O Sindipetro-NF participou de uma reunião com representantes da Secretaria de Coordenação e Governança das Empresas Estatais (SEST), vinculada ao governo federal, para discutir o processo de esvaziamento e a crescente privatização da Bacia de Campos. O encontro reuniu também representantes do Sindipetro Espírito Santo, assessorias políticas e jurídicas das entidades sindicais.
O objetivo central da reunião foi apresentar preocupações com medidas que vêm sendo adotadas pela Petrobras, especialmente relacionadas ao desmonte das bases operacionais e à terceirização de atividades estratégicas. Entre os pontos destacados pelo coordenador do Sindipetro-NF, Sergio Borges, está a substituição de trabalhadores próprios por contratados nas áreas de segurança do trabalho, inspeção e enfermagem — um processo que já está em curso.
De acordo com Sergio Borges, esse cenário representa um risco direto à saúde e à segurança dos trabalhadores. “O esvaziamento da Bacia de Campos e a privatização impactam diretamente na segurança operacional e podem abrir caminho para a ocorrência de novos grandes acidentes”, alertou.
Durante a reunião, os dirigentes sindicais destacaram que a terceirização de funções estratégicas compromete a qualidade e a continuidade do trabalho. Um dos problemas apontados é a alta rotatividade de trabalhadores no setor privado, que dificulta a formação de equipes experientes e integradas às rotinas operacionais. Além disso, segundo Borges, há menor investimento na qualificação desses profissionais por parte das empresas contratadas, ao contrário do que historicamente ocorre com trabalhadores próprios da Petrobras.
Outro ponto crítico levantado diz respeito à autonomia dos técnicos de segurança. Segundo o coordenador, esses profissionais precisam ter independência para tomar decisões que garantam a integridade das operações, inclusive quando isso significa confrontar gestores ou interromper atividades. “Um técnico de segurança próprio tem respaldo para barrar um serviço inseguro. Já um trabalhador terceirizado, muitas vezes, não tem condições de fazer esse enfrentamento”, afirmou.
Borges relatou ainda situações concretas em que técnicos da Petrobras impediram a realização de atividades de risco, como trabalhos a quente em espaços confinados sem o cumprimento das normas regulamentadoras. Para o sindicato, esse tipo de intervenção é fundamental para evitar acidentes graves e pode ser comprometido com a terceirização.
Ao final do encontro, ficou acordado que as entidades sindicais irão encaminhar novas evidências à Secretaria, reforçando as denúncias apresentadas. A SEST também se comprometeu a intermediar uma reunião com a Petrobras e representantes dos trabalhadores, com o objetivo de aprofundar o debate e buscar esclarecimentos diante das denúncias, que incluem possíveis descumprimentos de normas de segurança. Também participaram pelo NF os diretores Eider Siqueira e Marcos Botelho.





