Sindipetro-NF cobra avanços em saúde mental, riscos ocupacionais e condições de trabalho em reunião com SMS

O Sindipetro-NF se reuniu nesta sexta-feira (21) com a Gerência de Segurança, Meio Ambiente e Saúde (SMS) da Petrobrás na Bacia de Campos para cobrar respostas sobre questões que vêm impactando diretamente a saúde, a segurança e as condições de trabalho da categoria. Participaram da reunião os diretores do sindicato Hilton Gomes, Robson Botelho e Bárbara Bezerra.

Entre os principais pontos levados pelo NF estiveram os riscos psicossociais e a saúde mental dos trabalhadores, a elaboração do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) à luz da NR-1, a necessidade de revisão dos PPPs e ASOs, as condições destinadas às mulheres nas unidades offshore e a situação do efetivo da P-40.

 

Saúde mental e riscos psicossociais estão entre as principais preocupações

Um dos temas centrais da reunião foi a cobrança do sindicato sobre a forma como a Petrobrás está incorporando os fatores de riscos psicossociais ao gerenciamento dos riscos ocupacionais na Bacia de Campos.

Segundo o diretor Robson Botelho, o NF questionou a empresa sobre a elaboração do PGR e sobre qual metodologia será utilizada para identificar, avaliar e gerenciar os aspectos biopsicossociais presentes no ambiente de trabalho. A Petrobrás se comprometeu a apresentar ao sindicato a modelagem que está sendo construída e como pretende realizar esse gerenciamento.

A preocupação do NF está relacionada também ao aumento dos relatos de sofrimento mental e casos de burnout entre os trabalhadores. Durante a reunião, a diretora Bárbara destacou que determinadas práticas e situações vivenciadas dentro da companhia podem funcionar como gatilhos, entre elas o desimplante, situações de assédio e acidentes graves.

Outro ponto sensível levantado foi o uso do processo de Gestão de Desempenho (GD). O sindicato deixou claro que a discussão não é sobre negociar o modelo de avaliação, mas sobre denúncias de que a ferramenta estaria sendo utilizada, em determinadas situações, como mecanismo de perseguição e punição a trabalhadores, contribuindo para o adoecimento.

Também foram reiteradas as preocupações com denúncias relacionadas à P-43, unidade que vem sendo alvo de relatos envolvendo a saúde mental das equipes. Para o Sindipetro-NF, discutir segurança no trabalho exige considerar não apenas os riscos físicos, químicos e biológicos, mas também a organização e as relações de trabalho e seus impactos sobre a saúde.

Sindicato cobra revisão de PPPs, ASOs e avaliações de exposição

Diretores do NF, Hilton Gomes, Bárbara Bezerra e Robson Botelho, após a reunião

A reunião também tratou dos agentes de risco aos quais os trabalhadores estão expostos. A Petrobrás assumiu o compromisso de reavaliar algumas medições utilizadas no PGR. O Sindipetro-NF cobrou ainda uma revisão da metodologia e da forma como são elaborados os Perfis Profissiográficos Previdenciários (PPPs) e os Atestados de Saúde Ocupacional (ASOs). Segundo o sindicato, há situações em que os documentos não registram adequadamente os riscos aos quais os trabalhadores estão efetivamente expostos.

Para o NF, esse registro é fundamental tanto para o acompanhamento e a proteção da saúde do trabalhador quanto para a garantia de seus direitos previdenciários. Robson Botelho ressaltou que a participação da categoria é indispensável para que o sindicato consiga identificar situações que precisam ser levadas à empresa.

“Quando a gente leva para uma reunião dessas a preocupação com riscos químicos, biológicos e físicos, a gente só consegue fazer isso com a participação dos trabalhadores. Não conseguimos estar em todos os locais e setores da empresa. Uma observação ou um questionamento de um trabalhador pode gerar uma análise e revelar algo que até então não estava sendo tratado”, afirmou.

O diretor reforçou a importância de que os trabalhadores procurem os representantes sindicais nos aeroportos, nas bases e utilizem os canais do Sindipetro-NF para encaminhar relatos, questionamentos e, sempre que possível, evidências das situações encontradas nos locais de trabalho.

Espaços para mulheres a bordo e combate ao assédio

As condições oferecidas às mulheres nas unidades offshore também entraram na pauta. Bárbara cobrou da Petrobrás a manutenção dos compromissos já assumidos para garantir espaços adequados e seguros para as trabalhadoras embarcadas.

A empresa reiterou que os camarotes femininos devem permanecer de uso exclusivo das mulheres e que não haverá compartilhamento de camarotes entre homens e mulheres, inclusive em sistemas de “cama quente”.

O sindicato também reforçou a necessidade de preservação dos espaços destinados às mulheres e de atenção permanente às denúncias de assédio nas unidades. Para o NF, ampliar a presença feminina no ambiente offshore precisa vir acompanhado de condições adequadas de permanência, privacidade, respeito e segurança.

P-40: empresa assume compromissos, mas negociação continua

A situação do efetivo da P-40 foi outro tema levado à Gerência de SMS. Diante da preocupação com a sobrecarga das equipes, a gestão assumiu dois compromissos. O primeiro é sobre os casos de ausências previsíveis, como férias, treinamentos e afastamentos médicos, havendo necessidade operacional, a empresa deverá realizar convocação de trabalhador extra para recompor a equipe. Já nas situações imprevistas, em que não seja possível fazer essa recomposição antecipadamente, deverá haver redução da carga de trabalho para evitar a sobrecarga dos operadores que permanecerem a bordo.

Apesar dos compromissos apresentados, o Sindipetro-NF destaca que a questão do efetivo da P-40 ainda não está encerrada e continuará sendo tratada com a Petrobrás até que sejam construídas soluções que garantam condições seguras de trabalho.

O sindicato seguirá acompanhando os encaminhamentos da reunião e cobrando da empresa respostas concretas para as demandas apresentadas. O NF reforça ainda que a participação dos trabalhadores é essencial: relatos vindos das plataformas, terminais e demais bases ajudam a identificar riscos e dão subsídios para que a entidade cobre providências da Petrobrás.