Hoje, 31 de março, o Brasil relembra os 62 anos do Golpe Militar de 1964, que instaurou uma ditadura marcada por repressão, censura, assassinatos e perseguição política. Para o movimento sindical petroleiro, a data segue como um marco de denúncia, memória e reafirmação da luta por democracia.
O período autoritário atingiu duramente a classe trabalhadora. Sindicatos foram colocados sob intervenção, direitos foram retirados e milhares de trabalhadores sofreram perseguições. No setor de petróleo, esse cenário ganhou contornos ainda mais graves.
Dentro da Petrobras, pesquisas recentes têm aprofundado o entendimento sobre o papel da empresa durante a ditadura. O livro “Petrobras e petroleiros na ditadura: trabalho, repressão e resistência” de autoria Luci Praun, Alex de Souza Ivo, Carlos Freitas, Claudia Costa, Julio Cesar Pereira de Carvalho, entre outros, revela que houve a atuação de estruturas internas de vigilância e controle sobre trabalhadores, com produção de relatórios, monitoramento de atividades políticas e punições a quem era considerado “subversivo”.
A obra também aponta que muitos petroleiros foram vítimas diretas da repressão: demissões arbitrárias, prisões, torturas e até assassinatos fizeram parte da realidade enfrentada por trabalhadores que ousaram se organizar e resistir. Segundo os estudos reunidos no livro, a estatal integrou, em diferentes níveis, o aparato de repressão do regime, evidenciando a articulação entre empresas estratégicas e o Estado autoritário.
Em nota oficial, a Central Única dos Trabalhadores reafirma que não aceita qualquer tentativa de relativizar a ditadura e destaca que o regime foi “um projeto político das elites”, sustentado por setores empresariais e pela ingerência internacional, especialmente dos Estados Unidos.
A CUT também denuncia que empresas colaboraram diretamente com o regime, seja fornecendo informações sobre trabalhadores, financiando a repressão ou se beneficiando das violações de direitos. Para a central, esse passado não pode ser tratado como página virada. “Não há democracia plena sem verdade e justiça. Responsabilizar é também impedir que essas práticas se repitam”, afirma a entidade.
Segundo a nota, os efeitos da ditadura ainda permanecem na sociedade brasileira, inclusive na manutenção de estruturas herdadas do período autoritário, que seguem impactando principalmente a população mais vulnerável. A central também reforça que o movimento sindical esteve na linha de frente da resistência, organizando trabalhadores nas fábricas, no campo e nas ruas.
Mas essa história também é marcada pela coragem. Mesmo diante da repressão, petroleiras e petroleiros construíram formas de resistência, muitas vezes clandestinas, mantendo viva a organização coletiva e a luta por direitos. Essa atuação foi decisiva para o fortalecimento do movimento sindical nos anos finais da ditadura e para o processo de redemocratização do país.
Para o movimento sindical petroleiro, lembrar esse passado é um compromisso político. “Resgatar a memória dos trabalhadores perseguidos e daqueles que resistiram é fundamental para que nunca mais se repitam os erros do passado”, destacam dirigentes da categoria.
Ao completar mais de seis décadas do golpe de 1964, a data reforça a importância de preservar a verdade histórica diante de tentativas de relativizar a ditadura. A memória da classe trabalhadora — e, em especial, dos petroleiros — segue como um instrumento de luta.
Ditadura nunca mais.
Assista a uma matéria sobre o livro Petrobras e petroleiros na ditadura: trabalho, repressão e resistência em https://www.youtube.com/watch?v=-82tUQnvUWk





