Indicação de Bolsonaro para presidência do CA põe novamente à prova governança da Petrobrás

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Rosangela Buzanelli*

A considerar eventos recentes ao longo da gestão bolsonarista na maior estatal brasileira, parece que a governança será novamente colocada à prova.

Em março de 2021 tivemos o escândalo dos ex-gerentes executivos que negociaram ações da Petrobrás em período vetado a qualquer administrador da companhia, mas a penalidade aplicada foi leve para os delitos: demissão sem justa causa.

No início deste ano tivemos o caso de vários gestores da alta cúpula da empresa em evento político junto ao presidente da república, nas instalações da companhia, quase todos sem máscara de proteção e alguns, sob uniforme e o teto da empresa, fizeram discurso político, afrontando o código de conduta ética da estatal e as regras sanitárias municipais, estaduais, federais e da própria companhia. Apesar da revolta dos trabalhadores com as cenas, tudo ficou como estava e sequer um pedido dissimulado de desculpas foi dado.

Mal esquecemos esses eventos, eis que surge a indicação de Bolsonaro para a presidência do CA da Petrobrás: Rodolfo Landim.

Ex-funcionário da companhia, que a deixou para trabalhar com Eike Batista na OGX, Landim pode até ter currículo técnico para o cargo, mas não basta. Há que se verificar, segundo legislação específica e o Estatuto Social da Petrobrás, outros critérios afetos à idoneidade.

A governança da Petrobrás, tão reconhecida, valorizada e comemorada interna e externamente, terá mais uma prova: a análise da integridade do candidato.

Conforme amplamente divulgado pela imprensa nacional, em agosto passado Landim foi denunciado pelo MPF, junto com alguns ex-sócios pelo crime de gestão fraudulenta. Segundo a denúncia do MPF, Landim e os sócios Demian Fiocca e Nelson Guitti Guimarães atuaram numa operação financeira que teria causado um prejuízo de R$ 100 milhões a fundos de pensão de funcionários de estatais, como Funcef, Petros e Previ. De acordo com a ação, eles atuaram ardilosamente para driblar normas do FIP e da CVM, enviando irregularmente dinheiro para o exterior. A empresa americana que recebeu o investimento incidiu em falência, desaparecendo todo o recurso financeiro que havia recebido.

A Petrobrás merece muito mais.

Aguardemos os próximos capítulos e o desenrolar dessa nova trama que ameaça a empresa.

 

* Representante dos trabalhadores no Conselho de Administração da Petrobrás.

 

[Publicado originalmente no blog da conselheira Rosangela Buzanelli]