Petrobrás mantém postura negacionista em reunião da EOR. Confira o que foi debatido

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A FUP e os Sindipetros participaram, no último dia 15, de reunião da Estrutura Organizacional de Resposta (EOR), da Petrobrás, que acompanha as ações da companhia em relação à pandemia da Covid-19. O Sindipetro-NF foi representado pelo diretor Alexandre Vieira, que coordena o Departamento de Saúde da entidade.

O sindicalista preparou para a Imprensa do NF um resumo das discussões na EOR. Ele destaca que a empresa insiste em uma postura negacionista ao não cobrar a obrigatoriedade da vacina, além de pressionar pelo retorno de 100% da força de trabalho de modo presencial em janeiro.

Confira os pontos debatidos:

Apresentação dos números referentes à Covid-19 no Sistema Petrobrás

Apesar de divulgar os dados gerais e alguns recortes de dados, a empresa continua a limitar o acesso aos dados epidemiológicos por local de trabalho, o que oculta o real impacto da pandemia nas unidades. Há uma grande diferença entre dizer que temos 7 casos na Petrobrás no estado do Rio de Janeiro e dizer exatamente onde se detectou estas infecções. A distribuição em várias unidades ou a concentração destes casos em uma única unidade é o que pode aumentar ou não a preocupação.

Obrigatoriedade da vacinação

A irresponsabilidade dos gestores está prevalecendo sobre a ciência. Apesar da Petrobrás ser uma empresa de tecnologia de ponta, com profissionais capacitados, estes rasgam seus diplomas e se sujeitam aos devaneios anti-ciência dos gestores negacionistas ao não seguirem a lógica científica, deixando como opcional e não como a obrigatória a vacinação de seus trabalhadores. É extremamente lamentável para uma empresa que trabalha com tecnologia, ou seja, ciência aplicada. Emitir uma nota informando, que única e exclusivamente por força de determinação da RDC 584/2021 da Anvisa é que será obrigatória a vacinação para embarcar nas unidades offshore. Como se isso não fosse vergonhoso o bastante, a Petrobrás faz questão de reafirmar no final de sua nota que essa obrigação se dá por força da Anvisa e não por decisão da companhia.

Certamente a empresa irá argumentar que 98% dos seus trabalhadores próprios estão vacinados e que incentiva a vacinação. Mas a falta de vontade de proteger não só os trabalhadores como, consequentemente, a população em geral, está implícita na nota da companhia.

Essa postura de um discurso de preocupação, mas uma atuação rasa, não é mais uma surpresa. Já que, em inúmeras ocasiões a empresa somente agiu por pressão do sindicato e órgãos de fiscalização como o MPT. Como por exemplo do início da distribuição de máscaras comuns e de máscaras PFF-2.

Ainda sobre a Covid-19 foi questionado pela FUP os critérios utilizados para determinar a imunização. A empresa respondeu que estava considerando a segunda dose, mas que estaria também em implementação a inclusão da dose de reforço como critério.

Vacinação Contra a Gripe

Também tivemos uma preocupação sobre a questão da vacinação contra a gripe. Visto os surtos de Influenza no Brasil em especial no Rio de Janeiro e em algumas plataformas, em que ocorreram desembarques de suspeitos de Covid, que depois foram descartados.

A FUP solicitou que, conforme a empresa realizou no passado, que seja realizada a vacinação nos aeroportos e bases pela própria Petrobrás, tanto para empregados próprios quanto terceiros. O médico do trabalho Ricardo Garcia, que assessora o Sindipetro-NF, ressaltou que a doença está gerando preocupação a ponto de, por exemplo, a prefeitura do Rio de Janeiro criar seis centros de referência para atendimento.

Retorno ao trabalho presencial

Questionamos sobre o calendário atual e sua implantação. A companhia informou que mantém o retorno de 100% do efetivo em janeiro, inclusive os com grupos de risco com comorbidade e deficientes físicos.

A FUP questionou essa decisão, argumentando que a pandemia ainda não acabou e que os trabalhadores do grupo de risco continuam com maior risco de morte se contaminados. A FUP considera prematuro o retorno de 100% do efetivo para as atividades presenciais, principalmente quando se leva em conta a possibilidade de agravamento do cenário epidemiológico devido às festas de final de ano e a não realização de testagem, que deveria ser universal como protocolo de prevenção de disseminação.

Por isso, foi solicitado que se atrase por ao menos 15 dias o retorno dos trabalhadores que não fazem parte do grupo de risco. E, no caso dos pertencentes ao grupo de risco, que seja mantida a restrição do retorno dos mesmos enquanto perdurar o estado de emergência mundial, ou que seja criado um grupo de alto risco. A empresa ficou de avaliar a demanda.

Apresentação dos casos identificados recentemente como surto nas plataformas

Foi confirmada a ocorrência de desembarques devido a suspeita de contaminação por Covid nas unidades offshore. Contudo, a maioria dos resultados deu negativo para a doença. O que foi confirmado pelas denúncias recebidas pela FUP.

Este fato confirma a necessidade de que se dê atenção à epidemia de gripe em curso. E que não sejam reduzidos os cuidados na prevenção.

O baixo número de casos confirmados também demonstra a eficácia das vacinas contra a Covid e reforça a necessidade da obrigatoriedade.

Passaporte de entrada nas Unidades Administrativas

Foi criticada pela FUP a fragilidade do auto-preenchimento do passaporte pelos usuários, sem que o mesmo minimamente tenha uma regularidade de testagem. Foi solicitado pela Federação que minimamente seja incluída a necessidade de inclusão da informação sobre o estado vacinal dos trabalhadores.

Reunião integrada das empresas do sistema Petrobrás

A FUP solicitou que à EOR fossem integradas todas as empresas do sistema, para que assim ocorresse uma integração regular. Contudo, a Petrobras informou a vontade de encerrar com a reunião da FUP com a EOR central.

A FUP argumentou que essa decisão não seria o melhor caminho para o combate a uma pandemia ainda em curso. Pois o mais adequado nesse sentido é manter a uniformidade nas ações de todo o sistema. A Federação solicitou a revisão da posição da companhia.