
A SEMANA
Editorial
Conscientização é nosso maior combustível
A categoria petroleira tem um papel de autoridade e influência para disputar uma narrativa importante na sociedade: a dos preços dos combustíveis. A Petrobrás anunciou, mais uma vez, redução nos preços dos produtos vendidos às distribuidoras. Em janeiro, a gasolina teve queda de 5,2%, acumulando impressionantes 26,9% de redução desde o famigerado dezembro de 2022. O gás natural também ficou mais barato. É uma política correta, responsável e alinhada com o compromisso de aliviar o custo de vida da população brasileira. Mas, na bomba do posto, o povo segue pagando caro. E isso não é coincidência: é ganância.
As distribuidoras de combustíveis, blindadas pelas privatizações criminosas realizadas nos governos Temer e Bolsonaro, transformaram a redução de preços em aumento de margem de lucro. Quando a Petrobrás reduz, elas embolsam. Quando o mercado internacional sobe, correm para repassar imediatamente ao consumidor. É assim que funciona o cartel informal da distribuição no Brasil: lucros privatizados, prejuízo socializado.
É inaceitável que empresas privadas se apropriem de um benefício que deveria chegar à mesa do trabalhador, ao transporte público, ao preço dos alimentos. Combustível caro é inflação, é fome, é desigualdade. As distribuidoras sabem disso e, ainda assim, escolhem lucrar mais às custas da maioria. A venda da BR Distribuidora, em 2019, e da Liquigás, em 2020, foi um ataque direto à soberania energética e ao bolso do povo. Ao desmontar a integração da Petrobrás — do poço ao posto — os governos neoliberais entregaram um setor estratégico à lógica predatória do mercado.
Por isso, não basta comemorar a redução no refino. É preciso ir além. Reestatizar refinarias privatizadas, como a RLAM e a Reman, ampliar o parque de refino, reduzir importações e, sobretudo, enfrentar o gargalo da distribuição. Converse com amigos, vizinhos e familiares sobre o tema e ajude no trabalho de conscientização.

Trabalhadores da Eletrobras na luta
O Sindipetro-NF manifesta a sua solidariedade aos trabalhadores e às trabalhadoras da Eletrobras, que seguem firmes na luta pela manutenção dos empregos, direitos e condições dignas de trabalho frente às ofensivas da empresa privatizada. Desde a privatização em 2022, a direção da Eletrobras tem apresentado propostas que ameaçam salários, benefícios históricos e estabilidade, enquanto a companhia lucra bilhões e remunera seus administradores com cifras milionárias. Essa postura é inaceitável e revela uma clara prioridade pelo lucro em detrimento da vida e da segurança.
Cabiúnas
A diretoria do Sindipetro-NF acompanha com muita atenção e cobrar posicionamentos da Petrobás e da Transpetro sobre denúncia de não cumprimento de interdição, determinada pela SRTE (Superintendência Regional de Trabalho e Emprego), na base de Cabiúnas. O órgão reprovou o relatório de instalações elétricas.
Imboassica
O recente temporal destruiu tendas de lona utilizadas na base de Imboassica, que a pedido do NF e da Cipa foram prontamente reparadas. O sindicato defende, no entanto, a construção de instalações definitivas de alvenaria, em razão de alto risco de incêndio, já detectado pelos Bombeiros e informado à Petrobrás, como informa o diretor Anderson Silva.
Tapajós
Os movimentos sindical e social de todo o país estão solidários aos povos indígenas do Pará, que se mobilizam contra a dragagem do Rio Tapajós. A ação representa mais uma tentativa de impor um projeto predatório, que ameaça o meio ambiente, a vida, a cultura e o modo de existência das comunidades tradicionais da região. O rio é vida, não mercadoria. O NF se soma nesta trincheira de luta.
Incêndio no 650
O Sindipetro NF participou, no último dia 27, da Reunião da Cipa de Imboassica. Um dos assuntos tratados foi o incêndio no prédio 650, em 23 de janeiro. Informações preliminares dão conta de que os sensores de incêndio funcionaram corretamente, assim como a evacuação segura dos trabalhadores. Comissão de investigação de acidente foi criada e terá a participação do sindicato.
Pausa de Momo
As sedes do Sindipetro-NF, em Campos dos Goytacazes e em Macaé, não terão funcionamento na próxima semana, de Carnaval e de recesso para os funcionários da entidade. O Nascente também fará uma pausa em sua circulação, e só retornará com nova edição em 24 de fevereiro. Denúncias urgentes, casos de acidentes e outros assuntos podem ser informados aos diretores e diretoras do sindicato por meio dos celulares disponibilizados no site.
VOCÊ TEM QUE SABER
Conquistas do ACT começam a ser pagas
Avanços que são frutos da greve histórica começam a ser implementados, mas desimplante ainda é ponto crítico
Das Imprensas da FUP e do NF
Começaram a ser implementadas em janeiro e segue agora em fevereiro as conquistas financeiras e sociais garantidas pelo novo Acordo Coletivo de Trabalho do Sistema Petrobrás, fruto da greve que a categoria realizou em dezembro. Além dos reajustes dos salários, dos vales refeição/alimentação (com valores retroativos a setembro de 2025), foram também atualizados os valores da Gratificação de Campo Terrestre, do Adicional Permanência Estado do Amazonas, dos benefícios educacionais e do Programa Jovem Universitário.
Em fevereiro, a Petrobrás e suas subsidiárias depositam os valores do novo benefício mercado no cartão do vale alimentação, de forma retroativa a janeiro de 2026. Ou seja, os petroleiros e as petroleiras recebem os valores referentes a janeiro, a fevereiro e a março. Esse benefício, que continuará sendo pago mensalmente a todos os trabalhadores do Sistema Petrobrás, foi uma das principais conquistas do ACT, garantida nas negociações que a FUP conduziu durante a greve.
Outra vitória importante desse novo Acordo Coletivo é o reconhecimento do direito dos trabalhadores de turno passarem a receber as horas extras do feriado de 20 de novembro, Dia da Consciência Negra. Com isso, a Petrobrás, a Transpetro e as demais subsidiárias depositarão também em fevereiro os valores da dobradinha para quem trabalhou no dia 20/11/25, bem como no dia primeiro de janeiro.

PLR 2019 e abono
Também fruto dos avanços que a greve de dezembro arrancou na negociação coletiva, a categoria petroleira receberá nos próximos meses os valores referentes à quitação da PLR 2019 e ao pagamento da primeira parcela do abono salarial, que será depositado em março. O acordo da PLR 2019 está previsto para ser homologado no Tribunal Superior do Trabalho (TST) logo após o retorno do recesso judicial. “Após a homologação, será aberto o período para as manifestações individuais de adesões ao acordo ou não. Para aqueles que optarem por participar do acordo, será realizado o pagamento conforme aprovado nas assembleias da categoria”, explica a diretora da FUP, Cibele Vieira.
Terão direito à PLR 2019, todos os empregados da Petrobrás e da Transpetro que estavam ativos na empresa, até março de 2019. A quitação equivale aos três primeiros meses de 2019 (janeiro, fevereiro e março) e, segundo levantamento feito pela empresa, 26.367 trabalhadores terão direito ao pagamento, sendo 19.877 da ativa e 6.490 ex-empregados.
Certidão do TST para cartas
Após cobranças realizadas durante a audiência de homologação do Acordo Coletivo de Trabalho 2025/2027, realizada no Tribunal Superior do Trabalho no dia 14 de janeiro, o órgão emitiu no dia 23 de janeiro certidão reconhecendo que as Cartas-Compromisso assinadas pela Petrobrás e suas subsidiárias são indissociáveis ao ACT.
Conforme ressaltado pela FUP na audiência, esses documentos integraram o processo de negociação coletiva e foram fundamentais para o encerramento da Campanha Reivindi-catória e, consequentemente, da greve de dezembro de 2025.
Para a assessoria jurídica da FUP, a certidão emitida pelo TST confere maior exigibilidade e efetividade às entidades sindicais, na hipótese de descumprimento das Cartas-Compromisso assinadas pela Petrobrás e suas subsidiárias.
Desimplante é ponto crítico
Embora celebre as vitórias da greve, a categoria continua mobilizada no combate a um ponto crítico: a continuidade do impasse sobre os desimplantes. A diretoria pressiona a gestão da empresa por uma solução efetiva e mantém os petroleiros e petroleiras mobilizados. Durante o fechamento desta edição do Nascente, na manhã da terça-feira (10), a Diretoria Colegiada do Sindipetro-NF estava reunida e, entre os pontos de pauta, consta a realização de ato para denunciar os impactos profundos na vida pessoal, financeira e emocional de centenas de empregados que foram desimplantados de modo injusto e arbitrário pela gestão da companhia.
NF mobiliza TS na luta contra privatização da atividade
A diretoria do Sindipetro-NF mantém a pressão contra a privatização da atividade de Técnico de Segurança do Trabalho. No último dia 28, entidade realizou reunião setorial online com a categoria para debater a realidade enfrentada pelos trabalhadores e levantar mais depoimentos sobre os casos, que se concentram no Campo de Roncador, na Bacia de Campos.
A reunião foi coordenada pelo coordenador geral do Sindipetro-NF, Sérgio Borges, e contou também com a participação dos diretores Marcelo Nunes, Bárbara Bezerra, Alessandro Trindade, Cleverton Resende, Alexandre Vieira e Anderson Gonçalves.
Segundo Borges, as denúncias começaram a surgir logo após a greve da categoria, quando trabalhadores relataram que o gerente local de SMS de Roncador teria informado, em reunião interna, que técnicos de segurança próprios da Petrobras poderiam ser substituídos por trabalhadores contratados em situações específicas, o que caracterizaria um processo de terceirização de uma atividade hoje totalmente primerizada.
Durante a setorial, os técnicos relataram preocupações graves com a segurança operacional, especialmente em função da possível contratação de prestadores de serviço. Entre os principais pontos levantados estão a falta de transparência sobre o contrato, seus custos e condições; problemas de capacitação dos trabalhadores contratados; e relatos de embarques de profissionais sem certificação adequada para a função.
Outro ponto de forte preocupação foi a alta rotatividade desses trabalhadores terceirizados, muitos realizando o primeiro embarque, o que exige uma capacitação diferenciada. Os participantes também denunciaram que técnicos próprios da Petrobras estariam sendo obrigados a treinar e acompanhar trabalhadores contratados, por meio de programas de mentoria ou tutoramento, mesmo diante da constante troca desses profissionais entre unidades.
SAIDEIRA
Criação do IFEP terá audiência na sede do NF em Campos
Entidades dos movimentos sociais e sindicais se preparam para a relização, no próximo dia 27, na sede do Sindipetro-NF em Campos dos Goytacazes, da 8ª Audiência Pública do IFEP (Instituto Federal de Especialização Profissional do Nível Médio e Superior). O sindicato tem participado de todas as audiências e é um apoiador entusiasmado do projeto, de autoria do petroleiro e ex-presidente do Sindipetro Duque de Caxias, Nilson Cesário.
No último dia 30, houve o 1º Seminário Estadual do IFEP, realizado no auditório da Associação Comercial e Industrial de Duque de Caxias, também com participação do Sindipetro-NF.
O evento promoveu a troca de conhecimentos e a criação de parcerias, focando nos desafios da qualificação profissional frente à transição energética. A programação incluiu relatos sobre as audiências públicas já realizadas em Macaé (no Teatro do Sindipetro-NF), Duque de Caxias, Itaboraí, Araruama e Maricá, além de trazer uma perspectiva das próximas audiências em âmbito nacional e a entrega de um relatório e minuta da Lei de criação do projeto ao Presidente Lula.
Um dos pontos centrais é a fundamentação social do IFEP, que propõe a implantação de um Instituto Federal de Especialização Profissional ao lado de todas as refinarias do Brasil, consolidando a educação técnica como ferramenta de valorização da categoria e fortalecimento das políticas públicas. O IFEP projeta qualificar aproximadamente 3 mil profissionais, visando ampliar as oportunidades de emprego no setor de petróleo e gás, um dos segmentos econômicos mais estratégicos para o desenvolvimento regional.

NORMANDO
A fascistização e o capital
Nathan Carminatti*
A fascistização da sociedade promovida pela extrema-direita a nível global é um fenômeno que pode ter sua explicação a partir de diversos matizes e campos do conhecimento.
O apelo desavergonhado à degradação moral e a normalização das práticas mais abomináveis e perversas como controle social e comportamento de massas não podem ser traduzidas como mero sadismo ou desvios de condutas.
A fascistização também não é apenas um aspecto comportamental, comumente atrelado à patologização ou “loucura”.
Esse ponto de partida analítico distancia o fascismo de uma crítica essencial de seu conteúdo.
O que trata-se de incontornável para a formulação crítica e promoção de estratégias e táticas de ação e enfrentamento pelo campo popular, é o caráter de classe em que o fascismo se relaciona.
Trata-se, dentre outros aspectos, de um recurso da burguesia para suprimir violentamente os antagonismos entre capital e trabalho, em meio à crise estrutural do modo de produção capitalista.
É também a aplicação nua e crua, sem qualquer tipo de pudor ou limite, da objetificação humana promovida pelo atual estado de coisas, que fundamenta e garante, por todos os meios, em especial à força e repressão, a exploração humana e a mercantilização da vida.
Os últimos eventos relacionados à divulgação dos envolvidos na “Lista de Epstein”, além de servirem como exemplos para desnudar o caráter de classe do fascismo, ilustram de forma didática o funcionamento da barbárie generalizada.
A promoção de uma ampla e coordenada rede de tráfico humano, exploração sexual, abusos de menores e outros crimes infames está relacionada à presença de personagens do alto escalão da política dos EUA, Israel, Reino Unido, dentre outros países imperialistas, em seus encontros com os principais representantes da burguesia financista e industrial.
O teor das denúncias e relatórios, cuja tamanha complexidade nos exige uma análise mais aprofundada a posteriori, para além das atrocidades cometidas, há o pano de fundo da ampliação de mercados e investimentos espúrios às custas de golpes de Estado e associação a governos fantoches que operam sob uma ideologia neoconservadora e sob políticas econômicas neoliberais.
Para citar outro exemplo concreto e também atual, o genocídio palestino opera sob a mesma lógica. Recentemente, em plenas apresentações do “Conselho de Paz” promovido pelos próprios artífices do massacre, foram feitas propostas de loteamento das áreas devastadas para investimentos escusos em zonas portuárias, resorts, áreas residenciais para colonos e infraestrutura urbana em meio aos escombros.
Poder e violência se inter-relacionam, ao passo que para a manutenção dos interesses de classe, há um apelo à dominação completa de grupos vulneráveis ou escolhidos como inimigos a serem liquidados.
O terreno fértil para a proliferação do fascismo como uma chaga social é a própria normalidade do capital, e é preciso apontar rotineiramente o elefante que ninguém quer tirar da sala: a humanidade está sujeita a um modelo social comprometido em suas próprias estruturas.
* Assessor jurídico do Sindipetro-NF e da FUP. [email protected]
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