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A SEMANA
Editorial
Independência só existe com soberania
Chegamos a mais um 7 de Setembro e a imagem que costuma vir à mente é a do Grito do Ipiranga. Mas a independência de um país não termina quando se proclama a separação política. Ela é uma construção permanente: é a capacidade de um povo decidir seu próprio destino, sem aceitar que governos estrangeiros ou interesses econômicos de fora determinem os caminhos que o Brasil deve seguir. Nada mais atual nestes tempos de imperialismo trumpista.
Neste ambiente marcado por disputas geopolíticas e tentativas de interferência externa, essa discussão volta com urgência. Defender a soberania brasileira significa defender o direito do nosso povo de escolher seus governantes, preservar suas instituições e decidir democraticamente os rumos do país. Soberania não significa isolamento. O Brasil deve manter relações comerciais e diplomáticas com todos, defender o multilateralismo e buscar a cooperação internacional. Mas cooperação entre países só é legítima quando existe respeito entre soberanos.
Soberania também significa ter controle sobre as riquezas que pertencem ao povo. Petróleo, água, florestas, biodiversidade, minerais estratégicos e nosso enorme potencial energético não podem ser tratados apenas como oportunidades de negócios. O pré-sal, por exemplo, representa uma das maiores riquezas do país e pode gerar empregos, fortalecer a indústria nacional, financiar ciência e tecnologia e contribuir para melhorar a vida dos brasileiros.
É justamente aí que a defesa da Petrobrás ganha dimensão estratégica. Uma empresa pública, integrada e tecnologicamente avançada é instrumento de soberania energética. A história do pré-sal demonstra isso: foram investimentos, conhecimento e tecnologia desenvolvidos por trabalhadores brasileiros que permitiram transformar reservas profundas em uma riqueza concreta.
Viva o Brasil, viva o povo brasileiro, que não vai abaixar a cabeça. Defender a democracia, a Petrobrás e as riquezas brasileiras é parte dessa luta pela independência.

Manifesto da P-62 reforça luta do PCR
O Sindipetro-NF recebeu um manifesto assinado por cerca de 30 petroleiros e petroleiras da plataforma P-62, na Bacia de Campos, com críticas à proposta de novo Plano de Cargos e Remuneração (PCR) apresentada pela Petrobrás e à possibilidade de terceirização dos Técnicos de Segurança do Trabalho offshore. No documento, os trabalhadores afirmam que a proposta de novo PCR não representa ganhos para a categoria e apontam, entre outros problemas, a existência de regras consideradas obscuras e subjetivas. O NF segue na luta pelo Plano de Cargos justo.
LightHouse
O Sindipetro-NF convocou nesta semana os trabalhadores da empresa LightHouse – SMS Consultoria e Treinamento para participarem da Assembleia online, na quinta-feira (03), às 16h. A assembleia tem como pauta a apreciação proposta de aditivo ao ACT 2026-2027. A assembleia será seguida de votação por 24 horas.
Artigo na Carta
Em artigo publicado na revista Carta Capital, os pesquisadores do Ineep, Ticiana Alvares, Mahatma Ramos e Francismar Ferreira destacam o quanto é estratégico assegurar que a renda petroleira fomente um desenvolvimento capaz de ampliar a justiça social e climática e reduzir desigualdades regionais. Leia em cartacapital.com.br.
Categoria em luto por três perdas em menos de uma semana
A semana passada foi de luto para a categoria petroleira na região, com as perdas de três companheiros. Na última quarta-feira (26), Luiz Fernando Silva Tavares, de 38 anos, foi encontrado morto a bordo da plataforma P-76, localizada no Campo de Búzios. Segundo as informações levantadas pelo sindicato, o trabalhador que prestava serviço como segurança patrimonial para a empresa Graber Sistema de Segurança, não se apresentou no horário previsto para o início de sua jornada. Ao perceber sua ausência, um colega foi até o camarote na UMS Praia da Tartaruga, acreditando que ele pudesse ter perdido a hora, e o encontrou sem vida.
Também na quarta-feira (26), o Sindipetro-NF recebeu a notícia do falecimento do petroleiro aposentado Cordiolano Fernando da Silva, aos 77 anos, em decorrência de complicações pulmonares. O sepultamento foi realizado em Macaé, cidade onde residia. E na segunda-feira (24), a entidade foi informada da morte do aposentado Nevy Oliveira Lemes, aos 90 anos. O sepultamento foi realizado em Campos dos Goytacazes.
O sindicato manifestou em seu site e reforça aqui no Nascente as suas condolências aos familiares, amigos e colegas de trabalho dos companheiros.
VOCÊ TEM QUE SABER
Após cobranças, RH prevê pagamentos
A Petrobrás informou à FUP, na última sexta-feira (28), que estão sendo adotados os procedimentos técnicos necessários para viabilizar o pagamento do Repouso Semanal Remunerado (RSR) sobre as horas extras relacionadas à rubrica “Dia do Desembarque”. Segundo a empresa, a previsão é de que os valores devidos sejam pagos de forma retroativa até dezembro de 2026.
A comunicação foi formalizada pela área de Recursos Humanos da Petrobrás por meio da carta RH/RS 167/2026, encaminhada à FUP. No documento, a empresa afirma que está implementando uma solução tecnológica, de acordo com seus normativos internos e com as disposições do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) vigente, para permitir que o RSR incida, na folha de pagamento, sobre as horas extras eventualmente relacionadas ao Dia do Desembarque.
A informação ocorre após a cobrança do movimento sindical para que a empresa efetivasse o pagamento. No início deste mês de agosto, o coordenador-geral do Sindipetro-NF, Sérgio Borges, havia reforçado publicamente a necessidade de cumprimento do acordo e do pagamento aos trabalhadores.
O coordenador lembrou de conquistas como o vale mercado e o reembolso das passagens aéreas, que também demoraram para ser implementadas pela Petrobrás e foi necessária muita cobrança.
“A luta sempre vem em duas etapas: primeiro para conquistar e trazer para o acordo coletivo, depois para fazer pagar”, afirmou Borges.
O pagamento do RSR sobre o Dia do Desembarque é uma das conquistas da mobilização e da força da categoria petroleira na Greve de 2025. A formalização feita agora pela Petrobrás representa, portanto, mais um passo na implementação de uma reivindicação construída pela organização dos trabalhadores e incorporada às negociações com a empresa.
O Sindipetro-NF seguirá acompanhando o cumprimento do compromisso e cobrando que a implementação seja concluída.

PEC do Fim da 6×1 deve ser votada na CCJ nesta quarta
Das Imprensas da CUT e do NF
A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala 6×1 e reduz a jornada de trabalho deve ser votada nesta quarta-feira (2) pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado Federal. A análise da proposta é um passo necessário para que o texto avance para o Plenário da Casa e ocorre após meses de pressão do movimento sindical pela aprovação da medida.
Para a categoria petroleira, além da redução atingir a alguns segmentos nas empresas do setor privado e de ser uma questão de solidariedade da classe trabalhadoras, cria um ambiente favorável à ampliação das defesas pela implementação da escala 14×21 para todos os petroleiros e petroleiras.
A pressão sobre os senadores começou nesta semana com manifestações no domingo (30) em várias capitais brasileiras, em atos convocados pela CUT, demais centrais sindicais e movimentos populares. As mobilizações reforçaram a pressão sobre o Congresso Nacional para que os parlamentares aprovem a proposta e avancem na construção de uma jornada de trabalho que garanta mais tempo de descanso, convivência familiar e qualidade de vida para os trabalhadores e trabalhadoras.
Para esta terça-feira (01) foi convocada uma Ação Nacional nas Redes e na plataforma Na Pressão, com mobilização durante todo o dia pela votação da proposta. A orientação foi reforçar nas redes sociais as mensagens “Vota Senado! Vota já, Senado!”, utilizando as hashtags #FimDa6x1 e #ReducaoDaJornadaJa.
Mudanças
Mesmo que a proposta seja aprovada e promulgada durante o esforço concentrado do Congresso antes das eleições, as mudanças previstas não serão imediatas. O texto aprovado pela Câmara estabelece um período de transição para a redução da jornada e a garantia de dois dias de descanso por semana. Pela proposta, a aplicação das novas regras começa 60 dias após a aprovação da PEC. O atual limite constitucional de 44 horas semanais será reduzido inicialmente para 42 horas.
Depois de 14 meses da promulgação, a jornada será novamente reduzida, chegando a 40 horas semanais. A proposta também garante dois dias de descanso por semana, mudança que, na prática, encerra a atual lógica da escala 6×1.
NOTA OFICIAL
Esclarecimento sobre apreensão de recursos do Sindipetro-NF
O Sindipetro-NF informa à categoria petroleira e à sociedade em geral que se mantém à disposição das autoridades para qualquer esclarecimento em relação à apreensão pela Polícia Federal de valores em espécie, pertencentes à entidade, nesta sexta-feira (28), em Campos dos Goytacazes.
Como a entidade informou em nota à imprensa, enviada no dia do ocorrido aos veículos de comunicação, a quantia apreendida provém de recursos próprios do Sindipetro-NF, tem origem lícita, está contabilizada e seu saque, por meio de cheque, resulta de procedimento administrativo adotado pela entidade desde 1995, e efetuado próximo aos meses de setembro de cada ano, quando da data-base dos trabalhadores do Sistema Petrobras.
Esses recursos em espécie são destinados ao custeio de gastos da categoria petroleira durante as campanhas reivindicatórias e em despesas correntes da entidade.
A origem dessa prática de saque de recursos se deu quando da repressão às greves dos petroleiros no governo FHC, ocasião em que contas bancárias e patrimônio imóvel da entidade foram arbitrariamente bloqueados pelo Poder Judiciário.
O sindicato possui todas as comprovações de que estes saques fazem parte de uma rotina legal e transparente. Todas essas movimentações são rigorosamente verificadas e aprovadas, tanto pelo Conselho Fiscal do sindicato quanto por assembleia da categoria.
As trabalhadoras abordadas pela Polícia Federal estavam no exercício de suas atribuições profissionais, cumprindo, de modo correto e lícito, tarefa administrativa determinada pela entidade. A elas, o sindicato manifesta solidariedade em virtude do desgaste emocional causado pela abordagem policial.
O Sindipetro-NF colabora integralmente com a Polícia Federal e confia que, após a análise da documentação, ficará demonstrada a lisura de suas práticas.
Diretoria do Sindipetro-NF
31 de agosto de 2026
SAIDEIRA

Uma história de objetificação, silenciamento e apagamento
O Sindipetro-NF promoveu, na noite de quinta-feira (27), em sua sede, no Centro de Macaé, uma programação especial do Agosto Lilás, mês de conscientização e enfrentamento à violência contra as mulheres. O evento reuniu reflexão, literatura, teatro e música, tendo como destaque a palestra da filósofa e escritora Marcia Tiburi, autora do livro Ninfa Morta — Uma história do ódio às mulheres.
O evento teve início com saudações das diretoras do Sindipetro-NF, Carmen Lúcia da Silva, Jancileide Morgado, Eliane Pinto e Bárbara Bezerra, além do Coordenador da Entidade Sérgio Borges, que destacou a importância da campanha Agosto Lilás diante dos recentes casos de violência contra as mulheres registrados na região.
Serginho afirmou que o enfrentamento ao machismo e ao feminicídio é uma responsabilidade de toda a sociedade, especialmente dos homens, que devem combater atitudes e discursos machistas no cotidiano. Ele também encorajou as mulheres a denunciarem os primeiros sinais de agressão e colocou o Sindicato à disposição para acolher, orientar e ampliar esse debate. Em seguida, um esquete do Coletivo Artístico Clara retratou duas cenas fortes de violência contra a mulher, que deixaram impactados os presentes.
A palestra foi mediada pela diretora Carmem Lucia e logo no início Márcia Tiburi apresentou algumas das principais questões discutidas na obra, que investiga como a cultura, a literatura, as artes e outras formas de produção simbólica contribuíram, ao longo da história, para a objetificação, o silenciamento e o apagamento das mulheres.
A filósofa explicou que a figura da “ninfa morta” representa a transformação da mulher em objeto idealizado e subordinado ao olhar masculino. Nesse sistema, segundo ela, o homem ocupa o lugar de sujeito e de valor, enquanto a mulher é tratada como objeto e como um “não valor”.
“A ninfa morta nada mais é do que uma imagem emblemática, objetificada e idealizada, que serve ao prazer e ao olhar masculino”, afirmou, Tiburi.
NORMANDO
Campanha e Congresso
Carlos Eduardo Pimenta*
A conjuntura política recente revela que a disputa eleitoral já não se limita ao terreno das campanhas. Ela se desenrola simultaneamente no palco institucional, onde governo e Congresso negociam entregas, e na arena pública, onde candidatos buscam consolidar suas imagens perante o eleitorado. Nesse contexto, as sabatinas de Lula e o acordo construído com o Congresso Nacional aparecem como dois movimentos complementares de uma mesma estratégia política.
As sabatinas cumprem a função de projetar a figura do candidato. São momentos de exposição intensa, nos quais o desempenho individual, a capacidade de argumentação e o controle narrativo se tornam fundamentais. Já a articulação com o Congresso busca fortalecer a imagem do presidente em exercício, oferecendo resultados concretos para apresentar ao eleitorado. Não basta parecer preparado para governar; é preciso demonstrar que o governo entrega.
A coincidência temporal entre esses acontecimentos dificilmente pode ser vista como obra do acaso. O calendário político funciona como um elemento central da estratégia. Com sabatinas realizadas em sequência, estreia da propaganda eleitoral e esforço concentrado no Legislativo, todos os atores parecem operar sob a lógica da maximização do tempo disponível até outubro.
Mais interessante, porém, é o que essa semana revelou sobre o funcionamento das instituições brasileiras. Frequentemente se repete a ideia de que anos eleitorais produzem necessariamente um Congresso paralisado, incapaz de avançar em pautas relevantes. Os acontecimentos recentes colocam essa tese em xeque.
Quando projetos chegam à semana de votação com relatoria definida e negociações previamente concluídas, fica evidente que a atividade legislativa depende menos de fatalidades institucionais e mais de decisões políticas.
Isso não significa ausência de conflito. Pelo contrário, o que ocorreu foi a demonstração de que Executivo e Legislativo podem cooperar quando identificam ganhos recíprocos. A governabilidade, nesse sentido, não surge da harmonia entre os Poderes, mas da convergência circunstancial de interesses.
Além disso, o episódio evidencia como a política brasileira opera em camadas simultâneas. Enquanto o governo busca consolidar sua base e garantir vitórias no Congresso, os candidatos se movimentam para ocupar espaços de visibilidade e moldar percepções. A disputa eleitoral, portanto, não se resume ao embate direto entre adversários, mas envolve também a capacidade de cada ator de influenciar o ambiente institucional no qual a campanha se desenrola.
Esse entrelaçamento entre campanha e governo revela um traço estrutural da política nacional: em momentos decisivos, ambas se retroalimentam. O governo precisa de resultados para fortalecer sua narrativa, e a campanha se beneficia de um ambiente institucional minimamente estável. Quando esses elementos se alinham, o sistema político mostra que, apesar das tensões, ainda é capaz de produzir coordenação.
*Assessor jurídico do Sindipetro-NF e da FUP. [email protected]
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