O curta-metragem “Correnteza”, produzido pela macaense Imbetiba Filmes, foi o vencedor da Mostra Olhares do Interior – Curta-Metragem do II Festival Internacional Goitacá de Cinema. A premiação foi anunciada na noite desta terça-feira (11), durante a cerimônia de encerramento do festival, realizada no Centro de Convenções da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (Uenf), em Campos dos Goytacazes.
Com direção de Gabriel F. Coelho e Tati Yamahata, o filme aborda a realidade de um jovem que chega a Macaé em busca de uma oportunidade de trabalho na indústria de petróleo offshore. A história acompanha Igor, que se muda para uma nova cidade seguindo os passos do primo Matheus, trabalhador offshore. Enquanto enfrenta a solidão e as exigências da indústria local, seu relacionamento à distância se desfaz e o futuro se torna incerto.
O júri do festival justificou a escolha de “Correnteza” pelo “domínio técnico demonstrado”, pela construção de um roteiro sensível e consistente e pela maneira como a narrativa acompanha os deslocamentos afetivos e existenciais do protagonista. A avaliação também destacou a fotografia, que traduz a paisagem e a atmosfera de Macaé, e a abordagem de temas como solidão, trabalho, pertencimento e as incertezas do futuro.
Na cerimônia de premiação, Gabriel Coelho e Tati Yamahata também chamaram atenção para os desafios enfrentados pela produção audiovisual independente em Macaé. Os diretores defenderam a ampliação dos investimentos públicos e privados no setor e destacaram a necessidade de espaços para exibição da produção local e regional.
Macaé, segundo os realizadores, ainda carece de salas de cinema capazes de receber produções independentes feitas na cidade e no seu entorno, além de outras iniciativas de estímulo à produção autoral. Ao comentar a dificuldade de competir pela atenção do público com os grandes lançamentos comerciais, Gabriel brincou: “Só temos uma sala de cinema no shopping e fica difícil competir com o Homem-Aranha.”
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Petróleo como tema e realidade de Macaé
A relação de Macaé com a indústria do petróleo está no centro da produção da Imbetiba Filmes. Em entrevista ao Portal da Prefeitura de Macaé, os diretores explicaram que a ideia de abordar o tema nasceu de experiências pessoais e da percepção, ainda na adolescência, das dificuldades de construir perspectivas de trabalho e estudo na cidade.
“Nós buscamos retratar a realidade do petróleo e a hegemonia que a indústria acaba criando”, explicaram. Segundo os diretores, a ideia amadureceu durante a pandemia, período em que realizaram pesquisas e conversaram com pessoas que trabalham no setor.
“Correnteza” é uma obra de ficção, enquanto outro trabalho da dupla, “Azul Petróleo”, aborda o mesmo universo por meio do documentário. O objetivo, segundo Gabriel e Tati, é mostrar como a indústria do petróleo influencia as pessoas e a própria cidade, além de refletir sobre o futuro de Macaé.
Cinema produzido em Macaé
A Imbetiba Filmes é uma produtora audiovisual macaense dedicada à produção de cinema interiorano e fora do eixo das capitais. Gabriel F. Coelho e Tati Yamahata atuam como diretores e artistas à frente da produtora, desenvolvendo trabalhos voltados à realidade de Macaé.
Em 2022, a dupla lançou o curta-metragem documental experimental “Tudo que Sonhamos Ano Passado”, premiado como Melhor Som no Filmworks Film Festival, realizado no MIS-SP, e exibido no MAM-Rio.
Outros premiados do festival
“Correnteza” foi o vencedor da Mostra Olhares do Interior – Curta-Metragem, que também concedeu Menção Honrosa a “Aquilo era vida”, de Julia Naidin. Na Mostra Zezé Motta Longa-Metragem, o filme premiado foi “A Noite de Alaíde”, de Liliane Mutti, com Menção Honrosa para “Jamary”, de Begê Muniz.
Na Mostra Internacional Longa-Metragem, venceu “Uyariy”, de Javier Corcuera, com Menção Honrosa para “Whisper My Name”, de Rasoul Sadrameli. Na Mostra Brasileira Longa-Metragem, o prêmio ficou com “Pau D’Arco”, de Ana Aranha, e a Menção Honrosa com “Notas Sobre um Desterro”, de Gustavo Castro.
O festival também premiou produções nas categorias internacional e brasileira de curta-metragem, além da Mostra Zezé Motta Curtas e da Mostra Cabrunquinho.
[Foto: Vitor Menezes / Imprensa do NF]


