Dividendos da Petrobrás são 8 vezes maiores que investimentos e 162% superior ao lucro líquido do trimestre

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Da Imprensa da FUP – A distribuição de dividendos recordes da Petrobrás de R$ 87,8 bilhões no segundo trimestre de 2022 é 8 vezes (808%) maior do que os investimentos realizados pela petroleira no período, de R$ 10,7 bilhões, conforme mostram relatórios financeiros da Petrobrás. O megadividendo é também 162% maior que o lucro líquido registrado em abril/junho último, de R$ 54,3 bilhões.

Tamanha relação entre dividendo/lucro/investimento jamais foi vista. “Ao abrir mão de sua capacidade de geração de caixa para distribuir a seus acionistas, a Petrobrás reduz seu capital, seu patrimônio, e diminui sua possibilidade futura de investimento”, destaca o economista Cloviomar Cararine, do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) subseção da Federação Única dos Petroleiros (FUP). Segundo ele, a Petrobrás está usando reservas de lucro, acumuladas ao longo dos últimos anos, para pagar dividendos a acionistas, comprometendo o destino da empresa.

O comportamento do segundo trimestre deste ano segue a trajetória observada nos primeiros três meses de 2022, quando a relação dividendo/investimento também disparou, atingindo 524,5% (dividendo de R$ 44,5 bilhões e investimentos de R$ 9,2 bilhões). Em anos anteriores, essa relação era de 25%.

“Esta relação desvantajosa para os investimentos da maior empresa do país e maior petroleira da América Latina vem sendo acelerada desde 2021”, observa Deyvid Bacelar, coordenador-geral da FUP. Naquele ano, a relação mudou drasticamente de patamar, alcançando 214% (com dividendos de R$ 106,7 bilhões e investimentos de R$ 47,4 bilhões). Bacelar explica que a distribuição de dividendos é feita com recursos imediatos, enquanto investimentos são a médio e longo prazos.

Com isso, a Petrobrás, na gestão Bolsonaro, (de 2019 ao primeiro semestre de 2022), distribuiu um total de R$ 258,7 bilhões em dividendos. Isso significa uma média sem precedentes, de 102% do lucro líquido de R$ 252,8 bilhões registrado no período. No governo Fernando Henrique Cardoso, a média foi 40% e no governo de Lula, 32%.