NF pressiona Petrobrás e empresa sinaliza negociação sobre escalas nas plataformas P-26 e P-33

O Sindipetro-NF cobrou da Petrobrás, em reunião realizada no último dia 18, o tratamento adequado das situações enfrentadas por trabalhadores das plataformas P-26 e P-33, atualmente atracadas no Porto do Açu. As denúncias envolvem mudanças de escala, possíveis transferências e o descumprimento de cláusulas do Acordo Coletivo.

De acordo com o coordenador-geral do sindicato, Sérgio Borges, a entidade questionou a forma como o processo vem sendo conduzido pela empresa, considerada inadequada e sem o devido diálogo com os trabalhadores.

“Levamos para a reunião todas as denúncias recebidas. Questionamos o formato adotado, que desrespeita o Acordo Coletivo, especialmente no que diz respeito à negociação prévia sobre deslocamentos e às regras para plataformas acostadas”, afirmou.

Segundo o dirigente, a Petrobrás justificou as mudanças como uma determinação corporativa, baseada em parecer jurídico interno que limita a seis dias as escalas em terra. No entanto, o sindicato contestou a aplicação dessa lógica às plataformas atracadas, que operam em regime de confinamento e não se enquadram no modelo convencional de trabalho em terra.

“Não dá para comparar um turno comum em terra com o modelo aplicado nas plataformas acostadas. É um regime diferenciado, de confinamento, que exige tratamento específico e negociação com os trabalhadores”, destacou Borges.

Outro ponto central do debate foi o descumprimento da cláusula de realocação prevista no acordo coletivo. Segundo o sindicato, essa foi a principal questão que sensibilizou a empresa a rever sua posição.

“A partir dessa cobrança, a empresa se comprometeu a ganhar tempo para que possamos negociar melhor essas situações. Não há garantia de mudança imediata, mas houve sinalização positiva para tratar caso a caso”, explicou.

Durante a reunião, também foram discutidas as consultas realizadas com os trabalhadores sobre mudanças de escala. A Petrobrás afirmou que os formulários têm caráter de levantamento e não de imposição, buscando mapear a disposição dos empregados diante das alterações propostas.

Ainda assim, o sindicato reforçou que qualquer mudança deve passar por negociação formal. A empresa indicou que trabalhadores que enfrentarem dificuldades poderão ser realocados, inclusive para unidades offshore, evitando prejuízos individuais.

“Eles sinalizaram que não vão manter ninguém em um regime que não consiga cumprir e que estão dispostos a negociar as realocações. Isso é um avanço, fruto da pressão do sindicato”, afirmou Borges.

O Sindipetro-NF seguirá acompanhando o tema e reforça a orientação para que os trabalhadores não aceitem mudanças unilaterais, mantendo contato com a entidade para relatar situações e garantir que seus direitos sejam respeitados.