
Editorial
Greve de 2020: cinco anos de resistência
Cinco anos se passaram desde a histórica greve de fevereiro de 2020 da categoria petroleira, mas sua importância política, sindical e histórica permanece absolutamente atual. Aquele movimento não foi apenas uma reação pontual a ataques imediatos, mas uma demonstração concreta da capacidade de organização, resistência e unidade dos trabalhadores e trabalhadoras do Sistema Petrobras diante de um dos períodos mais duros de ofensiva contra direitos, empregos e a soberania nacional.
A greve de 2020 teve como estopim o anúncio de milhares de demissões na Fafen-PR, mas rapidamente revelou algo maior: o enfrentamento a um projeto de desmonte da Petrobrás, de privatização de ativos estratégicos, de precarização das relações de trabalho e de desrespeito aos acordos coletivos. Ao cruzar os braços, a categoria afirmou que não aceitaria pagar a conta de uma política que colocava o lucro acima das pessoas e tratava trabalhadores como números descartáveis.
Um dos momentos mais emblemáticos daquela greve foi a ocupação de uma sala no Edise, no Rio de Janeiro, por dirigentes sindicais. Esse ato simbólico e político mostrou que o movimento não se limitava às bases operacionais, mas alcançava o coração administrativo da empresa. A ocupação evidenciou coragem, disposição para o enfrentamento e a clareza de que a luta sindical precisa tensionar os centros de decisão. Mais do que um gesto, foi um recado direto: os trabalhadores estavam organizados, atentos e dispostos a resistir.
Foram dias intensos de mobilização, assembleias permanentes, atos, vigílias e enfrentamentos jurídicos e políticos. Mesmo sob forte pressão, ameaças e tentativas de criminalização do movimento sindical, a categoria resistiu e deu uma resposta clara: direitos não se negociam sob chantagem.
Cinco anos depois, os ensinamentos daquela greve seguem vivos. Ela reforçou que a defesa do emprego, da segurança, da previdência e da Petrobrás pública está diretamente ligada à defesa da soberania nacional e da democracia. Também deixou claro que nenhum direito está garantido sem organização permanente e que a correlação de forças só se altera com mobilização.
Relembrar a greve de fevereiro de 2020 é reafirmar o valor da memória como ferramenta de luta. É reconhecer cada trabalhador e trabalhadora que esteve na linha de frente e renovar o compromisso com o presente e o futuro: seguir organizados, vigilantes e prontos para lutar sempre que nossos direitos forem ameaçados.
A semana
Organização Interna
Entre os dias 3 e 5 de fevereiro, trabalhadores e coordenadores dos departamentos do Sindipetro-NF participarão de uma atividade de Desenvolvimento de Equipe, que será realizada no SESC Grussaí. A programação não impactará o funcionamento das sedes, que seguirão atendendo normalmente.
Já no dia 6 de fevereiro, as sedes do Sindipetro-NF estarão fechadas em razão da festa de confraternização da categoria, que estava prevista para o ano passado, mas precisou ser adiada em função da greve dos petroleiros.
Kickboxing
O Sindipetro-NF apoiou, no domingo (1º de fevereiro), a participação da Academia Team Moreira do Centro de Macaé.
O apoio do sindicato consistiu no fornecimento de 50 lanches para atletas do Projeto AME e 25 marmitas para árbitros da modalidade, que atuaram de forma voluntária durante o evento. A atividade ocorreu das 8h às 20h, reunindo atletas, profissionais do esporte e a comunidade em geral.
Representando o Sindipetro-NF, o diretor Marcelo Nunes acompanhou toda a programação ao longo do dia, reforçando o compromisso da entidade com ações que promovem esporte, inclusão social e cidadania. Para o NF, iniciativas como essa fortalecem o vínculo com a sociedade e têm impacto direto na vida de jovens e atletas da região.
Acolhimento
O Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania de Rio das Ostras promove, no dia 4 de fevereiro, às 16h, um Círculo de Acolhimento voltado a mulheres em situação de violência doméstica. A atividade será realizada na sede do CEJUSC, localizada na Al. Desemb. Ellis Hermydio Figueira, 1999, Jardim Campomar, em Rio das Ostras. As inscrições podem ser feitas pelo WhatsApp (22) 2764-0754 ou pelo e-mail [email protected]. O objetivo é oferecer um espaço seguro de escuta.
Prouni
O Programa Universidade Para Todos (Prouni) bateu mais um recorde: serão 594.519 bolsas de estudo ofertadas no primeiro semestre de 2026, a maior quantidade de sua história desde a criação em 2004. São 274.819 bolsas integrais (100%) e 319.700 bolsas parciais (50%), distribuídas entre cursos presenciais, semipresenciais e a distância, com forte presença em áreas como administração e ciências contábeis. Ao longo de mais de 20 anos de funcionamento, o Prouni já beneficiou mais de 3,6 milhões de estudantes.
Bloco do MST
Se você estiver no Rio de Janeiro esse final de semana, não pode perder esse pré-carnaval. No próximo sábado, 7 de fevereiro, tem bloco do MST/RJ no Carnaval da cidade maravilhosa. A concentração será às 7h na Praça Mauá com animação da Orquestra de Enchadas. Às 8h está prevista a saída do cortejo até a Praça da Harmonia com a Fanfarra Sem Terra e às 11h haverá show da Bateria sem Terra, já na Praça da Harmonia. Quem quiser participar é vestir a sua fantasia e chegar.
Você precisa saber
Falta de diálogo da Petrobras penaliza trabalhadores
Sindipetro-NF cobra uma resposta da Petrobrás para situação dos trabalhadores de foram desimplantados de forma arbitrária, entretanto, um mês após o fim da greve, gestão da empresa mantém silêncio e agrava sofrimento da categoria. Diretoria Colegiada se reúne na semana que vem para tirar novos indicativos

Mais de um mês após o encerramento da greve da categoria petroleira, a Petrobras segue sem apresentar qualquer solução efetiva para a grave situação dos trabalhadores desimplantados das unidades marítimas da empresa. O impasse, que já se arrasta desde 2025, escancara uma postura insensível da gestão da empresa diante de decisões que têm provocado impactos profundos na vida pessoal, financeira e emocional de centenas de empregados.
Uma reunião prevista para o dia 23 de janeiro, que poderia ter sido o primeiro passo para resolver a situação dos desimplantes, foi adiada pela empresa e, até o momento, não houve definição de uma nova data. Mesmo com as cobranças reiteradas do Sindipetro-NF, a Petrobras permanece em silêncio, prolongando a insegurança e o sofrimento dos trabalhadores afetados.
Dezenas de relatos recebidos pelo sindicato revelam que os desimplantes ocorreram de forma abrupta, sem aviso prévio e sem qualquer justificativa técnica ou administrativa clara. A decisão atingiu não apenas trabalhadores da Bacia de Campos, mas também de outras bases offshore nos estados do Espírito Santo, Litoral Paulista e Rio de Janeiro. Muitos desses profissionais possuem anos de experiência embarcada e foram retirados de suas funções sem qualquer esclarecimento sobre o seu futuro dentro da empresa.
Enquanto o RH da Petrobras permanece em uma posição confortável, distante da realidade vivida nos lares dos trabalhadores, a situação no chão da categoria é descrita como dolorosa e angustiante. Há casos de empregados que tiveram salário reduzido em 45%, precisaram mudar de cidade, transferir filhos de escola e reorganizar toda a rotina familiar, gerando impactos financeiros significativos. O cenário tem provocado aumento de quadros de estresse, adoecimento mental e dificuldades econômicas, agravando ainda mais a fragilidade dos trabalhadores desimplantados.
Para o Sindipetro-NF, a condução do processo demonstra total falta de preocupação da gestão da Petrobras com a vida de seus trabalhadores. “Não é aceitável que decisões que impactam a vida e a estabilidade de dezenas de trabalhadores sejam tomadas sem diálogo com as entidades sindicais e sem fundamentação técnica. O desimplante é uma medida extrema e precisa ter justificativas reais, não pode ser usada de forma política ou punitiva”, afirmou o diretor do Sindipetro-NF, Marcelo Nunes.
Diante da gravidade do cenário, o sindicato reforça a orientação para que os trabalhadores não assinem qualquer termo de desimplante ou de mudança de regime proposto pela Petrobras. A entidade alerta que a assinatura desses documentos pode gerar prejuízos futuros, inclusive a obrigação de devolução de valores recebidos, o que amplia ainda mais a insegurança jurídica dos empregados.
O Sindipetro-NF também faz um alerta importante aos trabalhadores que estão enfrentando níveis elevados de estresse, ansiedade ou outros problemas de saúde mental. A orientação é que procurem seus médicos, relatem o impacto da situação vivida e, se necessário, solicitem afastamento temporário para preservar sua saúde física e emocional.
Enfrentamento
Como parte das ações de enfrentamento ao problema, o sindicato garante apoio jurídico e sindical aos trabalhadores nessa situação. O NF também tem denunciado que a retirada de profissionais experientes das unidades marítimas representa um risco real à segurança das plataformas, agravado pela falta de autonomia do Serviço Próprio de Inspeção de Equipamentos, o SPIE. A insatisfação dos trabalhadores já resultou em mobilizações organizadas pelo Sindipetro-NF, como um trancaço no Heliporto do Farol. Na próxima semana, a Diretoria Colegiada do Sindipetro-NF estará reunida para debater esse ponto e construir novas ações de enfrentamento no campo jurídico e político.
O Sindipetro-NF reafirma que o desimplante é uma medida extrema, que afeta diretamente a estabilidade dos trabalhadores e compromete a segurança operacional. “A entidade seguirá acompanhando cada caso, oferecendo apoio integral aos atingidos e mantendo a mobilização da categoria, especialmente após o fechamento do ACT. Para o sindicato, não há mais espaço para silêncio, postergação ou decisões arbitrárias quando o que está em jogo é a vida, a saúde e a dignidade dos trabalhadores” – afirma o Coordenador do NF, Sergio Borges. .
Greve de 2025
Pagamentos começam a sair
A greve de dezembro de 2025 já apresenta resultados concretos para a categoria petroleira, reafirmando que a mobilização coletiva é instrumento fundamental de conquista de direitos. Nada do que está sendo garantido agora caiu do céu: é fruto direto da luta organizada dos trabalhadores e trabalhadoras.
No mês de fevereiro, será realizado o pagamento do Benefício Mercado, de forma retroativa a janeiro, além do pagamento das horas extras referentes aos feriados trabalhados em 20 de novembro (dobradinha), Dia da Consciência Negra, e 1º de janeiro.
Já em março, os trabalhadores receberão a primeira parcela do bônus salarial e será feita a quitação da PLR 2019, após a homologação no Tribunal Superior do Trabalho. Essa conquista beneficiará mais de 26 mil trabalhadores em todo o país.
Esses avanços são resultado direto da mobilização da categoria petroleira, da resistência diante dos ataques e da capacidade de organização coletiva. A greve mostrou, mais uma vez, que direito se conquista com luta, unidade e disposição para enfrentar.
Denúncia Roncador
Terceirização dos técnicos de segurança
Com base nas informações apresentadas pela categoria na última reunião setorial, realizada na noite da última quarta-feira (28), o Sindipetro-NF vai qualificar as denúncias recebidas sobre a terceirização da atividade de técnico de segurança da petrobrás no Campo de Roncador, reforçando a apuração e os encaminhamentos necessários.
A reunião setorial on-line com os TS reuniu mais de 50 profissionais da categoria. O encontro teve como objetivo aprofundar a apuração das denúncias recebidas pelo sindicato, que levantam sérias preocupações quanto à preservação da segurança nas unidades.
A reunião foi coordenada pelo coordenador geral do Sindipetro-NF, Sérgio Borges, e contou com a participação dos diretores Marcelo Nunes, Bárbara Bezerra, Alessandro Trindade, Cleverton Resende, Alexandre Vieira e Anderson Silva.
Segundo Borges, as denúncias surgiram durante a greve da categoria, quando trabalhadores relataram que o gerente local de SMS de Roncador teria informado que técnicos próprios da Petrobras poderiam ser substituídos por trabalhadores contratados em situações específicas, o que caracterizaria a terceirização de uma atividade hoje totalmente primerizada.
Na setorial, os técnicos relataram preocupações com a segurança operacional, apontando falta de transparência sobre contratos, problemas de capacitação, embarques sem certificação adequada, alta rotatividade de terceirizados e fragilidades nos procedimentos e protocolos. As informações qualificam denúncias que poderão ser encaminhadas ao MPT, à Marinha e à ANP. O sindicato reforça que a mobilização da categoria segue forte no pós-greve.
Saideira
Educação
NF participa de Seminário sobre o Instituto Federal de Especialização Profissional
O Sindipetro-NF participou na sexta-feira (30) do 1º Seminário Estadual do IFEP (Instituto Federal de Especialização Profissional do Nível Médio e Superior, associado às cadeias produtivas de Petróleo, Gás, Energias Renováveis e Transição Energética), realizado no auditório da Associação Comercial e Industrial de Duque de Caxias.
O evento teve objetivo de fomentar a troca de conhecimentos e a criação de parcerias, focando nos desafios da qualificação profissional frente à transição energética. A ideia era que o seminário estreitasse os laços entre o ensino técnico, a indústria e o governo, consolidando a atuação dos Institutos Federais no desenvolvimento de profissionais para o futuro do mercado de energia.
A programação abordou as audiências públicas já realizadas, além de trazer uma perspectiva das próximas audiências em âmbito nacional e a entrega de um relatório e minuta da Lei de criação do projeto ao Presidente Lula. A mesa de debates contou com a participação de diversas representações de sindicatos, políticos e de instituições universitárias, sob a presidência de Nilson Viana Cesário, autor do projeto do IFEP e ex-presidente do Sindipetro Duque de Caxias.Um dos pontos centrais do seminário foi a fundamentação social do IFEP, que propõe a implantação de um Instituto Federal de Especialização Profissional ao lado de todas as refinarias do Brasil, consolidando a educação técnica como ferramenta de valorização da categoria e fortalecimento das políticas públicas.
O IFEP projeta qualificar aproximadamente 3 mil profissionais, visando ampliar as oportunidades de emprego no setor de petróleo e gás, um dos segmentos econômicos mais estratégicos para o desenvolvimento regional.
Participaram da atividade, os diretores Jocimar e Eliane Martins e as pensionistas Vanilda Ribeiro e Genusa de Souza Dutra Carneiro.
Normando
Analfabetos democráticos
Normando Rodrigues
Há 40 anos setores significativos da nossa sociedade questionam o “analfabetismo funcional”, a incapacidade de compreender a realidade e de usar a leitura, a escrita e o cálculo, para o avanço individual e coletivo.
De 2018 a 2024 o analfabetismo funcional dos brasileiros entre 15 a 64 anos de idade se manteve em 29%, percentual muito próximo ao da massa disposta a se eletrocutar por bolsonaros, tarcísios, nikolas, camundongos e outros que tais.
Pior ainda, no referido intervalo de 2018-24, dentre os jovens de 15 a 29 anos o índice de analfabetismo funcional subiu de 14% para 16%.
Daí chegamos a Lewandowski, o ex-MinJus e ex-STF, que em aula magna do curso de agentes da Polícia Federal, proferida no dia 26/Jan, disse que a PF tem uma“vocação eminentemente técnica e legalista”, a qual bastaria para a defesa da democracia.
O problema dessa abordagem é que ela embute um enraizado analfabetismo democrático. O mito da isenção“técnica e legalista” impede perceber militares, policiais e magistrados como agentes políticos do estado, que deveriam estar compromissados com a ideologia da Constituição.
Sim, há na Constituição uma ideologia. A de um estado “destinado a assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos”.
No texto constitucional está prevista uma república alicerçada: na soberania desafiada por Trump e pelos bolsonaros; na cidadania e na dignidade humana negadas pelos defensores do livre mercado à maioria da população; no valor social do trabalho combatido ferrenhamente pelos transmontanos do STF e do TST; e no pluralismo político tornado inimigo pelo ignaro fascismo tupiniquim.
Nossos objetivos ideológicos, especificados em 1988, são: a construção de uma sociedade livre, justa e solidária; a garantia do desenvolvimento nacional; a erradicação da pobreza e da marginalização e redução das desigualdades sociais e regionais; a promoção do bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.
O resultado da omissão “técnica e legalista” da ideologia constitucional é somar ao alto percentual de analfabetos funcionais, um número ainda maior de analfabetos democráticos.
Quanto a Lewandowski, registre-se que presidiu o Golpe de Estado contra Dilma, de forma “eminentemente técnica e legalista”.
* Assessor jurídico do Sindipetro-NF e da FUP. [email protected]





