Operação Ouro Negro interdita parcialmente FPSO Campos dos Goytacazes da Modec

Compartilhar no facebook
Compartilhar no google
Compartilhar no twitter
Compartilhar no whatsapp

Os Auditores  Fiscais do Trabalho interditaram parcialmente no dia 4 de julho alguns equipamentos do FPSO Campos dos Goytacazes da Modec , que opera para Petrobras em parceria com a Shell. Os principais motivos para a interdição foram o não cumprimento das  NR´s e a demora na execução de manutenções apontadas como críticas em relatórios.

Motivos da Interdição

Questões Elétricas

EPI´s – Houve falta de controle dos equipamentos de proteção individual, o que levou ao vencimento dos mesmos, e também foi identificado que os EPI’s de proteção a alta tensão NR-10 eram compartilhados entre os trabalhadores. Isso não é permitido, devido ao risco de transmissão de infecções.

Itens considerados críticos em inspeções e termografias – Os fiscais observaram painéis elétricos com falta de aterramento e com termografias consideradas críticas, porque estavam há meses sem manutenção.

A falta de aterramento pode permitir que descargas elétricas desses sistemas atinjam as pessoas e as termografias indicam os circuitos que estão em possível sobrecarga e superaquecidos. podendo vir a provocar curto circuitos que podem gerar incêndios

Emissão de Permissões para o Trabalho – Foram encontradas itens proibidos pela NR-34 e  todos os serviços foram interditados. Ficaram liberados apenas serviços emergenciais que atinjam diretamente a habitabilidade e a segurança das pessoas a bordo.

O  problema mais grave encontrado foi um  documento com indícios de adulteração, porque foi apresentado aos auditores por meio digital de uma forma diferente da que estava impressa.

Essa é a segunda vez que a Modec é notificada em relação ao procedimento de emissão de PT´s, a primeira foi durante auditoria realizada no FPSO Fluminense.

Empresas preferem decumprir normas

O diretor do Sindipetro-NF, Alexandre Vieira, alerta que as vidas humanas são consideradas baratas para as empresas. ” A indenização por uma vida hoje é limitada em  50 vezes o salário, esse custo é mais barato para os empresários do que a paralisação de uma unidade ou de serviços”.

Um exemplo claro disso foi o que ocorreu em Mariana e em Brumadinho, onde centenas de pessoas morreram.  “As empresas somente enxergam cifrões, não pensam que a auditoria previne acidentes, por fazer uma análise crítica dos processos e paralisar as atividades que estejam descumprindo as normas ou representando riscos às pessoas. Agora imagine essa impunidade, somada ao fato dos Auditores Fiscais do Trabalho perderem a capacidade de interditar as empresas como quer o governo Bolsonaro?” – questiona o diretor sindical.