A CUT e demais centrais sindicais lançaram nesta sexta-feira (8) a cartilha “Por que Queremos o Fim da Escala 6×1 e a Redução da Jornada de Trabalho sem Redução de Salários”, como parte da mobilização nacional pela aprovação das propostas em debate no Congresso Nacional. A votação em plenário da Câmara dos Deputados está prevista para o próximo dia 27.
Produzida pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), a cartilha reúne reflexões sobre jornada e escala de trabalho, os impactos do excesso de horas na saúde e na qualidade de vida dos trabalhadores, além da defesa da redução da jornada para 40 horas semanais sem redução salarial.
O material também reforça a defesa do fim da escala 6×1 e da regulamentação da Convenção 151 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que trata da negociação coletiva no serviço público.
Segundo o presidente nacional da CUT, Sergio Nobre, o diálogo institucional com parlamentares e a mobilização do movimento sindical são fundamentais para a aprovação da proposta.
“Queremos melhorar a qualidade de vida da classe trabalhadora, com mais tempo para descansar e conviver com a família”, afirmou o dirigente.
Sergio Nobre convoca às bases a ampliar a pressão popular sobre deputado e deputadas federais pela aprovação da lei que reduz a jornada de trabalho e acaba com a escala 6×1. Nessa reta final, diz o presidente da CUT, essa pressão sobre a Câmara dos Deputados, será decisiva a aprovação da lei e uma ampla margem de votos.
A proposta das centrais é organizar um calendário de visitas aos parlamentares nos estados, com participação de dirigentes sindicais, movimentos sociais e lideranças populares.
Mobilização e negociação
Além da articulação institucional, o movimento sindical prepara uma agenda nacional de mobilizações, com audiências públicas em estados como Minas Gerais, São Paulo e Rio Grande do Sul, além de atos e manifestações nos dias de votação no Congresso Nacional.
Outro ponto em debate é a regulamentação da Convenção 151 da OIT. As centrais defendem que o tema avance simultaneamente à redução da jornada e ao fim da escala 6×1.
Segundo o presidente da CUT, a expectativa é construir unidade nacional para garantir a aprovação das propostas e ampliar direitos dos trabalhadores e servidores públicos.
Pressão sindical e negociação no Congresso
A redução da jornada de trabalho é considerada uma pauta histórica da CUT. Nas últimas semanas, a CUT intensificou a mobilização nacional com atos, plenárias e reuniões com parlamentares para pressionar pela aprovação das propostas. Em atividades do 1º de Maio, Sérgio Nobre reforçou que a pauta se tornou prioridade do movimento sindical em 2026.
Nesta semana, CUT e demais centrais participaram de reunião com a Comissão Especial da Câmara dos Deputados. As entidades foram recebidas pelo presidente da comissão, deputado Alencar Santana (PT-SP); pelo relator, Léo Prates (Republicanos-BA); pelo líder do governo, Paulo Pimenta (PT-RS), além de outros parlamentares.
Durante o encontro, as centrais defenderam a tramitação “limpa” da proposta, sem a inclusão de medidas consideradas prejudiciais aos trabalhadores. Há preocupação com tentativas de setores empresariais de inserir dispositivos da reforma trabalhista de 2017, como a ampliação da negociação individual entre patrão e trabalhador.
“Não é possível manter um modelo de trabalho que adoece, desgasta e reduz a qualidade de vida dos trabalhadores. A redução da jornada é uma necessidade do nosso tempo”, disse Nobre.
Pressão
As centrais também estão organizando ações de pressão pela internet, pelas redes sociais e por outras ferramentas digitais.
A previsão é que a votação na comissão ocorra no dia 26 e no plenário da Câmara no dia 27. As entidades defendem ampla mobilização nas ruas e nas redes sociais como forma de pressão sobre o Congresso Nacional.



