Nascente 1195

Compartilhar no facebook
Compartilhar no google
Compartilhar no twitter
Compartilhar no whatsapp

[VERSÃO COMPLETA EM PDF DISPONÍVEL NO FINAL DA PÁGINA]

A SEMANA

Editorial

Salvando 25 leões por dia nestes 25 anos

Não seria difícil para a Imprensa do NF identificar 25 temas e frentes de lutas empreendidas pelo Sindipetro-NF somente nos últimos 25 dias. Imagine então a leitora, o leitor, a dificuldade de escolher apenas 25 momentos para destacar na história de um sindicato que não para. Esta edição, que celebra este 25º aniversário da entidade, que acontece nesta sexta, 2 de julho, traz o resultado dessa missão quase impossível para simbolizar e registrar o empenho de várias gerações nesta grande obra coletiva e permanente, e nem de longe tem a pretensão de ter abrangido toda a importância que têm centenas, milhares, de fatos cotidianos de igual importância, que fazem a história acontecer como um processo em toda a sua complexidade.

A cada greve não citada, a cada mobilização, a cada conquista, uma dor na edição. Mas as escolhas fazem parte da comunicação, assim como os alertas acerca da sua precariedade. O fundamental está preservado: o propósito de ter uma panorâmica que mostre o tamanho e a relevância deste grande feito contínuo dos petroleiros e das petroleiras. No dia a dia das lutas corre-se até o risco de perder-se a dimensão do que faz esta categoria, referência e parceira para tantas outras.

O Nascente também marca este aniversário com a adoção de mudanças gráficas e editoriais. Algumas seções mudaram de nome, houve alterações nas tipologias e as artes passaram a dialogar com a nova logo do sindicato, alterada recentemente. O espírito foi dar mais peso visual a um cenário que exige luta forte, quando mais de 500 mil pessoas já morreram em uma pandemia criminosamente negligenciada por um genocida. Sigamos salvando 25 leões por dia (afinal, nossa luta é pela vida, não pela morte).

 

Espaço Aberto

Na adversidade se conhecem os companheiros

Luiz Carlos Mendonça (Meio Quilo)*

“Nas secas se conhecem as boas fontes. Nas adversidades, os verdadeiros companheiros”. Não esqueço essa frase, que me move em todas as lutas. A primeira vez que a ouvi foi na greve de 95. E tem sido assim. Em 1996, com a fundação do Sindipetro-NF, consolidávamos uma luta que vinha de muito tempo, para ter o nosso sindicato da região. Não me arrependo de nata, faria tudo de novo.

Havia petroleiros da região na direção do Sindipetro-RJ. Alguns no primeiro mandato, outros no segundo. Nós víamos que havia a necessidade de um sindicato aqui para a região, que desse respostas mais rápidas às nossas demandas. Tínhamos aqui uma nova realidade, era diferente de refinaria ou base administrativa. Acontecia um acidente aqui, por exemplo, e a resposta da estrutura sindical da época era muito lenta. Havia bons militantes sindicais no RJ, mas a estrutura não conseguia dar conta da nova realidade que estava surgindo aqui.

Não foi fácil, houve uma etapa difícil de resolução de problemas burocráticos em razão do desmembramento do RJ. Havia problemas com a divisão do patrimônio, a solução da situação trabalhista dos funcionários do sindicato, o encaminhamento das ações trabalhistas dos petroleiros ingressadas pelo RJ e que passariam a ser tocadas pelo NF, entre outros. Essa fase foi muito desgastante, mas foi também de muito aprendizado.
Essa luta continua ao lado de gigantes de ontem e de hoje. Cícero Guedes, presente! E Somos todos Alessandro Trindade!

* Primeiro coordenador geral e atual diretor do Sindipetro-NF no Departamento de Formação.

 

P-38

O Sindipetro-NF entrou ontem em contato com a Petrobrás cobrando respostas sobre a demora para o desembarque de trabalhadores contratados, que estão a bordo da P-38. A cobrança foi feita após denúncias recebidas pela entidade, onde trabalhadores afirmam que estão há quase 21 dias embarcados. A gerência informou que devido condições de mar adversas, algumas unidades estão com voos em atraso. O Sindicato acompanha o caso e está atento a outras denúncias em [email protected]

Audiências

A FUP reforçou nesta semana, em audiências na Câmara e no Senado, a urgência da Petrobrás voltar a ser gerida como empresa de interesse nacional, com forte papel social. O coordenador geral da Federação, Deyvid Bacelar, defendeu que o setor de petróleo e gás e a Petrobrás deveriam ser tratados como “política de Estado e não como uma política de governo, que muda de quatro em quatro anos”.

Forró de volta

O documentário “Forró em Cambaíba”, produzido pelo Sindipe-tro-NF, voltará a ser exibido em uma situação muito especial: no novo acampamento Cícero Guedes, nas terras da antiga usina Cambaíba, em Campos dos Goytacazes. Cerca de 300 militantes estão no local desde a semana passada, na luta pela Reforma Agrária, após decisão judicial que liberou as terras para desapropriação. Será nesta sexta, 2, às 19h.

Engenheires

Na terça, 29, foi celebrado o dia do engenheiro de petróleo. O Sindipetro-NF parabeniza a todos os trabalhadores e trabalhadoras do ramo pelo seu dia. O engenheiro de petróleo trabalha com um recurso energético estratégico e tem papel fundamental na manutenção do ciclo de exploração e explotação de jazidas. A entidade aproveita a oportunidade para reafirmar a importância da organização e da luta de todos os segmentos da categoria neste cenário de ataques à classe trabalhadora.

Assista todas as mesas do Conperj

Todas as mesas de debates do 2º Conperj, com temas que vão de AMS à conjuntura, estão disponíveis.
is.gd/2conperj

Acompanhe série especial do ano 25

Série especial de Podcasts da Rádio NF, sobre os 25 anos do NF, começa a ser disponibilizada nesta sexta, 2.
is.gd/radionf

Luta continua em Cambaíba

Semana passada, o MST voltou às terras da antiga usina Cambaíba, agora no Acampamento Cícero Guedes.
is.gd/cambaiba

Fique ligade nas lives do Ineep

Acompanhe as divulgações dos web-nários do Ineep. Nesta semana, tema foi a exploração de óleo e gás.
is.gd/ineep1195

 

VOCÊ TEM QUE SABER

Veja 25 momentos de luta que não para

O Sindipetro-NF completa 25 anos nesta sexta-feira, tomando como referência a posse da primeira diretoria da entidade, em 2 de julho de 1996. O sindicato vai marcar a passagem com uma série de atividades e produtos de comunicação ao longo do segundo semestre. As primeiras acontecem nesta semana.

Ontem, os ex-coordenadores gerais da entidade, José Maria Rangel e Antônio Carlos Rangel, e o diretor da CUT Nacional e também diretor do NF, Vitor Carvalho, participaram do NF ao vivo que teve como tema o aniversário do sindicato e sua trajetória de mobilizações.

Para o coordenador geral do Sindipetro-NF, Tezeu Bezerra, mesmo com todo um cenário sombrio no país, no qual não cabe qualquer clima de festa, é preciso celebrar uma obra longa e importante como o sindicato, especialmente por se tratar justamente de uma organização que se propõe a lutar por dias melhores. Além disso, destaca, há o compromisso da entidade com a preservação da memória, que serve de alimento para as lutas do presente e do futuro.

Vídeos e podcast

Nesta sexta será divulgado, no site da entidade, o chamado e o regulamento para uma campanha de vídeos de até um minuto, que poderão ser enviados por filiados e filiadas, diretores, diretoras, militantes, todos aqueles e aquelas que de alguma forma se relacionam com o sindicato.

Também amanhã será publicado o primeiro episódio de uma série de podcasts da Rádio NF com o tema dos 25 anos do sindicato, ouvindo dirigentes sindicais e outros convidados para contar essa história e discutir as perspectivas do sindicalismo em um cenário de mudanças drásticas no mundo do trabalho.

Nesta edição, O Nascente destaca 25 fatos ou momentos marcantes da história do sindicato. Como explica o editorial desta edição, estes pontos não representam completamente toda uma luta que é diária, constante, mas ilustra uma panorâmica (veja quadro ao lado).

Documentário e revista

Estão previstas ainda a edição de um documentário e a edição de uma revista especial sobre os 25 anos da entidade, registrando acontecimentos históricos da organização dos petroleiros e petroleiras da região, assim como os desafios mais recentes e depoimentos dos militantes e dirigentes que participaram dessa construção.

Relembre alguns momentos de uma construção permanente

1 – 1983 – Acontecem as primeiras reuniões de petroleiros e petroleiras do Norte Fluminense com o objetivo de formar um sindicato próprio para a região.

2 – 1988 – Greve com fechamento de poços na Bacia de Campos reforça peso da região.

3 – 1992 – Primeira tentativa de realização de plebiscito sobre criação do NF, separando a base do Sindipetro-RJ.

4 – 1995 – Greve histórica de 1995 evita a privatização da Petrobrás.

5 – 1996 – Toma posse, em 2 de julho, a primeira diretoria do Sindipetro-NF.

6 – 1996 – Em novembro, é assinado o primeiro Acordo Coletivo pelo Sindipetro-NF.

7 – 1999 – Inaugurada sede do Sindipetro-NF em Campos dos Goytacazes, com presença de Lula.

8 – 2001 – Tragédia da P-36 muda o modo como petroleiros vêem o tema da segurança. O que já era preocupação se torna prioridade máxima na ação sindical.

9 – 2001 – Primeira greve por tempo determinado e com controle de produção.

10 – 2002 – Pela primeira vez, um operário sindicalista é eleito para a Presidência do Brasil. Governos Lula vão abrir novos campos de atuação sindical, com mais presença na definição de políticas públicas.

11 – 2002 – Sindicato inaugura novas instalações da sede de Macaé.

12 – 2004 – Sindipetro-NF conquista direito de integrar as comissões que apuram causas de acidentes.

13 – 2008 – Descoberto o pré-sal. Sindicato passa a atuar para que recursos sejam destinados ao povo brasileiro.

14 – 2010 – Publicado o Anexo II da NR-30, que teve grande participação do NF em sua elaboração, assim como na NR-37, de 2018.

15 – 2013 – Greve produziu grandes avanços no ACT, entre eles o Fundo Garantidor para os terceirizados.

16 – 2015 – Greve em momento crítico retoma autoestima da categoria, que passa a usar jalecos laranja em suas mobilizações.

17 – 2016 – Golpe contra presidenta Dilma abre período de aceleração de ataques aos direitos e desmonte do Estado.

18 – 2016 – Greve natalina, um presente para os pelegos, é convocada e depois suspensa, inaugurando novas estratégias de luta.

19 – 2016 – Diretores do NF e do Sindipetro Unificado SP são detidos pela polícia em protesto no Congresso Nacional contra a entrega do pré-sal.

20 – 2017 – Petrobrás anuncia venda de 74 plataformas, inclusive na Bacia de Campos, e acentua desmonte da empresa.

21 – 2017 – Lula visita Campos dos Goytacazes durante Caravana pelo Brasil.

22 – 2018 – NF sofre censura em ação truculenta do TRE-RJ, que apreendeu na sede de Macaé exemplares do jornal Brasil de Fato e do boletim Nascente.

23 – 2020 – Grande greve de fevereiro. Movimento muito forte chegou a ter ocupação de sala no Edise.

24 – 2020 – Início, em março, da pandemia da Covid-19. Sindicato muda toda a sua forma de atuação, fecha sedes, realiza assembleias, setoriais e congressos online, e passa a priorizar a cobrança da adoção, pela Petrobrás, de ações eficazes de prevenção.

25 – 2021 – Pandemia se agrava. Petrobrás continua a se comportar de modo negacionista, como o governo federal, e não adota protocolos do NF-MPT-Fiocruz. Sindicato amplia ações de cobrança e de mobilização, com a Greve pela Vida. Entidade também joga peso na participação nos protestos Fora Bolsonaro. Luta continua.

Todes nos atos Fora Bolsonaro neste sábado

A chapa esquentou para o governo Bolsonaro e os protestos pelo impachment foram antecipados. Inicialmente previstos para 24 de julho, eles voltam a ocorrer já neste sábado, 3, com tendência de se tornarem um grande movimento crescente. Na região, a previsão até o fechamento desta edição era a de que haverá atos em Campos dos Goytacazes, Macaé e Rio das Ostras. Outras cidades, no entanto, ainda podem divulgar adesões ao protesto nacional. O Sindipetro-NF apoia os movimentos populares que organizam as manifestações e chama a categoria petroleira à participação. A entidade avalia que é muito importante que os trabalhadores e trabalhadoras de todas as empresas do setor petróleo estejam engajados nesta luta.
Nesta semana, a CUT publicou matéria que explica a antecipação dos protestos e a fragilidade do governo Bolsonaro diante novas denúncias de corrupção, desta vez na compra de vacinas. “A acusação dos irmãos Miranda, confirmada em depoimento à CPI da Covid do Senado, de que Jair Bolsonaro (ex-PSL) foi avisado antes da assinatura do contrato e nada fez para impedir a compra superfaturada em 1000% da vacina indiana Covaxin e, para complicar, ligou o líder do governo na Câmara, deputado Ricardo Barros (PP-PR) às supostas irregularidades, aumentou a pressão contra a permanência do presidente no cargo, deve reforçar o superpedido de impeachment e a realização de atos nacionais”, avaliou.

SAIDEIRA

Petros: Com apoio da gestão, chapas bolsonaristas vencem eleição

Da Imprensa da FUP

Terminou na segunda, 28, o processo eleitoral para as vagas dos trabalhadores nos Conselhos Deliberativo e Fiscal da Petros. Lamentavelmente, por conta da decisão equivocada da FNP e das entidades de aposentados, que recusaram-se a construir uma chapa unitária com a FUP, as candidaturas bolsonaristas, apoiadas pela gestão da Petrobrás, venceram a eleição nos dois conselhos. Com isso, a estatal tem agora a maioria dos assentos, o que prejudicará ainda mais os trabalhadores nos embates com a Petros.

No Conselho Deliberativo, a dupla eleita (chapa 51) obteve 10.055 votos, enquanto a chapa apoiada pela FUP (chapa 53) conquistou 8.810 votos e a que teve o apoio da FNP (chapa 52) obteve 7.601 votos.
No Conselho Fiscal, a chapa que ganhou a eleição (chapa 42) recebeu 11.608 votos, contra 9.232 votos da dupla apoiada pela FUP (chapa 43) e 8.700 votos da dupla que teve o apoio da FNP (chapa 41).

Ou seja, se tivessem somado forças, as entidades representantes dos participantes e assistidos teriam ganho a eleição nos dois conselhos da Petros, neste momento decisivo para a categoria, quando os trabalhadores enfrentam ataques a direitos históricos, inclusive no fundo de pensão.

FUP propôs chapa única

“Perdemos essa eleição dos conselhos da Petros porque a nossa oposição não quis fechar uma chapa única conosco. A FUP tentou construir a unidade, propondo a construção das chapas do Conselho Deliberativo, com o titular indicado pela FUP e o suplente pela FNP e, no Conselho Fiscal, o titular indicado pela FNP e o suplente pela FUP, mas os cinco sindicatos e as outras entidades não quiseram”, explica o coordenador da FUP, Deyvid Bacelar.

TRUCULÊNCIA – Os diretores do Sindipetro-NF, Gustavo Morete, Alessandro Trindade e Alexandre Vieira foram impedidos de entrar, na terça, 29, no saguão do aeroporto de Cabo Frio. No mesmo local, em 10 de junho, a gerência chamou a polícia para tentar coagir trabalhadores a embarcar, durante um ato realizado pelo sindicato, e policiais chegaram a invadir área sanitária. A atitude da empresa caracteriza prática antissindical e será denunciada pela entidade.

NORMANDO

Lá e cá

Normando Rodrigues*

Lá, o equivalente à Ordem dos Advogados suspendeu a licença profissional do ex-prefeito Rudy Giuliani (1994-2001), por lançar declarações “falsas e enganosas” contra as eleições presidenciais de 2020. Giuliani advogava para o golpista Donald Trump. Cá, tanto a OAB como os conselhos de magistrados e do ministério público permanecem em eloquente silêncio quanto a advogados, juízes e procuradores golpistas. Agora até o presidente do Supremo prega abertamente golpe de estado, não obstante solenes juramentos antifascistas. E seguem todos impunes, como no caso exemplar do genocida do Planalto, que comete mais de um crime por dia.

Lá, derrotados nas urnas e no golpe de 6 de janeiro, Trump e os republicanos resolveram mudar as leis eleitorais estaduais, para dificultar o voto de pobres e negros. Cá, Bolsonaro sabe que perderá em 22, e pretende a auditagem com voto impresso, para fraudar o resultado do voto eletrônico.

Lá, a 22 de junho, os Democratas perderam no senado uma tentativa de lei para federalizar um mínimo procedimento eleitoral decente. Agora foram à Suprema Corte (onde os conservadores têm 6 dos 9 juízes), para tentar impedir as novas leis eleitorais restritivas. Cá, no dia 26 de junho, ante o perigo da perpetuação fascista, 11 partidos se uniram a ministros do STF, para impedir o golpe do voto impresso.

Lá, dia 16, ao menos a Câmara aprovou o feriado nacional de 19 de junho, dia da Independência Negra. Cá, Bolsonaro e o presidente da Fundação Palmares são contra o feriado de Zumbi, como se o “Quilombo dos Palmares” significasse outra coisa.

Lá, a 25 de junho, o policial que asfixiou George Floyd tomou 22 anos de cadeia. Cá, o negro que andou de bicicleta elétrica no Leblon foi chamado de ladrão, provou ter comprado, e passou a ser investigado por receptação.

Lá, as cotas étnicas têm mais de 50 anos. Cá, teremos a revisão da Lei de Cotas, nos seus 10 anos, em cenário de franco retrocesso, no qual ser racista dá cargo no governo.

Lá, em 11 de abril, tentaram lançar o White Lives Matter, em frente à Trump Tower, em Nova Iorque. Brocharam. Cá, em 12 de junho, o “imbrochável” reuniu seu gado no monumento aos bandeirantes escravistas.

Lá, como cá, reacionários e fascistas gritam para que pretos e pobres não se vacinem, enquanto se vacinam às escondidas. Há duas semanas, num comício de Trump, senadores e apoiadores golpistas, vacinados, foram hostilizados por golpistas não vacinados, o que explica o sigilo imposto ao cartão de vacinação de Bolsonaro.

Na CPI sem pudores

No dia 16 de junho o filho do Mito, senador Flávio, intimidou ostensivamente o depoente em plena sessão da CPI, transmitida ao vivo. A 23 foi a vez de Onyx Lorenzoni, ministro do capo Bolsonaro, que ameaçou o deputado denunciante em coletiva de imprensa. Não há nada de parecido nas CPIs dos gringos, do macarthismo a Watergate, passando pela da máfia. No entanto, a retratação ficcional desta última comissão americana pode servir para uma comparação didática.

Em “O poderoso chefão 2”, de Coppola (1974), o subordinado Frankie Pentangeli (Michael V. Gazzo) está prestes a depor à CPI sobre a família Corleone, quando o chefão Michael entra na sala acompanhado do irmão do depoente. Diferentemente das bravatas infantis do senador, e da intimidação explícita do ministro, Michael Corleone foi eficaz sem abrir a boca.
Claro, nem Flávio, o mimado da rachadinha, nem Onyx, propinado pela JBS, se comparam ao personagem interpretado por Al Pacino, seja em inteligência, ou muito menos em elegância. Apesar disso, lá, como cá, trata-se de “bandidagem”.

* Assessor jurídico do Sindipetro-NF e da FUP.
[email protected]

 

1195small