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A SEMANA
Editorial
A Petrobrás existe porque nós existimos
Trinta anos. Para um sindicato, não é apenas uma marca no calendário. É uma declaração de pertencimento a uma história muito maior do que ele próprio. O Sindipetro-NF completa três décadas sabendo que é um capítulo de uma luta iniciada muito antes da sua fundação e que continuará sendo escrita pelas próximas gerações de trabalhadores e trabalhadoras.
Quando dizemos que a Petrobrás só existe porque nós existimos, esse “nós” não se limita aos petroleiros. Somos todos aqueles que, ainda nos anos 1940, tomaram as ruas na campanha “O Petróleo é Nosso” (foto), enfrentando interesses poderosos para afirmar uma ideia revolucionária: a de que o Brasil tinha o direito e a capacidade de produzir sua própria energia. Somos os que conquistaram a criação da Petrobrás, em 1953. Somos os que nunca aceitaram que nossas riquezas fossem entregues.
Somos também os que resistimos quando tentaram desmontar esse sonho. Resistimos ao receituário neoliberal de Collor. Resistimos às privatizações dos anos Fernando Henrique. Resistimos ao desmonte acelerado dos anos Bolsonaro. Quantas vezes disseram que a Petrobrás era grande demais, cara demais, brasileira demais? (Lembram do “Brax”?). Quantas vezes tentaram convencer o povo de que vender patrimônio era sinônimo de modernidade? E quantas vezes foi a classe trabalhadora organizada que impediu que a empresa desaparecesse?
O Sindipetro-NF nasceu desse espírito. Nasceu para organizar, mobilizar e lutar. Nestes 30 anos, ajudou a proteger empregos, vidas, direitos e a própria ideia de que a Petrobrás deve servir ao povo brasileiro, e não aos interesses do mercado financeiro.
Por isso, esta comemoração não pertence apenas ao nosso sindicato. Pertence a cada trabalhador que fez uma assembleia, enfrentou uma greve, distribuiu um panfleto, participou de um ato, convenceu um colega, resistiu quando parecia mais fácil desistir. Porque a soberania brasileira continua de pé graças a milhões de brasileiros que nunca deixaram de acreditar nela.
Celebrar os 30 anos do Sindipetro-NF é celebrar essa gente lutadora. É celebrar a certeza de que, enquanto houver sindicato forte, haverá quem defenda os trabalhadores da Petrobrás e de todas as empresas que atuam no setor. Viva o Sindipetro-NF e a classe trabalhadora brasileira.
NF se reúne com aprovados do CR
A diretoria do NF se reuniu, no último dia 25, com trabalhadores e trabalhadoras aprovados no cadastro de reserva dos concursos da Petrobrás. O encontro debateu a necessidade de recomposição do efetivo da companhia e definiu estratégias conjuntas de atuação para cobrar a convocação dos concursados e fortalecer a empresa. A reunião contou com a participação do coordenador geral do Sindipetro-NF, Sérgio Borges. Os participantes construíram dois eixos principais de atuação para os próximos meses, um nas áreas técnica e jurídica, e outro de caráter político e institucional.
P-26 e P-33
A direção do Sindipetro-NF intensificou, em reunião setorial no último dia 25, o diálogo com os trabalhadores das plataformas P-26 e P-33. Ao longo do dia, dirigentes sindicais estiveram nos hotéis onde a categoria está hospedada, no Porto do Açu, conversando diretamente com os petroleiros e esclarecendo dúvidas sobre as demandas
Diversidade
O Teatro do Sindipetro-NF, em Macaé, recebeu no último dia 23 mais uma edição do evento Vozes da Diversidade, promovido pelo sindicato como parte das atividades do Mês do Orgulho LGBTQIAPN+. O encontro contou com roda de conversa marcada por reflexões sobre respeito, diversidade, direitos humanos e combate às discriminações.
Novos implantes
O Sindipetro-NF recebeu e publicou nesta semana uma moção de repúdio assinada por mais de 30 petroleiras e petroleiros recém-contratados da Petrobrás que atuam na plataforma P-56 (disponível no site). Os trabalhadores denunciam que, apesar de embarcarem há cerca de um ano e desempenharem atividades offshore, ainda não foram enquadrados no regime. A situação também atinge outras unidades e o sindicato pressiona por resolução.
Entrelinhas no NF
O Sindipetro-NF passou a receber, em sua sede de Campos dos Goytacazes, os encontros mensais do Clube do Livro Entrelinhas, iniciativa cultural que há quase uma década reúne leitores da região para compartilhar experiências literárias. Criado em 2017, o Entrelinhas é um clube de leitura gratuito e aberto a qualquer pessoa interessada em literatura. O próximo encontro está marcado para 4 de julho, às 15h.
NF ao vivo nesta 4ªf
Excepcionalmente, o NF ao vivo acontece nesta quarta-feira (01), véspera da posse da nova Diretoria e do Conselho Fiscal do Sindipetro-NF. O programa vai trazer petroleiros e petroleiras que vão integrar a diretoria sindical pela primeira vez, assim como o coordenador-geral Sérgio Borges, para falarem dos desafios da categoria para os próximos anos. O NF ao vivo vai ao ar às 19h30, no Youtube e no Facebook.
Luto
O Sindipetro-NF registrou na semana passada, com pesar, a morte, no último dia 23, do petroleiro Edivaldo Nascimento Tavares, 51 anos, vítima de câncer linfático. Empregado da Petrobrás e filiado à entidade, o companheiro atuou como técnico de segurança em diversas plataformas na Bacia de Campos. O sepultamento aconteceu em Salvador. O Sindipetro-NF manifesta as suas condolências aos colegas de trabalho, familiares e amigos do companheiro Edivaldo.
VOCÊ TEM QUE SABER
Trinta anos de luta e construção coletiva
O Sindipetro-NF completa, nesta quinta-feira (02), 30 anos de existência, consolidando uma trajetória marcada pela organização coletiva, pela defesa intransigente dos direitos da categoria e pela luta permanente em defesa da Petrobrás, da soberania nacional e da classe trabalhadora.
A data remete à posse da primeira diretoria da entidade, em 2 de julho de 1996, resultado de um processo de mobilização iniciado anos antes pelos trabalhadores da Bacia de Campos. Em 1995, um plebiscito aprovou a criação de um sindicato próprio para representar a categoria na região, reconhecendo a necessidade de uma estrutura sindical mais próxima dos petroleiros e petroleiras que atuavam no principal polo produtor de petróleo do país.
Desde então, o Sindipetro-NF cresceu junto com a categoria e se tornou uma das mais importantes organizações sindicais do setor petrolífero brasileiro. Ao longo de três décadas, a entidade esteve presente em momentos decisivos da história da Petrobrás e do país, enfrentando projetos de privatização, defendendo direitos trabalhistas, participando de grandes campanhas salariais e organizando mobilizações que ajudaram a construir avanços para toda a classe trabalhadora.
A própria origem do sindicato está ligada ao ciclo de resistência protagonizado pelos petroleiros na década de 1990, período marcado pelas históricas greves contra o projeto de desmonte da Petrobrás e de retirada de direitos. Nas décadas seguintes, a entidade seguiria desempenhando papel central em lutas nacionais da categoria, incluindo campanhas pela valorização dos trabalhadores, pela segurança operacional, pela defesa dos empregos, pela retomada dos investimentos da companhia e pela preservação dos direitos de ativos, aposentados e pensionistas.
Ao longo desses 30 anos, o Sindipetro-NF também ampliou sua atuação para além das pautas corporativas. A entidade consolidou iniciativas de formação política, produção de conhecimento, cultura, comunicação sindical e solidariedade social. O sindicato também investiu na construção de patrimônio próprio, como a sede de Macaé, onde há o Teatro do Sindipetro-NF, e a sede de Campos dos Goytacazes, fortalecendo sua presença junto à categoria e à sociedade.
Outro traço marcante da trajetória da entidade é a compreensão de que as lutas dos petroleiros estão diretamente ligadas às lutas do povo brasileiro. Por isso, o sindicato sempre esteve presente em campanhas pela democracia, pela educação pública, pela reforma agrária, pela geração de empregos e pela construção de um projeto de desenvolvimento nacional que tenha a Petrobrás como instrumento estratégico.
Documentário, livro e festa
As comemorações dos 30 anos também incluem um importante esforço de preservação da memória da categoria. O sindicato prepara o lançamento de um livro e de um documentário sobre a história da entidade, ambos em fase final de produção. Os projetos reúnem relatos, documentos, imagens e análises sobre as principais lutas, conquistas e desafios enfrentados pelos petroleiros e petroleiras do Norte Fluminense ao longo das últimas três décadas. Os materiais deverão ser lançados em breve e passam a integrar o acervo histórico da categoria.
Além disso, a entidade prepara uma grande celebração para marcar a data. Uma festa comemorativa será realizada em Campos dos Goytacazes, no próximo dia 11, reunindo trabalhadores da ativa, aposentados, pensionistas, dirigentes sindicais e convidados. Os critérios para retirada de convites e demais informações sobre o evento serão divulgados nos próximos dias pelos canais oficiais do sindicato.
O aniversário acontece em um momento de novos desafios para o mundo do trabalho e para a indústria do petróleo. Temas como a transição energética, a inteligência artificial, a defesa dos empregos, a valorização da negociação coletiva e a reconstrução da Petrobrás exigem, mais uma vez, organização e capacidade de mobilização da categoria.
Três décadas depois da sua fundação, o Sindipetro-NF segue renovando o compromisso assumido por aqueles trabalhadores que, em 1995 e 1996, decidiram construir uma entidade própria para representar os petroleiros e petroleiras do Norte Fluminense. Uma história construída coletivamente por milhares de homens e mulheres que fizeram do sindicato um patrimônio de luta da categoria e da classe trabalhadora brasileira.
Os 30 anos do Sindipetro-NF não celebram apenas a trajetória de uma entidade sindical. Celebram a força da organização coletiva, a coragem de quem nunca deixou de lutar e a certeza de que as maiores conquistas dos trabalhadores sempre nasceram da união, da solidariedade e da mobilização.
Nova diretoria toma posse nesta quinta
O Sindipetro-NF realiza nesta quinta-feira (02), às 20h, na Sede Social do Clube Cidade do Sol, em Macaé, a cerimônia de posse da Diretoria e do Conselho Fiscal que conduzirão a entidade no triênio 2026-2029. A entidade disponibilizou convites para filiados e filiadas, que puderam ser solicitados na Área do Filiado no Confluir.
Realizada no dia do aniversário de 30 anos da entidade, a cerimônia também é um momento de celebração da democracia sindical, da organização coletiva e do compromisso permanente com a defesa da categoria petroleira.
SAIDEIRA
PLR, Plano de Cargos e PEDs na agenda de atos em todo o país
O Sindipetro-NF realizou, no último dia 25, um ato público no Heliporto do Farol de São Thomé, em Campos dos Goytacazes, em mais uma etapa da mobilização nacional da categoria petroleira para cobrar da gestão da Petrobrás o cumprimento dos compromissos assumidos ao final da histórica greve de dezembro de 2025.
A atividade integra o calendário nacional de lutas indicado pelo Conselho Deliberativo da FUP e aprovado pelos petroleiros e petroleiras da base do Norte Fluminense em assembleias concluídas no último dia 19 de junho.
A categoria cobra o início imediato das negociações sobre o novo Plano de Cargos, Carreiras e Salários, a definição do regramento das futuras Participações nos Lucros e Resultados (PLR) e o avanço da mediação no Tribunal de Contas da União (TCU) para a construção de uma solução definitiva para os Planos de Equacionamento de Déficits (PEDs) da Petros.
O coordenador geral do Sindipetro-NF, Sérgio Borges, explica que a demora da empresa em dar encaminhamento a essas pautas tem provocado crescente indignação entre os trabalhadores. Os compromissos foram assumidos pela Petrobrás durante as negociações que encerraram a greve nacional de 2025, mas, passados vários meses, seguem sem cronograma concreto de negociação.

MARINA NO NF A deputada estadual Marina do MST (PT) visitou, na no último dia 26, a sede do Sindipetro-NF, em Campos dos Goytacazes, onde foi recebida pela diretoria da entidade para um diálogo sobre a conjuntura política, os desafios da classe trabalhadora e a histórica parceria entre a categoria petroleira e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Durante o encontro, o coordenador geral do Sindipetro-NF, Sérgio Borges, entregou à deputada o convite oficial para a cerimônia de posse da Diretoria e do Conselho Fiscal do Sindipetro-NF para o triênio 2026-2029, nesta quinta-feira (02).
NORMANDO
À nova colegiada
Carlos Eduardo Pimenta*
A posse da nova diretoria do Sindipetro-NF representa renovação, compromisso e um novo sopro na constante luta de toda a categoria petroleira e, sobretudo, de toda a classe trabalhadora. É um momento que simboliza continuidade histórica e, ao mesmo tempo, abertura para novas práticas, novas vozes e novas formas de enfrentar velhos desafios.
Parafraseando Paulo Freire, o diretor sindical é, antes de tudo, um investigador: uma alma inquieta que não sossega diante das injustiças. Ele precisa ter a necessidade de saber, de compreender o que está por trás dos fatos e, principalmente, de buscar caminhos para transformá-los. Sua postura não pode ser a de quem se deixa convencer quando o capital tenta iludir, fingindo atuar em prol dos trabalhadores. A vida tem lado, e o lado do sindicato é o da classe trabalhadora.
O diretor sindical deve ter em mente que o sindicato existe para a luta coletiva por direitos, para a luta coletiva pela manutenção desses direitos e para a luta coletiva pela ampliação deles. A luta é SEMPRE coletiva, SEMPRE voltada ao bem comum, SEMPRE comprometida com a construção de condições dignas para todos.
A nova diretoria colegiada inicia sua trajetória diante de dois eventos marcantes na disputa de classes: um interno, que impacta diretamente a categoria, e outro externo, já previsto para ocorrer em outubro. O evento interno, ainda que simplificado aqui, é a violência cotidiana imposta aos trabalhadores que prestam serviços à Petrobrás. O caso recente na REPLAN não pode ser ignorado, assim como os seguidos e sistemáticos episódios de fraude em contratos, que não são desvios isolados, mas práticas estruturais dentro do sistema Petrobrás. Não podemos defender apenas os petroleiros “crachá verde” e fechar os olhos para a violência sofrida pelos companheiros e companheiras do “setor privado”, igualmente parte da classe trabalhadora.
O sindicato e seus diretores têm papel essencial no acolhimento, na atuação empática e na defesa intransigente dos direitos e da dignidade desses trabalhadores. É essa postura que diferencia quem apenas ocupa um cargo de quem realmente compreende a responsabilidade histórica de representar uma categoria.
O evento externo, totalmente entrelaçado ao interno, são as eleições de 2026. Mais uma vez, teremos um capítulo decisivo da disputa política nacional, marcado por tensões, projetos antagônicos e pela necessidade de enfrentar o avanço do fascismo e de discursos que ameaçam direitos sociais. É um cenário que exige atenção, preparo e capacidade de diálogo com a base.
Diante disso, vocês terão muitos desafios pela frente. Mas saibam: há braços, há história, há memória de luta e há uma categoria que não se furta ao enfrentamento quando necessário. O Sindipetro-NF nunca renunciou a uma boa luta, e é exatamente essa disposição que seguirá sustentando cada passo da nova diretoria. Que este ciclo seja de coragem, unidade e compromisso com aqueles que fazem a classe trabalhadora existir — os trabalhadores.
* Assessor jurídico do Sindipetro-NF e da FUP. [email protected].


