CUT realiza seminário sobre riscos psicossociais e aplicação da NR-1

André Accarini / Da Imprensa da CUT – A CUT realiza, no dia 28 de julho, o seminário “Riscos Psicossociais no Trabalho e a NR-01: Desafios e Perspectivas para a Ação Sindical na Defesa da Saúde dos Trabalhadores e Trabalhadoras”. A atividade será realizada das 14h às 17h, na sede nacional da CUT, no Brás, em São Paulo, com possibilidade de participação presencial ou remota.

O encontro é dirigido às CUTs estaduais, confederações, federações e sindicatos filiados, além de dirigentes sindicais, representantes dos trabalhadores e das trabalhadoras, integrantes de Comissões Internas de Prevenção de Acidentes e de Assédio (CIPAs), assessorias sindicais e demais pessoas interessadas no tema.

A iniciativa pretende ampliar o conhecimento sobre as mudanças na Norma Regulamentadora nº 1, conhecida como NR-1, especialmente em relação à obrigação das empresas de identificar, avaliar e gerenciar os riscos psicossociais relacionados ao trabalho.

As inscrições já estão abertas. Veja abaixo como participar

Em pauta

Os riscos pissicossociais estão associados à maneira como o trabalho é organizado, distribuído, controlado e cobrado. Jornadas excessivas, metas abusivas, pressão permanente por produtividade, assédio moral ou sexual, falta de apoio, exigências contraditórias, discriminação, insegurança no emprego e modelos de gestão baseados no medo são algumas das situações que podem causar sofrimento psíquico e adoecimento.

Durante o seminário, especialistas, representantes de instituições e dirigentes sindicais discutirão os impactos desses fatores sobre a saúde física e mental da classe trabalhadora. A atividade também buscará fortalecer a capacidade dos sindicatos de identificar situações de risco, acompanhar as medidas adotadas pelas empresas, negociar mudanças e cobrar o cumprimento da legislação.

Entre os objetivos estão ainda a troca de conhecimentos técnicos e jurídicos sobre a implementação da NR-1 e a apresentação de instrumentos que possam ajudar sindicatos, CIPAs e representações nos locais de trabalho a prevenir o adoecimento e defender ambientes laborais seguros e saudáveis.

Para a secretária nacional de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora da CUT, Josivania Ribeiro, o seminário ocorre em um momento importante para garantir que as mudanças previstas na norma sejam conhecidas e efetivamente aplicadas nos locais de trabalho.

“A atualização da NR-1 representa um avanço importante para a proteção da saúde dos trabalhadores e trabalhadoras, ao reconhecer os riscos psicossociais como parte das responsabilidades das empresas. Embora a norma esteja em vigor, sua efetiva implementação ainda enfrenta desafios, especialmente diante das resistências de parte do setor patronal e da necessidade de ampliar o conhecimento sobre seu conteúdo”, afirma.

Josivania destaca que a participação e a organização sindical são fundamentais para transformar as determinações da norma em ações concretas de prevenção.

“O movimento sindical tem um papel fundamental nesse processo. Este seminário será um espaço estratégico para aprofundar a compreensão sobre a norma, debater seus desafios, trocar experiências e fortalecer a atuação dos sindicatos na defesa de ambientes de trabalho saudáveis, seguros e livres de adoecimento”, completa a dirigente.

Programação

A recepção e as boas-vindas estão previstas para as 14h. Em seguida, haverá uma abertura institucional sobre riscos psicossociais, saúde mental, trabalho decente e o compromisso das instituições com a implementação da NR-1.

Às 15h10, começa a mesa temática “Riscos Psicossociais, NR-01 e Ação Sindical: Desafios e Perspectivas para a Proteção da Saúde dos Trabalhadores e Trabalhadoras”.

A mesa abordará os riscos psicossociais relacionados ao trabalho e seus impactos sobre a saúde, com participação do Laboratório de Ergonomia, Saúde e Trabalho da Universidade Estadual de Campinas — LEST/Unicamp.

Também serão discutidos os avanços, os desafios jurídicos e as ações judiciais relacionadas à aplicação da norma, com participação do escritório LBS Advogadas e Advogados, além do papel do movimento sindical na defesa da saúde mental, apresentado pela Secretaria Nacional de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora da CUT.

Às 16h10, será apresentada a publicação da CUT “Riscos Psicossociais no Trabalho: Subsídios para a Ação Sindical”. A programação terá ainda debate geral, encaminhamentos e encerramento previsto para as 17h.

Serviço

Seminário: Riscos Psicossociais no Trabalho e a NR-01: Desafios e Perspectivas para a Ação Sindical na Defesa da Saúde dos Trabalhadores e Trabalhadoras

Data: 28 de julho de 2026

Horário: das 14h às 17h, no horário de Brasília

Local: sede nacional da CUT — Rua Caetano Pinto, 575, Brás, São Paulo

Participação: presencial e remota, por plataforma de videoconferência

Público: CUTs estaduais, confederações, federações, sindicatos, dirigentes sindicais, integrantes de CIPAs, representantes dos trabalhadores e das trabalhadoras, assessorias e demais lideranças sindicais

Inscrições: 

Clique aqui para preencher a sua inscrição.

Após a inscrição, você receberá um e-mail de confirmação contendo informações sobre como entrar na reunião e informar se será presencial ou pelo zoom CUT’s Estaduais, Ramos, Confederações, Federações, Sindicatos, dirigentes sindicais, cipeiros(as), representantes dos trabalhadores e trabalhadoras e demais lideranças sindicais.

Importante: A inscrição deve ser feita antecipadamente. A atividade não cobrirá despesas com transporte e alimentação.

Mais: o que estabelece a NR-1

A atualização da NR-1 incorporou formalmente os riscos psicossociais ao Gerenciamento de Riscos Ocupacionais, o GRO. Com isso, as empresas devem reconhecer e avaliar não somente riscos físicos, químicos, biológicos, ergonômicos e de acidentes, mas também situações ligadas à organização e à gestão do trabalho que possam provocar sofrimento e adoecimento mental.

Desde 26 de maio de 2026, as empresas podem ser fiscalizadas e eventualmente multadas pelo descumprimento dessas obrigações. A mudança havia entrado em vigor anteriormente, mas foi estabelecido um período para que empregadores adaptassem procedimentos, revisassem políticas internas e incorporassem os riscos psicossociais aos seus programas de saúde e segurança.

O principal instrumento desse processo é o Programa de Gerenciamento de Riscos, o PGR. O documento deve apresentar o inventário dos riscos existentes, os critérios utilizados na avaliação e um plano com medidas para eliminar, reduzir ou controlar os problemas identificados.

A exigência não pode ser atendida apenas com documentos formais. As empresas precisam analisar as condições reais em que o trabalho é realizado, ouvir os trabalhadores e acompanhar continuamente se as medidas de prevenção estão funcionando.

A norma também amplia a participação dos trabalhadores e das entidades sindicais. Trabalhadores têm direito de participar da identificação e da avaliação dos riscos, apontar falhas nas medidas adotadas e comunicar situações que possam colocar sua saúde em perigo.

Os sindicatos, por sua vez, podem solicitar e analisar o gerenciamento de riscos das empresas para verificar se os fatores psicossociais relacionados às atividades profissionais foram identificados e se existem medidas concretas de prevenção.

Para a CUT, a incorporação desses riscos representa uma mudança importante porque o sofrimento mental deixa de ser tratado exclusivamente como uma fragilidade ou um problema individual. A organização do trabalho, as formas de gestão, as condições oferecidas pelas empresas e as relações estabelecidas nos ambientes laborais passam a fazer parte da análise das causas do adoecimento.