Nascente 1450

 

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A SEMANA

Editorial

O futuro do pré-sal está nas eleições

O pré-sal não caiu do céu. E tampouco foi resultado de uma simples decisão técnica ou comercial. Uma das maiores riquezas já descobertas no Brasil só se transformou em patrimônio estratégico porque houve escolhas políticas claras em sua defesa, investimentos públicos e uma Petrobrás disposta a correr riscos para descobrir se aquilo que parecia tecnicamente difícil poderia, de fato, ser produzido.

Como lembrou o coordenador-geral do Sindipetro-NF, Sérgio Borges, em entrevista recente ao Podcast “Nossa Macaé”, o petróleo sob a camada de sal já era conhecido. O que não estava dado era a capacidade de chegar até ele. Foram trabalhadores brasileiros, próprios e contratados, pesquisadores e técnicos que ajudaram a desenvolver tecnologias capazes de enfrentar aquelas profundidades e características geológicas. Houve conhecimento, investimento e, sobretudo, decisão política de continuar.

E houve quem dissesse que não valia a pena. Sérgio recorda que, em um dos primeiros projetos do pré-sal, após investimentos superiores a US$ 1 bilhão, a parceira estrangeira avaliou que a exploração não era viável e deixou o empreendimento. A Petrobrás decidiu seguir. A persistência permitiu comprovar a viabilidade econômica de uma riqueza que hoje está entre os principais ativos estratégicos do país.

Isso precisa ser lembrado porque, em ano eleitoral, escolhas políticas voltam a estar no centro do debate. O pré-sal não está garantido para sempre. Tampouco está garantido que a Petrobrás continuará integrada, pública, investidora e comprometida com o desenvolvimento brasileiro. Tudo isso depende de decisões políticas.

Quando ativos estratégicos são vendidos porque aparentemente dão pouco resultado no curto prazo, quando plataformas são classificadas como deficitárias e depois passam a gerar resultados sob outras empresas, fica evidente que não existe neutralidade nessa discussão. Há projetos diferentes para o país e eles passam pelo seu voto.

 

P-55 denuncia perdas em transferência

O Sindipetro-NF publicou nesta semana um manifesto dos trabalhadores e trabalhadoras da plataforma P-55, na Bacia de Campos, contra as condições previstas para a transferência temporária de empregados para a base administrativa da Petrobrás em Vitória (ES). O documento denuncia que o deslocamento, previsto para durar quatro meses, pode provocar perda de até 40% na remuneração líquida dos trabalhadores. A suspensão dos adicionais, somada a uma ajuda de custo defasada, compromete a remuneração. O sindicato cobrou da empresa a regularização da situação.

Negociação na RCS

O Sindipetro-NF tem reunião com a RCS nesta sexta-feira (28), em busca de avanços no ACT. Após precisar garantir na Justiça os empregos de trabalhadores que participaram de uma paralisação, a entidade segue com firmeza e dentro da legalidade, na pressão pelo atendimento das reivindicações. A categoria tem data base em agosto.

Manutenção

A Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT assinou, no último dia 18, no Rio, acordo com a Petrobrás para estabelecer direitos e condições comuns para trabalhadoras e trabalhadores das paradas de manutenção. O acordo, que envolve 18 sindicatos e teve a participação da FUP, prevê uma série de garantias e direitos aos trabalhadores.

Apoio ao Lunaris

O Sindipetro-NF fechou um novo apoio esportivo, com significado muito especial. No último dia 19, as mulheres do Lunaris, time feminino de queimada da cidade, fizeram o primeiro treino no espaço cedido pelo sindicato. A parceria garante à equipe um local coberto, estruturado e, principalmente, seguro para a prática do esporte. Elas haviam enfrentado ataques misóginos em espaços públicos.

Quadra disponível

Os filiados e as filiadas ao Sindipetro-NF têm direito à utilização da quadra de esportes da sede de Macaé. É necessário fazer reserva pelos telefones (22) 2765-9550 / (22) 99742-3547, por meio dos agendamentos disponíveis para horários de segunda a sexta-feira das 18h às 21h. Todos os jogos devem ter acompanhamento do filiado ou filiada. O sindicato estimula a utilização do espaço.

Curso de Cipa

Os diretores do Sindipetro-NF Benes Junior, Heron Franco e Marcelo Nunes participaram, no último dia 20, da etapa presencial do curso de formação da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes e de Assédio (CIPA) da Base de Imbetiba, em Macaé. A participação dos dirigentes reforça a importância da aproximação entre o Sindicato e os cipistas, que têm papel fundamental na defesa de condições seguras de trabalho e na identificação de problemas e riscos.

 

 

VOCÊ TEM QUE SABER

Protesto no Rio com participação do NF

O Sindipetro-NF, convocaram a categoria nos últimos dias para um Dia Nacional de Mobilização, nesta terça-feira (25), no Rio de Janeiro. O ato foi realizado em frente ao Edisen (Edifício Senado), no Centro, tendo como pautas o fim dos equacionamentos da Petros, um novo plano de cargos para todo o Sistema Petrobrás, uma PLR máxima e igual para todos e a continuidade e ampliação do teletrabalho.

A entidade disponibilizou ônibus de Campos dos Goytacazes e de Macaé para a participação no protesto, que ocorre em meio a uma série de pendências que vêm sendo cobradas pela FUP e pelos sindicatos desde o encerramento da greve de dezembro de 2025. Entre os compromissos assumidos pela Petrobrás estavam a negociação de um novo Plano de Cargos e Salários, a discussão das regras para as futuras PLRs e o avanço da mediação no Tribunal de Contas da União (TCU) para buscar uma solução para os Planos de Equacionamento de Déficits (PEDs) da Petros.

Plano de Cargos

A insatisfação com o Plano de Cargos ganhou novo impulso após a Petrobrás apresentar, no início de agosto, uma proposta considerada insuficiente pelas entidades sindicais. O Sindipetro-NF e a FUP defendem a construção de um novo plano integrado para todo o Sistema Petrobrás, com correção das distorções acumuladas entre os atuais planos e regras que garantam progressão profissional de forma transparente e justa.

A proposta de PLR apresentada pela Petrobrás em 14 de agosto também aumentou a insatisfação. Segundo a FUP, a proposta ficou abaixo das expectativas da categoria, não acompanhando o crescimento dos resultados da empresa, congela por dois anos o piso da PLR, estabelece diferenças entre empresas do Sistema e deixa de fora empregados da ANSA.

O Sindipetro-NF também destacou que a proposta apresentada pela empresa ficou abaixo dos resultados construídos pelos trabalhadores e precisa ser modificada nas negociações.

Equacionamentos

Outra reivindicação central é a solução definitiva para os PEDs da Petros, que continuam impactando participantes e assistidos. A FUP e as entidades que integram o Fórum em Defesa dos Participantes e Assistidos vêm cobrando a construção de uma solução que preserve os direitos dos participantes e elimine ou reduza significativamente o impacto das cobranças extraordinárias.

Em março, a Petrobrás formalizou sua corresponsabilidade e o compromisso de construir uma solução conjunta para os equacionamentos. Desde então, as entidades seguem pressionando pelo avanço das tratativas e pela mediação no TCU.

Teletrabalho

A continuidade e a ampliação do teletrabalho também integram a pauta da mobilização. A defesa do regime negociado coletivamente já vem sendo apresentada pelo movimento sindical como parte das reivindicações da categoria, ao lado do Plano de Cargos e de outras questões relacionadas às condições de trabalho.

 


NF se reúne com gerência de SMS e leva pontos críticos

O Sindipetro-NF se reuniu nesta sexta-feira (21) com a Gerência de Segurança, Meio Ambiente e Saúde (SMS) da Petrobrás na Bacia de Campos para cobrar respostas sobre questões que vêm impactando diretamente a saúde, a segurança e as condições de trabalho da categoria. Participaram da reunião os diretores do sindicato Hilton Gomes, Robson Botelho e Bárbara Bezerra. Entre os principais pontos levados pelo NF estiveram os riscos psicossociais e a saúde mental dos trabalhadores, a elaboração do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) à luz da NR-1, a necessidade de revisão dos PPPs e ASOs, as condições destinadas às mulheres nas unidades offshore e a situação do efetivo da P-40.

Um dos temas centrais da reunião foi a cobrança do sindicato sobre a forma como a Petrobrás está incorporando os fatores de riscos psicossociais ao gerenciamento dos riscos ocupacionais na Bacia de Campos. Segundo o diretor Robson Botelho, o NF questionou a empresa sobre a elaboração do PGR e sobre qual metodologia será utilizada para identificar, avaliar e gerenciar os aspectos biopsicossociais presentes no ambiente de trabalho. A Petrobrás se comprometeu a apresentar ao sindicato a modelagem que está sendo construída e como pretende realizar esse gerenciamento.

A preocupação do NF está relacionada também ao aumento dos relatos de sofrimento mental e casos de burnout entre os trabalhadores. Durante a reunião, a diretora Bárbara destacou que determinadas práticas e situações vivenciadas dentro da companhia podem funcionar como gatilhos, entre elas o desimplante, situações de assédio e acidentes graves.

Outro ponto sensível levantado foi o uso do processo de Gestão de Desempenho (GD). O sindicato deixou claro que a discussão não é sobre negociar o modelo de avaliação, mas sobre denúncias de que a ferramenta estaria sendo utilizada, em determinadas situações, como mecanismo de perseguição e punição a trabalhadores, contribuindo para o adoecimento.

Leia mais

O detalhamento da reunião sobre os demais temas tratados está disponível em matéria no site do Sindipetro-NF.

 

SAIDEIRA

Marcia Tiburi em evento do NF nesta quinta no Agosto Lilás

Como parte da programação do Agosto Lilás, mês de conscientização pelo fim da violência contra as mulheres, o Sindipetro-NF promove, nesta quinta-feira (27), às 19h, uma noite de reflexão, cultura e arte em sua sede, no Centro de Macaé. O destaque da programação será a participação da filósofa e escritora Marcia Tiburi, que fará uma aula e o lançamento de seu livro Ninfa Morta — Uma história do ódio às mulheres.

As inscrições foram abertas na última segunda-feira (link no site do NF) e são limitadas a 180 participantes, capacidade do espaço. O evento será realizado na sede do Sindipetro-NF, na Rua Tenente Rui Lopes Ribeiro, 257, Centro, Macaé.

A programação começa com a esquete teatral “O Plural Delas”, apresentada pelo Coletivo Artístico Clara. Em seguida, Marcia Tiburi conduz a atividade em torno de Ninfa Morta, abrindo espaço para o debate sobre misoginia, violência de gênero e as construções culturais que, ao longo da história, ajudaram a naturalizar diferentes formas de violência contra as mulheres.

Quem é Marcia Tiburi

Marcia Tiburi é filósofa, escritora, professora e artista visual, com uma trajetória marcada pela reflexão sobre ética, política, feminismo, democracia e violência de gênero. Autora de romances e ensaios, tornou-se também uma voz conhecida no debate público brasileiro, especialmente nas discussões sobre feminismo e enfrentamento à misoginia.

Entre seus livros estão títulos como Feminismo em Comum — Para Todas, Todes e Todos, Como conversar com um fascista e, mais recentemente, Ninfa Morta — Uma história do ódio às mulheres, publicado pela Editora Planeta.

Em Ninfa Morta, Tiburi investiga como a imagem da mulher morta foi representada e até estetizada ao longo dos séculos na arte e na cultura. A partir dessas representações, a autora constrói uma reflexão sobre o ódio às mulheres e sobre as raízes culturais da misoginia.

Cultura e música

Após a atividade com Marcia Tiburi, haverá sorteio de exemplares de seus livros entre o público presente. A programação continua com um coquetel e será encerrada com a apresentação da cantora e compositora baiana Nanny Sanfer.

 

NORMANDO

A fragmentação vira fraqueza

Carlos Eduardo Pimenta*

A disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro não é apenas um confronto direto entre dois projetos. Ela revela também como a direita brasileira consegue produzir inúmeros candidatos, mas não transformar essa quantidade em competitividade real. Lula aparece com 39%, Flávio com 33%, enquanto o terceiro colocado mal chega a 5%. A direita lança Caiado, Zema, Renan, Cury e outros, mostrando força numérica, mas incapacidade de romper a barreira criada pela própria polarização que alimenta.

Para Lula, a polarização tem efeito mobilizador. Quanto mais a eleição se apresenta como escolha entre ele e um Bolsonaro, mais o eleitor antibolsonarista se engaja. Isso reflete não apenas estratégia, mas a solidez de um projeto que atravessou décadas e construiu base social consistente. Já a direita, apesar de sua capacidade de multiplicar nomes, enfrenta o dilema de disputar espaço entre si antes de disputar com Lula.

A fragmentação vira fraqueza.

O dado mais revelador é que 30% dos brasileiros votam para impedir alguém de vencer. Entre os eleitores de Flávio, esse comportamento chega a 35%. Lula, com menor índice de voto defensivo, demonstra ter uma base mais afirmativa do que reativa. A direita, ao tentar encontrar um nome capaz de unificá-la, reforça a narrativa de que apenas Lula e Flávio são viáveis. A multiplicidade de candidatos, em vez de mostrar força, evidencia falta de direção.

A distribuição do horário eleitoral aprofunda essa assimetria. Lula terá mais de cinco minutos; Flávio, pouco mais de quatro; Caiado, dois; Cury, 35 segundos; Renan e Zema, nenhum. A direita, mesmo com presença digital intensa, não converte viralização em estrutura. Lula combina redes, televisão, palanques regionais e alianças históricas. A campanha deixa de ser horizontal e passa a depender de densidade política — algo que Lula possui e a direita tenta improvisar.

É por isso que o debate se torna crucial para os candidatos da direita que buscam espaço. E é por isso que Lula pode escolher não ir: quem lidera com base sólida não precisa correr riscos desnecessários. A pergunta central não é se existe polarização, mas porque a direita, mesmo com tantos nomes, não consegue atravessá-la.

A eleição mostra que quantidade não é sinônimo de competitividade. A direita tem muitos candidatos; Lula tem um projeto. E, enquanto essa diferença permanecer, a barreira de entrada continuará alta para quem tenta surgir como terceira via.

Por fim, apesar de o cenário atual parecer favorável a Lula, a eleição não será simples. A rejeição elevada, o voto defensivo e a capacidade da direita de produzir novos nomes mantêm o ambiente volátil. Lula entra forte, mas enfrentará uma disputa que exigirá a participação ativa de todos na defesa de um projeto democrático e progressista. Em momentos assim, o envolvimento da sociedade torna-se essencial para sustentar avanços e evitar retrocessos.

*Assessor jurídico do Sindipetro-NF e da FUP. [email protected]

 

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