Economista do Dieese explica lucro menor da Petrobrás em 2024 e defende papel da empresa

O economista Cloviomar Cararine, do Dieese, estava no ar, na noite de ontem, no programa NF ao vivo, quando saiu o resultado do quarto trimestre da Petrobrás em 2024. Ele anunciou que a empresa teve um prejuízo de R$ 17 bilhões no quarto trimestre de 2024, e que fecha o ano com um lucro de R$ 36,6 bilhões. É um resultado menor do que o de anos anteriores, e o economista explicou os motivos, que passam principalmente pela variação câmbio e pela contenção dos preços dos combustíveis no mercado interno. Tanto Cararine quanto os sindicalistas que participaram do programa defenderam que a companhia está correta nesta política.

“A empresa teve um prejuízo de R$ 17 bilhões no quarto trimestre. Isso faz com que a empresa termine o ano, estava em 53 bilhões, agora fecha o ano em R$ 36,6 bilhões de lucro líquido. No ano passado ela teve um lucro de R$ 124 bi, no governo Bolsonaro, R$ 180 bi, e o principal motivo para essa redução do lucro, o relatório ainda não saiu, mas olhando aqui só a tabela que tive acesso aqui agora olhando o site da empresa, já dá para ver que tem alguns fatores: um deles é o câmbio. A subida do dólar no último trimestre do ano tem um peso muito forte na Petrobrás, porque boa parte da indústria do petróleo é dolarizada, os alugueis, os afretamentos, tudo dolarizado, então se tem um impacto grande na empresa. O segundo ponto tem a ver com a venda de combustíveis no mercado nacional. O preço do barril de petróleo variou, pouco mas teve um movimento, agora está em vias de queda por conta do fim da guerra com a Ucrânia, mas no ano passado o preço variou, os preços dos derivados subiram lá fora e a Petrobrás não reajustou aqui dentro, uma coisa que a gente defende, mas para o resultado da empresa é ruim. Tem mais fatores, mas esses dois fatores chamam a atenção”, explicou Cararine.

O economista também advertiu para o embate de narrativas que começaria já na noite de ontem: “a Petrobrás vai estar na mídia como empresa que apresenta um lucro menor, R$ 36 bilhões, não é pouca coisa mas para quem está acostumado com mais de 100 [R$ bi] agora é pouco, mas na média do que a Petrobrás viveu de 2003 até 2013, mas o mercado vai jogar pesado. Então todo o esforço que a Petrobrás tem agora de fazer um debate nacional sobre qual é a estratégia dessa empresa para o Brasil, que é ter preço justo de combustíveis, aumentar os investimentos para gerar mais emprego, olha agora todo o processo com a indústria naval de geração de empregos no Brasil, a redução da exportação de petróleo, para jogar esse petróleo nacional para as refinarias, que é o que a gente defende, pagar menos dividendos, todas essas políticas a empresa precisa implementar, fazer o debate com a sociedade, e dizer para o mercado financeiro: olha só, a gente é uma empresa que não vai dar esse lucro todo porque ela tem outras coisas com o que se preocupar que não só gerar dividendos para acionistas”.

O coordenador geral do Sindipetro-NF, Sérgio Borges, concorda que é uma boa oportunidade para que o governo e a Petrobrás discutam com a sociedade qual é o papel da empresa. “É o momento da gente questionar o papel da Petrobrás. Isso que tem que estar dito. O mercado vai tentar trazer o tema para o lugar onde ele gosta de jogar que é o lucro, a Petrobrás deu menos lucro e vão colocar como prejuízo, “isso é um absurdo, não pode numa empresa estatal, olha o que o PT está fazendo com a Petrobrás”, enquanto nós temos que falar: olha, gente, a Petrobrás deu um lucro menor porque ela está cumprindo o papel de estatal dela, é para isso que ela existe. Vocês lembram daquele tempo do governo Bolsonaro, onde cada variaçãozinha do dólar fazia com que a Petrobrás aumentasse o preço do combustível, na semana a gente tinha três, quatro aumentos. Às vezes num dia aumentava e no dia seguinte aumentava de novo, e a gente teve uma variação tremenda do dólar. O diesel ficou praticamente um ano sem ter reajuste, sofreu um reajuste agora, recente. Então, a Petrobrás, cumprindo o papel dela não deu aquele lucro absurdo”, afirmou.

Também diretor do Sindipetro-NF, e da FUP, Tezeu Bezerra concordou que “o papel das estatais não é dar lucros absurdos, pagar dividendos absurdos, o papel das estatais é servir ao seu povo, servir ao seu país, a gente ainda tem um gás de cozinha muito caro no país, que pode ser barateado, a Petrobrás pode sim subsidiar em vez de estar dando tanto lucro para acionista da bolsa de valores, podia estar cumprindo o papel social que a Petrobrás tem”.

A coordenadora geral do Sindipetro Unificado-SP e diretora da FUP, Cibele Vieira, explicou que “o resultado é fruto do que a gente defende. Se a Petrobrás não tivesse segurando o preço do combustível, se a Petrobrás não estivesse voltando a crescer, se a Petrobrás não estivesse investindo numa transição, se ela estivesse repassando tudo o que as oscilações externas para a população brasileira, o resultado às vezes teria sido outro. Mas não é isso que a gente defende como papel da Petrobrás”.

PLR

A sindicalista também informou que a FUP vai enviar ofício para a Petrobrás para solicitar reunião para discutir, à luz do acordo de PLR, os impactos dos resultados divulgados para os trabalhadores.

Teletrabalho e embarque justo

O programa também tratou da pauta do teletrabalho, que está mobilizando a categoria petroleira nas bases administrativas, assim como da pauta do embarque justo, que atinge petroleiros e petroleiras offshore, especialmente os que embarcam pelo Heliporto do Farol de São Thomé. Confira no vídeo abaixo a íntegra da edição:

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