Nascente 1178

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EDITORIAL

Conjuntura desafiadora

Os petroleiros e petroleiras integram uma categoria historicamente organizada. Suas lutas são referências para outras mobilizações da classe trabalhadora e, no cenário brasileiro, guardam como poucas os fundamentos de conscientização política acumulados por décadas.

Isso não significa que a conjuntura não imponha desafios muito específicos, que serão vencidos para que o enfrentamento ao desmonte da Petrobrás continue. Para isso o seminário de greve que se avizinha, para isso as reuniões setoriais, para isso todas as demais interações com a diretoria do sindicato.

É muito comum que a força da vida presente se imponha e suas dificuldades sejam realçadas, por vezes como quase intransponíveis. No Brasil atual de sucessivos recordes diários de mortes por covid-19, com um governo genocida no poder, não é preciso esforço algum para chegar ao diagnóstico de que a conjuntura para a luta é, de fato, muito adversa. É difícil imaginar uma conjugação de fatores tão trágicos, a um só tempo, a acometer um país.

Mas a história dos trabalhadores, em todo mundo, é a de enfrentamento de massacres. Sejam econômicos, políticos ou sanitários. Ou sejam todos eles juntos, como ocorre agora. E a receita sempre foi a mesma: só há saída coletiva. Não há saída individual. Por mais tentador que por vezes seja imaginar-se protegido em alguma estabilidade, em alguma renda acima da média brasileira, em algum cargo de chefia, em alguma perspectiva de fuga solitária dessa catástrofe, o fato é que todos e todas somos trabalhadores como quaisquer outros e precisamos estar do mesmo lado. Somente juntos somos mais fortes.

A truculência do governo, a boiada das privatizações e do desmonte que avançam, um general na presidência da Petrobrás, o empoderamento de gerentes locais cada vez mais alçados à condição de capitães do mato, o desemprego que assusta no lado de fora da empresa, tudo isso passa pela cabeça do petroleiro e da petroleira quando há um chamamento à mobilização, à greve. Sabemos que individualmente balançamos, pesamos, ponderamos. Mas quando olhamos para o lado e vemos um companheiro tomando a atitude ética de agir coletivamente, também nos encorajamos, e seguimos adiante unidos. Somos bons nisso e vamos continuar a ser.

Vamos à luta! Esse terror vai passar porque vamos entrentá-lo e vamos demolí-lo. Esse é um compromisso que temos com a nossa geração e com as próximas. É hora de fazer história.

ESPAÇO ABERTO

Sobre a troca na presidência*

Rosângela Buzanelli**

O anúncio da troca de presidente na Petrobrás, na sexta-feira, 19 de fevereiro, gerou revoltas e as mais diversas especulações. Afirmações absurdas de que Bolsonaro é comunista e eu teria me aliado ao atual governo chegaram a ser divulgadas na imprensa.

Conforme legislação vigente e estatuto da companhia, é dever do Conselho de Administração convocar a assembleia geral, a menos que constate falhas formais no pedido de convocação, feito por quem de direito. Não se trata, em absoluto, de votar contra ou a favor do governo, do indicado ou do destituído. Trata-se de cumprir um dever de diligência, simples assim.

Essa é a regra do jogo. Cabe ao Conselho de Administração verificar se há alguma falha na formalidade da solicitação e, não havendo, autorizar a convocação da assembleia. Esclareço aqui que meu voto foi balizado pelo meu dever de diligência na aprovação da convocação da AGE, visto não haver falhas formais na solicitação do MME. Também no cumprimento do meu dever, como conselheira, de zelar pelo melhor interesse da Petrobrás, permaneci esse período em silêncio, evitando mais especulações e tumultos, o que certamente interessam a muitos, mas não à empresa.

A Petrobrás, criada pelo movimento popular com a missão de descobrir e produzir petróleo e derivados para abastecer o país, hoje vira as costas para o Brasil na busca da maximização dos lucros dos acionistas, renegando seu papel social e desenvolvimentista, se mantendo completamente refém das disputas dos interesses financeiros de curto prazo de grupos, muitos deles estrangeiros.
Espero que as mudanças em curso sirvam para reavaliar o real papel da Petrobrás. E que a empresa seja reposicionada, enquanto estatal brasileira, de tal sorte a permitir que ela sirva a seu país em primeiro lugar, sem que isso implique em prejuízo à remuneração de seus acionistas, o que é sabidamente possível.

* Trechos editados de texto publicado originalmente em is.gd/rosangelabuzanelli, sob o título “Sobre os desdobramentos da troca de presidente na Petrobrás”. ** Representante eleita dos petroleiros e petroleiras no Conselho de Administração da Petrobrás.

GERAL

Categoria constrói a greve

Das Imprensas do NF e da FUP

Concluídas ontem, as assembleias no Norte Fluminense para avaliar indicativos de mobilização rumo à greve pelo cumprimento de direitos dos petroleiros e petroleiras e contra o desmonte da Petrobrás, com a venda de ativos como refinarias e plataformas, aprovaram a participação da base nas mobilizações nacionais. O indicativo de Estado de Greve foi aprovado com 96,4% de votos favoráveis, 2,9% contrários e 0,7% em abstenções. Também foi aprovado o protocolo NF-Fiocruz de combate à Covid-19.

O próximo passo na construção da mobilização na região será a realização, na próxima terça, 9, do Seminário de Greve, de modo remoto, com inscrições abertas por meio do preenchimento de formulário disponível em is.gd/seminariodegreve2021. A diretoria do sindicato destaca que é muito importante a participação da categoria no seminário, para que sejam discutidas formas de mobilização neste cenário de pandemia. Além de formatos de greve, os participantes fazem uma análise da conjuntura econômica e política, da Petrobrás e do país.

Reação ao desmonte

De acordo com a FUP e seus sindicatos, a greve iminente é uma reação da categoria petroleira aos diversos ataques de direitos e demissões que estão correndo no Sistema Petrobrás, de norte a sul do país, em meio à aceleração do desmonte da empresa, com vendas de ativos e fechamento de unidades.

Além da insegurança imposta pela pandemia da Covid-19, com centenas de trabalhadores contaminados diante da irresponsabilidade dos gestores, que insistem em desrespeitar normas de segurança e protocolos estabelecidos por órgãos de saúde, os petroleiros também estão expostos ao risco cada vez maior de um grande acidente industrial, em função da redução drástica de efetivos. Os planos de demissão, sem reposição de vagas, vêm gerando acúmulo de função e dobras rotineiras. O problema foi agravado pela reestruturação das tabelas de turno, transformando as refinarias, terminais e plataformas em bombas relógio.

Soma-se a isso o ataque sistemático aos benefícios históricos da categoria, como a AMS e a Petros, as transferências compulsórias dos trabalhadores de unidades vendidas e fechadas, o assédio moral, o desrespeito à jornada dos petroleiros em trabalho remoto. Tudo isso é parte de um único projeto: o desmonte do Sistema Petrobrás e o redirecionamento da empresa para atender exclusivamente aos interesses do mercado e dos acionistas privados.

 

PDV suspenso para quem adiou PP3

O Sindipetro-NF conquistou decisão que determinou a suspensão do PDV para quem optou por adiar a saída em função do PP3 (Plano Petros 3). De acordo com o Departamento Jurídico da entidade, a decisão impede novos desligamentos e também reverte os já realizados.

A Petrobrás havia antecipado os desligamentos para fevereiro, período em que o PP3 ainda não estava aberto para migração, e sequer divulgou suas condições, em especial o simulador comparativo.

Essa proteção é relevante para que os trabalhadores tenham condições de fazer a escolha consciente, sem assédio ou coação pela escolha do plano promovido pela atual gestão da Petrobrás.

O Departamento Jurídico alerta mais uma vez que “o PP3 é prejudicial para a enorme maioria das pessoas. Os riscos que o PP3 representa no médio e longo prazo são enormes”.

Na tarde de ontem, a categoria recebeu mais informações sobre a decisão e sobre os impactos jurídicos do PP3 durante reunião online com a diretoria do sindicato e assessoria.

 

Ações do gás e da gasolina voltam no país

O Dia Nacional de Luta, hoje, em defesa das estatais, do serviço público e contra a reforma administrativa, terá ações solidárias por todo o país, com venda subsidiada de combustíveis. As mobilizações são puxadas pela FUP e por seus sindicatos. O NF já realizou duas ações do gás em Campos dos Goytacazes e uma da gasolina em Macaé. Hoje, o sindicato volta a fazer ação semelhante em parceria com o Sindipetro-Duque de Caxias, no Conjunto Habitacional Dom Jaime Câmara, em Padre Miguel. Serão vendidos 300 botijões de gás com preço subsidiado a R$ 40,00.

 

Transpetro também com desconto

Nesta semana o Sindipetro-NF denunciou que, assim como os trabalhadores Petrobrás, petroleiros da Transpetro tiveram descontos abusivos em seus contracheques no mês de janeiro. Esses descontos são relativos ao movimento grevista de fevereiro de 2020. Porém, segundo o Departamento Jurídico do NF, tanto a Petrobrás quanto a Transpetro, desrespeitaram os termos do acordo fechado no fim da greve perante o Tribunal Superior do Trabalho. Além disso, alguns descontos foram com valores muito superiores aos supostamente devidos pela categoria. A entidade está tomando as medidas cabíveis para reverter os descontos.

 

Programação especial para 8M

O Sindipetro-NF vai divulgar nos próximos dias a programação completa das atividades do mês da mulher, com a passagem, na próxima segunda, 8, do Dia Internacional da Mulher. De acordo com a diretora da entidade, Bárbara Bezerra, uma das ações será o envio de um kit fitoterápico com ítens produzidos pelo MST para as casas de todas as petroleiras filiadas ao sindicato. Por isso, o NF solicita que todas as filiadas atualizem os seus endereços, enviando eventuais alterações para o e-mail [email protected]

Entre as atividades previstas está uma campanha com a hashtag #PorMaisMulheresaBordo, que contará com uma sequência de matérias no Nascente com perfis de mulheres petroleiras que embarcam na Bacia de Campos. Também estão previstas atividades culturais com transmissão online e anúncio de parcerias com entidades e instituições que atuam na defesa dos direitos da mulher.

Parceria em Campos

Na terça, 2, representantes da Subsecretaria Municipal dos Direitos da Mulher de Campos dos Goytacazes se reuniram com diretores do Sindipetro-NF, na sede de Campos dos Goytacazes. A entidade firmou parceria para disponibilizar seu auditório para cursos voltados à capacitação das mulheres e sua autonomia econômica. Também foram doados móveis que vão ajudar na montagem da recém-criada secretaria.

A secretária municipal Josiane Viana explica que a reunião com coordenador do Administrativo do sindicato, Guilherme Cordeiro Fonseca, e com a coordenadora de Cultura e também diretora, Bárbara Bezerra, foi das mais proveitosas e só tem a agradecer a acolhida. “O Sindipetro-NF tem por hábito realizar campanhas internas, desenvolver ações, fazer doações e nos procurou justamente neste sentido. Eles têm uma estrutura física muito boa e foram solidários com a nossa luta”, disse Josiane.

 

CURTAS

NF no 5º Festim

Dentro de uma política de valorização da cena cultural das cidades aonde tem sede, o Sindipetro-NF é um dos parceiros da quinta edição do Festim (Festival de Esquetes de Macaé), que acontecerá de 05 a 18 de abril. O Festival é uma mostra competitiva de teatro e de promocão das artes integradas. As montagens serão encenadas no Teatro do NF, sem a presença de plateia, com transmissão pelas redes sociais. As inscrições são gratuitas e vão até o dia 14 de março. Mais informações em linktr.ee/FESTIM2021.

Luto

Macaé está em luto pela perda, na última segunda, 01, de Venício de Oliveira, 88 anos, um ferroviário militante, vereador por dois mandatos, professor da rede pública, flamenguista doente e macaense apaixonado pela cidade. Ele é mais uma vítima da Covid-19 no município. Saiba mais sobre a vida desse abnegado defensor das causas populares em
https://is.gd/veniciodeoliveira.

GESTÃO TRUCULENTA A Petrobrás, como de costume, começa a dar sinais de que sente o crescimento da mobilização dos trabalhadores. Na terça, 2, no aeroporto de Cabo Frio, a empresa começou a impedir o acesso da direção do NF ao saguão, em claro comportamento antissindical — sob a desculpa de prevenção à covid-19 —, poucos dias depois de diretores e diretoras terem estado no mesmo local. O diretor Alessandro Trindade (foto) gravou vídeo para denunciar a truculência da empresa, e explicou que o sindicato toma todas as medidas de prevenção para fazer os diálogos nos aerportos. Mesmo com a tentativa da companhia de impedir o contato com a categoria, os sindicalistas conversaram com os trabalhadores do lado de fora, na chegada dos ônibus. Saiba mais em is.gd/acfrio.

RISCO PETROLEIRO – Newsletter da campanha Petrobras Fica alertou, nesta semana, para os riscos para a segurança no trabalho provocados pelas privatizações de ativos da Petrobrás. “A suposta “otimização” de recursos e investimentos de empresas que vêm adquirindo áreas antes operadas pela Petrobras se traduz, na prática, em redução de custos e de pessoal. Resultado: menos segurança nas operações, mais risco para trabalhadores e ameaça permanente ao meio ambiente”, advertiu. Veja a íntegra em is.gd/riscopetroleiro.

 

NORMANDO

Notas do genocídio

Normando Rodrigues*

Bolsonaro e a mãe dele já se vacinaram. Enquanto isso, a política de extermínio deliberado da população pobre do Brasil é um sucesso.

É o que revela uma pesquisa junto a 70 multinacionais que atuam no Brasil, a qual indicou que 53% das empresas são otimistas com o país.

Claro, uma nação que entrega sua população para o trabalho sob salários de fome, e sem a mínima proteção de ministério e justiça do trabalho, sem fiscalização, e sem sindicatos, tem que ser muito bem vista pelas empresas.

Higienismo

Bolsonaro e a mãe dele já se vacinaram. Enquanto isso, ele e Guedes mantêm fé inabalável na morte, miséria e fome. Vão novamente diminuir salários e aumentar jornadas, como o ministro dos ricos voltou a propor esta semana.

Para eles, se o Brasil resolver seus “problemas sociais” com a morte dos mais pobres, melhor ainda! Por isso trabalham a favor do vírus.
Duzentas e sessenta mil mortes não fizeram Bolsonaro se render na luta contra a vacina, depois que ele próprio, seus filhos, e sua mãe, se vacinaram. Seu governo continua fazendo o possível para sabotar a vacinação dos pobres.

Dança macabra

Bolsonaro e a mãe dele já se vacinaram. Enquanto isso, ele continua a pregar contra o isolamento e as máscaras, veta a lei que permitiria a governadores e prefeitos comprar vacinas, e a Câmara aprova que os ricos possam comprar.

Repito para você entender: Bolsonaro impede que o prefeito de sua cidade compre vacinas, e permite que as clínicas que atendem aos ricos comprem. E ele e a mãe dele já se vacinaram.

A pandemia recua na maior parte do mundo, e particularmente nas américas. Diminui nos EUA, México, Colômbia Argentina, Chile… e aumenta no Brasil. Sem vacinação em massa, o Brasil produz mutações e se torna o pior exemplo do mundo.

Pária

Bolsonaro e a mãe dele já se vacinaram. Enquanto isso o Brasil, que pela 1ª vez na história já se tornara um “excluído” na comunidade internacional por sua política terraplanista, agora é também um centro irradiador de novos vírus.

E ainda nos tornamos um modelo de crescimento da miséria. Matéria da BBC, sobre a monumental diminuição da pobreza na China, cita o Brasil como o oposto!

Há apenas 10 anos éramos o paradigma a ser copiado, no combate à desigualdade social. O que mudou? Bolsonaro!

Daqui até nosso próximo encontro, pelo menos mais 10 mil brasileiros terão morrido desnecessariamente.

Mas, pelo menos, Bolsonaro e a mãe dele já se vacinaram.

* Assessor jurídico do Sindipetro-NF e da FUP. [email protected]

 

 

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