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A SEMANA

Editorial

Eleição sindical é construção de legado

A Junta Eleitoral formada em assembleia convocada pelo Sindipetro-NF abriu, na última segunda-feira, o prazo para inscrições de chapas para concorrer à diretoria da entidade. A eleição sindical do NF está entre as maiores do segmento no Brasil, mobilizando potencialmente seus cerca de dez mil filiados. Esse contingente é equivalente ao número de habitantes de quase metade dos municípios brasileiros — de acordo com o IBGE, 44,8% deles têm menos de dez mil habitantes.

Nestes quase 30 anos do Sindipetro-NF, as eleições têm sido capítulos importantes de participação democrática, desde a primeira delas, realizada entre os dias 17 e 29 de junho de 1996, quando compareceram para votar 2.197 petroleiros e petroleiras, que na época equivaliam a 46,08% dos filiados aptos a votar. A posse da diretoria eleita, no dia 2 de julho seguinte, se tornou o marco de fundação da entidade.

O pleito é mais um momento de luta, porque representa a mobilização da categoria na perpetuação de uma longa construção institucional, motivo de orgulho para a classe trabalhadora. O Sindipetro-NF estimula a participação de todos os petroleiros e petroleiras no fortalecimento do seu sindicato e deseja que todo o processo transcorra de forma tranquila, para que este legado permaneça por muitas gerações.

 

 

Seminário de Greve marcado para junho

A categoria petroleira já tem uma nova data para o Seminário de Greve, espaço fundamental de reflexão e organização coletiva do movimento. A atividade será realizada nos dias 3 e 4 de junho, após a eleição da nova diretoria do Sindipetro-NF, seguindo orientação da Junta Eleitoral. O local ainda será definido e divulgado posteriormente, de acordo com a melhor estrutura para realização do encontro. O seminário terá como objetivo avaliar o processo de mobilização da categoria, especialmente a última greve nacional dos petroleiros.

Petros no NF

Os participantes da Petros terão a oportunidade de resolver demandas durante atendimento itinerante que será realizado nas sedes do NF em Campos (24 de março, das 9h às 17h) e em Macaé (25 de março, das 13h às 17h, e 26 de março, das 8h às 12h). O agendamento é feito por meio de links disponíveis no site do NF.

Aposentados

Aposentados, aposentadas e pensionistas têm um almoço comemorativo nesta quarta-feira, 11, a partir das 12h, na sede do Sindipetro-NF em Campos dos Goytacazes, em homenagem ao Dia dos Aposentados e Pensionistas. O evento é celebrado anualmente em 24 de janeiro, mas o encontro precisou ser adiado neste ano.

Convite do MST

A Esesf (Escola Estadual de Formação e Capacitação à Reforma Agrária) e o MST-RJ estão convidando toda a militância dos movimentos sociais para o lançamento do Projeto Campo-Cidade, que tem parceria com a Petrobrás para fortalecer a agroecologia, os direitos humanos e a geração de renda na região Norte Fluminense. O evento é no Núcleo 4 (Campelo) do Assentamento Zumbi dos Palmares, em Campos dos Goytacazes, na próxima segunda-feira (16), às 15h.

Transpetro

A FUP participou, na última sexta-feira (06), da recepção e atividade de integração com os novos empregados e empregadas da Transpetro. O encontro contou com a presença dos diretores Paulo Neves, Maria Júlia e João Felchak, que apresentaram aos trabalhadores e trabalhadoras a história de organização da categoria petroleira e o papel do movimento sindical na defesa dos direitos e da soberania energética do país.

Kempetro

Os trabalhadores da empresa Kempetro seguem até esta quarta-feira (11), em votação iniciada na terça-feira (10) após Assembleia Geral de caráter representativo para deliberar sobre a proposta de ACT 2026/2028. A atividade é direcionada aos trabalhadores da empresa vinculados ao contrato de prestação de serviços de suporte especializado para as gerências da PGN/AGN/APCAB do Sistema Petrobrás.

JG Engenharia

Trabalhadores da empresa JG Engenharia anunciaram nesta semana a paralisação das atividades em plataformas da Bacia de Campos após atrasos salariais e problemas no cumprimento de direitos trabalhistas, entre eles atraso no salário, ausência de depósito no FGTS, cancelamento de plano de saúde, entre outros. A mobilização atinge as unidades P-09, PGP-1, PNA-1 e PNA-2. Embora não represente os trabalhadores da empresa, o NF está solidário à luta.

 

 

VOCÊ TEM QUE SABER

Sindicato inicia revisão dos desimplantes

A revisão dos casos de desimplantes começou a ser discutida na última segunda-feira (09), em reunião realizada no edifício sede da Petrobras (Edisen), no Rio de Janeiro. O encontro ocorreu após intensa cobrança do Sindipetro-NF e da Federação Única dos Petroleiros (FUP), que reivindicavam a abertura do debate desde o encerramento da greve que resultou na assinatura de uma carta-compromisso pela empresa.

Segundo Sergio Borges, o encontro marcou o início do processo de análise dos casos, compromisso assumido pela empresa após a mobilização da categoria.

“Essa reunião acontece depois de uma cobrança intensa da FUP e dos sindicatos. Esse processo é fruto da greve, quando conquistamos a carta-compromisso em que a empresa se comprometia a revisar os casos de implantes e corrigir eventuais injustiças”, explicou o coordenador.

Durante a reunião, a Petrobrás apresentou de forma geral alguns critérios que utiliza para avaliar a situação dos trabalhadores implantados, como “Restrição de saúde”, quando trabalhadores estão com impedimento médico para embarque por período superior a seis meses seriam desimplantados; “Mudanças em padrões operacionais”, referente a atividades deixariam de permanecer implantadas, como casos ligados a PLH, novos empregados, “quarto elemento” e técnicos de manutenção prestando serviço para OPs; “Média mínima de embarques”, de dez embarques por ano para manutenção do regime embarcado; e “Necessidade operacional”, como critério apontado pela empresa para eventuais reimplantações.

De acordo com Borges, o sindicato contestou parte desses parâmetros e reforçou a necessidade de discutir os impactos das mudanças.

Dezessete casos já analisados

Dos casos levados pelo sindicato para avaliação, 17 trabalhadores tiveram suas situações revistas nesta primeira rodada de análise. Dez casos foram resolvidos por transferência e sete trabalhadores tiveram reimplante imediato autorizado.

O sindicato entrará em contato diretamente com os trabalhadores envolvidos para comunicar as decisões.

Em relação aos demais trabalhadores cujos pedidos não foram atendidos neste primeiro momento, a Petrobras se comprometeu a enviar ao sindicato uma relação detalhada, indicando os critérios utilizados em cada caso.

Segundo o coordenador do Sindipetro-NF, a expectativa da entidade era que essa explicação já fosse apresentada durante a reunião. “Nós esperávamos que a empresa trouxesse o detalhamento caso a caso, mas ela apresentou apenas os critérios gerais. Agora ficou de enviar uma relação apontando especificamente porque cada trabalhador não foi reimplantado”, afirmou Borges.

Alerta para redução de efetivo

Outro ponto destacado pelo sindicato foi a preocupação com o que considera ser uma tendência da empresa de reduzir o número de trabalhadores próprios nas unidades offshore.

Segundo Borges, essa percepção aparece tanto na discussão sobre os desimplantes quanto em processos de terceirização. Entre as preocupações levantadas está a possibilidade de terceirização de técnicos de segurança, tema que também foi debatido na reunião. Para o sindicato, essa medida pode trazer riscos às operações.

“O técnico de segurança tem a responsabilidade de garantir a integridade das pessoas e das instalações, inclusive podendo questionar decisões operacionais quando houver risco. Terceirizar essa atividade pode expor trabalhadores e plataformas a situações de acidentes”, alertou Sergio Borges.

Nova rodada de reuniões

A Petrobras também se comprometeu a encaminhar ao sindicato os procedimentos formais utilizados nos critérios de saúde e de mudança de regime de trabalho. O Sindipetro-NF informou que pretende analisar esses documentos e apresentar questionamentos, inclusive defendendo a revisão da média mínima de embarques.

A expectativa é de que uma nova rodada de reuniões seja realizada nas próximas semanas para dar continuidade à análise dos casos.

Compromisso do pós-Greve

Para o sindicato, o objetivo é garantir que o compromisso firmado após a greve seja efetivamente cumprido. “O importante agora é avançar na análise dos casos e corrigir as injustiças. Vamos seguir acompanhando cada situação e cobrando transparência nos critérios utilizados pela empresa”, concluiu Sergio Borges.

Participaram da reunião o coordenador-geral do Sindipetro-NF, Sergio Borges, o coordenador do Departamento Financeiro do NF e diretor da FUP, Tezeu Bezerra, e a diretora do NF e da FUP, Bárbara Bezerra, representando a Federação.

 

Eleições sindicais: Abertas as inscrições de chapas

A Junta Eleitoral do Sindipetro-NF publicou, no último dia 5, no site da entidade, edital sobre a abertura do prazo para inscrição de chapas que irão concorrer às eleições da diretoria colegiada e do Conselho Fiscal do sindicato para o mandato 2026/2029.

O período de inscrição começou na última segunda-feira (09), o primeiro dia do prazo previsto no Estatuto da entidade, e segue por oito dias úteis. As fichas de inscrição, o requerimento e o roteiro com os cargos que deverão ser indicados pelas chapas estão disponíveis na sede do Sindipetro-NF, em Macaé.

As inscrições poderão ser realizadas nos dias úteis, das 9h às 16h30, diretamente na sede do sindicato, localizada na Rua Tenente Rui Lopes Ribeiro, 257, Centro, Macaé, perante a Junta Eleitoral responsável pela condução do processo.

Segundo o edital, no ato da inscrição as chapas deverão indicar um representante que fará a interlocução com a Junta Eleitoral durante o processo, além de cumprir as demais disposições previstas no Estatuto do Sindipetro-NF.

A Junta Eleitoral foi eleita em assembleia da categoria realizada no último dia 4, e tem a responsabilidade de conduzir todo o processo eleitoral que definirá a nova direção do sindicato para o próximo triênio.

 

SAIDEIRA

NF participa de Ato no Rio pelo Dia Internacional da Mulher

Das Imprensas do NF e da CUT

O Sindipetro-NF participou, no último domingo, 8 de março, do ato que reuniu movimentos sociais, sindicatos e representantes políticos em Copacabana, no Rio de Janeiro, para marcar o Dia Internacional da Mulher. O protesto foi marcado por lembranças às investigações de casos de estupro coletivo a adolescentes que ganharam repercussão nacional nos últimos dias. Participaram do ato a ministra Anielle Franco e as deputadas Benedita da Silva, Jandira Feghali e Talíria Petrone. Nas areias da praia, foram fincadas cruzes com o lema “Parem de nos matar”, em memória das vítimas de feminicídio no país.

Em seu discurso no carro de som, a diretora do Sindipetro-NF e da FUP, Bárbara Bezerra, lembrou das diversas lutas da classe trabalhadora com contam com a participação das mulheres, como o combate ao imperialismo, a demarcação e titulação das terras indígenas, quilombolas e de comunidades de terreiro, a reestatização das empresas privatizadas, o fim do bloqueio a Cuba, entre outras.

A base petroleira do Norte Fluminense também foi representada pelas diretoras Jancileide Morgado e Eliane Carvalho, assim como por dezenas de militantes de base.

As manifestações, que ocorreram também em outras capitais, tiveram como principais bandeiras o combate ao feminicídio, o fim da escala 6×1, a ampliação da participação das mulheres na política, a defesa da democracia e da soberania dos povos. Em várias cidades, os protestos também lembraram casos recentes de violência contra mulheres e cobraram políticas públicas mais efetivas de proteção.

O chamado deste 8 de Março tem como centro um problema estrutural da sociedade. O enfrentamento à violência além de mudança radical de comportamento dos homens em relação às mulheres, exige também mudanças nas condições de trabalho, na divisão do cuidado e na ocupação dos espaços de decisão política – temas que foram visibilizados nas mobilizações organizadas em todo o país.

 

NORMANDO

Guerra remove verniz

Nathan Carminatti*

A recente onda de agressões promovidas pelo Regime de Epstein ao Irã incorpora a grande empreitada de Washington e Tel Aviv em sua busca incessante por uma finalíssima guerra mundial.

Com a remoção de todo verniz de formalismo que mascarava o “Direito Internacional”, a cada dia que passa, as relações de submissão das nações do Mundo às potências imperialistas tornam-se mais evidentes, através de sucessivos atentados contra a paz e à soberania dos povos como política regular do Império.

Quando há qualquer resquício de soberania como contraponto, há um apelo dessas mesmas potências às guerras abertas, com emprego do belicismo militar, tentativas de derrubadas de governos e estrangulamento através de chantagens econômicas promovidas.

Nesse circuito de barbárie, que oscila entre o extermínio de civis e destruição de toda infraestrutura urbana ou energética de países alvos, com o rapto ou assassinato de lideranças de governos não alinhados, o próprio destino da humanidade é posto em xeque por essa trupe de países-delinquentes.

O genocídio palestino foi o ponto de partida, e ao passo em que ausentes quaisquer medidas eficazes da “Comunidade Internacional” para frear os crimes de guerra e a destruição massiva de todo um povo, a associação criminosa a plano internacional avançou, com o sequestro de Nicolás Maduro e as ofensivas pelo apoderamento das riquezas minerais da Venezuela.

Ato contínuo, Cuba retomou como alvo de aniquilamento pelos EUA, ao passo em que o regime estadunidense promove a intensificação dos embargos econômicos e isolamento total do país, impedindo acesso a recursos essenciais para o povo cubano.

A última cena do capítulo quanto ao bombardeio de uma escola no Irã vitimando centenas de meninas e o simbólico assassinato do Aiatolá Ali Khamenei por EUA-Israel em pleno Ramadã, constituiu como estopim para uma reação militar com o escalonamento do conflito.

Temos no atual cenário bombardeios a refinarias, navios petroleiros e usinas de dessalinização de água em toda região. Não bastasse, crimes de guerra permanecem no cotidiano como o uso de fósforo branco contra populações civis por Israel ou até mesmo a provocação de chuva ácida pelos reagentes químicos.

Os países do Golfo Pérsico que operam como sucursais do regime de Washington ao sediar bases militares e porta-aviões foram inseridos no conflito, assim como diversos países membros da OTAN que participam ativamente da empreitada colonial.

Diante desse cenário, há de se refletir, “o que temos a ver com isso?”

Para qualquer resposta, devemos estar cientes de que nosso país se trata de um dos alvos do saque neocolonial e a história recente já demonstra que não há limites para a sanha por petróleo, terras raras e recursos minerais.

* Assessor jurídico do Sindipetro-NF e da FUP. [email protected]

 

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