder contribuir de alguma forma com os trabalhadores. Filha do ferroviário e sindicalista conhecido na cidade de Macaé como Jorge Paco-paco, lembra que quando entrou para o NF o lado forte da entidade não era a atividade política. Dedicada no trabalho, reconhece o emprego e tudo que conquistou a partir dele. Nas horas de lazer, a macaense Giórgia tem um monte de amigos com quem gosta de sair para tomar chopp na beira da praia e dançar.
Glauber Barreto
24 anos
Estagiário desde 2005
Quando foi entrevistado para a vaga de estagiário do Departamento de Comunicação, não tinha a vivência do mundo sindical. Passados alguns meses, já está totalmente entrosado com a equipe. Atualmente realiza treinamento na área de programação visual, sempre supervisionado pelos jornalistas e pelo diretor do Departamento. Está sempre de bom humor e disposto a realizar seu trabalho. Adora viajar, ir ao cinema e para balada nos finais de semana.
Ivana de Fatima Viana de Souza Gomes
29 anos
Funcionária desde 2000
Auxiliar Administrativo, trabalha desde 2005 na tesouraria, tendo passado pela recepção e pelo arquivo — onde contribuiu para preservar documentos importantes do sindicato desde a sua fundação. Antes de ser contratada pelo NF, atuou como professora de informática. Extrovertida, é considerada pelos colegas uma “figurinha”, porque tem sempre uma resposta engraçada na ponta de língua, tornando mais leve o ambiente de trabalho. Na vida pessoal, no entanto, é caseira. Gosta de ouvir música (MPB e pagode) e assistir filmes no DVD (amor e ação).
Luciano Alves Pinheiro
43 anos
Funcionário desde 1998
Um campeão de votos e de popularidade. Se fosse candidato, seria eleito. Com a política correndo nas veias, Luciano diz que este é o seu principal ponto de identificação com o trabalho no sindicato. “Gosto muito de trabalhar aqui, porque gosto muito de política”, diz o auxiliar administrativo. Ele conta que mesmo antes de ser eleitor, já era envolvido com campanhas políticas. Está no sangue. No NF, atua na sede de Campos. Na vida pessoal, é um dedicado criador de pássaros e um pescador ocasional.
Luiz Antônio Carvalho Maia
40 anos
Funcionário desde 1988
Quando Luizão entrou para o Sindicato, além dele, só trabalhavam na entidade mais dois funcionários. Faziam de tudo: panfletavam, dirigiam, atendiam telefone, batiam ofício, faziam CI e pagamentos. Ele lembra da greve de 92 e do Fora Collor, quando o sindicato tinha direção cutista e estava em alta. “Foi uma época inesquecível. Entrávamos em choque com a polícia, fazíamos piquetes, soltávamos pipa perto do aeroporto para helicóptero não pousar. Era muito bom! – comenta. Atualmente é Auxiliar de Apoio Operacional. O lazer de Luizão é receber amigos em casa, tomar cerveja na beira da praia, sozinho ou acompanhado da esposa Regininha, também funcionária do NF, e de seus cinco filhos.
Marcelo dos Santos da Mata
36 anos
Funcionário desde 1990
Marcelo é responsável pelo coração financeiro da entidade, a Tesouraria, depois de uma ascensão profissional que começou com serviços gerais. “Fazia de tudo no sindicato quando entrei, da limpeza aos serviços de rua”, conta. Seu trato com dinheiro, no entanto, é antiga, já que fora comerciário antes de ser admitido pelo Sindipetro-NF. Sujeito pacato, diz que não é de baladas, mas gosta de um bom restaurante com a família e de praticar esportes, especialmente o ciclismo. Uma curiosidade é que, além de hábil com os números, Marcelo atua em outra profissão nas horas vagas: eletricista.
Maria das Graças Alcântara da Costa Rocha
49 anos
Funcionário desde 1998
Após um processo seletivo, a assistente social , Maria das Graças Alcântara, entrou para o quadro de funcionários do sindicato. Gosta muito do trabalho que desenvolve no sindicato, tanto que em alguns momentos fica tão absorvida que não vê a hora passar. “No sindicato tenho momentos muito prazerosos e de realização. Conheci um campo novo na minha área que é a da saúde do trabalhador, pensar o profissional com essa perspectiva mais ampla foi muito bom para mim profissionalmente”- comenta.
O acidente com a P-36 foi determinante na vida de Graça. “Naquele primeiro momento da chegada dos trabalhadores da P-36 dentro da empresa em Imbetiba, a minha presença foi negociada politicamente com a direção da Petrobrás. Foi um momento ímpar em que não era só a técnica, mas também representava os trabalhadores”- disse Graça.
Marli Pereira da Silva
49 anos
Funcionária desde 2000
Marli tem a responsabilidade de colocar ordem na casa na sede de Campos. Responsável pela limpeza de uma grande área, luta diariamente contra desarrumação dos outros. Sua entrada para a entidade se deu a partir de um contato inicial para dar conta da limpeza apenas durante três dias. Mas, talvez, pela sua característica de ser como bombril — “ter mil e uma utilidades”, como diz —, foi ficando. E hoje faz parte da equipe que mantém o sindicato de pé. A forma física, além de ser mantida pelo trabalho, é conservada pela prática do ciclismo.
Regina Jerônimo
35 anos
Funcionária desde 1990
Após a vitória da chapa cutista na eleição para o Sindipetro-RJ, Regina Jerônimo, foi admitida. Na sua avaliação, a criação do Sindipetro-NF em 1996 foi muito benéfica, porque o centro de decisões passou a ser em Macaé. Não era mais necessário aguardar as decisões do Rio.
Atualmente, Regina é auxiliar administrativo dos departamentos dos Trabalhadores do Setor Privado e Comunicação. “O trabalho no sindicato é bem legal. Aqui estamos mais perto da informação, por isso conseguimos entender melhor o que acontece no país” – comenta Regina.
Nesses dez anos, o sindicato mudou a forma de encarar os trabalhadores do setor privado. “Hoje temos um departamento específico e os trabalhadores são mais respeitados” – comenta.
Simone Cardoso de Almeida
37 anos
Funcionária desde 1998
Militante estudantil e partidária desde os tempos de Escola Técnica Federal, onde cursou Eletrotécnica — um curso de poucas meninas —, Simone sempre esteve próxima da política. Seu interesse em trabalhar no sindicato se consolidou através de concurso. Segundo conta, um dos momentos mais marcantes da sua vida profissional no NF tem justamente a ver com este interesse pela militância nos movimentos sociais: foi quando acompanhou, dando suporte em nome da entidade, a primeira ocupação de terras pelo MST em Campos. Na vida pessoal, é grande a sua competência para organizar festas. Os amigos agradecem.
Tatiane Moraes da Silva
25 anos
Funcionária desde 2005
Funcionária mais nova do Sindipetro-NF, Tatiane foi admitida para secretariar o Departamento de Saúde, Tecnologia e Meio Ambiente. “Trabalhar no sindicato é uma realização pessoal e profissional. Além de uma grande oportunidade de crescimento” – diz Tati, que é muito dinâmica está sempre disposta a ajudar os outros departamentos e na organização de eventos do sindicato. Para ela, trabalhar no NF a colocou em contato com o mundo sindical e da política que desabrocham novos conhecimentos em sua vida.
Vitor Menezes
32 anos
Funcionário desde 1998
O jornalista Vitor Menezes é o editor do semanário Nascente. Formado em Jornalismo pela Fafic (Faculdade de Filosofia de Campos) e com mestrado em Sociologia pelo IUPERJ – Instituto Universitário de Pesquisa do Rio de Janeiro, já trabalhou em jornais de Campos e teve seu próprio Jornal o “Nosso Bairro”. Como jornalista não pode ficar parado, hoje também leciona em faculdades de comunicação de Campos e Macaé. Escritor irônico e bem humorado já participou de diversos concursos de contos, tendo conquistado segundo lugar em duas edições do Concurso Nacional de Contos José Cândido de Carvalho, promovido pela Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima de Campos. Curte seu momentos de lazer com a esposa e a filha na casa de Grussaí, além de sair para bater papo com os amigos de infância.
E mais: Miriam da Silva Chiareti, admitida 1º agosto de 2005 pela PRR Advogados Associados, Carla Cristina C. Freire, 22 anos, começou a trabalhar no NF em novembro de 2005; Tarciana Cristina A. de Oliveira, 29 anos, Começou a trabalhar no NF em março de 2006; as auxiliares de serviços gerais da Paes B: Giani da Silva Araújo, Gertrudes Pires da Silva (Raquel) e Itaílde Cristina Menezes (Tatiane).
Marcas que ficam
Na maioria das entrevistas realizadas para elaboração dessa revista, dois fatos foram citados como marcantes na história do Sindipetro-NF: o acidente com a P-36 e a greve por tempo determinado. Por coincidência os dois aconteceram no ano de 2001. Nessas páginas descrevemos esses momentos que ficaram na memória.
O acidente com a P-36 no dia 15 de março de 2001marcou profundamente a vida dos familiares dos 11 petroleiros mortos no acidente, mas também dos sindicalistas e trabalhadores do Sindipetro-NF.
Luiza Botelho era diretora do sindicato na época. Conta que no momento que faziam uma assembléia da categoria na porta da empresa tiveram a notícia do acidente. “Fomos informados do acidente com homem ao mar e imediatamente paramos a assembléia que realizavamos. Nos dirigimos imediatamente para a empresa encontrar com o RH da UN-BC, Luiz Carlos. Com ele vimos as fotos do acidente e tivemos a real dimensão dos fatos”- conta.
“Foram momentos de muita dor” disse a assistente social do Sindipetro-NF, Maria das Graças, que também atuou dentro da empresa acompanhando as pessoas que desembarcaram da P-36.
Não é apagada da memória de Fernando Carvalho, coordenador do sindicato em 2001, a hora em que a plataforma afundou levando para o fundo do mar os corpos de nove trabalhadores. “Estávamos no auditório da UN-BC com as viúvas e a senadora Benedita da Silva, quando foi anunciado o afundamento da P-36. Gritos e choros encheram o ambiente e não sabíamos quem acudir. Naquela hora foi muito difícil pra mim manter a calma”- diz Carvalho.
O ACIDENTE
Na madrugada de quinta-feira, 15 de março de 2001, um grande estrondo acorda os trabalhadores da P-36, no campo do Roncador.Toda a plataforma treme e a brigada de incêdio é acionada para verificar a coluna de popa-boreste.
Minutos depois, uma forte explosão é ouvida e um novo grupo da brigada vai até a coluna, onde só encontra morte e destruição. O operador Sérgio Santos Barbosa, 41anos, um dos integrantes da brigada é resgatado com 98% do corpo queimado e encaminhado ao Hospital da Força Aérea do Galeão, mas dias depois não resiste.
Três horas da primeira explosão começa o abandono da plataforma. Vinte e quatro homens ficaram a bordo para controlar a situação. As outras pessoas eram retiradas em cestas para os rebocadores. Foram transferidos para outra plataforma a P-47, a 12 Km de distância. De lá eram transportados para a sede da empresa em Imbetiba, onde receberam os primeiros atendimentos.
No dia seguinte, a P-36 começou a mostrar sinais de inclinação e já dava indícios que iria afundar.Na quarta, 21, às 10h45 vêem o fim da agonia. A P-36 afunda a 1.350 metros levando os corpos de nove trabalhadores mortos.
A partir desse acidente a Petrobrás criou o PEO (Programa de Excelência Operacional) e o Sindipetro-NF assegurou a participação de um sindicalista na Comissão de Investigação de Acidentes. Até hoje o sindicato, reivindica melhorias no SMS da empresa.
SEGUNDO MOMENTO MARCANTE: A GREVE DE 2001
Os petroleiros da Bacia de Campos mostraram toda sua força na greve geral por tempo determinado ocorrida de 24 a 28 de outubro de 2001. Uma greve com controle da produção nas mãos dos trabalhadores, que atingiu 37 das 38 plataformas existentes na época e contagiou todo o resto do país.
“A zero hora do dia 24 acompanhei os diretores Luiz César Nascimento e Hélio Guerra no corte de rendição em Cabiúnas. Quando o relógio marcava 24 horas os telefones não paravam de tocar com notícias das plataforma. Uma a uma ia parando a produção e o movimento crescendo. Nesse movimento foram fundamentais dois novos instrumentos de comunicação: o rádio e a cobertura on line da greve”- comenta Fernanda Viseu.
No quadro nacional, 80% das bases aderiram a greve, mostrando à Petrobrás que os trabalhadores queriam respeito, aumento no reajuste de 6% e reabertura das negociações. E conseguiram.
“A unidade demonstrada pelos petroleiros da Bacia foi fundamental para pressionar a empresa na mesa de negociação, que admitiu em vários momentos, que a greve já era uma vitória política dos trabalhadores” – publicou o Nascente 239.
Desde 95 a categoria não tinha feito uma outra greve com tamanho peso. A greve de 2001 foi a retomada do espírito petroleiro que andava em baixa. A partir desse movimento os trabalhadores renovaram o espírito de luta e o orgulho de pertencer à categoria petroleira.
Dez anos de luta em sintonia com a base
O Sindicato de Petroleiros do Norte Fluminense já nasceu grande. Nasceu representando, já há dez anos, um dos principais centros produtores de petróleo do mundo e o maior do Brasil. Hoje são mais de 40 plataformas, além das bases administrativas e de apoio em terra, como Imbetiba, Cabiúnas, Parque de Tubos e terminais de embarque e desembarque dos petroleiros, como o Aeroporto de Macaé e o Heliporto do Farol de São Tomé.
A luta da categoria no Norte Fluminense, no entanto, não limita-se a dos petroleiros da Petrobrás. Na região, há milhares de trabalhadores de empresas privadas, sejam prestadoras de serviço especializadas no Setor Petróleo ou operadoras. É o caso da Shell, com a qual temos dificuldades de estabelecer negociação e que já está produzindo aproximadamente 60 mil barris de petróleo/dia. Tem também a Devon, que deverá em breve começar a produzir petróleo, e outras que estão em fase de exploração e avaliação de poços. Há ainda a Halliburton, a Schlumberger, a BJ Service, a Smith, a Sotep, a Perbras e tantas outras onde os petroleiros têm sido organizados e representados pelo Sindipetro-NF. Um trabalho fundamental, que envolve ações conjuntas com outros sindicatos de petroleiros e a FUP, através de campanhas coletivas que têm resultado em conquistas importantes para a categoria.
A organização sindical dos trabalhadores do setor privado é uma prioridade hoje do movimento sindical petroleiro, onde ainda temos, em alguns casos, relações de trabalho precarizadas, muito aquém daquilo que as empresas de ponta praticam e que, portanto, precisam avançar.
Seja na Petrobrás ou nas demais empresas do setor, o petroleiro que trabalha embarcado tem um dia-a-dia muito diferente do que vivem os trabalhadores terrestres, principalmente os que atuam nas refinarias e terminais, braços fortes em nossas lutas o ano todo. Além de regime e condições de trabalho peculiares, as plataformas têm também uma forma própria de organização sindical e de mobilizações. Mais uma vez, o Sindipetro-NF tem sido referência para o movimento sindical petroleiro ao organizar as lutas da categoria, sempre considerando a realidade do trabalhador embarcado.
Vale a pena resgatar a greve de cinco dias em outubro de 2001, onde a combatividade dos companheiros off-shore foi fundamental para o fechamento naquele ano de um bom acordo coletivo com a Petrobrás. Não foi uma greve como as demais. A greve foi de controle de produção, com a Direção Sindical do Norte Fluminense conduzindo com maturidade e responsabilidade a parada de produção, a negociação com a Petrobrás para reativar parte da produção em alguma plataforma, o bloqueio novamente da produção e assim sucessivamente ao longo de cinco dias, demonstrando uma sintonia perfeita entre base e direção.
Nesses 10 anos do Sindipetro-NF, a categoria tem muito o que comemorar e muito do que se orgulhar. Principalmente, no que diz respeito à construção de um Sindicato combativo, que está sintonizado com a base no dia-a-dia, fortalecendo as lutas nacionais de todos os petroleiros. Parabéns aos companheiros e companheiras do Norte Fluminense por essa trajetória vitoriosa, repleta de conquistas!
* Coordenador da Federação Única dos Petroleiros
Humilde sempre, humilhado jamais
Primeiro coordenador do Sindipetro-NF conta como foi a formação do sindicato e defende organização como forma de lutar contra a opressão do mundo do trabalho
“Nas secas se conhecem as boas fontes. Nas adversidades, os verdadeiros companheiros”. Esta máxima, repetida pelos trabalhadores durante a Greve de 95, marcou o petroleiro que viria se tornar o primeiro coordenador do Sindipetro-NF, Luiz Carlos Mendonça, 41 anos, mais conhecido como “Meio Quilo”. Com 22 anos de Petrobrás, ele é um dos personagens da luta contra adversidades que foi a formação de um sindicato de petroleiros para a região Norte Fluminense e garante: faria tudo de novo.
Divorciado, com três filhos, operador de produção em P-40, bacharel em Direito e pós graduando em Direito Ambiental, Mendonça se mantém em militância, na condição de vice-presidente da Cipa da UN-Rio.
Nesta entrevista à Imagem, ele lembra o cenário da formação do NF e conta como foi o seu ingresso na militância sindical. Confira:
Como surgiu a idéia de formar o NF?
Havia petroleiros da região na direção do Sindipetro-RJ. Alguns no primeiro mandato, outros no segundo. Nós víamos que havia a necessidade de um sindicato aqui para a região, que desse respostas mais rápidas às nossas demandas. Tínhamos aqui uma nova realidade, era diferente de refinaria ou base administrativa. Acontecia um acidente aqui, por exemplo, e a resposta da estrutura sindical da época era muito lenta. Havia bons militantes sindicais no RJ, mas a estrutura não conseguia dar conta da nova realidade que estava surgindo aqui.
Como você se tornou um militante sindical?
Desde o tempo de aluno do Cefet eu fazia movimento estudantil. Fui do Grêmio e foi lá que eu experimentei o resultado da organização coletiva. Eu perdi no 2º ano, e não havia dependência na escola técnica na época. Nós descobrimos que outras escolas tinham essa prática, e começamos um movimento pela implantação da dependência. Quando eu me formei na escola, em 83, eles implantaram a dependência. Nos anos 80 vieram os concursos para a Petrobrás, e toda uma geração de técnicos entrou na empresa. Entrei em 1985, logo após o acidente de Enchova, e havia aquela comoção no ar. Com dois anos de contratado já fazia discussão sobre Petros com os companheiros. Chegamos a fazer um movimento de desfiliação da Petros. Esse envolvimento acabou me levando para a vida sindical, e acabei fazendo parte da direção do Sindipetro-RJ, antes da existência do NF.
E como se tornou o primeiro coordenador do NF?
O grupo identificou em mim esse potencial e me escolheu. Foi um movimento muito difícil, que ia na contramão da tendência de unificação. Caxias, por exemplo, era contrário à formação do NF. Aquele movimento todo de superação de dificuldades, inclusive com um plebiscito, fez surgir muita gente com muito espírito de luta. E entre estes fui escolhido. Mas havia um espírito de grupo muito intenso, e o acordo, que se cumpriu, era o de fazer rodízio nos cargos da direção, e eu fiquei apenas um ano na coordenação, para dar lugar a outro companheiro. Mais importante que os cargos, era o grupo.
Na época, você tinha noção da importância histórica de ser o primeiro coordenador do NF?
Não, num primeiro momento não. Nunca fiz curso de formação política. Minha estratégia é a da organização dos trabalhadores. Só depois, já no mandato, é que tivemos noção da responsabilidade.
Quais as maiores dificuldades que vocês enfrentaram no início?
Houve uma etapa difícil de resolução de problemas burocráticos em razão do desmembramento do RJ. Havia problemas com a divisão do patrimônio, a solução da situação trabalhista dos funcionários do sindicato, o encaminhamento das ações trabalhistas dos petroleiros ingressadas pelo RJ e que passariam a ser tocadas pelo NF, entre outros. Essa fase foi muito desgastante, mas foi também de muito aprendizado. Montamos a estrutura de departamentos, começamos a contratar profissionais para assessorar a nossa ação sindical, e começamos a dar as respostas que a categoria exigia. Tivemos que aprender muito também com as primeira negociações salariais. Era uma época de inflação muito alta e o que a gente conquistava se perdia. Havia muita perda. Outro avanço é que começamos a nos preocupar também com cláusulas sociais, como as que tratam da segurança. Começamos a fazer inspeções e fiscalizações, passamos a ter uma ação mais profissionalizada com a ajuda dos profissionais que contratamos, como médico, engenheiro do trabalho, jornalista, assistente social. Antes, nós lutávamos, mas não tínhamos armas adequadas.
Você sofreu perseguições em razão da militância sindical?
Muitas. Nós começamos a incomodar por que começamos a ter resultado na ação sindical. A luta contra a catamarã, por exemplo, que era um verdadeiro navio negreiro. Acabamos com aquilo. Nós identificamos também as distorções no pagamento do IHT, entre outras lutas. Então isso provocou reação da empresa. Na época do Landim, por exemplo, bloquearam os nossos crachás. Não podíamos entrar na empresa. Um dia, numa reunião, quando reclamamos com ele, ele falou que havia um jeito de desbloquear os nossos crachás: reduzir a intensidade da nossa ação sindical. Já aconteceu de me colocarem para fora da empresa. Há nove anos não tenho promoção, só recebo os níveis frutos dos acordos coletivos.
Mesmo assim, faria tudo de novo?
Faria. Aprendi muito no movimento sindical. Tenho três filhos e sempre digo a eles: se vocês acham que sou chato, esperem ter um chefe para ver o que é ser chato. São poucos os que, por exemplo, no meu caso, sabem separar o que é o cipista e o que é o técnico em petróleo. Acho que precisamos resistir a essa opressão do mando no mundo do trabalho. No fundo, é uma luta pela liberdade, que sempre foi o sonho humano. E a saída é pela organização. Não tem jeito, é o sangue que corre nas veias. É como meu pai dizia: humilde sempre, humilhado jamais.
Seguimos firmes e fortes
No vídeo institucional que registra a história do NF e comemora os seus dez anos, que foi exibido durante a solenidade que marcou o aniversário, o coordenador geral do sindicato, José Maria Rangel, fez questão de pontuar: o momento é de festa, mas também é de reflexão sobre o futuro.
“Comemorar não quer dizer se acomodar, é comemorar e olhar para frente e ver os desafios que temos que enfrentar nos próximos anos”, disse.
Nesta entrevista à revista Imagem, o atual coordenador do Sindpetro-NF, José Maria avalia a conjuntura política brasileira e comenta os desafios colocados para o sindicalismo. Confira:
Imagem – No vídeo dos dez anos do Sindipetro-NF, você afirma que, além de comemorar, é preciso olhar para frente para ver os desafios que o sindicato tem pela frente. Que desafios são estes?
José Maria Rangel – O primeiro desafio para qualquer sindicato é existir. Todos os dias temos que alimentar a crença na ação coletiva, lutando contra uma cultura dominante de individualismo e de consumismo. As novelas dizem para as pessoas que se dá bem quem faz qualquer coisa para isso. A publicidade faz acreditar que o consumo nos torna pessoas felizes, e que isso é o que importa, acima que qualquer outro valor ético ou moral. Fazer sindicalismo em um cenário assim não é fácil. No caso dos petroleiros, temos a vantagem de ter uma história de lutas e sucessos que faz com que as novas gerações percebam que a união produz resultados. Mas, claro, estamos imersos nesta cultura individualista como todos os demais trabalhadores.
Imagem – Isso é um desafio cultural. E no plano político?
Rangel – Pois é, o que eu disse é apenas uma parte, ou um dos desafios. Há muitos outros. Na política, é preciso manter o sindicato antenado com a conjuntura nacional e perceber quais os melhores passos para a defesa dos interesses dos trabalhadores. Isso nem sempre é bem compreendido. Pode parecer política partidária. Mas o fato é que a elite se articula, ela não faz diferença entre PFL e Fiesp. Política é política e interesses são interesses. E o estado é uma instância de poder em permanente disputa. O que precisamos é não abrir mão da nossa qualidade de atores políticos. O movimento sindical, os movimentos sociais, devem, sim, influenciar, cobrar, e apoiar politicamente o que considera correto.
Imagem – Isso tem a ver com a reeleição do presidente Lula.
Rangel – Claro, também tem a ver com isso. Os trabalhadores precisam compreender que o governo Lula não seria perfeito, nenhum governo em nenhum lugar foi perfeito. Mas não podemos negar que foi o governo que mais trouxe conquistas para o povo deste país. As comparações com o governo de Fernando Henrique mostram isso. Os indicadores sociais melhoraram e a economia não se tornou o caos que muitos apregoavam. Precisamos ter maturidade para não abrir mão dos avanços que tivemos. Do contrário, permitiremos um retrocesso.
Imagem – Os números das pesquisas mostram o Lula na frente. Você acredita na reversão desse quadro?
Rangel – Tudo é possível. Não existe situação confortável em política. Acredito que estão apostando em um segundo turno. A própria pulverização da esquerda ajuda nesse projeto das elites. Notaram como, de repente, uma candidata como a Heloísa Helena virou queridinha da mídia, toda hora no Jornal Nacional? E o Cristovam Buarque? Claro que são companheiros valorosos, e eu não estou fazendo um juízo sobre eles, mas falando da forma que, na minha opinião, eles estão sendo usados para dividir o eleitorado de esquerda, que pode não ter assimilado bem os problemas do governo Lula. Isso favorece a direita, que quer esta divisão para jogar todas as fichas em um segundo turno.
Imagem – E mais especificamente na política sindical, quais os desafios?
Rangel – Boa parte do cenário futuro do sindicalismo sofrerá influência dos resultados das próximas eleições. Falamos muito em eleições presidenciais, mas também devemos ficar atentos com as eleições para a Câmara dos Deputados. Recentemente, o Diap (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar) listou alguns projetos de interesse dos trabalhadores que estão no Congresso, que tratam de temas como aposentadoria, demissão, previdência social, Cipa, FGTS, turnos, entre outros. Ou seja, a vigilância tem que ser constante, e se tivermos parlamentares comprometidos com os trabalhadores o trabalho do sindicalismo é facilitado. Outro desafio do sindicalismo é ser mais atuante nos temas da cidadania, que não dizem diretamente respeito ao associado de um sindicato.
Imagem – É o chamado sindicalismo cidadão…
Rangel – Isso. Não podemos esquecer a dívida social que este país tem com o seu povo. A grande maioria dos trabalhadores está à margem das políticas públicas, de qualquer proteção social, e muito menos dispõe de representação sindical. Nós, sindicalizados, temos a nossas demandas e temos que lutar por elas, mas não podemos esquecer que também podemos usar a nossa força política para ajudar a melhorar as condições de vida de outros trabalhadores.
Imagem – E o Sindipetro-NF, o que tem feito neste sentido?
Rangel – Esta é uma área que temos nos preocupado e temos conseguido alguns avanços. Nós temos uma agenda que é quase 100% ocupada com uma negociação constante com as empresas do setor petróleo, especialmente com a Petrobrás. Isso faz com que fiquemos focados nas reivindicações petroleiras e, temos que admitir, atuamos menos do que poderíamos em temas regionais. Há discussões, por exemplo, que poderíamos estar mais presentes, como os que dizem respeito à aplicação dos recursos dos…






