Petrobrás investe apenas pouco mais de 1/3 do programado

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[Monitor Mercantil] Em 2021, o investimento dos governos totalizou 2,05% do PIB, segundo menor índice da série histórica que começou em 1947. Apenas em 2017 o Estado investiu menos (1,94% do PIB). Os dados são do Observatório de Política Fiscal do FGV Ibre e incluem o governo central, estados, municípios e as estatais federais.

“Determinante para essa queda foi o desempenho dos investimentos das empresas estatais, que atingiram o menor valor da série histórica”, destaca o Observatório.

Em especial, a Petrobras, que responde por 91% dos R$ 137,6 bilhões programados para serem executados ano passado. A maior companhia brasileira havia previsto investimentos de R$ 126,1 bilhões, porém foram investidos apenas R$ 47,8 bilhões, 38% do programado.

Foi a pior execução. O grupo Eletrobras aplicou 57,4% do previsto; demais empresas do setor produtivo, 49,5%; e o setor financeiro, 47%. No total, o investimento realizado pelas estatais se limitou a R$ 54,1 bilhões. Historicamente, os percentuais de aplicação tendem a ser superiores a 90%, informa o Observatório.

Não foi por falta de recursos, já que a Petrobras teve lucro recorde de R$ 106,6 bilhões em 2021 e destinou R$ 100 bilhões para os acionistas na forma de dividendos e juros sobre capital próprio (JCP). A Petrobras divulgará o seu Relatório de Produção e Vendas do primeiro trimestre de 2022 nesta quarta-feira.

Em recente entrevista ao Programa Faixa-Livre, a geóloga Patrícia Laier criticou a política do GovernoBolsonaro para a Petrobras. A geóloga, que é integrante da diretoria da associação dos engenheiros da estatal (Aepet), afirmou que a companhia está cada vez mais distante da missão para a qual foi criada. “Hoje, a Petrobras está voltada para o mercado financeiro, privilegiando acionistas estrangeiros, em detrimento das políticas desenvolvimentistas.”

A série histórica do Observatório da FGV divulgou novas estatísticas de investimento. Uma se refere aos fluxos líquidos de investimentos desde 2010, que se refere à diferença entre despesas brutas com investimentos e as vendas de ativos não financeiros. Para 2021, o valor total atingiu 1,18% do PIB sendo o segundo mais baixo desde 2010. Para o Governo Federal essa estatística atingiu 0,16% do PIB, o valor mais baixo da série histórica.

Com esse desempenho, o investimento líquido da depreciação do governo geral segue negativo, desde 2015, e atingiu uma perda de estoque de capital de R$ 30,9 bilhões em 2021 o que equivale a -0,36% do PIB. Ou seja, na prática, o governo gera um desinvestimento.