Nascente 1241

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A SEMANA

Editorial

Em segurança, melhor pecar pelo excesso

Há um ensinamento antigo na área de segurança no trabalho que preconiza que toda grande tragédia é antecedida por pequenos avisos negligenciados. Um deixa passar aqui, um não foi tão grave acolá, um jeitinho para não parar a produção, um “por sorte ninguém ficou ferido”, e o dia a dia vai afastando intervenções mais rigorosas, quase sempre de gestão, para que a situação seja resolvida definitivamente.

Parte desta prevenção se faz com transparência e comunicação. Nenhum caso pode ser minimizado e, muito menos, ter sobre ele sombras de dúvidas. A segurança é uma questão de todos e todas e é um dever ético e humanitário que empresas e trabalhadores descrevam, registrem e compartilhem com órgãos e entidades todas as informações possíveis sobre cada caso.

No caso de um sindicato que prioriza a vida como o Sindipetro-NF, na dúvida, a opção é por ainda mais transparência e visibilidade sobre cada caso, para que todos os agentes envolvidos sigam o mesmo caminho e não se sintam encorajados a encobrir a gravidade das ocorrências.

É por isso que, no caso recente do acidente com o helicóptero no heliponto da P-51 — que a empresa não considera acidente, mas incidente —, a entidade prefere errar por excesso do que pela falta, sobretudo por estar mais sensível ao relato dos passageiros que efetivamente viveram a tensão do momento do que ao da burocracia da gestão da companhia.

O importante, no final de tudo, é que entenda-se o caso também como um alerta, para que se redobrem as atenções para a área de segurança de voo. O NF continua de olho.

 

NF e Normando reforçam alerta sobre golpistas

O NF e o Escritório Normando Rodrigues e Advogados reforçaram nesta semana o alerta sobre a ação de golpistas que se passam por profissionais da assessoria jurídica da entidade. O escritório adverte que todos os e-mails oficiais do escritório são do domínio @nrodrigues.adv.br. Em caso de dúvida, a orientação é a de que se entre em contato por qualquer um dos telefones: Rio de Janeiro (21) 2292-4469, Macaé (22) 2762-5080 e Campos dos Goytacazes (22) 3056-2182, ou pelo Whatsapp (21) 99230-4202 e (22) 99905-5557. O caso foi denunciado à polícia.

Licenças no NF

O Sindipetro-NF registra que, desde 2 de maio, os diretores Alessandro de Souza Trindade e José Maria Ferreira Rangel estão licenciados da diretoria da entidade por terem anunciado as suas pré-candidaturas, respectivamente, a deputado estadual e a deputado federal, ambos pelo Partido dos Trabalhadores no estado do Rio de Janeiro. O sindicato deseja sucesso aos companheiros.

Todos pela paz

Neste sábado, 4, movimentos pela tolerância religiosa, em Macaé, promovem a Caminhada Macaense pela Liberdade Religiosa, com concentração às 9h na Praça Veríssimo de Melo. Haverá marcha pelo Calçadão, expressões dos atabaques, jongo, capoeira, samba de roda e poesia. Há menos de um mês, uma mulher foi vítima de uma tentativa de homicídio provocada por intolerância religiosa, no Lagomar.

Preço abusivo

A CUT divulgou nesta semana que o preço do botijão de gás de cozinha, que custa em média R$ 112,70 no país, mas pode chegar a R$ 160 em algumas cidades, chega a comprometer em até 11% a renda das famílias mais pobres da cidade de São Paulo. A central baseou sua informação em estudo do Instituto Pólis, que levantou preços em 337 pontos de revenda da capital paulista. A organização sindical lembrou ainda que o preço poderia ser de R$ 60,00, segundo especialistas.

Caro e sem norte

A jornalista Mônica Bergamo revelou e a FUP repercutiu a informação de que o custo de realização de uma Assembleia Geral Extraordinária dos acionistas da Petrobrás, para discutirem uma possível nova troca de comando da empresa, como quer Bolsonaro, custa R$ 1,5 milhão. Somente neste governo, esta poderá ser, se confirmada, a quarta troca na presidência da companhia.

É neste domingo!

É neste domingo, 19h, no Teatro Trianon, em Campos dos Goytacazes, a apresentação do espetáculo “Meu nome é Cícero”, que tem apoio do NF. A obra é inspirada na trajetória do líder do MST Cícero Guedes. Os ingressos estão à venda na bilheteria do teatro ou no site Mega Bilheteria, com valor solidário de R$ 20 para quem levar 1kg de alimento para doação ou tiver direito a meia-entrada.

Diesel escasso

A Petrobrás confirmou o alerta, feito pela FUP, de que há risco de desabastecimento de diesel no Brasil, como registrado pela edição passada do Nascente. A empresa enviou ofício à Presidência da República para fazer a advertência. A Federação havia divulgado que havia este risco “em função da prevista escassez de oferta no mercado internacional e do baixo nível dos estoques mundiais”, dado que, em razão do desmonte, o Brasil importa atualmente cerca de 25% de suas necessidades.

 

VOCÊ TEM QUE SABER

Todos pelo ACT e contra a privatização

Das Imprensas da FUP e do NF

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) e a Federação Nacional dos Petroleiros (FNP) e seus sindicatos filiados divulgaram nesta semana convocação a petroleiros e petroleiras para um ato de entrega conjunta das pautas reivindicatórias da FUP e FNP no dia 2 de junho. As federações anunciaram atos nas bases de todos os sindicatos, simultaneamente às 7h, e às 11h será realizado um Ato Nacional no Edifício Senado (Edisen) no Centro do Rio de Janeiro, onde está sediada a direção da empresa e onde será realizada a entrega das pautas.

A iniciativa dá início à Campanha Reivindicatória 2022 e é parte da busca por avanço na construção da unidade entre as federações. Após a manifestação será realizada reunião entre as direções das federações, às 16h, para a discussão da possibilidade de avançar para uma mesa única de negociação neste Acordo Coletivo de Trabalho (ACT).

Privatização

Além da entrega da pauta, o ato nacional e os atos simultâneos nas bases também vão marcar o repúdio veemente da categoria petroleira ao pedido, feito pelo governo Bolsonaro, de inclusão da Petrobrás no programa de privatizações. O pedido, feito pelo Ministério das Minas e Energia ao Ministério da Economia, será avaliado também nesta quinta, 2, pelo Conselho do Programa de Parcerias e Investimentos, como registra documento da companhia reproduzido na capa desta edição do Nascente.

Embora muitos especialistas avaliem que não há viabilidade para que a empresa seja privatizada nestes pouco menos de sete meses que restam do atual governo – em razão da necessidade de aprovação pelo Congresso Nacional -, o que tornaria o gesto de Bolsonaro muito mais um factóide para a sua base, o movimento do governo não pode ser negligenciado. Primeiro, em razão de agendar o debate público e exigir da categoria, por meio das suas entidades, um posicionamento firme; segundo, por não ser descartada (ainda bem, remota) de que o atual governo seja reeleito e, aí sim, se tiver uma conjuntura política favorável no novo parlamento, seguir adiante no plano de entregar a empresa.

Atos no NF

O NF fará atividades nas bases na manhã desta quinta-feira, com cobertura da Imprensa do NF para o site e redes sociais da entidade. O sindicato destaca a importância da participação da categoria, mostrar peso nas negociações do ACT e resistência contra a privatização.

 

Após pressão, Petrobrás volta atrás sobre concessão de nível

Após denúncia da FUP e sindicatos petroleiros, a Petrobrás voltou atrás em decisão de conceder um nível automático apenas aos empregados que completaram 60 meses de adesão ao PCR e não haviam sido contemplados com avanço de nível nos últimos cinco anos. A decisão foi publicada pela empresa no último dia 26 em sua rede interna de notícias.

A gestão da companhia afirma agora que “todos os empregados que completaram 60 meses receberão o nível, independentemente de terem sido contemplados em processos no período”. A alegação da empresa para a posição anterior foi a de que “em 2020, o contexto era outro”, que “foi necessário adotar uma série de medidas para que conseguíssemos atravessar um período desafiador”.

A FUP e o sindicato, no entanto, alertam há muito tempo sobre os riscos do PCR. “O Plano de Cargos e Remuneração (PCR) foi uma armadilha que a direção da Petrobrás impôs aos trabalhadores em 2018 para garantir vultosos bônus às gerências e aos executivos da empresa”, denunciou a Federação.

Denúncia foi capa do Nascente

O Sindipetro-NF chegou a dedicar uma capa irreverente do boletim Nascente ao tema (edição 1057), para alertar a categoria sobre as armadilhas do PCR — na época “vendido” pela gestão da empresa como bom para os trabalhadores, inclusive com campanha pela sua adesão por meio de vídeo feito pelo então gerente de Recursos Humanos, Fabrício Gomes.

 

NF acompanha investigação sobre acidente

O Sindipetro-NF se reuniu com a Petrobrás no último dia 27 para tomar ciência de todas as informações sobre o acidente com o helicóptero na P-51, ocorrido no último fim de semana. Representaram o sindicato o diretor Alexandre Vieira e a diretora Jancileide Morgado.

Durante a reunião, o Sindipetro-NF recebeu informações sobre a ocorrência e irá acompanhar todo o processo de investigação, começando por uma inspeção do motor, realizada pela empresa.

A Petrobrás não considerou o caso como um acidente, sob a justificativa de ser uma situação prevista. O sindicato reforça que a categoria deve continuar a enviar denúncias pelo e-mail [email protected], com garantia de sigilo sobre a autoria.

 

Ato nacional e ação jurídica contra venda

O Sindipetro-NF participou, no último dia 27, do ato contra privatização da Lubnor (Refinaria Lubrificantes e Derivados do Nordeste), no Ceará. A venda foi aprovada dois dias antes, pela gestão da Petrobrás, para o grupo Grepar Participações por US$ 34 milhões, o que representa a metade do seu valor.

O NF foi representado na manifestação pelo coordenador geral da entidade, Tezeu Bezerra, que gravou um vídeo (is.gd/videolubnor) sobre a sua participação no protesto e sobre a venda absurda — o preço anunciado não cobre nem o valor do terreno da refinaria, denuncia o sindicalista.

Além de protestos, FUP anunciou que vai entrar na Justiça para impedir mais desta entrega do patrimônio brasileiro.

 

SAIDEIRA

Campanha entrega 30 cestas de alimentos no bairro Fronteira

O Sindipetro-NF participou, no último dia 27, da entrega de 30 cestas básicas no bairro Fronteira, em Macaé. A entidade foi representada pela diretora Bárbara Bezerra e pelo diretor Eider Siqueira. A ação faz parte da Campanha Petroleiro Solidário, que já distribuiu mais de 13 mil cestas de alimentos durante a pandemia da Covid-19, em cidades do Norte Fluminense e em comunidades da capital do estado.

A ação contou ainda com participação do Sindiservi (Sindicato dos Servidores Públicos de Macaé), representado pela presidenta Miria Seso e pelo diretor Jorge Brito. Os militantes da Juventude do PT do município, Lucas Lopes e Leopoldo Antunes também participaram.

As lideranças sindicais e sociais destacaram a necessidade de políticas públicas para combater a miséria, com presença do estado nas comunidades não apenas por meio do aparato policial, mas também por meio de educação, cultura e promoção de oportunidades de trabalho e renda.

A diretora do NF, Bárbara Bezerra, lembrou especialmente o caso da mulheres nas comunidades, que enfrentam ainda mais obstáculos para terem acesso à rede de ensino e ao emprego formal.

Miriam Seso, do Sindivervi, registrou que a sua entidade, mesmo com recursos limitados, contribui em ações solidárias em razão de Macaé, mesmo sendo um município rico, manter cerca de 40 mil pessoas “em situação de extrema vulnerabilidade”, sob risco alimentar.

A Campanha Petroleiro Solidário é mantida com recursos do Sindipetro-NF, da FUP e de outras entidades petroleiras, assim como por doações da própria categoria. Além da distribuição de cestas de alimentos, são feitas ações do gás (com venda do botijão a preço subsidiado) e da gasolina. Doações recentes também foram realizadas em Rio das Ostras e em Barra de São João, distrito de Casimiro de Abreu.

 

NORMANDO

Belcongo

Normando Rodrigues*

Não, a “Belíndia” do Bacha não é mais capaz de explicar o Brasil sob o governo fascista. Não se trata só de um abismo social entre os “belgas” tupiniquins e os “indianos” da gentalha brasileira.

Aqui há uma guerra aberta dos belgas contra os “congoleses”, planejada e executada com genocídios virais, massacres punitivos e imolações exemplares.

Tudo fruto de uma intencionalidade perversa, de doutrinação elitista e de sistemático treinamento para matar pobres. E tudo sob o cúmplice deste nosso “BelCongo”.

A cruz, o proletário e os corpos

No BelCongo nossos belgas aplaudem quando a PRF entra ilegalmente nos “becos federais” da Vila Cruzeiro para mais um massacre punitivo de congoleses, este com aprovação de 65% nas redes sociais.

Os sinais de tortura e de execução a facadas, nos corpos espalhados entre o Parque Proletário e a área verde que envolve o santuário de N. Sra. da Penha, comovem muito menos do que a maniqueísta cobertura da guerra russo-ucraniana.

No mesmo dia o contrabandista de madeira que esteve à frente do ministério da destruição ambiental de BelCongo sintetizou “a diferença entre IBOPE e BOPE: o primeiro, faz crescer a quantidade de eleitores do barba. O segundo, reduz.

A cruz e o martírio

Embora bestial, Salles acerta cruamente no sentido de classe. Como no caso dos massacres do Carandiru, em 1992, e do Jacarezinho, São Gonçalo e Vila Cruzeiro, sob o governo do Lobisomem, o objetivo é mandar recado aos pobres: – votem em mim, que te mato aos poucos, normal e estruturalmente; votem contra mim e te matarei aos carandirus.

E no Sergipe de BelCongo um grupo de cinco fascistas fardados, a soldo público, chamados Clenilson, Paulo, Adeilton, William e Kleber, torturou até a morte o esquizofrênico Genivaldo. Tortura e assassinato para os quais foram treinados e pelos quais foram elogiados, ou relativizados, por falas do Lobisomem, de seu vice Mourão e do pobre-rico Mister Moro.

Não há surpresa com esse trio. O 1° é apologeta da tortura e de assassinatos políticos, no que tem o apoio de 30% da população. O 2° não só se parelha como faz piada a respeito. E o 3°, enquanto ministro fascista da (in)justiça, defendeu que presos sejam tratados a porrete. O espanto vem do Congo.

A multidão no calvário

A real surpresa é a pasmaceira com que congoleses assistiram e filmaram o calvário de Genivaldo. No máximo ouviram-se frases como:

– Olha a perna do cara!“- Vai matar mesmo…“- Meu Deus do céu!“- O cara ia pra casa, sorrindo…“- Vai matar o cara ali dentro, mano!“- Nego, o bagulho arde!“- Vai matá o cara, aí!“- Né certo, não…

De modo equivalente, sob o fascismo alemão o genocídio de doentes mentais como Genivaldo, e de judeus, ciganos, socialistas, comunistas, homossexuais e eslavos, não teve o apoio entusiástico da maioria população. E nem precisava.

Cruz de todos

A atitude da massa, necessária à realização do extermínio dos “diferentes”, é a indiferença. A mesma indiferença registrada em Sergipe e perante os massacres de nossos congoleses.

Indiferença que, por sua vez, resulta de uma evidente falta de consciência, cuidadosamente mantida pelos belgas brasileiros. Trata-se de fazer com que os congoleses pensem como os belgas e se identifiquem com os belgas, e não com outros congoleses aleatoriamente trucidados.

Em outras palavras, a indiferença resulta de não percebermos que o Lobisomem nos pôs a todos na câmara de gás. Seja ela um camburão da PRF ou um quarto com chuveiros químicos.

* Assessor jurídico do Sindipetro-NF e da FUP. [email protected]

 

1241merge