Falta de diálogo da Petrobras penaliza trabalhadores

Sindipetro-NF cobra uma resposta da Petrobrás para situação dos trabalhadores de foram desimplantados de forma arbitrária, entretanto, um mês após o fim da greve, gestão da empresa mantém silêncio e agrava sofrimento da categoria. Diretoria Colegiada se reúne na semana que vem para tirar novos indicativos.

 

Mais de um mês após o encerramento da greve da categoria petroleira, a Petrobras segue sem apresentar qualquer solução efetiva para a grave situação dos trabalhadores desimplantados das unidades marítimas da empresa. O impasse, que já se arrasta desde 2025, escancara uma postura insensível da gestão da empresa diante de decisões que têm provocado impactos profundos na vida pessoal, financeira e emocional de centenas de empregados.

Uma reunião prevista para o dia 23 de janeiro, que poderia ter sido o primeiro passo para resolver a situação dos desimplantes, foi adiada pela empresa e, até o momento, não houve definição de uma nova data. Mesmo com as cobranças reiteradas do Sindipetro-NF, a Petrobras permanece em silêncio, prolongando a insegurança e o sofrimento dos trabalhadores afetados.

Dezenas de relatos recebidos pelo sindicato revelam que os desimplantes ocorreram de forma abrupta, sem aviso prévio e sem qualquer justificativa técnica ou administrativa clara. A decisão atingiu não apenas trabalhadores da Bacia de Campos, mas também de outras bases offshore nos estados do Espírito Santo, Litoral Paulista e Rio de Janeiro. Muitos desses profissionais possuem anos de experiência embarcada e foram retirados de suas funções sem qualquer esclarecimento sobre o seu futuro dentro da empresa.

Enquanto o RH da Petrobras permanece em uma posição confortável, distante da realidade vivida nos lares dos trabalhadores, a situação no chão da categoria é descrita como dolorosa e angustiante. Há casos de empregados que tiveram salário reduzido em 45%, precisaram mudar de cidade, transferir filhos de escola e reorganizar toda a rotina familiar, gerando impactos financeiros significativos. O cenário tem provocado aumento de quadros de estresse, adoecimento mental e dificuldades econômicas, agravando ainda mais a fragilidade dos trabalhadores desimplantados.

Para o Sindipetro-NF, a condução do processo demonstra total falta de preocupação da gestão da Petrobras com a vida de seus trabalhadores. “Não é aceitável que decisões que impactam a vida e a estabilidade de dezenas de trabalhadores sejam tomadas sem diálogo com as entidades sindicais e sem fundamentação técnica. O desimplante é uma medida extrema e precisa ter justificativas reais, não pode ser usada de forma política ou punitiva”, afirmou o diretor do Sindipetro-NF, Marcelo Nunes.

Diante da gravidade do cenário, o sindicato reforça a orientação para que os trabalhadores não assinem qualquer termo de desimplante ou de mudança de regime proposto pela Petrobras. A entidade alerta que a assinatura desses documentos pode gerar prejuízos futuros, inclusive a obrigação de devolução de valores recebidos, o que amplia ainda mais a insegurança jurídica dos empregados.

O Sindipetro-NF também faz um alerta importante aos trabalhadores que estão enfrentando níveis elevados de estresse, ansiedade ou outros problemas de saúde mental. A orientação é que procurem seus médicos, relatem o impacto da situação vivida e, se necessário, solicitem afastamento temporário para preservar sua saúde física e emocional.

Enfrentamento

Como parte das ações de enfrentamento ao problema, o sindicato garante apoio jurídico e sindical aos trabalhadores nessa situação. O NF também tem denunciado que a retirada de profissionais experientes das unidades marítimas representa um risco real à segurança das plataformas, agravado pela falta de autonomia do Serviço Próprio de Inspeção de Equipamentos, o SPIE. A insatisfação dos trabalhadores já resultou em mobilizações organizadas pelo Sindipetro-NF, como um trancaço no Heliporto do Farol. Na próxima semana, a Diretoria Colegiada do Sindipetro-NF estará reunida para debater esse ponto e construir novas ações de enfrentamento no campo jurídico e político.

O Sindipetro-NF reafirma que o desimplante é uma medida extrema, que afeta diretamente a estabilidade dos trabalhadores e compromete a segurança operacional. “A entidade seguirá acompanhando cada caso, oferecendo apoio integral aos atingidos e mantendo a mobilização da categoria, especialmente após o fechamento do ACT. Para o sindicato, não há mais espaço para silêncio, postergação ou decisões arbitrárias quando o que está em jogo é a vida, a saúde e a dignidade dos trabalhadores” – afirma o Coordenador do NF, Sergio Borges.