Boletim do Ineep aponta crescimento de 13,1% na produção de petróleo e gás e destaca retomada dos investimentos da Petrobras, embora projetos estruturantes permaneçam adiados
A Bacia de Campos voltou a dar sinais concretos de recuperação. A produção média de petróleo e gás natural alcançou 893,8 mil barris de óleo equivalente por dia (boe/d) no primeiro trimestre de 2026, um crescimento de 13,14% em relação ao mesmo período do ano passado. É o melhor resultado para um primeiro trimestre dos últimos cinco anos, consolidando uma trajetória de retomada da principal província petrolífera do estado do Rio de Janeiro.
Os dados fazem parte da segunda edição do Boletim do Setor de Óleo e Gás do Norte Fluminense, divulgada pelo Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis Zé Eduardo Dutra (Ineep), que analisa a evolução da atividade petrolífera na região e os impactos da nova estratégia adotada pela Petrobras desde 2023.
Segundo o estudo, a mudança de rumo da estatal — marcada pelo encerramento da política de desinvestimentos e pela retomada gradual dos investimentos em exploração e produção — já começa a refletir nos indicadores da Bacia de Campos. Hoje, a região responde por 16,8% de toda a produção nacional de petróleo e gás, mantendo posição estratégica para a segurança energética e para a economia brasileira.
Entre os fatores que explicam esse desempenho estão a retomada da aquisição de áreas exploratórias, por meio de leilões e operações de compra e recompra de ativos, além da intensificação das atividades de exploração. Entre 2023 e 2025, a Petrobras contratou três novos blocos exploratórios na região durante o 3º Ciclo da Oferta Permanente de Partilha (3º OPP) e voltou a investir em áreas consideradas estratégicas para a expansão da produção.
Outro destaque apontado pelo boletim é a retomada da atividade exploratória. Em 2025, a Petrobras perfurou cinco poços exploratórios na Bacia de Campos, o maior número desde 2011. As campanhas resultaram em novas descobertas de reservatórios, com destaque para o pós-sal em Sudoeste de Tartaruga Verde e o pré-sal em Marlim Sul, reforçando que, apesar de ser considerada uma bacia madura, a região ainda possui elevado potencial energético.
O estudo também mostra que a produção do pré-sal na Bacia de Campos avançou 46,1% em apenas um ano, demonstrando que novas fronteiras de produção podem contribuir para ampliar a longevidade da bacia.
Apesar dos resultados positivos, o Ineep alerta que importantes desafios permanecem. O Plano de Negócios 2026-2030 da Petrobras manteve o adiamento da contratação de plataformas destinadas aos projetos estruturantes de revitalização da Bacia de Campos para o período posterior a 2030. Além disso, dos 11 poços exploratórios previstos para as bacias do Sudeste nos próximos cinco anos, apenas cinco deverão ser perfurados na Bacia de Campos.
Para o instituto, acelerar os projetos de revitalização, ampliar a aquisição de novas áreas exploratórias e fortalecer os investimentos na busca por novos reservatórios são medidas fundamentais para garantir a manutenção da produção, a reposição das reservas e a geração de emprego, renda e desenvolvimento para o Norte Fluminense.
Além da importância estratégica para o abastecimento nacional, a indústria do petróleo segue sendo um dos principais motores econômicos da região, sustentando milhares de empregos diretos e indiretos e impulsionando a arrecadação de royalties e participações especiais dos municípios produtores.
Veja o Boletim do INEEP para a Bacia de Campos na íntegra:
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