Liberação de reservas americanas de petróleo é ato simbólico, diz Ineep à CNN

Compartilhar no facebook
Compartilhar no google
Compartilhar no twitter
Compartilhar no whatsapp

[INEEP] A decisão dos Estados Unidos de utilizarem parte de sua reserva estratégica de petróleo, cerca de 60 a 70 milhões de barris, para aliviar o preço do produto no mercado internacional tem efeito mais simbólico do que prático. Trata-se de um volume muito pequeno, insuficiente para atender o consumo mundial, que gira em torno de 96 a 97 milhões de barris por dia. A análise foi feita hoje (24/11) pelo coordenador técnico do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep) Rodrigo Leão em entrevista à CNN Brasil.

 

Liberação de reservas americanas de petróleo é ato simbólico

Reprodução: CNN Brasil.

“É muito mais um movimento geopolítico norte-americano de sinalizar o interesse de entrar nessa briga do que uma medida efetiva. Eles estão usando um pedaço muito pequeno destas reservas justamente porque elas têm um caráter de atender a escassez”, afirmou ele, acrescentando que as reservas de petróleo dos Estados Unidos são da ordem de 700 a 800 milhões de barris, o que seria suficiente para abastecer o mercado americano por alguns meses.

 

Na entrevista à CNN, Leão comentou as medidas que são sendo adotadas no mundo para minimizar os preços altos do petróleo, o comportamento do Brasil nesse contexto e traçou um quadro para o mercado de petróleo nos próximos meses. Com a ressalva de que é importante ter cuidado ao apresentar cenários para preços do produto, revelou acreditar que os preços continuarão altos em 2022, embora não tanto como neste ano.

 

Segundo explicou, a recuperação da produção dos países da OPEP tem sido muito lenta, num reflexo à pandemia. Embora haja sinalização dos Estados Unidos e de outros países de aumentar um pouco a produção, o que deverá aliviar os preços no próximo ano, é um movimento ainda lento. Assim, os preços continuarão altos, com reflexos negativos no Brasil, em função da taxa de câmbio desvalorizada.

 

Leão também falou das medidas que têm sido utilizadas em diferentes países para minimizar os efeitos dos preços elevados do petróleo e destacou que o Brasil não se preparou para este cenário. “O que eu acho que existe no Brasil é uma postura mais passiva em relação a isso”, disse ele, lembrando que, no momento, discute-se no Congresso a criação de um fundo de estabilização para a volatilidade dos preços externo. “A avaliação que temos aqui no Ineep é que a gente precisa ter medidas coordenadas, que envolvam diferentes frentes para poder ajudar a resolver este problema”, disse ele.

“Todos os países estão sofrendo com o aumento dos preços, mas adotam medidas diferentes para não repassar integralmente os preços do petróleo. Os Emirados Árabes Unidos estão usando o excedente que conseguem com a exportação de petróleo para subsidiar os preços internos. Há países que não são grandes produtores e que utilizam instrumentos, como fundos de estabilização, subsídio tarifário, entre outros.”

Leão destacou para o fato de que o preço do barril do petróleo não está subindo agora, mas desde fevereiro e março. “Era um movimento que sabíamos que iria acontecer. Quando os preços caíram para US$10 e US$ 20 por barril, todos os analistas sabiam que os preços subiriam com a retomada da demanda e com a crise que os países árabes estavam passando por conta dos preços baixos”, acrescentou.

 

Assista a entrevista na íntegra