Mostra Feminina de Cultura emociona público e reafirma a força da arte feita por mulheres em Macaé

Com o auditório lotado e ingressos esgotados antes mesmo da estreia, a quarta edição da Mostra Feminina de Cultura transformou o teatro do Sindipetro-NF, na noite desta semana, em um espaço de emoção, reflexão e resistência. Mais de 37 artistas mulheres da cidade estiveram envolvidas na produção e nas apresentações, reafirmando o protagonismo feminino na arte e na construção cultural da região.

Logo na entrada, o público era conduzido a uma atmosfera sensorial marcante: o palco em penumbra, coberto por malas espalhadas e envolto por uma leve fumaça, sugeria a passagem do tempo e as histórias carregadas por cada mulher. Um cenário que preparava o espectador para uma noite de intensidade e significado.

Quem representou o Sindipetro-NF foi a diretora Bárbara Bezerra, que trouxe ao palco uma reflexão potente sobre os desafios de fazer arte e ser mulher. “É muito difícil fazer arte, é muito difícil fazer cultura, e está difícil ser mulher também”, destacou. Em tom emocionado, ela relembrou o surgimento da mostra, nascida do desejo de transformar a forma de falar sobre feminismo. “A gente pensou: vamos falar de outro jeito. E assim surgiu a ideia de uma mostra só de mulheres”, contou.

Bárbara também ressaltou o crescimento do projeto ao longo das edições e a resposta do público. “Antes mesmo de anunciar esta quarta edição, os ingressos já estavam esgotados. Isso mostra o quanto esse projeto é necessário, o quanto ele encanta”, afirmou. Para ela, a iniciativa reforça o papel do sindicato como agente social. “A gente quer ser um sindicato cidadão. E não há como ser cidadão sem se relacionar com a comunidade. Arte, cultura e educação são revolução, são identidade.”
Ao longo da noite, uma sequência de apresentações marcantes atravessou o palco, arrancando aplausos e emoções profundas da plateia. Um dos momentos mais impactantes foi a performance de uma artista vestida de branco, com as mãos pintadas de vermelho, que ao cantar “A carne”, eternizada por Elza Soares, transformou o próprio corpo em denúncia, evocando a dor e a violência historicamente impostas às mulheres. A dança também teve papel central, com um balé sensível ao som de “Começar de Novo”, de Ivan Lins, trazendo a mensagem de recomeço e resistência.

Outro momento de forte simbolismo foi a apresentação de Ina de Cláudia Bispo, história encenada sobre uma avó e sua neta, marcada pela escassez de água e pela busca por novos caminhos — uma metáfora potente sobre herança, luta e transformação. A poesia também encontrou espaço com interpretações intensas, reforçando a diversidade estética da mostra. A noite ainda contou com apresentações de dança, coral, performances poéticas e narrativas emocionantes,

A produtora Janaína Mendes, uma das idealizadoras da mostra, destacou a importância da valorização dos talentos locais e o caráter coletivo do evento. “A gente não precisa esperar só artistas de fora. Temos uma galera incrível aqui na região”, disse. Ela também reforçou que o sucesso da mostra é resultado de um trabalho conjunto, envolvendo artistas, técnicos e equipe de produção. Ao final, aproveitou para convidar o público para novas iniciativas culturais, fortalecendo a continuidade do movimento.

Um dos momentos mais simbólicos da noite veio com a artista Carol, que criou uma pintura ao vivo durante o espetáculo. Inspirada pelo cenário e pela proposta da mostra, ela revelou que já havia imaginado uma mulher abrindo uma mala e deixando cair pelo caminho dores, violências e marcas do passado. “A ideia é deixar esse peso para trás e seguir em frente. Não apagar a história, mas lembrar para que não se repita”, explicou.

Na obra, pontos pretos representavam outras mulheres em processo de libertação, reforçando a ideia de coletividade. “A gente só consegue trilhar esse caminho juntas. Uma dando a mão para a outra”, afirmou, arrancando aplausos emocionados da plateia.

Mais do que um espetáculo, a Mostra Feminina de Cultura se consolidou como um espaço de encontro, expressão e transformação. Entre lágrimas, aplausos e identificação, o público saiu com a certeza de que a arte feita por mulheres não apenas emociona — ela provoca, mobiliza e constrói novos caminhos.