A sede do Sindipetro-NF em Campos dos Goytacazes recebeu, na manhã desta quinta-feira, assembleia dos aposentados, aposentadas e pensionistas da categoria para eleição de delegados e delegadas ao 22º Congrenf (Congresso Regional dos Petroleiros e Petroleiras do Norte Fluminense).
O congresso será realizado entre os dias 10 e 12 de junho e terá como principal objetivo debater os rumos da campanha reivindicatória da categoria, além das pautas políticas, corporativas e nacionais que impactam os trabalhadores petroleiros e a sociedade brasileira. As propostas discutidas regionalmente são levadas para o Confup (Congresso Nacional da Federação Única dos Petroleiros).
Durante a assembleia, o coordenador-geral do Sindipetro-NF, Sérgio Borges, destacou os principais desafios enfrentados atualmente pela categoria e afirmou que o congresso será um espaço estratégico para organização das lutas do próximo período.
Segundo ele, apesar de o ACT (Acordo Coletivo de Trabalho) estar garantido por dois anos e não haver negociação das cláusulas sociais neste ano, existem pautas prioritárias que exigirão forte mobilização da categoria.
Principais temas
Entre elas, Sérgio destacou a luta pela incorporação dos trabalhadores da Transpetro em Cabiúnas, além da necessidade de solução definitiva para os problemas do Plano de Cargos da Petrobrás. “O plano implantado no governo Bolsonaro trouxe muitos prejuízos para os trabalhadores. Agora queremos avançar na reunificação dos planos e construir algo próximo do PCAC ou até melhor”, afirmou.
O coordenador ressaltou, no entanto, que a principal prioridade da categoria segue sendo o enfrentamento dos equacionamentos da Petros. “Precisamos solucionar de vez o problema dos PEDs. Esse é o principal assunto para nós hoje”, afirmou, lembrando avanços conquistados nos últimos anos, como a carta compromisso firmada pela Petrobrás, a criação da comissão quadripartite e o processo de imunização do fundo de pensão, que vem garantindo sucessivos superávits.
Na avaliação do dirigente, a mobilização dos aposentados e pensionistas foi decisiva para essas conquistas: “Tivemos mobilização, atos, cobrança permanente e participação da categoria. Agora precisamos subir mais um degrau e construir a solução definitiva”, destacou.
Defesa da Petrobrás
Ao tratar das pautas relacionadas à Petrobrás, Sérgio Borges reforçou a defesa da empresa pública, integrada e estatal, associando o debate à soberania energética nacional.
Ele afirmou que os recentes conflitos internacionais demonstraram a importância estratégica de o Brasil manter controle estatal sobre sua política energética, citando o papel da Petrobrás na contenção dos preços dos combustíveis durante crises internacionais.
Ao mesmo tempo, criticou fortemente as privatizações realizadas nos governos anteriores, especialmente da BR Distribuidora, Liquigás e refinarias. “O que fizeram foi um verdadeiro crime de lesa-pátria”, declarou, defendendo uma campanha nacional pela reestatização dos ativos vendidos.
Segundo ele, a retomada do controle estatal sobre essas empresas é fundamental para garantir preços justos dos combustíveis e do gás de cozinha para a população brasileira. “Se a Petrobrás é do Brasil, ela tem que estar a serviço do povo brasileiro”, afirmou.
Cenário eleitoral
No campo político, Sérgio Borges destacou a importância da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2026, classificando a disputa eleitoral como central para impedir o retorno da extrema direita ao poder. Segundo ele, a continuidade do atual governo é essencial tanto para a defesa da Petrobrás quanto para o avanço das pautas dos trabalhadores.
“Se o Lula não for reeleito, esqueçam resolver os PEDs, o plano de cargos, a incorporação da Transpetro. O outro lado já falou claramente que quer privatizar a Petrobrás”, alertou.
O dirigente também destacou programas sociais e econômicos implementados pelo governo federal e afirmou que o movimento sindical precisará atuar fortemente nas ruas para enfrentar o avanço da extrema direita e do fascismo. “Nós não vamos permitir a volta da fome, da destruição de direitos e do fascismo no Brasil”, declarou.
Ao final de sua fala, Sérgio Borges também destacou a importância da luta pelo fim da escala 6×1, tema que classificou como uma transformação histórica nas relações de trabalho. “Acabar com a escala 6×1 é revolucionário. É devolver dignidade, tempo e qualidade de vida para a classe trabalhadora”, afirmou.
O coordenador concluiu convocando os aposentados, aposentadas e pensionistas a participarem ativamente das mobilizações políticas e sindicais do próximo período, ressaltando o papel histórico da categoria petroleira nas lutas sociais do país.
O 22º Congrenf reunirá representantes de diferentes setores da categoria para definir estratégias de atuação sindical, prioridades políticas e encaminhamentos para as campanhas da Federação Única dos Petroleiros e dos sindicatos filiados.
[Fotos: Luciana Fonseca / Imprensa do NF]








