Nascente 1201

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A SEMANA

Editorial

Solidariedade é um imperativo ético de militante

O sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, ensinou que quem tem fome, tem pressa. Dilema antigo dos movimentos sociais, as ações solidárias, quando empreendidas por sindicatos como o Sindipetro-NF, precisam ter o cuidado de não serem confundidas com filantropia ou favor. Entidades sérias e progressistas jamais prescindirão da luta por direitos, previstos em políticas públicas, para que um dia não seja necessário doar cesta básica. No nosso cenário de miséria extrema, no entanto, ser solidário é um imperativo ético.

No quadro geral de desemprego e desalento, estas atividades são essenciais, estreitam laços com as populações mais vulneráveis e, se trabalhadas com respeito às pessoas e com ética — não sendo similares, portanto, a ações eleitoreiras ou motivadas por interesses personalistas e escusos — contribuem até mesmo na formação política no seu sentido mais nobre, de conscientização para a organização e a denúncia do sistema injusto que se sustenta por meio da miséria.

E todo militante sério sabe que ser solidário é ainda mais do que doar cestas básicas e atuar em ações comunitárias. É ter empatia, dignidade, atuar em todas as frentes e com todos à sua volta mantendo a coerência entre discurso e prática. Não são poucos os que se vendem como solidários e, nas salas fechadas dos seus círculos de influência e poder, atuam exatamente de modo oposto (infelizmente, são fartos os exemplos até mesmo nas religiões).

Um sindicato como o NF, portanto, se orgulha de manter ações solidárias com a consciência destes parâmetros e destes compromissos, sempre tendo no horizonte a unidade e a solidariedade da classe trabalhadora.

Espaço aberto

Sua hora vai chegar, neofascista

Sandro Cezar**

O neofascista que ocupa a cadeira de Presidente da República recebe no Palácio do Planalto representantes direto do nazismo alemão. Antes, Ministros já haviam copiado e divulgado textos de citações de figuras do Terceiro Reich. Fico imaginando o que diriam os nossos expedicionários da FEB sabendo que fascismo já não corre solto nos campos da Itália, mas hoje faz do Brasil seu principal expoente no mundo.

Foi criada no nosso país uma espécie de República das Bananas extemporânea. O presidente já disse que não teremos eleições, já afirmou que as Forças Armada pertencem a ele, disse que só haverá eleições se for do seu modo, ofendeu ministros do STF à luz do dia. E segue o baile.

Em qualquer nação do mundo a oposição não aceitaria mais participar das votações do Congresso enquanto não cessassem as agressões às instituições democráticas. Não se pode viver no mundo do faz de conta: ou se para o facínora agora ou será tarde.

Bolsonaro já não detém legitimidade para governar o Brasil. É um insano, ou um criminoso que mina dia a dia a própria República. A democracia não sobrevive aos ataques, pois já perdemos a conta de quantas vezes as instituições foram ameaçadas pelo presidente e por seus ministros militares. Isso viola frontalmente a Carta da República, que, pôs fim à ditadura, mas que agora assiste aos seus filhotes governarem o Brasil. Morreu a Nova República.

* Trecho de artigo publicado originalmente em is.gd/eanascente1201, sob o título “Crimes de Responsabilidade de um neofascista. Sim, a hora vai chegar”. ** Presidente da CUT-RJ.

Enchova: 37 anos

Na próxima segunda, 16, se completam 37 anos da tragédia de Enchova, em 16 de agosto de 1984, que deixou 37 mortos e 19 feridos. Os petroleiros estavam em uma baleeira que caiu com 50 pessoas a bordo, na operação de abandono da unidade após uma grande explosão — provocada por um vazamento em um dos poços. O sindicato mantém a lembrança do acidente para que a segurança no trabalho seja prioridade máxima e novas tragédias sejam evitadas. Vítimas de Enchova, presentes!

Luta dia 18

A CUT está chamando um dia de greves e mobilizações, no próximo dia 18, envolvendo servidores das três esferas – municipal, estadual e federal. Será o Dia Nacional de Luta e Paralisações, que tem como principal bandeira a luta contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 32, da reforma Administrativa, enviada ao Congresso por Bolsonaro, que acentua o desmonte do Estado.

Novo ataque

Em meio à cortina de fumaça da votação do voto impresso, a Câmara dos Deputados passou mais uma boiada contra os trabalhadores: aprovada na noite da terça, 10, a MP 1045 aprofunda a Reforma Trabalhista e retira uma série de direitos. A medida, encaminhada pelo governo Bolsonaro, vai diminuir salários, acaba com o 13º salário, retira o direito às férias remuneradas, entre outras medidas. Saiba mais em is.gd/mp1045.

Luto

Morreu ontem, aos 32 anos, vítima de Covid-19, o petroleiro Rodrigo Lima de Freitas, que atuava como operador da P-25, na Bacia de Campos. O trabalhador estava internado desde o mês passado na UTI da Unimed Macaé. O sepultamento aconteceu em Nova Iguaçu. Rodrigo era casado e tinha um filho de dois anos. Muito querido pela categoria, o petroleiro vai deixar saudade. O Sindipetro-NF manifesta as condolências aos colegas de trabalho, amigos e familiares.

VOCÊ TEM QUE SABER

Alerta máximo contra ataques ao 14×21

O Sindipetro-NF alerta aos trabalhadores e trabalhadoras sobre a importância de não negociarem de forma individual e aceitarem acordos com a gerência, que possam resultar na perda de direitos para a categoria.

Nesta semana, o NF recebeu denúncias de que uma gerência da Petrobrás exigiu que as plataformas enviem as escalas dos técnicos de segurança, que devem trabalhar no sistema 14×14. Essa exigência foi vista como uma forma de ameaça por parte da empresa, que quer exigir que os trabalhadores cumpram uma escala maior do que a acordada entre a companhia e o sindicato, com a aprovação dos trabalhadores, que é de 14×21.

O NF enviou um ofício a gestão para cobrar esclarecimentos sobre essa atitude. O documento adverte sobre o risco de manter um baixo efetivo nas unidades.
A diretoria ressalta que a escala 14×21 é um direito conquistado pela categoria e existe um risco iminente dos trabalhadores perderem essa conquista ao aceitarem acordos sem uma negociação conjunta.

Macaé, Campos e Friburgo com ações do sindicato

O Sindipetro-NF está em semana intensa de realização e participação em ações solidárias em diversas frentes. Macaé, Campos dos Goytacazes e Nova Friburgo são cidades que receberão atividades que envolvem o sindicato e a categoria petroleira nos próximos dias.

Em Macaé, uma ação do gás vai vender o produto a preço justo na manhã desta sexta, 13, no Morro do Carvão, região central da cidade. Já em Campos, o acampamento Cícero Guedes terá um café da manhã promovido por entidades sindicais neste sábado, 14. E em Friburgo, também neste sábado, a ação será em memória do petroleiro Jonas Barbosa, que morreu em decorrência de Covid-19 há um ano.

Macaé

Na ação do gás em Macaé serão disponibilizados para venda 200 botijões, a preço justo (R$ 50,00), para moradores que realizaram a inscrição prévia para participação. Para evitar aglomerações, a ação foi divulgada com antecedência na comunidade e apenas quem se inscreveu poderá comprar o produto. Haverá ainda apresentações culturais, com música e grafite. Além de auxiliar as famílias em um momento de extrema crise e com o gás caríssimo, as ações do gás procuram conscientizar a população acerca da política de preços da Petrobrás, que não precisava manter paridade com o dólar e poderia ter caráter estratégico e social.

Campos dos Goytacazes

O café marcado para a manhã deste sábado, 14, no acampamento Cícero Guedes, nas terras que pertenceram à antiga usina Cambaíba e foram destinadas à Reforma Agrária, é uma iniciativa de diversas entidades sindicais do município, entre elas o Sindipetro-NF, que têm procurado estreitar as relações para atuar de modo conjunto. A proposta é promover cada vez mais integração entre os sindicatos e os movimentos sociais, atuando de forma solidária em manifestações — como as recentes, pelo impeachment do presidente Jair Bolsonaro —, em ocupações e comunidades.

Nova Friburgo

A atividade em Nova Friburgo, neste sábado, 14, é promovida pela campanha Petroleiro Solidário, em homenagem ao petroleiro Jonas Barbosa, que morreu em razão da Covid-19 em agosto do ano passado. Está prevista, para 13h, a celebração de um ato ecumênico, na Praça Getúlio Vargas, no Centro, onde serão distribuídas 100 cestas básicas a famílias carentes da região. Estarão presentes diretores e diretoras do Sindipetro-NF, lideranças dos movimentos sociais, familiares e amigos de Jonas, como o ex-diretor de exploração e Produção da Petrobrás (2003-2012), o geólogo Guilherme Estrella.

A Campanha Petroleiro Solidário mobiliza doações da categoria petroleira e recursos das próprias entidades sindicais – Sindipetro-NF, Sindipetro-Caxias e FUP – para promover ações em comunidades em situação de vulnerabilidade social, realidade agravada pela má gestão do governo em relação à pandemia.

Doações nas sedes

Além das ações sociais nas comunidades, o sindicato disponibiliza as suas sedes, em Campos dos Goytacazes e em Macaé, para recebimento de doações de caixas de leite longa vida, vazias e lavadas, que são transformadas em mantas térmicas — em parceria com o movimento Ocupa Novo Horizonte. A entidade também recolhe doações de agasalhos e cobertores, que são destinados a comunidades em vulnerabilidade social.

Plenária nacional discute como reconstruir o país

Começa hoje e segue até o domingo, 15, a IX Plenária Nacional da FUP, que será realizada virtualmente por meio de plataformas digitais. A plenária terá como tema “Energia para reconstruir o Brasil” e painéis que reunirão convidados e palestrantes em torno de debates importantes sobre a reconstrução da democracia e das pautas dos trabalhadores.

As mesas temáticas tratarão de questões como desafios da esquerda e dos sindicatos na incorporação das pautas contra todas as formas de opressões; as transformações nas relações de trabalho e representação sindical; as lutas contra as privatizações e a proposta dos petroleiros e petroleiras.

Acompanhe

A programação completa, com todos os horários e temas dos grupos de trabalho, está disponível no site do NF em is.gd/plenafup2021. As mesas abertas serão transmitidas nas redes sociais da FUP e do Sindipetro-NF.

Delegades da região na plenária da FUP

Alexandre de Oliveira Vieira
Barbara Suely da Silva Bezerra
Benes Oliveira Neves Junior
Claudio Rodrigues Nunes
Guilherme Cordeiro Fonseca
Gustavo Figueiredo Morete
Henrique Almeida Silva
Jancileide Rocha Morgado
Luciano Amaro R. da Silva Vaz
Luiz Alves de Melo
Marcelo Enes Sanguedo
Marcelo Munes Coutinho
Marcos Jose Dias Botelho
Matheus Santos G Nogueira
Rafael Crespo R. Barcellos
Silvando Bispo Nascimento
Tezeu Freitas Bezerra
Valdir Menezes Soares da Cruz
Vanilda Maria Queiroz
Viterbo Santos Laurindo

 

Votação até hoje para acordos regionais do NF

Iniciado na terça, 10, o processo de votação na assembleia dos acordos regionais continua até esta quinta, 12, às 19h30 — com prazos e procedimentos previstos em edital publicado no site do sindicato (disponível em is.gd/edital050821). A categoria petroleira na região está em fase de discussão dos acordos que garantem o Dia do Desembarque, o Auxílio Deslocamento e o Turno de Manutenção, que são resultados de lutas históricas dos trabalhadores e das trabalhadoras do Norte Fluminense. Com a Reforma Trabalhista de 2017 e o fim da ultratividade, estes direitos precisam de maior garantia jurídica.

O tema foi debatido no programa NF ao vivo da semana passada, nas redes sociais do NF (e está disponível em is.gd/nfaovivo040821). Depois de um período de debates e esclarecimento da categoria, petroleiros e petroleiras entraram no período de assembleias.

SAIDEIRA

Sindicato acompanha surto na P-43 e disponibiliza testes

O Sindipetro-NF foi informado pela categoria e acompanhou mais um caso de surto de Covid-19 em plataforma da Bacia de Campos. Desta vez foi na P-43. Dois camarotes chegaram a ser ocupados por trabalhadores contactantes e sintomáticos. Até a tarde de ontem, pelo menos 11 petroleiros haviam testado positivo, com 38 desembarcados. De acordo com o coordenador do Departamento de Saúde do sindicato, Alexandre Vieira, havia previsão de que a plataforma passaria por desinfecção.

Caso a Petrobrás se recuse a oferecer os testes necessários para os petroleiros da unidade, o NF mantém a disponibilidade do teste aos interessados. Basta o petroleiro ou petroleira entrar em contato com o Departamento de Saúde o Departamento de Saúde pelo Whatsapp (22) 98123-1882 (das 7h30 às 12h e das 13h30 às 17h) para fazer o agendamento no laboratório conveniado.

Descaso

A entidade reafirma a denúncia que tem feito durante toda a pandemia, de descaso da Petrobrás para com a vida dos trabalhadores. A empresa se recusou a adotar medidas de prevenção que foram recomendadas pelo sindicato e pelo Ministério Público do Trabalho, referendadas pela Fiocruz.

O sindicato também cobrou da empresa informações sobre o efetivo que restará na plataforma para que as operações sejam mantidas em segurança.

NORMANDO

Alerta vermelho

Normando Rodrigues*

A 9 de agosto o “Grupo de Trabalho 1”, vinculado ao Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática – IPCC -, divulgou seu relatório-chave para a COP 26, que ocorrerá em Glasgow, em novembro.

O documento, de 42 páginas, tem 234 autores de 65 nacionalidades, e foi aprovado por representantes de 195 países. É a mais completa revisão das análises sobre o aquecimento global, desde 2013.

Nas palavras do secretário-geral da ONU, trata-se de um “alerta vermelho” para a raça humana.

Terra

Em 2018 previa-se que a temperatura mundial média se elevaria 1,5°C, até 2040. Hoje há consenso de que este marco será alcançado bem antes, e sobre no fim do século provavelmente estarmos 3°C acima do marco inicial.

Os eventos climáticos extremos serão mais frequentes e violentos. E, destes, as enchentes que há pouco vimos na Alemanha, China, e Reino Unido, passarão a ser permanentes em áreas costeiras, com efeitos catastróficos para o Brasil.

Há 4 anos, a elevação do mar para 2100 era estimada em até 1,1m, com a submersão definitiva de áreas do Rio de Janeiro, de Santos, e de muitas outras de nossas cidades. Agora a previsão é de 3m, o que determinaria a evacuação de mais de 50 milhões de brasileiros, em números de hoje.

Pão

Meio século atrás, o trigo brasileiro respondia por menos de 20% da demanda nacional. Pesquisa e desenvolvimento públicos – e não da iniciativa privada – fizeram a produção nacional ofertar, hoje, até 60% do consumo no país.

No cenário de aquecimento global de 2°C, se previa a redução da área tupiniquim de plantio do trigo, em 27%. Já com o atual prognóstico de 3°C, podendo chegar a 4,4°C, não se sabe se haverá ainda cultura brasileira do cereal.

A última safra já foi fortemente abalada pela destruição na Amazônia e no Pantanal, e a desertificação já é um dado concreto. No entanto, o agronegócio pensa se garantir no tripé irrigação-automação-desindustrialização.

Colônia

Há duas semanas o “Financial Times” foi a Ribeirão Preto e São Bernardo, e a matéria resultante apontou a vinculação existente entre a desindustrialização e o retorno do Brasil à condição de colônia extrativista.

Esta é a lógica do agronegócio, que fará o país gastar meio bilhão de dólares nos próximos 10 anos, apenas para importar escovas de dente, antes aqui fabricadas.

O resultado é o retrocesso. Desde 2015 Pindorama acumula um déficit de 33 milhões de postos de trabalho, e o peso relativo da indústria, em nossa economia, está nos níveis de 1910.

Lavoura arcaica

Com “sinhô” Lira na Presidência da Câmara, o agronegócio passa a boiada que quiser: veto à desapropriação por trabalho escravo; lei de apoio à grilagem; espoliação de terras indígenas. Sem falar no superfaturamento de tratores com verbas públicas, em prol do lucro privado.

A distópica perspectiva compreende um conflito de temporalidades, como no clássico romance de Raduan Nassar. Este embate segue expresso por “ilhas artificiais” de produção agrícola, garantidas por tecnologias de ponta, cercadas por um oceano de escravagismo, degradação ambiental, aridez e miséria.

E, como em todo conflito semelhante, os poucos “agrorricos” contam com a bancada da bala para os manter a salvo do principal produto de sua atividade econômica: os 50 milhões de brasileiros que não têm o que comer.

* Assessor jurídico do Sindipetro-NF e da FUP.
[email protected]

 

1201merge