Nascente 1255

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A SEMANA

Editorial

Sempre lembrar que juntos é que somos fortes

Enquanto esta edição do Nascente estava sendo fechada, na manhã da terça-feira, 6, a categoria petroleira se preparava para ver reunido o Conselho Deliberativo da FUP, integrado pela direção da federação e de todos os sindicatos filiados, para deliberar sobre uma quarta contraproposta da Petrobrás, após a gestão da companhia ter dito que a anterior, a terceira, seria a “última” e que a partir deste mês de setembro os trabalhadores e trabalhadoras da companhia perderiam as garantias do Acordo Coletivo.

O que fez a empresa recuar, todos sabemos, foi a luta, a presença massiva nas assembleias e a adesão insignificante aos chamados acordos individuais (uma tentativa espúria da empresa em isolar cada empregado e retirar, com isso, a sua força coletiva). Independentemente do indicativo do CD (que o leitor e a leitora eventualmente já sabem pelas demais mídias sindicais), a vitória está na reafirmação de que juntos é que somos mais fortes, como costuma repetir o coordenador geral do NF, Tezeu Bezerra.

Pode parecer clichê sindicalista, mas é uma verdade política tão profunda quanto essencial para os nossos tempos. Vale para o mundo do trabalho e vale para as demais áreas da vida em sociedade. Fosse essa obviedade mais assimilada por toda a classe trabalhadora, fosse essa consciência ainda maior, não haveria hoje no país o retorno da fome e de relações cada vez mais precárias e informais de obtenção de renda para a sobrevivência. Sigamos na luta! Por nós e por todos.

De olho nos hotéis

O site do NF publicou nesta semana denúncia da categoria de que continua a enfrentar problemas com as hospedagens na região. Em um hotel de Campos, os trabalhadores estão sendo separados dos demais hóspedes na hora do café da manhã. O serviço também é limitado e oferecido em condições diferentes. Em um outro, de Macaé, um petroleiro teve servido um suco com data de validade vencida. O sindicato cobrou intervenção da Petrobrás nos contratos e poderá, se o problema não for resolvido, levar os casos para os órgãos de fiscalização.

NF ao vivo dia 14

Em razão do feriado desta quarta, 7, o NF ao vivo não será apresentado nesta semana. O programa retorna na quarta-feira seguinte, dia 14, com o tema saúde mental, para marcar a passagem do Setembro Amarelo. A edição também vai contar com o sorteio do Iphone 13 Red, da Pesquisa da Comunicação.

Ainda dá tempo

Por falar na Pesquisa da Comunicação, ainda dá tempo de responder ao formulário e concorrer ao Iphone 13 Red. A participação, somente para empregados ou aposentados de empresas do setor petróleo (privado e Petrobrás) no Norte Fluminense, pode ser feita até o próximo dia 13 em is.gd/pesquisanf.

CA Transpetro

Após vencer a eleição no primeiro turno com 1098 votos, o petroleiro Homero Pontes continuará a ser o representante dos trabalhadores no Conselho de Administração da Transpetro. O candidato reeleito foi FUP e seus sindicatos. A votação repara, em certa medida, os obstáculos da empresa para o exercício do seu mandato, que só foram superados após uma batalha judicial.

GT Química

O NF recebe até este sábado, 10, as sugestões de cláusulas dos trabalhadores e trabalhadoras da GT Química para montagem de proposta de pauta para o ACT. Será o primeiro acordo firmado por meio de negociação do sindicato, após a entidade ter passado a representar os empregados da empresa. As sugestões podem ser enviadas para [email protected]

Luto

O NF lamentou nesta semana a morte do petroleiro Jorge Bernardes Lima, 63 anos. O trabalhador passou mal no dia 30 de agosto, sofreu um AVC durante a folga e faleceu. Segundo informações da categoria, Jorge atuava em P-31 como operador pleno na Unidade de Negócios Espírito Santo da Petrobrás. O companheiro trabalhou também em Urucu.

Bolsopedia

É preciso aprender com a história. Para isso foi criada a Bolsopedia, uma espécie de enciclopédia dos horrores deste momento nefasto do Brasil. O site reúne, por temas, os registros da imprensa sobre os descalabros do governo Bolsonaro. O levantamento foi feito por um coletivo independente e apartidário, que também atuou na assessoria aos senadores na CPI da Covid. Veja em www.bolsopedia.org.

VOCÊ TEM QUE SABER

Quem deu o ritmo foi a luta da categoria

Das Imprensas da FUP e do NF

Após o resultado contundente das assembleias, onde 9,7 em cada 10 trabalhadores se posicionaram contrários aos ataques da gestão da Petrobrás e rejeitaram a terceira contraproposta, a empresa voltou a reunir-se com a FUP e seus sindicatos na segunda, 05. A alta administração entendeu o recado e apresentou uma nova contraproposta, com respostas aos pontos que a categoria referendou como fundamentais.

As entidades sindicais tornaram a enfatizar que quem decide o fechamento do Acordo Coletivo são as assembleias, fórum soberano da categoria. A FUP refutou a insistência da gestão da Petrobrás em querer impor uma data limite para o fechamento do ACT, lembrando, mais uma vez, que são os trabalhadores que definem os rumos da campanha.

Na terça, 06, enquanto esta edição do Nascente estava sendo fechada, as direções sindicais se reuniam no Conselho Deliberativo da FUP para avaliar a quarta contraproposta apresentada e definir os indicativos à categoria. A direção do NF também se preparava para, após deliberações da federação, fazer a sua avaliação local e aprovar seus indicativos.

No retorno às negociações, a FUP e seus sindicatos registraram o protesto contra a morte do petroleiro Alexandre Magno, após desembarcar da plataforma de Mexilhão, na Bacia de Campos, com sintomas de Covid-19 e não ter tido o acompanhamento adequado. O trabalhador foi mais uma vítima da negligência da gestão da empresa.

 

Alerta contra o isolamento fortaleceu a luta sindical

Uma das dúvidas da categoria que surgiram durante a interação no programa NF ao vivo da semana passada foi em relação aos chamados Acordos Individuais de Trabalho (AIT), que a gestão da Petrobrás pressiona para que os trabalhadores assinem, em substituição ao Acordo Coletivo de Trabalho. Os petroleiros e as petroleiras conhecem bem essa manobra e têm rejeitado essa “alternativa”, como orientado pelo sindicato, mantendo-se firmes na atuação coletiva na pressão pela continuidade da negociação, como demonstram os resultados massivos das assembleias.

Ainda assim, alguns trabalhadores ficam em dúvida se esse não seria um caminho a adotar. O assessor jurídico da FUP e do Sindipetro-NF, Normando Rodrigues, explicou no programa que “quem aderir ao AIT vai migrar para o futuro ACT se a empresa quiser”.

“Esse é o problema do acordo individual. Você sai do plano coletivo, você sai da identidade de trabalhadores, você sai de um conceito jurídico que foi criado pelo movimento sindical francês no fim do século XIX, mas que todo o mundo do trabalho adota, que é o da autonomia coletiva da vontade […], que significa que o trabalhador só é autônomo para negociar o seu acordo de trabalho se ele se unir coletivamente, em uma unidade”, expôs Normando.

O advogado advertiu ainda que “quem aderir ao AIT achando que está se protegendo, na verdade está deixando essa unidade para trabalhar como um sozinho contra a Petrobrás. A migração não é automática, vai acontecer se ela [a empresa] quiser”.

 

Sindicatos denunciam negligência

O Sindipetro-LP e demais sindicatos petroleiros, entre eles o Sindipetro-NF, denunciaram que a morte do petroleiro Alexandre Magno, no último dia 30, após desembarcar da plataforma de Mexilhão, na Bacia de Santos, aconteceu em decorrência da negligência da Petrobrás com a saúde dos empregados próprios e terceirizados. O trabalhador morava em Macaé e estava internado em um hospital do município.

“Na última quinta-feira (25) o petroleiro, operador de rádio em Mexilhão, foi desembarcado e levado ao hotel após ter apresentado sintomas semelhantes aos da Covid-19. No hotel, enquanto aguardava o resultado do teste, o monitoramento médico foi ineficiente segundo relatos. Em função do quadro, o trabalhador parou de se alimentar e uma amiga teve que levá-lo em carro particular até o hospital. A internação aconteceu no último sábado (27) e o óbito, causado por anemia profunda, ocorreu na terça-feira (30)”, registrou o Sindipetro-LP.

O coordenador geral do NF, Tezeu Bezerra, expressou as condolências e reforçou as críticas à negligência da gestão da Petrobrás.

 

Semana de Grito dos Excluídos

Marcada pela passagem do 7 de setembro, esta semana não respira apenas golpismo. Também está no ar a resistência, com a realização, em diversas cidades do país, da 28ª edição do Grito dos Excluídos. Neste ano, o protesto faz referência aos 200 anos da proclamação da Independência e tem como tema “Brasil: 200 anos de (In)dependência. Para quem?”. As atividades duram até esta sexta, 9, com atos públicos.

Sindicatos e movimentos sociais da região articulavam, até o fechamento desta edição do Nascente, a realização de protesto na própria quarta, 7. Para esta data também estava previsto o protesto da capital fluminense, com concentração às 9h, no cruzamento das ruas Uruguaiana com Presidente Vargas, centro do Rio.

 

 

SAIDEIRA

NF disponibiliza wi-fi grátis em ponto de ônibus em Campos

Vizinho bom é o que dá a senha do wi-fi. Mas o Sindipetro-NF (Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense) decidiu fazer um pouco mais: liberou internet gratuita para todos os usuários de um ponto de ônibus urbano que fica ao lado da sua sede, em Campos dos Goytacazes, na Avenida 28 de Março. Nem precisa de senha.

Próximo à região central e localizado em um dos eixos de maior trânsito na cidade, o ponto de ônibus tem um fluxo elevado de estudantes, trabalhadores e demais usuários do transporte público.

“Tivemos essa ideia como uma política de boa vizinhança, para dar um pouco de conforto a uma população que já sofre tanto com um transporte urbano precário”, explica o coordenador do Departamento de Comunicação do Sindipetro-NF, Tadeu Porto.

O sinal da internet está liberado gratuitamente 24 horas por dia. O acesso requer apenas concordância com os termos de uso, para evitar abusos e utilizações ilegais da rede.

Divulgação com arte

Para divulgar a disponibilidade do serviço, o sindicato realiza nesta semana panfletagens junto aos usuários e utiliza um muro ao lado para “espalhar pra geral” a novidade, por meio de um grafite do artista plástico Andinho Lee.

 

NORMANDO

É o Fascismo, estúpido!

Normando Rodrigues*

Os governos estadual de SP e da prefeitura da capital, que deveriam zelar pela democracia, autorizaram gangues fascistas a pregar a ruptura da ordem constitucional no próximo 7 de setembro.

Talvez falte às autoridades relacionar a causa (discurso de ódio, de preconceitos e pregação antidemocrática) à violência política resultante.

“Normal”

Em Goiânia, 31/ago, certo pastor orientou o voto na direita durante serviço religioso e uma ovelha rebelde, que contestou a mistura “política e religião”, levou um tiro na perna por isso. A vítima sangrou no chão, aguardando socorro, enquanto o culto prosseguia normalmente. No dia seguinte o deputado estadual Roque Barbiere (Avante), aliado do governador e candidato à reeleição Rodrigo Garcia (PSDB), disparou para o alto dentro do diretório tucano, assim expressando sua civilidade.

Ainda no 1°/set o jornalista Simón Boric, irmão do presidente Gabriel Boric, foi agredido por militantes antivacina em Santiago do Chile; e em Buenos Aires se deu a trevosa tentativa à vida da vice-presidenta da Argentina, por um admirador confesso de Bolsonaro e de Guedes, tatuado com o símbolo nazista Sonnenrad (Sol Negro) e dono de um cão chamado “Moro”.

“Naro”

A mesma fonte incitadora dos casos acima costuma estimular o estupro e a morte se o opositor for mulher. Vejam-se as ameaças à advogada Gabriela Prioli, grávida de 6 meses de uma menina, e à jornalista Manuela d’Ávila e a filha Laura, de apenas 7 anos.

No entanto, a polícia apresenta notória dificuldade em ligar a palavra BOLSO ao vocábulo “NARO”, que significa “com isso” na língua africana xona.

Bastaria olhar as redes sociais bolsonaristas, como fez o etnógrafo David Nemer, professor de estudos de mídia na Universidade da Virgínia (EUA) e veriam o brutal aumento dos ataques a Cristina Kirchner nos 2 meses que antecederam ao atentado, ao que poderiam somar a calúnia de Bolsonaro ao presidente chileno, no debate da Band, 3 dias antes da agressão ao irmão de Gabriel Boric.

Bolso

Bolsonaro é o NARO, o traficante do ódio, da fome e da morte. O que tem rigorosamente tudo a ver “com isso”. Há, contudo, o fator BOLSO.

Quando o monstro anunciou matar, prender ou deportar a esquerda brasileira, agradou aos donos de Havan, Coco Bambu, Mormaii, Multiplan, W3, e Tecnisa, investigados por conspiração contra a democracia.

No mesmo dia em que a arma que mataria Cristina falhou, Flávio Rocha (Riachuelo), Luigi Nese (Confederação Nacional de Serviços) e outros, se reuniram em “1 minuto de silêncio”. Não em repúdio a violência fascista, nem pelos mortos da Covid, mas em solidariedade aos golpistas.

Para esses a barbárie é “normal”, desde que o BOLSO continue a faturar.

* Assessor jurídico do Sindipetro-NF e da FUP. [email protected]

 

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