Recepcionista do Sindipetro-NF é alvo de ataques racistas dentro da sede do sindicato

Um episódio grave de racismo marcou a tarde da última sexta-feira (24), por volta das 12h40, na sede do Sindipetro-NF em Macaé. O recepcionista Luan Dias foi alvo de ofensas racistas proferidas por uma mulher que esteve no local à procura do presidente da entidade.

Luan detalhou para a imprensa do NF a sequência de acontecimentos e o momento em que as ofensas começaram. “Ela chegou perguntando pelo presidente do sindicato. Eu informei que aqui não temos presidente, e sim um coordenador-geral, que é o Sérgio. Tentei ajudar, disse que verificaria se ele estava presente e, caso não estivesse, poderia encaminhar o contato dela, que repassaria. Ela disse que não tinha telefone, que havia perdido, e eu sugeri que utilizasse e-mail. A partir daí, começou a arrogância” – contou

Segundo ele, a mulher passou a insistir para que ele tirasse foto de um documento, o que foi recusado. Em seguida, vieram as agressões. “Ela insistiu várias vezes, mas eu disse que não ia tirar foto. Foi quando ela começou: ‘você é preto, preto, da cor do petróleo’. Na hora, eu falei pra ela: isso é racismo, isso é crime.”

O trabalhador relata ainda que a situação só cessou com a intervenção da diretora Jancileide Morgado. “Eu estava no setor privado, de fone, quando escutei a discussão. Fui até a recepção e presenciei a situação. Ela ainda me questionou qual era a cor do petróleo, como se isso justificasse as ofensas. Em seguida, afirmou que a mãe não gostava de pessoas negras e usava termos pejorativos. Foi um momento de muita tensão”, relatou Leide.

O episódio evoluiu para um bate-boca na recepção. Diante da gravidade, houve tentativa de acionar a polícia, momento em que a mulher deixou o local.

A direção do sindicato foi imediatamente comunicada e o caso também foi relatado ao advogado da entidade, Carlos Eduardo Pimenta, que informou que medidas legais estão sendo adotadas. “Já orientamos as vítimas e as providências cabíveis serão tomadas. As medidas legais serão devidamente encaminhadas diante da gravidade do fato”, afirmou o advogado.

A entidade aguarda o acesso às imagens de segurança para reforçar a identificação da agressora e dar andamento às ações jurídicas. Segundo informações, a mulher não é filiada ao sindicato.

A diretoria do Sindipetro-NF reafirma que não tolera qualquer manifestação de racismo em suas dependências. “O sindicato é um espaço de acolhimento, respeito e luta da classe trabalhadora. Não aceitaremos, em hipótese alguma, práticas racistas contra nossos funcionários, diretores, trabalhadores da base ou qualquer pessoa que frequente a sede da entidade. Racismo é crime e será tratado como tal”, destaca a direção.

A entidade reforça ainda que seguirá adotando todas as medidas necessárias para responsabilizar a autora das ofensas e garantir que episódios como esse não fiquem impunes.