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A SEMANA
Editorial
A luta exige responsabilidade com a categoria
A história da categoria petroleira ensina uma lição que nunca perde a atualidade: direitos não são concedidos, são conquistados. Cada avanço foi resultado da organização coletiva, da participação dos trabalhadores e da atuação de entidades legitimadas para representar a categoria.
Por isso, é preciso fazer um alerta. Em um cenário de ataques aos direitos e tentativas de enfraquecer a organização sindical, toda mobilização exige responsabilidade. Convocar uma greve ou qualquer movimento paredista não é apenas expressar indignação. É assumir o compromisso de proteger os trabalhadores, respeitando os instrumentos legais e garantindo segurança política e jurídica à luta.
Quando esse compromisso é ignorado, quem paga a conta é a categoria. Trabalhadores ficam expostos, direitos podem ser ameaçados e as empresas encontram terreno fértil para enfraquecer o movimento. A divisão da categoria sempre interessou ao patrão.
Mais do que nunca, a categoria petroleira precisa compreender que unidade não significa unanimidade. Significa reconhecer que as diferenças fortalecem o debate interno, mas não podem enfraquecer a representação coletiva.Uma categoria organizada, consciente e mobilizada por sua entidade representativa amplia sua capacidade de conquistar direitos e enfrentar retrocessos.
Representatividade sindical não é privilégio. É uma conquista construída por gerações de petroleiros que entenderam que somente uma organização forte é capaz de negociar acordos, enfrentar abusos e defender direitos. O sindicato deve ser fortalecido pela participação dos trabalhadores, nas assembleias e nas decisões coletivas.
O Sindipetro-NF não acredita em atalhos. Acredita na força organizada da categoria. Foi assim que enfrentamos os momentos mais difíceis da nossa história, conquistamos direitos e construímos um sindicato respeitado pela sua combatividade.
Os desafios continuam grandes e a resposta precisa continuar sendo a mesma: unidade, organização e responsabilidade, porque nenhuma luta se sustenta sem representação legítima. E nenhuma conquista resiste quando a categoria abre mão da sua principal força: caminhar unida.
Ouro Negro
O Sindipetro-NF acompanha a Operação Ouro Negro, realizada na plataforma P-31 entre os dias 27 e 31 de julho. A ação reúne o sindicato e órgãos públicos, como Ministério Público do Trabalho, Anvisa, ANP, Ibama e Marinha, para fiscalizar as condições de segurança, saúde e habitabilidade nas plataformas, garantindo a proteção dos trabalhadores. O diretor Guilherme Cordeiro embarcou nesta terça-feira (28) para acompanhar a operação na unidade.
Campanhas de Setembro
O Sindipetro-NF está recebendo sugestões dos trabalhadores das empresas Apice, NOV, CETCO, Franks, Superior e Test Oil para a elaboração das pautas de reivindicações das campanhas salariais com data-base em 1º de setembro. As negociações da Apice e NOV serão conduzidas nacionalmente pela FUP; as demais são de abrangência regional. Envie sua contribuição pelo link: https://forms.gle/LGnYZKoL6CY8qWUz8
Festa Julina
As pulseiras para participação na tradicional Festa Julina do Sindipetro-NF já estão disponíveis para a retirada nas sedes do sindicato. A festa acontece nesta quinta (30) a partir das 17h na sede do NF em Campos. Haverá um ônibus saindo da sede de Macaé às 15h. Informações com Ezequiel (22 99996-8096).
Feriado Macaé
O Sindipetro-NF informa que a sede de Macaé estará fechada nesta quarta-feira, 29 de julho, devido ao feriado de aniversário da cidade. O atendimento administrativo será retomado normalmente na quinta-feira, 30. A sede de Campos dos Goytacazes funcionará normalmente durante o feriado, mantendo o atendimento aos trabalhadores e trabalhadoras que necessitarem dos serviços da entidade.
Greve na hotelaria
Os trabalhadores da hotelaria offshore participam nesta quarta (30) de assembleia híbrida convocada pelo Sinthop, para decidir os rumos do movimento. Já ocorreram duas assembleias, uma dia 27 e outra dis 28. Em pauta estão o reajuste pelo INPC mais 3% de ganho real, aumento de 26% na cesta básica, manutenção das cláusulas sociais e o retorno às atividades, encerrando a greve. O NF apoia o movimento.
Feira de RS
Estão abertas as inscrições para a XIX Feira de Responsabilidade Socioambiental da Bacia de Campos, que acontece de 17 a 19 de agosto, na Cidade Universitária de Macaé. Com o tema “Sustentabilidade, Saúde, Segurança Alimentar e Nutricional”, o evento é gratuito e reunirá especialistas, universidades, empresas e movimentos sociais. As inscrições podem ser feitas pelo site do Instituto Visão Social(https://institutovs.org/?utm_source=chatgpt.com).
VOCÊ TEM QUE SABER
Capa
Delegação do NF marca presença histórica no Confup
Das Imprensas da FUP e do NF
Com 39 delegados e delegadas, o Sindipetro-NF participou do 20º Confup, levando ao Congresso Nacional as propostas construídas pela categoria petroleira do Norte Fluminense, fortalecendo sua voz em todos os grupos de trabalho e e contribuindo para as deliberações que vão orientar a atuação da FUP na defesa da Petrobras, da soberania nacional e dos direitos dos petroleiros.
Com uma das maiores delegações do Congresso, o Sindipetro-NF participou ativamente do 20º Congresso Nacional da Federação Única dos Petroleiros (Confup), realizado entre 20 e 24 de julho, no CEPE Stella Maris, em Salvador (BA). Ao todo, 38 petroleiros e petroleiras do Norte Fluminense integraram os debates que reuniram 251 delegados e delegadas de todo o país para definir os rumos da categoria, aprovar resoluções estratégicas e eleger a nova direção da FUP.
O Congresso entrou para a história ao eleger Cibele Vieira como a primeira mulher a ocupar a Coordenação-Geral da FUP . A nova direção também amplia a participação feminina na Federação e fortalece a presença das mulheres no movimento sindical petroleiro.
O Sindipetro-NF ampliou e consolidou sua representação na direção da Federação. Integram a nova direção da FUP representando o sindicato: Sérgio Borges, Antônio Alves da Silva (Tonhão), Tadeu Porto, Bárbara Bezerra e Hilton de Almeida.
Durante cinco dias, o Confup aprofundou o debate em torno da Pauta Brasil Soberano, construída pela FUP e já discutida com a gestão do Sistema Petrobras no fórum permanente conquistado na última campanha reivindicatória. As delegações reafirmaram propostas que serão apresentadas à empresa e também incorporadas ao debate das campanhas eleitorais do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição, e das candidaturas ao Congresso Nacional comprometidas com os interesses da classe trabalhadora.
Entre as principais deliberações estão a luta pela reestatização das refinarias e demais unidades estratégicas privatizadas, o fortalecimento dos setores de fertilizantes e biodiesel com a incorporação das subsidiárias ao Sistema Petrobras, e o protagonismo da estatal na condução de uma transição energética justa, soberana e socialmente inclusiva, com participação efetiva dos trabalhadores e trabalhadoras.
Na quarta-feira (22), os congressistas participaram de atos na Refinaria de Mataripe, antiga Refinaria Landulpho Alves, e no Campo de Taquipe, ambos na Bahia. As mobilizações denunciaram os impactos das privatizações promovidas nos governos Temer e Bolsonaro e reafirmaram a defesa da reconstrução de uma Petrobras pública, integrada e indutora do desenvolvimento nacional.
A expressiva participação da delegação do Sindipetro-NF reafirma o compromisso da entidade com a construção das políticas da FUP e com a defesa de um projeto de desenvolvimento nacional, da soberania energética, da reeleição do presidente Lula e do fortalecimento da representação da classe trabalhadora no Congresso Nacional.
Depoimentos de quem viveu o primeiro Confup
Fernando Andrade
“Vivi uma experiência muito importante e enriquecedora. Tive a oportunidade de acompanhar debates fundamentais sobre o futuro da categoria petroleira e da Petrobras, além de trocar ideias, construir propostas e fortalecer o compromisso com a defesa dos trabalhadores, da empresa e dos investimentos na Bacia de Campos. Voltei com muitos aprendizados e com a certeza de que espaços como esse fortalecem nossa organização e nos ajudam a avançar cada vez mais nas lutas da categoria.”
Ivonete Lopes
“A experiência foi muito positiva. Acompanhei debates conduzidos com organização e profissionalismo, abordando temas atuais e fundamentais para o futuro da categoria e para a construção de um Brasil soberano. As discussões reforçaram a importância da unidade dos trabalhadores em defesa dos direitos, da democracia e de um projeto de desenvolvimento para o país. Retornei motivada e ainda mais convencida da importância da participação da categoria nesses espaços de construção coletiva.”
Carmem Lúcia da Silva
“Foi uma experiência muito positiva, necessária e esclarecedora. Pude sentir de perto a força do Congresso, trocar experiências com companheiros e companheiras de diversas bases e conhecer diferentes realidades da categoria. Os debates mostraram como as decisões tomadas coletivamente refletem diretamente no nosso cotidiano de trabalho. Voltei para casa com muitos aprendizados, novas ideias e a convicção de que a força da categoria está justamente na união e na construção coletiva das nossas lutas.”
Bruno Queiroz
“Participar do 20º Confup como delegado pela primeira vez foi uma experiência extremamente enriquecedora. Tive a oportunidade de acompanhar debates qualificados, participar das votações e conhecer a realidade de trabalhadores de diferentes áreas e regiões do país. Como empregado do administrativo, ampliar essa visão sobre a operação, o refino e outras atividades foi muito importante. Também aprendi muito com os colegas e percebi o quanto o Congresso fortalece a unidade da categoria. Saí do Confup mais preparado, motivado e disposto a seguir contribuindo com essa luta coletiva.”
Marcos Oliveira
“Participei pela primeira vez do Confup como delegado e representante do Departamento de Aposentados e Pensionistas do Sindipetro-NF. Foi uma oportunidade única de representar tantos companheiros e de conhecer trabalhadores de diversas regiões do país, todos unidos em defesa da categoria e da classe trabalhadora. Os debates reforçaram a importância da soberania nacional, da organização sindical e da participação coletiva. Voltei ainda mais convencido de que trabalhadores da ativa, aposentados e terceirizados precisam caminhar juntos para fortalecer o sindicato e conquistar novos avanços.”
SAIDEIRA
RCS
NF garante proteção judicial aos trabalhadores da RCS
A atuação rápida do Sindipetro-NF garantiu uma importante vitória para os trabalhadores da RCS Tecnologia. A pedido do sindicato, a Justiça do Trabalho determinou que a empresa não poderá aplicar demissões por justa causa nem sanções disciplinares aos empregados que participaram da paralisação no Terminal de Cabiúnas. A decisão, em tutela de urgência, assegura proteção aos trabalhadores até a realização da audiência.
Diretores do NF, Anderson da Silva, Marcelo Py, Jancileide Morgado e o Coordenador Sergio Borges estiveram presentes na base de Cabiúnas para conversar com trabalhadores da RCS
Na manhã desta segunda-feira (27), a diretoria do Sindipetro-NF esteve na sede de Cabiúnas para conversar com os trabalhadores, esclarecer dúvidas sobre a decisão judicial e reafirmar o compromisso da entidade com a defesa da categoria.
A medida foi conquistada pela atuação do sindicato, com apoio de sua assessoria jurídica, que ingressou no processo para impedir represálias aos empregados. O Sindipetro-NF destaca que a decisão reforça a importância de uma representação sindical legítima e preparada para atuar na Justiça, garantindo segurança jurídica e preservando empregos. A entidade seguirá acompanhando o caso e adotará todas as medidas necessárias para defender os direitos dos trabalhadores da RCS.
MARCHA – No domingo, 26 de julho aconteceu a 12ª Marcha Estadual das Mulheres Negras do Rio de Janeiro na praia de Copacabana. O ato celebrou o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha e o Dia Nacional de Tereza de Benguela e contou com a participação de delegações de mulheres de Campos e Macaé.
Normando
Quem é esse cara?
*Carlos Eduardo Pimenta
Em uma conjuntura que a todo momento nos mostra como o poder está fragmentado em vários atores, todos atuam como se a campanha eleitoral já tivesse começado, e já começou. A leitura da última semana revela um país em que cada instituição, cada liderança e até cada silêncio estratégico se converte em movimento político. Não há mais fronteira clara entre governo, oposição, Judiciário, mercado ou diplomacia: todos operam simultaneamente, cada qual defendendo seu pedaço de influência e tentando impor algum tipo de custo ao outro lado.
As manchetes gritaram: tarifa de 37,5%, visto negado para funcionários americanos, Milei na convenção do PL. À primeira vista, episódios soltos. Mas não são. O que une esses fatos é a ausência completa de tentativa de convencimento. Trump não buscou persuadir o exportador brasileiro de que a tarifa era justa; apenas cobrou. O Itamaraty não tentou negociar a agenda dos dois americanos; simplesmente negou a entrada. O TSE não pediu concordância das campanhas para fixar o teto de gastos; apenas fixou. Cada ator usou o instrumento de poder que tinha, sem mediação, sem debate, sem busca de consenso.
Esse padrão revela uma dinâmica mais profunda: o poder brasileiro não está concentrado em um cargo, mas distribuído entre instituições que operam com autonomia e, muitas vezes, com agendas próprias. O governo reage com narrativa de soberania. A oposição tenta transformar cada gesto em munição eleitoral. O Judiciário regula, investiga e define limites. O mercado lê sinais e precifica riscos. A diplomacia se converte em campo de disputa simbólica. Até atores externos, como os Estados Unidos, entram no tabuleiro ao agir em momentos politicamente sensíveis.
Em meio a esse cenário, a comunicação política também muda de natureza. Já não se trata apenas de disputar versões dos fatos, mas de produzir demonstrações permanentes de força. Cada decisão pública passa a carregar um destinatário político específico, seja a própria base, os adversários, os agentes econômicos ou a comunidade internacional. A lógica da sinalização substitui a da negociação: importa menos construir convergências e mais deixar claro quem tem capacidade de agir, de reagir e de influenciar os rumos do debate. Isso explica por que medidas administrativas, decisões judiciais, movimentos diplomáticos e discursos de lideranças são imediatamente incorporados à narrativa eleitoral. A política deixa de esperar a eleição para organizar os conflitos e passa a utilizar o exercício cotidiano do poder como instrumento de campanha. O calendário formal continua existindo, mas perdeu centralidade diante de uma disputa que se tornou permanente e que redefine, diariamente, as relações entre instituições, lideranças e opinião pública.
O resultado é um ambiente em que tudo vira política. A tarifa vira discurso. O visto vira símbolo. A presença de Milei vira ativo de imagem. E cada decisão técnica se transforma em movimento eleitoral. A fragmentação do poder produz um país em que ninguém espera o calendário oficial: a campanha já começou porque todos já estão jogando.
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