NF participa de ato nacional contra a demissão de trabalhadores da Fafen

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Representantes do Sindipetro-NF participaram na manhã desta sexta-feira (17) do ato nacional em Araucária, no Paraná, em frente à Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados (Fafen), que está na iminência de ser fechada pela gestão da Petrobrás e já anunciou a demissão sumária de cerca de 1.000 trabalhadores da unidade.

Os diretores presentes são: André Coutinho, Rosangela Buzanelli, Claudio Nunes e Tadeu.

“Esse ato é uma demonstração de que os trabalhadores e trabalhadoras resistirão a esse desmonte da empresa nacional, esse desmonte dos direitos dos trabalhadores. A Fafen ao contrário do que se propagada pela Petrobras e pela mídia não é deficitária, o que a torna deficitária é a política desse Governo fascista de praticar preços de insumos internacionais. Não podemos deixar que isso aconteça. Precisamos nos unir” reforçou a diretora Rosângela Buzanelli.

O coordenador Tezeu Bezerra participou da mobilização na entrada da LUBNOR (Fortaleza- CE) e também reforçou a importância da resistência dos trabalhadores e trabalhadoras.

“Essa é uma mobilização nacional. Somos contra a demissão dos companheiros da Fafen. A Petrobrás tem mercado garantido no mercado de fertilizantes. Então, vamos lutar juntos porque juntos somos mais fortes”, frisou Tezeu.

Segundo o presidente do Sindipetro-PR/SC, Mário Dal Zot, a gestão da Petrobrás faz uma manobra contábil para tentar justificar o fechamento da Fafen, afetando a vida das mil famílias de trabalhadores da unidade e ignorando os impactos econômicos que esta decisão terá para a região de Araucária. “A empresa mente descaradamente ao afirmar que a Fafen dá prejuízo. Isso não acontece em hipótese alguma, pois a fábrica utiliza como matéria prima o RASF, um refugo da Repar (refinaria da Petrobrás em Araucária), ao qual agrega valor, transformando em ureia, um fertilizante do qual o Brasil é extremamente dependente”, explica.

 

Impactos na economia

Inaugurada em 1982, a Araucária Nitrogenados (Fafen-PR) tem capacidade de produção diária de 1.975 toneladas de ureia, 1.303 toneladas de amônia e 450 metros cúbicos de ARLA 32. A planta produz ainda 200 toneladas por dia de CO2, além de 75 toneladas de carbono peletizado e seis toneladas de enxofre.

Com o fechamento da fábrica, o Brasil terá que importar 100% dos fertilizantes nitrogenados que consome. Além disso, o país ficará dependente da importação de ARLA 32, reagente químico usado para reduzir a poluição ambiental produzida por veículos automotores pesados.

O Brasil é o quarto maior consumidor de fertilizantes do mundo e, com o desmonte da Petrobrás, tornou-se ainda mais dependente das importações, o que compromete a soberania alimentar. O país importa mais de 75% dos insumos nitrogenados, na direção contrária de outras grandes nações agrícolas, cujos mercados de fertilizantes estão em expansão.

“Com a Petrobrás saindo do setor de fertilizantes nitrogenados e ainda se sujeitando aos movimentos políticos dos EUA, o Brasil corre o risco de desabastecimento de fertilizantes. E isso tem impacto direto na alimentação. A ureia é utilizada na pecuária, na produção de cana, feijão e batata, que são alimentos básicos do povo”, alerta Gerson Castellano.

Soma-se a isso, os prejuízos que a desativação da Fafen-PR terá para o município de Araucária, que sofrerá uma redução de R$ 75 milhões anuais em arrecadação. Serão menos fertilizantes produzidos no Brasil e mais importação, com mais riscos à soberania alimentar e, provavelmente, aumento nos preços dos produtos agrícolas.