Petrobrás volta atrás em compromisso firmado no MPT e deixa centenas de trabalhadores da JG sem receber direitos trabalhistas

O Sindipetro-NF denuncia mais um grave episódio de descaso da Petrobrás com os trabalhadores e trabalhadoras da JG Engenharia. Após meses de negociações, reuniões e um acordo construído no Ministério Público do Trabalho (MPT), a estatal voltou atrás no compromisso assumido e frustrou a expectativa de centenas de pais e mães de família que aguardavam o pagamento das verbas rescisórias.

Em audiência realizada em 7 de abril, na sede do MPT em Cabo Frio, a Petrobrás havia informado que utilizaria os recursos retidos do contrato com a JG para quitar os débitos trabalhistas. O compromisso representava uma esperança concreta para trabalhadores que convivem há meses com o drama do desemprego, da falta de renda e das incertezas provocadas pela inadimplência da empresa terceirizada.

Desde então, o Sindipetro-NF atuou em total solidariedade de classe. Participou das negociações, realizou reuniões com centenas de trabalhadores, custeou com recursos próprios uma análise contábil das rescisões e trabalhou para viabilizar o acordo, mesmo sem ter obrigação legal para isso.

No entanto, quando tudo estava pronto para que os pagamentos fossem realizados, a Petrobrás recuou. Segundo o diretor do Departamento Jurídico e secretário de Organização do Sindipetro-NF, Alessandro Trindade, havia mais de R$ 6 milhões reservados para atender os trabalhadores.

“Nós costuramos um acordo para o pagamento das verbas rescisórias no Ministério Público do Trabalho. Tínhamos R$ 5,1 milhões provisionados e mais R$ 900 mil retidos para atender algumas ações trabalhistas. Porém, no último momento, o jurídico da Petrobrás peticionou ao Ministério Público alegando que houve aumento no número de ações e que não seria possível efetuar os pagamentos. Nós deixamos claro que não abrimos mão dos direitos dos trabalhadores da JG. Vamos continuar lutando para garantir que essas verbas sejam pagas”, afirmou.

Para o Sindipetro-NF, é inadmissível que a Petrobrás, uma das empresas mais lucrativas do país, apresente obstáculos burocráticos para se eximir de um compromisso assumido perante o Ministério Público do Trabalho, enquanto centenas de trabalhadores permanecem sem receber verbas rescisórias, FGTS e outros direitos básicos.

O coordenador-geral do sindicato, Sérgio Borges, afirmou que a entidade continuará pressionando a empresa e organizando os trabalhadores para ampliar a mobilização. “Vamos continuar pressionando a Petrobrás para que ela honre esses direitos legítimos dos trabalhadores. A direção do Sindipetro-NF seguirá organizando e mobilizando os trabalhadores da JG para construirmos uma grande mobilização em defesa do que é deles por direito. Não vamos aceitar que a empresa vire as costas para quem ajudou a construir sua riqueza”, declarou.

Para a direção do Sindipetro-NF, a atitude da Petrobrás representa uma quebra de confiança com o próprio Ministério Público do Trabalho e uma demonstração de insensibilidade diante da situação dramática enfrentada pelos trabalhadores da JG. O sindicato exige que a Petrobrás cumpra o que foi acordado na audiência realizada no MPT e faça imediatamente os pagamentos das verbas devidas.