Nascente 1207

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A SEMANA

Editorial

Uns mais iguais que os outros

Construir consensos não é algo fácil. E não é para ser. Do contrário, viveríamos em um ambiente totalitário onde o dissenso não seria possível. A despeito de toda pretensão ditatorial do atual governo brasileiro, ainda não chegamos a esse ponto. Eles não conseguiram eliminar toda a diversidade da política e da sociedade.

Nas tratativas que antecedem as manifestações dos dias 2 de outubro e 15 de novembro, o objetivo é o de que sejamos todos iguais no “Fora Bolsonaro”, mas sabemos que uns são mais iguais que os outros. Ter consciência disso não inviabiliza o protesto, apenas deixa claro que há visões muito distintas sobre o cenário atual do país, onde Bolsonaro não é o único problema. O calo que mais nos dói continua a ser o neoliberalismo.

Nós, trabalhadores e trabalhadoras, sabemos que a elite financeira que se mostra incomodada com a vergonha diária que Bolsonaro faz o país passar (os episódios da ONU são apenas os mais recentes) é a mesma que comemora os ataques aos direitos trabalhistas e previdenciários, as privatizações, o desmonte de políticas públicas. Somos contra Bolsonaro em tudo. Ela, em parte.

Mas, de fato, considerada essa distinção que jamais podemos esquecer, o momento é de marchar pela bandeira do impeachment (defendida por 56% da população, como mostrou o Datafolha), ainda que seja para manter nas cordas um governo que precisa ser contido a todo instante em suas aspirações cruéis, desumanas, como toda a sua matança tem demonstrado. Como alertava-se desde 2018, a polarização atual é entre democratas e não democratas. E o momento é crucial no desenho do Brasil do futuro. Vivemos dias decisivos e não podemos vacilar.

Espaço Aberto

Setembro amarelo no neoliberalismo*

Andreia Crispim**

Desde 2003, o mês de setembro ganhou o marco de ser o mês de prevenção ao suicídio e recebeu o Amarelo como cor de referência, com reconhecimento pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Em memória ao jovem de 17 anos que restaurou um carro e o pintou de amarelo e infelizmente cometeu suicídio em 1994.

De acordo com relatório da OMS publicado em 2020, os índices de suicídio apontam que em mais de 90% dos casos, havia uma doença mental relacionada. Principalmente entre os jovens, cerca de 96,8% dos casos de suicídio estavam relacionados a transtornos mentais. Destacam situações como desemprego, sensações de vergonha, desonra, desilusões amorosas, além de antecedentes de doenças mentais entre os fatores de risco para o suicídio. Uma grande notícia do referido relatório da OMS é: o suicídio tem prevenção em 90% dos casos.

Não se pode falar em uma questão que envolve fatores biológicos, ambientais, psicológicos, entre outros, somente pela ótica motivacional. Não se pode também falar em adoecimento, sofrimento psíquico sem considerar a sociedade que vivemos, sua estruturação, seu modelo socioeconômico e sua determinação na formação da dinâmica interna das pessoas que a compõem.

Não se pode desatrelar a prevenção ao suicídio da valorização da vida humana em sua totalidade, sem absolutamente nenhuma exceção, ou será apenas retórica.

* Trechos de artigo publicado originalmente no jornal Brasil de Fato, em is.gd/eanascente1207, sob o título “Desafios do setembro amarelo frente ao neoliberalismo”. ** Psicóloga social, especialista em políticas públicas, infância, juventude e diversidade.

 

Diretoria do NF

Em reunião colegiada no último dia 15, a diretoria do Sindipetro-NF aprovou algumas mudanças nas coordenações dos departamentos da entidade: a Comunicação, que vinha sendo coordenada por Rafael Crespo, passa a ser coordenada por Tadeu Porto. O ex-coordenador de Comunicação passa a integrar o Departamento Jurídico, que continua coordenado por Alessandro Trindade. No Financeiro, assume a coordenação em lugar de Tadeu o diretor José Maria Rangel, ex-coordenador do NF e da FUP.

Brigada CUT

A CUT está mobilizando trabalhadores das suas bases sindicais para que se tornem brigadistas digitais. O objetivo é “ocupar o mundo digital e as redes sociais de maneira articulada e organizada para lutar pelos direitos da classe trabalhadora, combater as fake news e derrotar a extrema direita e o bolsonarismo”. Interessados e interessadas podem fazer inscrição e obter mais informações em is.gd/brigadascut.

KN e Champion

Petroleiros e petroleiras da KN Açu e da Champion Technologies têm assembleias hoje. Para a KN Açu, a assembleia será às 15h, com inscrição no link is.gd/insckn. Para a Champion, a assembleia será às 19h15, com inscrição no link is.gd/inscchamp. As duas serão realizadas pelo aplicativo Zoom. Na KN, a categoria vai avaliar proposta da PL 2021. Na Champion, a pauta será sobre aditivo ao ACT.

Luto

O Sindipetro-NF lamentou em seu site, nesta semana, a morte do petroleiro Flávio Miranda, na noite do domingo, 20, após sofrer morte cerebral. Recentemente aposentado, Flávio tinha 53 anos e há até pouco tempo atuava como técnico de instrumentação da P-54, na Bacia de Campos. Nas redes sociais, familiares e amigos registraram a dor pela perda do companheiro. O sindicato manifesta as suas condolências e se coloca à disposição da família do trabalhador.

 

VOCÊ TEM QUE SABER

Olho no GT e participação na setorial dia 30

A categoria petroleira têm duas datas importantes para manter na agenda de lutas sobre o teletrabalho, na próxima semana: na quarta, 29, acontece reunião do GT (Grupo de Trabalho) do Teletrabalho, forum onde a FUP e sindicatos têm atuado para pressionar a Petrobrás a abrir diálogo sobre os impactos desta modalidade; e na quinta, 30, às 19h, a federação vai promover uma setorial nacional virtual para tratar diretamente com todas as bases do país sobre o assunto — o link da setorial será divulgado no site da federação. Enquanto isso, está mantida a orientação sindical para que os petroleiros e petroleiras não assinem o Termo de Teletrabalho Permanente que a Petrobrás quer impor.

Como informou a edição passada do Nascente, a orientação foi definida em reunião do GT de Teletrabalho realizada no último dia 15. De acordo com a diretora da FUP e integrante do GT, Cibele Vieira, a empresa não abre diálogo e insiste em contrariar os trabalhadores.

Com participação de 1.242 petroleiros e petroleiras, pesquisa realizada pela FUP e apresentada à gestão da companhia mostra que 92% dos entrevistados querem que o regramento seja negociado com os sindicatos, 87% entendem que é preciso uma regra mais transparente sobre os critérios de quem pode ou não estar em teletrabalho e 81% querem previsibilidade sobre o tempo de permanência.

Além de não garantir o reembolso das despesas a quem assinar o Termo, a Petrobrás impõe critérios unilaterais para retorno às atividades presenciais e um modelo híbrido para os empregados que tiverem feito a adesão ao teletrabalho permanente, como a alternação com a atividade presencial e a limitação a três dias de trabalho remoto por semana.

“Se a empresa realiza cinco reuniões e mantém as regras que foram estabelecidas antes da pandemia, isso mostra que a empresa não aprendeu nada durante a pandemia e também não aceita ouvir as demandas dos trabalhadores. Então, pedimos que os trabalhadores não aceitem assinar o termo do teletrabalho”, protesta Cibele.

Norte Fluminense

O NF mantém o alerta de que as bases da empresa na região não estão preparadas para o retorno ao trabalho presencial. Os prédios da sede em Imbetiba ainda não foram alterados. O refeitório está apenas com demarcação nas cadeiras e mesas, sem nenhuma barreira física e os escritórios continuam com o mesmo layout de antes da pandemia.

Pelo País e pela Petrobrás todes nas ruas no sábado

No próximo dia 2 de outubro é fundamental ocupar as ruas de todo o país pelo #ForaBolsonaro, por emprego decente, em favor da vida, da renda, contra a fome, a carestia e a reforma Administrativa (PEC 32). É um ato pelo Brasil e pelos brasileiros e brasileiras, afirma comunicado da Direção Executiva Nacional da CUT para as entidades filiadas.

Para a categoria petroleira, a data tem ainda um significado especial: será a véspera do 68º aniversário da Petrobrás, no 3 de outubro. A FUP e seus sindicatos estão estimulando uma grande participação dos petroleiros e petroleiras nos atos Fora, Bolsonaro também para denunciar as privatizações, os chamados “desinvestimentos” e o desmonte da companhia.

Direitos e Democracia

Para a direção da Central, que organiza o ato junto com as demais centrais, as frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, entidades que fazem parte da Frente Nacional ‘Fora, Bolsonaro’ e partidos políticos, é preciso organizar, mobilizar e fazer um grande ato para derrotar o governo de Jair Bolsonaro (ex-PSL) e sua política de destruição dos direitos sociais e trabalhistas, e de ameaça à democracia.

No comunicado, a direção da CUT orienta que os dirigentes priorizem a mobilização e organização dos atos no dia 2 de outubro, tanto nos locais de trabalho, quanto nos bairros, terminais de transporte e locais de maior circulação, usando carros de som, realizando mutirões de panfletagem, colagens, além de atuação nas redes sociais.

“É preciso envolver toda a sociedade na luta dos servidores, organizando um novo dia de mobilização e luta; como também é fundamental construir a unidade com as frentes e centrais nos estados para organizar os atos conjuntamente e ampliar a mobilização”, diz trecho do comunicado.

Mobilização com prevenção

Como nos outros atos realizados, a CUT orienta suas entidades a organizar e assegurar a segurança física e sanitária para conter a disseminação do novo coronavírus com a distribuição de máscaras e álcool gel para os manifestantes. Além disso, as entidades devem montar grupos de apoio jurídico e de segurança, diz o comunicado.

“A classe trabalhadora tem a tarefa prioritária de ir às ruas no próximo dia 02 de outubro protestar contra o desastroso governo Bolsonaro, exigir o Fora Bolsonaro”, disse o presidente nacional da CUT, Sérgio Nobre, na última sexta, 17.

NF perde o mais doce e gentil dos seus lutadores

O Sindipetro-NF e a categoria petroleira perderam, no último dia 18, o diretor Antonio Carlos Manhães de Abreu, que atuava no Departamento de Aposentados. Seu Tonico, como era mais conhecido, havia completado 73 anos no último dia 10. O companheiro foi mais uma vítima da Covid-19.

Tonico entrou para a direção do Sindipetro-NF em 2011 e atuava inicialmente em parceria com o diretor Francisco Antonio de Oliveira Santos da Silva (Chicão) organizando os aposentados e pensionistas, dando apoio nas atividades sindicais e nos eventos relacionados à categoria petroleira. Era conhecido pelos colegas do sindicato como uma pessoa amável, bem humorada e muito educada.

Serenidade e doçura

“Um grande companheiro petroleiro, conhecido pela tranquilidade, serenidade e doçura, que deixa um legado enorme para o país com a dedicação que ele teve por décadas com a categoria petroleira”, afirma o diretor Tadeu Porto.

O Sindipetro-NF se solidariza com a família e lamenta profundamente a perda do companheiro Tonico, um grande militante, engajado nas lutas da categoria.

O petroleiro aposentado era casado e tinha dois filhos.

SAIDEIRA

Remanescentes têm até dia 30 para enviar documentação

Termina na próxima semana o prazo para que aposentados remanescentes do processo de níveis de 2004 enviem a documentação necessária para o jurídico do Sindipetro-NF. É importante que os interessados enviem os documentos o mais rápido possível, já que a entidade tem prazo, que termina em 30 de setembro, para apresentar execução daqueles que ainda não conseguiram receber nos acordos feitos em 2015.

O processo dos níveis é uma ação coletiva, em andamento, que abrange os aposentados da Petrobrás e sindicalizados no Sindipetro-NF em 1º de setembro de 2004. A ação já beneficiou centenas de filiados ao sindicato. Mas ainda há alguns trabalhadores que não foram localizados. Para essas pessoas é que o processo continua.

Requisitos

Puderam participar da ação os petroleiros e petroleiras que atenderam os seguintes requisitos: ter se aposentado na Petrobrás antes de 1º de setembro de 2004, ser filiado ao Sindipetro NF e não ter recebido no processo até a presente data. Caso este seja o seu caso, o NF pede que entre em contato com o Departamento Jurídico, pelo e-mail [email protected] para obter mais informações.

SETORIAL DO TURNO – Setorial na tarde de ontem, realizada em conjunto pelo Sindipetro-NF e pelo Sindipetro-ES, reuniu cerca de 250 trabalhadores do turno nos dois estados. As direções sindicais deram informes sobre o tema e apresentaram indicativo de mobilização digital, por meio do envio de e-mails para a gerência de Relações Sindicais ([email protected]), solicitando a postergação das mudanças para 1º de novembro de 2021 e a reabertura de mesa de negociação com Sindipetro-NF e Sindipetro-ES. Os diretores Tezeu Bezerra (NF), Claudio Nunes (FUP) e Valnisio Hoffmann (ES) estiveram entre os que dialogaram com a categoria sobre o tema. Saiba mais em is.gd/mobilizaturno.

NORMANDO

A dedada do cardiologista

Normando Rodrigues*

Tal qual o cafajeste que “fura” a rodovia engarrafada pelo acostamento, mas não tem coragem de desrespeitar filas sem a proteção do carro, Marcelo Queiroga mandou “um dedo” contra manifestantes, de dentro de um micro-ônibus.

O gesto do dedo médio existe desde a Grécia antiga, com o exato mesmo significado de hoje. Sinaliza o pênis do macho brutal que ameaça com a penetração anal a quem deseja subjugar.

E já na antiguidade o desaforo era tido por zombaria baixa e reprovável. O dramaturgo Aristófanes qualificaria Queiroga como grosseiro e estúpido, e os romanos o considerariam desavergonhado e indecente.

Queiroga talvez estivesse alterado por ter sido apanhado em pleno ar, com pelo menos 20 voos nos quais despachou esposa, filhos e parentes, em turismo bancado pela FAB. Isso somente em pouco mais de quatro meses.

Entre uma viagem ilícita e outra, Queiroga pensou em desobrigar o uso das máscaras e maquinou a tentativa de impedir a vacinação de adolescentes, sempre para garantir seu cargo de carniceiro-mor do fascismo brasileiro.

O aceno de Queiroga, contudo, mostra que seu alinhamento com o fascismo vai além do genocídio, e inclui os cotidianos simulacros de masculinidade com os quais o fascista típico tenta ocultar sua insegurança sexual.

“Na mesma turnê circense pela “Grande Maçã”, o colega chanceler de Queiroga fez arminha para incautos pedestres novaiorquinos, e assim demonstrou ser tão diplomata quanto Queiroga é médico e Bolsonaro estadista.

E o falso estadista, o maior criminoso climático de nosso tempo, se apresentou como protetor da natureza e mentiu sobre a Amazônia para o mundo inteiro, no dia nacional da… Árvore!

As dedadas dos ministros, e as bravatas e mentiras do Mito no plenário da ONU, servem para tanger o gado fascista, mas são também expressões de miséria emocional e disfuncionalidade sexual.

Falocratas

Queiroga tentou experimentar uma “potência” com a falange em riste, do mesmo modo como os trogloditas que posam com armas, ou os broncos que se defendem com xingamentos, na falta de capacidade de diálogo.

É dessa tribo o ex-capitão do exército Wagner Rosário, que à frente da Controladoria Geral da União se defendeu de cobranças na CPI da Covid com ataques, e taxou certa senadora de “descontrolada”.

A mulher, desqualificada como “nervosa”, “histérica”, “maluca”, será sempre a vítima preferencial dos fascistas devido a uma característica inafastável da ideologia de Mussolini, Hitler e Bolsonaro.

O fascista tem horror ao universo feminino, sobretudo porque esse continente tem o poder de despertar no abrutalhado sua própria humanidade. Inseguro a respeito, ele prefere se proteger na couraça da estupidez.

É por medo que o fascista trata o feminino como “inferior”, o buraco a ser oprimido pelo falo “superior”. Não há uma eminência desse governo, e adjacências, que seja exceção a esta regra.

O efeito concreto do péssimo exemplo proporcionado por um bando de doentes sexuais comandando o país, é o crescimento dos casos de feminicídio, estupro e assédio, sob Bolsonaro.

Belo exemplar da caterva, Queiroga não só testou positivo para fascismo, como tentou contaminar toda a Assembleia Geral da ONU. O que Queiroga, Carlos França, Bolsonaro e seus outros imbecis, ignoram, é que as Nações Unidas foram criadas exatamente para derrotar o fascismo, e impedir que ele volte.

A ONU tem imunidade contra esse rebanho.

* Assessor jurídico do Sindipetro-NF e da FUP.
[email protected]

 

1207merge