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A SEMANA
Editorial
Lembrar o Golpe e não vacilar na urna em 2026
Neste 1º de abril, data que marca os 62 anos do Golpe de 1964, o Brasil é chamado mais uma vez à reflexão e, sobretudo, à vigilância. A história não se repete da mesma forma, mas seus sinais permanecem vivos. Se antes os ataques à democracia vinham com tanques nas ruas e fechamento explícito das instituições, hoje eles avançam de maneira mais sutil e perigosa: por dentro do próprio sistema democrático.
Como aponta o advogado Carlos Pimenta nesta edição do Nascente, o país viveu, em 2023, uma tentativa concreta de golpe, protagonizada por setores que nunca aceitaram plenamente o fim da ditadura. São os mesmos que agora buscam se apresentar como defensores da democracia, disputando eleições e tentando reescrever sua própria trajetória. Não há ingenuidade possível diante disso.
A experiência internacional reforça o alerta. Democracias não acabam apenas com rupturas abruptas — elas também são corroídas gradualmente, por lideranças eleitas que, uma vez no poder, atacam instituições, deslegitimam adversários e incentivam o ódio. O caso de Donald Trump, nos Estados Unidos, é emblemático: sua postura imperial, suas políticas de exclusão e o estímulo à violência política já provocam forte reação popular, como mostram recentes manifestações contra sua agenda de guerra, morte e perseguição a imigrantes.
No Brasil, é preciso aprender com esses exemplos. Defender a democracia não é apenas um discurso, mas uma prática cotidiana que exige memória, consciência e posicionamento. A escolha nas urnas, mais uma vez, será decisiva. É fundamental apoiar candidaturas comprometidas historicamente com a democracia, com os direitos sociais e com a soberania nacional — valores que também sustentam a luta em defesa da Petrobrás e do povo.
Mais do que lembrar o passado, este 1º de abril deve servir como um chamado à ação. Democracia se constrói todos os dias — e se perde quando se baixa a guarda.

IR: procure o NF para fazer sua Declaração
O Sindipetro-NF iniciou, no último dia 26, um serviço de assessoria gratuita aos filiados e filiadas à entidade para elaboração e envio da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF). Os atendimentos seguem até o dia 26 de maio, nas sedes de Campos dos Goytacazes (terças e quintas) e Macaé (quartas e sextas). É necessário fazer o agendamento, pelo whatsapp (22) 99928-8350. O objetivo é garantir mais segurança, qualidade e agilidade no cumprimento dessa obrigação anual, com o apoio de equipe especializada oferecida pelo sindicato.
Otamérica
Trabalhadores e trabalhadoras da Otamérica estão em período de votação por 24h, desde 16h desta terça-feira (31), na Plataforma Confluir, após realização de assembleia para deliberar sobre Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) 2026, em um momento decisivo para a definição de direitos e condições de trabalho.
Kempetro
Na Kempetro, a convocação é para assembleia nesta quarta-feira (01), às 14h, de nodo online, também para deliberação sobre a proposta de Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) 2026/2028 da empresa. Após a discussão, a votação será realizada pela plataforma Confluir e permanecerá aberta por 24 horas.
Memórias no site
A Comunicação do Sindipetro-NF acaba de colocar no ar uma área especial no site da entidade para reunir todos os conteúdos produzidos, ao longo destes quase 30 anos, sobre a história do NF. Acesse pelo QR acima e saiba mais sobre o seu sindicato.
Reembolso da Greve
O NF prorrogou para 04 de maio o final do prazo para pedidos de reembolso dos dias da Greve de 2025. O prazo terminaria neste sábado (04), mas a análise dos contracheques e a grande demanda provocaram a ampliação do atendimento. O sindicato solicita compreensão aos companheiros pela eventual demora no reembolso, reafirmando que seguirá honrando o compromisso assumido com os guerreiros e guerreiras do movimento.
Luto
O Sindipetro-NF comunicou nesta semana, com profundo pesar, o falecimento do petroleiro Andre Calazans Gonzales Gil, de 43 anos, técnico de operação da Petrobrás filiado ao Sindipetro-NF, ocorrido na madrugada do último sábado (28), na Refinaria Duque de Caxias (Reduc). Segundo informações iniciais, ele foi encontrado desacordado durante o turno de trabalho. O Sindipetro-NF manifesta sua solidariedade e presta suas mais sinceras condolências aos familiares, amigos e colegas de trabalho.
VOCÊ TEM QUE SABER
FUP e NF cobram e Petrobrás faz correção
O Sindipetro-NF orientou os trabalhadores e trabalhadoras em seu site, na última segunda-feira (30), a assinarem o termo de adesão ao acordo da PLR 2019, que já foi corrigido e adequado pela Petrobrás após questionamentos feitos pela entidade. Quem realizar a assinatura até dia 31 de março, terá o pagamento efetuado no próximo dia 10.
A diretora do sindicato, Barbara Bezerra, explicou que o problema identificado no termo dizia respeito a um trecho que estava em desacordo com a minuta aprovada na negociação. “Foi identificado um parágrafo diferente do que havia sido pactuado no acordo. Assim que percebemos, solicitamos a correção à empresa, que já foi realizada. Agora o termo está adequado e o indicativo segue sendo pela assinatura”, afirmou.
Segundo Bárbara, a inconsistência ocorreu porque a empresa utilizou uma versão anterior do documento, sem atualizar um ponto sensível relacionado à redação sobre direitos dos trabalhadores. “A Petrobras acabou utilizando um modelo antigo do termo, que continha uma redação inadequada. A FUP cobrou a correção e hoje o documento já está alinhado com o que foi efetivamente homologado”, destacou.
Barbara também reforçou que não há prejuízo para quem já assinou anteriormente, mas que existe a possibilidade de refazer o procedimento. “Quem já assinou pode manter como está ou, se preferir, cancelar e assinar novamente. A alteração não muda o conteúdo do acordo, mas garante que o texto esteja correto e em conformidade com o que foi decidido”, explicou.
Diante da regularização do documento, o Sindipetro-NF reforçou o chamado para que a categoria realizasse a assinatura dentro do prazo, garantindo o recebimento na primeira data prevista.
Para os trabalhadores da ativa, o pagamento seguirá o cronograma informado. Já no caso dos trabalhadores que porventura não estejam mais na ativa, mas estavam até 31 de março de 2019, a Petrobrás ainda abrirá um canal específico, com prazo mais amplo para adesão.
NF denuncia precariedade no transporte dos trabalhadores
O Sindipetro-NF está cobrando da Petrobrás uma solução urgente para os problemas de transporte enfrentados por petroleiros e petroleiras que atuam de forma presencial nas unidades de Macaé e se deslocam para bairros do município e para Rio das Ostras. De acordo com o diretor do sindicato, Anderson Silva, trabalhadores têm relatado dificuldades para conseguir vagas nas vans que fazem os trajetos.
Segundo o dirigente, o problema persiste há mais de 30 dias e vem sendo agravado pela ampliação do número de empregados convocados para o trabalho presencial. “A gente já sinalizou para a empresa a necessidade de aumentar o número de vans em Macaé e substituir micro-ônibus por ônibus maiores na linha de Rio das Ostras, mas até agora não tivemos nenhuma resposta concreta”, afirmou.
O sindicato destaca que a situação se agravou com a contratação de novos trabalhadores, que estão sendo obrigados a cumprir jornada presencial de cinco dias por semana, enquanto outros empregados seguem em regime híbrido, com três dias presenciais.
Para o Sindipetro-NF, a ausência de planejamento da empresa tem gerado transtornos diários, com trabalhadores enfrentando dificuldades para chegar ao local de trabalho e cumprir suas jornadas. Além disso, há relatos de mau cheiro e falta de higienização dos veículos.
Apesar das diversas reclamações registradas nos canais oficiais da empresa e das cobranças feitas pelo sindicato, inclusive junto ao setor de Recursos Humanos e à gerência responsável, não houve retorno efetivo até o momento.
A entidade segue pressionando por uma resposta imediata e orienta que os trabalhadores continuem registrando as ocorrências e informando o sindicato, para fortalecer a cobrança por medidas concretas que garantam condições dignas de trabalho.
Eleições sindicais: votação entre 25 de abril e 15 de maio
A Junta Eleitoral do Sindipetro-NF informou, na última sexta-feira (27), a alteração do calendário das eleições sindicais de 2026, em continuidade ao processo que definirá a nova Diretoria Colegiada e o Conselho Fiscal para o mandato 2026/2029.

NF NO PORTO Os diretores do Sindipetro-NF Alexandre Vieira, Sérgio Borges (coordenador-geral) e Robson Botelho estiveram na semana passada no Porto do Açu, para dialogar com trabalhadores e trabalhadoras das unidades P-26 e P-33, após denúncias sobre tentativas da Petrobrás de alterar o regime de trabalho, com impactos na escala e na remuneração da categoria. A entidade segue em negociações com a empresa para reverter os problemas.
SAIDEIRA

Emoção, reflexão e resistência em noite de cultura feminina
Fernanda Viseu / Imprensa do NF
Com o auditório lotado e ingressos esgotados antes mesmo da estreia, a quarta edição da Mostra Feminina de Cultura transformou o teatro do Sindipetro-NF, na noite da última quinta-feira (26), em um espaço de emoção, reflexão e resistência. Mais de 37 artistas mulheres da cidade estiveram envolvidas na produção e nas apresentações, reafirmando o protagonismo feminino na arte e na construção cultural da região.
Logo na entrada, o público era conduzido a uma atmosfera sensorial marcante: o palco em penumbra, coberto por malas espalhadas e envolto por uma leve fumaça, sugeria a passagem do tempo e as histórias carregadas por cada mulher. Um cenário que preparava o espectador para uma noite de intensidade e significado.
Quem representou o NF foi a diretora Bárbara Bezerra, que trouxe ao palco uma reflexão potente sobre os desafios de fazer arte e ser mulher. “É muito difícil fazer arte, é muito difícil fazer cultura, e está difícil ser mulher também”, destacou. Em tom emocionado, ela relembrou o surgimento da mostra, nascida do desejo de transformar a forma de falar sobre feminismo. “A gente pensou: vamos falar de outro jeito. E assim surgiu a ideia de uma mostra só de mulheres”, contou.
Bárbara também ressaltou o crescimento do projeto ao longo das edições e a resposta do público. “Antes mesmo de anunciar esta quarta edição, os ingressos já estavam esgotados. Isso mostra o quanto esse projeto é necessário, o quanto ele encanta”, afirmou. Para ela, a iniciativa reforça o papel do sindicato como agente social. “A gente quer ser um sindicato cidadão. E não há como ser cidadão sem se relacionar com a comunidade. Arte, cultura e educação são revolução, são identidade.”
NORMANDO
1964, 2023 e a busca democrática
Carlos Eduardo Pimenta*
O golpe militar de 1964 nunca foi, sob qualquer perspectiva histórica rigorosa, um gesto de proteção nacional. Conduzida por uma coalizão de setores civis e militares que temiam o avanço das reformas de base e a crescente participação popular, a ruptura de 1º de abril preferiu a tutela das armas ao saudável debate público. Naquele momento, o Brasil sacrificou sua soberania em nome de uma suposta ordem que, na prática, suprimiu direitos fundamentais.
Revisitar esse passado não é apenas uma nostalgia amarga; é uma necessidade urgente neste ano de 2026, diante de ameaças que insistem em rondar a nossa fragilizada democracia.
Há um esforço coordenado para reescrever o roteiro, suavizando os horrores de um regime que se institucionalizou através da repressão e do abuso do Estado. A democracia não se fortalece com a amnésia coletiva ou com a conciliação do silêncio. Ela exige o reconhecimento pleno do que foi praticado em seu nome — e contra ela. O regime que durou 21 anos não apenas destruiu vidas individuais, mas deformou o projeto nacional, aprofundando as desigualdades sociais e impondo uma modernização conservadora que excluiu a maioria do povo do processo decisório.
O Brasil contemporâneo ainda convive com as cicatrizes e os ecos desse autoritarismo mal resolvido. A falta de uma justiça de transição plena, que punisse perpetradores e estabelecesse uma verdade oficial incontestável, permitiu que o gérmen do golpismo hibernasse em certas franjas da sociedade e do Estado. As cenas estarrecedoras de 8 de janeiro de 2023 — uma tentativa explícita de subverter o resultado das urnas — serviram como um lembrete brutal de que a democracia não é um patrimônio dado ou uma conquista estática. Ela é uma construção diária, porosa e, por vezes, frágil. A tentativa de ruptura de 2023 não surgiu do nada; foi o ápice de uma narrativa tóxica que se alimentou sistematicamente da negligência com a memória histórica e da tolerância cínica com discursos que relativizam 1964.
Não existem atalhos autoritários que conduzam a uma sociedade mais justa ou segura; a história prova que toda tentativa de calar a sociedade resulta em violência, corrupção institucional e atraso civilizatório. O caminho democrático, embora mais lento, ruidoso e intrinsecamente complexo, permanece como o único arranjo capaz de mediar conflitos sem aniquilar o opositor.
Portanto, 1964 deve ser encarado não como um capítulo distante e empoeirado, mas como um alerta vivo para as novas gerações. A democracia não desmorona de um dia para o outro; ela é corroída por dentro quando se normaliza o ódio político, quando se desacredita o sistema eleitoral sem provas e quando a ameaça militarizada passa a ser aceita como uma variável legítima da política. Lembrar é, fundamentalmente, um ato de resistência ativa. E resistir, hoje, significa garantir que nenhum tanque volte a ocupar o espaço que pertence exclusivamente ao povo e ao seu destino soberano.
* Assessor jurídico do Sindipetro-NF e da FUP. [email protected]
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