Nascente 1208

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A SEMANA

Editorial

Aniversário é tempo de esperança

A Petrobrás faz 68 anos, no próximo domingo, enfrentando um dos seus piores momentos. Vampirizada por interesses privados do setor petróleo e dilapidada pelo próprio acionista majoritário, o governo federal, a empresa ainda não foi completamente vendida em razão da sua grande força e legado, especialmente aquele constituído por seus trabalhadores e pela memória do seu papel histórico. Mas aniversário é tempo de esperança, e nunca é demais lembrar que a vida nunca foi fácil para os segmentos nacionalistas que defendem a empresa. A história da Petrobrás é a história da luta do povo brasileiro por sua autonomia energética.

Se dependesse da elite entreguista do país, a Petrobrás nem teria nascido. Foi necessária uma campanha popular, como a “O Petróleo é Nosso”, nos anos 40, e um governo como o de Getúlio Vargas, que ainda que controverso em vários aspectos conservava compromissos verdadeiramente patrióticos e viabilizou as bases industriais do Brasil, para que a empresa fosse criada em 1954. Depois disso, década após década, resistiu aos ataques dos que insistiam na tese de que a companhia não tinha condições de explorar petróleo — em vira-latismo subserviente que se estendeu aos tempos atuais, quando estes mesmos entreguistas argumentavam que a empresa não teria condições de explorar o pré-sal.

A esperança continua na resistência popular, na mobilização dos petroleiros e petroleiras e na expectativa de que o país vire esta página triste da sua história a partir das eleições de 2022, com a vitória de um projeto de país que entenda a companhia como ferramenta na promoção do desenvolvimento com justiça social.

 

Espaço Aberto

Apesar de tudo, há motivos para comemorar

José Maria Rangel*

Os 68 anos da Petrobrás são motivos de muita comemoração. Vamos lembrar que a empresa nasce de um movimento de rua, da vontade popular, da grande campanha do Petróleo é Nosso, uma companhia que veio ao longo de toda sua história superando inúmeros desafios, mesmo com a descrença de alguns brasileiros, mas alguns brasileiros barulhentos que sempre jogaram contra a Petrobrás. A Petrobrás é o exemplo do Brasil que deu certo, uma empresa que tem hoje reconhecimento internacional por tudo que fez ao longo dos últimos anos. Descobriu petróleo em águas profundas e ultraprofundas, petróleo no pré-sal, conseguiu botar esse óleo para fora em camadas geológicas até então desconhecidas. Uma empresa que investiu pesado em ser uma empresa de energia, trabalhando muito na questão do biodiesel, na energia eólica.

Uma empresa que tem um quadro de funcionários fantástico, com grande capacidade, tanto os trabalhadores próprios quanto os terceirizados. Pessoas extremamente comprometidas com o desenvolvimento do nosso país, com o desenvolvimento da nossa empresa. A Petrobrás é muito grandiosa e isso tudo é fruto de um esforço muito grande do próprio corpo de funcionários da Petrobras, que se supera, que se descobre a cada novo desafio que é colocado para nós. É com muito orgulho que nós no próximo dia 3 de outubro vamos comemorar os 68 anos da Petrobrás. Todos nós. É motivo de comemoração, não só dos funcionários próprios e terceiros, como de toda a sociedade, a nossa empresa ser essa gigante.

* Diretor do Sindipetro-NF. Ex-coordenador geral do Sindipetro-NF e da FUP.

 

Níveis de 2004

Termina nesta quinta, 30, o prazo para que aposentados remanescentes do processo de níveis de 2004 enviem a documentação ao NF. O processo dos níveis é uma ação coletiva, em andamento, que abrange os aposentados da Petrobrás e sindicalizados no Sindipetro-NF em 1º de setembro de 2004. A ação já beneficiou centenas de filiados ao sindicato, mas ainda há alguns trabalhadores que não foram localizados. Para essas pessoas é que o processo continua. Mais informações pelo e-mail [email protected]

Vídeos do Ineep

A categoria petroleira e todos e todas com interesse no setor petróleo têm à disposição um histórico dos webnários do Ineep, com edições quinzenais em is.gd/videosineep. O webnário realizado na quarta, 28, tratou do mercado do gás natural no Brasil, uma rede integrada por diversos atores que corre o risco de se tornar um oligopólio privado. O assunto foi abordado pelo coordenador técnico do Ineep, William Nozaki.

Feira Cícero

A população macaense terá oportunidade, nesta sexta-feira, de comprar alimentos direto do campo, sem agrotóxicos, produzidos por assentamentos do MST na região. A Feira Estadual Cícero Guedes estará em funcionamento durante todo o dia, na Praça Veríssimo de Melo, no Centro. A primeira edição da Feira Cícero Guedes foi realizada em frente ao Edise, em 2012, e nos anos seguintes se ampliou pelo estado.

Luto

Duas mortes de petroleiros com atuação na região voltaram a trazer luto para a categoria nesta semana. No sábado, 25, o técnico de segurança da P-40, André Pereira, 48 anos, morreu após não resistir a complicações da Covid-19. André desembarcou há cerca de um mês de aeromédico após sentir os sintomas e testar positivo. Também no sábado, acidente trágico durante treinamento com bote na embarcação Astro Tamoio, que atende a Bacia de Campos, provocou a morte do trabalhador Erick Gois, 26 anos.

 

VOCÊ TEM QUE SABER

Participe hoje da setorial do teletrabalho

A categoria petroleira tem hoje, às 19h, setorial nacional virtual chamada pela FUP para tratar diretamente com todas as bases do país sobre teletrabalho. O link da setorial será divulgado no site da federação, 15 minutos antes da reunião. Enquanto isso, está mantida a orientação sindical para que os petroleiros e petroleiras não assinem o Termo de Teletrabalho Permanente que a Petrobrás quer impor. A FUP também vai passar informações sobre os trabalhados do GT do teletrabalho.

O Sindipetro-NF tem alertado que as bases da empresa na região não estão preparadas para o retorno ao trabalho presencial. Os prédios da sede em Imbetiba ainda não foram alterados. O refeitório está apenas com demarcação nas cadeiras e mesas, sem nenhuma barreira física e os escritórios continuam com o mesmo layout de antes da pandemia.

O sindicato sempre esteve aberto ao diálogo sobre os dois casos, tanto das formas de retorno quando do aprimoramento das formas de teletrabalho (como demonstrou por meio de pesquisa própria, em 2020, que mostrava preocupações da categoria em relação à saúde e às condições do teletrabalho, divulgada nas edições 1180 e 1181 do Nascente).

Com participação de 1.242 petroleiros e petroleiras, outra pesquisa, realizada pela FUP e apresentada à gestão da companhia, mostra que 92% dos entrevistados querem que o regramento seja negociado com os sindicatos, 87% entendem que é preciso uma regra mais transparente sobre os critérios de quem pode ou não estar em teletrabalho e 81% querem previsibilidade sobre o tempo de permanência.

 

Turno de 12h: Contatos com as bases detalham demandas

O Sindipetro-NF encerrou ontem uma série de dez reuniões setoriais realizadas, desde a última segunda, 27, com petroleiros e petroleiras dos turnos de 12 horas na região. Os encontros detalharam as características de cada setor de trabalho que atua em turno, os impactos de medidas unilaterais anunciadas pela Petrobrás e a reação da categoria, que pressiona por diálogo com a empresa.

A FUP e os sindicatos denunciam que a Petrobrás se mantém intransigente e se nega a adiar as mudanças, usando como o argumento que a pandemia está reduzindo, no entanto disse que apenas 20% do pessoal administrativo irá retornar em 1 de outubro. Ou seja, não haveria impacto manter os trabalhadores na atual situação enquanto negocia a mudança no turno de 12 horas.

Também em busca do adiamento da data de implantação das mudanças no turno de 12 horas, o Sindipetro-NF entrou com pedido de mediação (MED 000460.2021.01.005/4) no MPT – Ministério Público do Trabalho, para que o sindicato consiga abrir negociações.

No último dia 22, uma primeira setorial sobre o tema foi realizada em conjunto pelos Sindipetros do Norte Fluminense e do Espírito Santo. Com participação de 250 trabalhadores, a reunião apontou para uma mobilização digital. O indicativo é o de que os petroleiros e petroleiras enviem e-mails ([email protected]), solicitando a postergação das mudanças para 1º de novembro de 2021 e a reabertura de mesa de negociação com Sindipetro-NF e Sindipetro-ES sobre o tema.

“Trouxeram relatos que a empresa está fazendo terror de que vai implementar a escala 3×2 em turnos de 8h, caso o acordo não seja assinado até o final de setembro”, explicou o coordenador geral do NF, Tezeu Bezerra.

 

Fora Bolsonaro neste sábado tomas as ruas

Das Imprensas do NF e da CUT

Dentro e fora do país, brasileiros e brasileiras estão organizados para ocupar as ruas de várias cidades, no próximo sábado, 2 de outubro, para exigir o impeachment do presidente Jair Bolsonaro (ex-PSL). Protestos já estão confirmados em quase 100 cidades do Brasil e do exterior. No Norte Fluminense, haverá protestos em Campos dos Goytacazes, em Macaé e em Rio das Ostras. Além destes, a diretoria do Sindipetro-NF também participará do ato do Rio de Janeiro.
A previsão dos organizadores é a de que voltem a ocorrer manifestações de massa, a exemplo das anteriores, realizadas desde maio e que já levaram milhões de pessoas às ruas.

 

Petrobrás chega aos 68 em fase sombria

Sob a presidência de um general, que deve associar 68 mais facilmente ao AI-5 do que ao tempo de existência da empresa, a Petrobrás completa seu 68º aniversário no próximo domingo. A companhia passa por um dos momentos mais difíceis da sua história, com acentuado desmonte em curso e promessas reiteradas de privatização por completo — como a feita nesta semana pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, que vislumbra a venda por inteiro da empresa em um prazo de dez anos.

De acordo com dados reunidos a partir dos relatórios da empresa pela subseção do Dieese na FUP, a empresa recuou drasticamente em volume de investimentos e na capacidade de geração de empregos próprios e terceirizados.

“A empresa vinha em processo de crescimento no volume de investimentos, entre 2003 e 2006, responsável pela descoberta dos campos no pré-sal. Depois, no período de 2006 a 2013, os investimentos continuaram crescendo, seja para tornar possível a produção do pré-sal, como a construção e adaptação das refinarias para abastecimento da demanda nacional de derivados. O país crescia e era preciso ter condições para abastecer a população. A partir de 2014, principal-mente pós Lava-jato, percebe-se mudança na gestão estratégica da empresa e redução drástica dos investimentos. O volume de investimento em 2020 é 83% menor que em 2013”, explica o economista Cloviomar Cararine, técnico do Dieese/FUP.

Em 2013, o investimento da Petrobrás chegou a US$ 48 milhões. Em 2020, este montante caiu para US$ 8 milhões. Nos empregos, a queda foi de 85.065 trabalhadores próprios e 360.180 terceirizados, em 2012, para 49.050 próprios e 92.766 em 2020.

Conteúdos especiais

Matéria especial da Imprensa do NF que será publicada no site da entidade, na próxima sexta-feira, assim como Podcast da Rádio NF, vão trazer estes e outros dados sobre o desmonte da companhia e as análises de lideranças sindicais.

SAIDEIRA

Pagamento do auxílio será retomado em 31 de outubro

Os trabalhadores e trabalhadoras que estavam com o auxílio deslocamento suspenso, desde janeiro de 2020, devem receber o retroativo do benefício no próximo dia 31 de outubro. A data foi informada pela gerência de Recursos Humanos da empresa após o Sindipetro-NF solicitar um posicionamento sobre o pagamento.

O sindicato esclarece que o pagamento será realizado automaticamente aos petroleiros e petroleiras que solicitaram o benefício ao longo deste período.

Garantia do acordo

No acordo coletivo de trabalho regional, assinado no mês passado, um dos pontos acordados é o de que o benefício será mantido aos empregados engajados em caráter permanente nos Regimes Especiais de Trabalho nas instalações offshore, no imóvel BC Plataformas e residentes fora do Estado do Rio de Janeiro.

PARCERIA PRÓ-IFF E UENF – Na terça, 29, o coordenador geral do Sindipetro-NF, Tezeu Bezerra, e o diretor José Maria Rangel, participaram do ato de celebração da parceria da PRÓ-IFF e UENF. O Sindipetro-NF tem orgulho de ser um dos apoiadores desta parceria tão importante para o Rio de Janeiro. A cerimônia foi realizada para reafirmar o compromisso das Instituições de Ensino Superior e da Fundação pela continuidade das ações da Fundação, impulsionado pelo esforço conjunto do Sindipetro-NF, Águas do Paraíba – Grupo Águas do Brasil, Conserma e Corbion, permitindo o desenvolvimento dos projetos educacionais e tecnológicos, tanto do Instituto Federal Fluminense, quanto da Universidade Estadual do Norte Fluminense, em prol do desenvolvimento da região. Para o diretor José Maria, é um orgulho para a entidade poder fazer parte desta parceria e retribuir um pouco do que as instituições oferecem. “O Sindipetro-NF se sente orgulhoso de ser parceiro da instituição PRÓ-IFF e da e UENF. Porque, na realidade, nós estamos apenas retribuindo tudo que essas valorosas instituições dão não só a sociedade campista, mas a sociedade brasileira na área de ciência, tecnologia e na formação de excelentes profissionais que estão espalhados pelo nosso país”, afirma.

 

NORMANDO

Noite dos Mortos-Vivos

Normando Rodrigues*

Da hoje cultuada inauguração por George Romero, em 1968, até “The Walking Dead” e outros recentes, o comentário mais generoso que se pode fazer sobre o filão dos filmes de zumbis é “gosto duvidoso”.

No entanto, é forçoso admitir que o Brasil fascista se tornou um cenário comparável aos desses lixos estéticos, por menos que gostemos. Com uma importante diferença.
Aqui os mortos-vivos saíram não de tumbas, mas dos esgotos morais de nossa hipócrita sociedade. Mas, embora a origem seja distinta, o objetivo é o mesmo: perseguir e devorar cérebros.

Emburrecimento

A cruzada bolsonarista contra a inteligência se iniciou bem antes da campanha de 2018, mas foi naquela ocasião que os alarmes dispararam. Comecemos pelo que interessa a todos, o meio ambiente.

Candidato, o Mito da boçalidade prometia acabar com o Ministério do Meio Ambiente, extinguir os órgãos de fiscalização ambiental, e encurtar prazos para concessão de licenças ambientais.

Nas pegadas de Trump, o tacanho ex-tenente chegou a dizer que pretendia retirar o Brasil do Acordo de Paris sobre a contenção do aquecimento global.

Na mesma época o monstro anunciou que atacaria áreas de proteção ambiental, parques nacionais e outras reservas, porque, “atrapalhavam o desenvolvimento”.

E a questão da demarcação de terras indígenas já tinha lugar central no discurso do Mito em 2018, com ele a vociferar que não iria conceder “nenhum centímetro de terra” para indígenas e quilombolas.

Hoje se acumulam os casos de morte, desnutrição, e má formação de bebês indígenas por contaminação pelo mercúrio dos garimpeiros, invasores protegidos pelo EB (Exército de Bolsonaro).

Tudo isso foi dito às claras. Qualquer busca rasteira na Internet revelará atrocidades ainda maiores saídas da boca do fascista. E, uma vez no governo, quase tudo se tornou prática.

No Inpe, Ibama, ICMBio, Embrapa, empresas públicas, autarquias e universidades, pesquisadores que resistiram à nova Idade Média passaram a ser perseguidos, aposentados ou exonerados.

Em lugar de quem tem compromisso com o conhecimento científico foram postos cientistas loucos como os doutores Frankenstein, Menguele, Osmar Terra, etc. Critério único: alinhamento ideológico.

Os resultados foram distribuídos conforme as classes sociais. À frente dos demais beneficiados pelo governo fascista estão os agrotrogloditas, como o curitibano Sérgio Kruke.
Este, em 27 de setembro, em Manaus, numa audiência pública sobre a destruição da floresta, atestou a arrogância do setor: “Se a gente quiser derrubar todas as árvores, a gente derruba. É nossa”.

Logo atrás estão os que enriqueceram com a pandemia, os donos da Rede D’Or, da Amil, dos laboratórios Dasa, da Hapvida, da Eurofarma, da Cristália (que fabrica e recomenda Cloroquina), e do matadouro Prevent Senior.

Para o povo, além do genocídio o governo oferece secas avassaladoras, tempestade de areia em Franca, e uma tocante experiência para conhecer democraticamente a Amazônia, o Pantanal e o Cerrado. Trata-se do programa federal “Chuva Negra”, pelo qual os mais ricos biomas brasileiros vão até você! Na forma de chuvas de cinzas.

Responsáveis

Após o banho não esqueça de agradecer a Doria, Mandetta, Huck, Datena, Moro, e outros que apoiaram Bolsonaro em 2018. Sabiam de tudo isso e fizeram a sua “escolha fácil!”

* Assessor jurídico do Sindipetro-NF e da FUP. [email protected]

 

1208merge