Nascente 1441

[VERSÃO NA ÍNTEGRA DISPONÍVEL EM PDF NO FINAL DA PÁGINA]

A SEMANA

Editorial

Ano eleitoral não para luta de classes

A defesa dos direitos dos trabalhadores é princípio inegociável em qualquer cenário, e mesmo em uma conjuntura delicada de um ano eleitoral, em que dois projetos de país estão em disputa por margens apertadas de preferência do eleitoral — sendo um claramente progressista e de afinidade com as reivindicações populares, e outro uma agenda anti-povo e entreguista —, não há contradição em apertar o acelerador na luta por pautas petroleiras como o fim dos PEDs (os planos de equacionamento assassinos da Petros), o Plano de Cargos e o regramento da PLR.

Tanto não há contradição que, nas mesmas assembleias em que o calendário proposto pelo Conselho Deliberativo da FUP para acentuar a cobrança nestes temas, a categoria petroleira aprovou o apoio simbólico à reeleição do presidente Lula.
Uma coisa é apoiar Lula, outra coisa é aceitar intransigência da gestão da Petrobrás, que passado o ambiente de grandes vitórias da greve de 2025 parece começar a se esquecer do próprio movimento e a retardar a implementação de compromissos assumidos em decorrência da greve.

A história do sindicalismo petroleiro mostra que conquistas importantes nunca foram resultado de concessões espontâneas, mesmo durante governos progressistas — quando também foram necessárias até greves. Elas vieram da organização da categoria, da participação nas assembleias, da unidade nas mobilizações e da disposição para sustentar negociações firmes quando necessário. Foi assim no passado e continuará sendo assim no futuro.

Os atos estão voltando (como os que já aconteceram em outras bases do país), e mais breve do que se pode supor voltarão ao Norte Fluminense. A defesa dos direitos dos trabalhadores é feita de entrega permanente, seja sob qual governo for. A tensão entre classes não permite descanso. E que não ousem duvidar da capacidade de luta dos petroleiros e petroleiras.

 

Cobrança por mais vagas no transporte

Petroleiros e petroleiras da base de Imboassica encaminharam ao Sindipetro-NF um manifesto coletivo cobrando a ampliação da oferta de vagas no transporte disponibilizado entre a unidade e os bairros de Macaé. O documento, assinado por mais de 30 trabalhadores e trabalhadoras e disponível na íntegra no site do NF, reforça uma reivindicação que há anos é acompanhada pela entidade sindical e pelo diretor do NF lotado na unidade, Anderson Silva, que tem alertado para os problemas crônicos enfrentados pela categoria em relação ao deslocamento diário.

Lighthouse

O NF está convocando os radioperadores da empresa Lighthouse, lotados em sua base sindical, para participarem de Assembleia sobre proposta de Termo Aditivo ao ACT 2025/2027. A assembleia será realizada de forma virtual nesta quinta-feira (25), às 15h, seguida de votação por 24h na plataforma Confluir. Veja link no site.

Pressão continua

O NF denunciou no último dia 17 mais um grave episódio de descaso da Petrobrás com os trabalhadores e trabalhadoras da JG Engenharia. Após meses de negociações e um acordo MPT, a estatal voltou atrás no compromisso e frustrou a expectativa de centenas de pais e mães de família que aguardavam o pagamento das verbas rescisórias.

Firmo por Cuba

A FUP e seus sindicatos reforçam o chamado à categoria petroleira de apoio à campanha global “Eu Assino por Cuba”. O objetivo é ampliar e fortalecer a solidariedade de classe com o povo cubano, que passa por uma das maiores crises da sua história, em função dos bloqueios e ataques imperialistas que buscam asfixiar economicamente a ilha. Adesões por meio do site www.firmoporcuba.com.

Saber Fazer Saber

Representantes do Instituto Federal Fluminense (IFF) visitaram a sede do Sindipetro-NF, em Campos dos Goytacazes, no último dia 19, para convidar a entidade a participar da edição 2026 da Semana do Saber-Fazer-Saber, um dos mais tradicionais eventos científicos, educacionais e tecnológicos da região Norte Fluminense. A feira, que chegará à sua 31ª edição, será realizada entre os dias 2 e 4 de setembro.

Roger, presente!

O petroleiro Roger Alves Pessanha, 57 anos, supervisor da plataforma P-18, morreu a bordo da unidade no último dia 18. Ele foi encontrado desacordado durante a madrugada e o óbito foi confirmado nas primeiras horas da manhã. Este era o seu primeiro embarque após um período de afastamento para tratamento de um câncer de boca. Ele estava licenciado desde outubro do ano passado. O Sindipetro-NF manifesta suas condolências aos colegas, familiares e amigos.

 

 

VOCÊ TEM QUE SABER

Categoria aprova indicativos e vai à luta

O Sindipetro-NF concluiu no último dia 19 de junho a rodada de assembleias realizada em sua base para deliberar sobre os indicativos aprovados pelo Conselho Deliberativo da FUP. Os petroleiros e petroleiras do Norte Fluminense aprovaram as propostas apresentadas pela federação, somando-se ao movimento nacional de mobilização da categoria em defesa de pautas consideradas estratégicas para os trabalhadores do Sistema Petrobrás.

Com a aprovação dos indicativos, a base do Norte Fluminense passa a integrar as mobilizações que vêm sendo organizadas em diversas regiões do país para pressionar a gestão da Petrobrás a cumprir compromissos assumidos com a categoria durante as negociações que encerraram a histórica greve de dezembro de 2025.

Entre as principais reivindicações estão a abertura imediata das negociações sobre o novo Plano de Cargos, Carreiras e Salários, a definição do regramento das futuras Participações nos Lucros e Resultados (PLR) e o avanço da mediação no TCU (Tribunal de Contas da União) para a construção de uma solução definitiva para os Planos de Equacionamento de Déficos (PEDs) da Petros.

As mobilizações nacionais ocorrem em um contexto de crescente cobrança dos trabalhadores diante da demora da empresa em cumprir os compromissos assumidos. Conforme pactuado ao final da greve, a Petrobrás havia se comprometido a iniciar ainda no primeiro semestre de 2026 as discussões sobre o novo plano de cargos e a apresentar avanços concretos na mediação relacionada aos PEDs. Da mesma forma, o acordo da PLR previa que o debate sobre o regramento das futuras participações nos lucros teria início ainda no primeiro trimestre deste ano, o que não ocorreu.

Para o Sindipetro-NF, essas pautas possuem caráter estruturante para o futuro da categoria. A entidade avalia que o novo plano de cargos é fundamental para corrigir distorções, valorizar os trabalhadores e garantir perspectivas de desenvolvimento profissional. Já a solução para os PEDs é considerada essencial para aposentados, pensionistas e participantes da Petros que convivem há anos com descontos extraordinários decorrentes dos déficits dos planos.

Apoio a Lula

Outro ponto aprovado nas assembleias foi o apoio político e simbólico à reeleição do presidente Lula. A deliberação segue o entendimento aprovado pela FUP de que a continuidade do atual projeto político é estratégica para a reconstrução da Petrobrás e para a defesa das empresas públicas após os processos de privatização, venda de ativos e redução de investimentos promovidos nos governos anteriores.

Na avaliação da categoria, a retomada dos investimentos da Petrobrás (como os que são necessários para a Bacia de Campos), o fortalecimento do papel da empresa no desenvolvimento nacional e a recuperação de áreas estratégicas da companhia estão diretamente ligados à manutenção de um projeto político comprometido com a soberania energética e os interesses dos trabalhadores.

As assembleias também ocorreram em diversas outras bases sindicais da FUP, consolidando uma agenda nacional de mobilização que vai ganhar força nas próximas semanas. O objetivo é ampliar a pressão sobre a gestão da Petrobrás para que sejam estabelecidos cronogramas concretos de negociação e apresentadas respostas efetivas às reivindicações da categoria.

Para o Sindipetro-NF, a aprovação dos indicativos demonstra que os petroleiros e petroleiras do Norte Fluminense permanecem mobilizados e atentos aos desafios do próximo período. A entidade destaca que a mesma unidade demonstrada durante a greve de 2025 será fundamental para garantir avanços nas negociações e assegurar que os compromissos assumidos pela empresa sejam efetivamente cumpridos.

Fique ligado

Nos próximos dias, o sindicato continuará divulgando orientações sobre as atividades de mobilização e convocando a categoria para participar das ações locais e nacionais organizadas pela FUP e pelos sindicatos filiados.

 

NF orienta sobre uso de SMS no GD

O Sindipetro-NF voltou a cobrar nesta semana uma atuação efetiva da gestão da Petrobrás diante das denúncias envolvendo a plataforma P-43. Mesmo após o manifesto divulgado por trabalhadores da unidade e das cobranças formais da entidade, relatos recebidos pelo sindicato indicam que a gerência local continua utilizando metas relacionadas à emissão de Permissões de Trabalho (PTs) como elemento de avaliação de desempenho dos trabalhadores.

A prática contraria orientações da própria área de SMS da Petrobrás, que não admite indicadores de segurança vinculados a metas de produtividade ou desempenho individual, justamente para evitar pressões que possam comprometer análises técnicas e decisões operacionais.

Segundo relatos encaminhados ao sindicato por trabalhadores, não houve qualquer sinalização de retirada das metas nem orientação às lideranças de bordo para que deixassem de ser avaliadas com base na velocidade de emissão e liberação das PTs.

Orientações aos trabalhadores

A entidade orienta os trabalhadores de outras unidades a enviarem relatos sobre possíveis utilizações das metas de segurança no GD, como ocorre na P-43. O sindicato suspeita que este não é um caso isolado e precisa de evidências de que outras plataformas passam pelo mesmo tipo de problema.

O NF orienta ainda que os emitentes de PT anotem os dados das permissões emitidas antes da sua jornada de trabalho e passem para o e-mail [email protected], junto com o relato das ocorrências da quinzena.

 

SAIDEIRA

Justiça impede que Petrobrás cobre contribuição extra na AMS

Sentença publicada nesta segunda (22) no diário oficial julgou procedentes os pedidos do Sindipetro-NF para que a Petrobrás não cobre dos trabalhadores associados à entidade as contribuições extraordinárias do déficit de equacionamento do plano de saúde AMS de 2020, sob pena de pagamento de multa no valor de R$ 200 mil.

A decisão tomou como base o laudo pericial e o descumprimento do parágrafo 2º da Cláusula 31 do ACT 2019/2020, que apontou que a Petrobrás não buscou a construção participativa para a adequação do custeio que entendeu necessária, impondo a incidência de desconto de forma não negociada.

Em 2020, a Petrobrás anunciou um déficit de mais de R$ 82 milhões, o qual legitimaria um equacionamento aos titulares do plano em 6 parcelas, iniciando em agosto de 2021 e finalizando em janeiro de 2022. O Acordo Coletivo de Trabalho da época estipulava que, após o fechamento do exercício, caso a relação de custeio não fosse cumprida, deveria haver ajuste “mediante entendimentos com a Comissão da AMS”. Contudo, a Petrobrás se recusou a fornecer uma série de informações aos sindicatos, inviabilizando a apuração do déficit, assim sabotando a possibilidade de entendimentos.

O Sindipetro-NF entrou com ação e conseguiu liminar para a suspensão das cobranças desse equacionamento. Nesse processo, foi realizada a perícia judicial que, a partir das normas brasileiras de contabilidade, analisou os documentos apresentados pela Petrobrás e concluiu pela ausência de verificação do déficit alegado pela empresa.

 

 


NF NO CONSELHO Petroleiros eleitos para os Conselhos Federal e Regionais dos Técnicos Industriais (CFT) tomaram posse em solenidade realizada em Brasília, no último dia 18, representando a categoria na diretoria do órgão durante o mandato de 2026-2030. Do Sindipetro-NF, passam a integrar instâncias do conselho os diretores Alexandre Vieira (primeiro à esquerda na foto, junto a lutros eleitos do CFT), Tezeu Bezerra, Eider Cotrim e Benes Júnior.

 

NORMANDO

Apesar dos vizinhos

Carlos Eduardo Pimenta*

Chegamos a mais um decisivo período eleitoral. Novamente, o Brasil não escolhe apenas um governo: escolhe um rumo histórico em meio a uma América Latina marcada pelo avanço de projetos conservadores. Observam-se, na região, cortes em políticas sociais, flexibilização de normas ambientais e tentativas de enfraquecer instituições democráticas. Esse movimento não é isolado; expressa uma visão de mundo que trata direitos como privilégios, reduz o papel do Estado e transforma diversidade em ameaça. Diante disso, defender a eleição de um governo progressista deixa de ser um capricho ideológico e passa a ser uma necessidade política.

Um projeto progressista parte da ideia de que a democracia não se resume ao voto, mas à garantia de condições mínimas de dignidade para todas as pessoas. Isso implica investir em educação pública, saúde universal, ciência, cultura, moradia, transporte e políticas de combate às desigualdades. Em um continente historicamente marcado pela concentração de renda e pela exclusão, qualquer governo que ignore essas questões aprofunda feridas sociais e alimenta frustrações que, mais tarde, podem ser capturadas por discursos autoritários. O Brasil não pode se dar ao luxo de repetir esse roteiro; é necessária a defesa constante do processo democrático.

O avanço conservador tem revelado um padrão preocupante: criminalização de movimentos sociais, deslegitimação de sindicatos, ataques a universidades e à produção científica, além de uma retórica que transforma direitos humanos em “ideologia”. Ao mesmo tempo, há aposta em soluções simplistas para problemas complexos, como tratar a segurança pública apenas com mais armas e menos políticas de prevenção, ou reduzir a economia a cortes de gastos sem debate sobre justiça fiscal. Um governo progressista, ao contrário, tende a enfrentar essas questões com políticas estruturais, diálogo social e compromisso com evidências.

Há, ainda, a dimensão simbólica e cultural. Um governo progressista tende a valorizar a diversidade e a reconhecer a importância de políticas para mulheres, população negra, povos indígenas, comunidade LGBTQIA+ e outros grupos historicamente marginalizados. Isso não é “identitarismo vazio”, como alguns discursos conservadores sugerem, mas o reconhecimento de que a democracia só é plena quando todas as pessoas podem existir com dignidade. Ao negar essas pautas, projetos conservadores reforçam hierarquias sociais e naturalizam violências cotidianas.

Em 2026, o eleitor precisa olhar para além de promessas fáceis e slogans agressivos. A escolha por um governo progressista é, para muitos, a escolha por um país que não renuncia a direitos, enfrenta desigualdades, protege a sua soberania e fortalece instituições democráticas, em vez de atacá-las. Diante do avanço conservador, optar por esse caminho é afirmar que não aceitaremos retrocessos nem autoritarismo disfarçado de “moralidade”.

* Assessor jurídico do Sindipetro-NF e da FUP. [email protected].

 

1441