Setorial com Técnicos de Segurança debate denúncias de terceirização na Bacia de Campos

O Sindipetro-NF realizou, na noite da última quarta-feira (28), uma reunião setorial on-line com Técnicos de Segurança do Trabalho da Petrobras, às 19h, que reuniu mais de 50 profissionais da categoria. O encontro teve como objetivo apurar denúncias recebidas pelo sindicato sobre um possível processo de terceirização da atividade de segurança no Campo de Roncador, levantando sérias preocupações quanto à preservação da segurança nas unidades.

A reunião foi coordenada pelo coordenador geral do Sindipetro-NF, Sérgio Borges, e contou também com a participação dos diretores Marcelo Nunes, Bárbara Bezerra, Alessandro Trindade, Cleverton Resende, Alexandre Vieira e Anderson Gonçalves.

Segundo Borges, as denúncias começaram a surgir logo após a greve da categoria, quando trabalhadores relataram que o gerente local de SMS de Roncador teria informado, em reunião interna, que técnicos de segurança próprios da Petrobras poderiam ser substituídos por trabalhadores contratados em situações específicas, o que caracterizaria um processo de terceirização de uma atividade hoje totalmente primerizada.

Durante a setorial, os técnicos relataram preocupações graves com a segurança operacional, especialmente em função da possível contratação de prestadores de serviço. Entre os principais pontos levantados estão a falta de transparência sobre o contrato, seus custos e condições; problemas de capacitação dos trabalhadores contratados; e relatos de embarques de profissionais sem certificação adequada para a função.

Outro ponto de forte preocupação foi a alta rotatividade desses trabalhadores terceirizados, muitos realizando o primeiro embarque, o que exige uma capacitação diferenciada. Os participantes também denunciaram que técnicos próprios da Petrobras estariam sendo obrigados a treinar e acompanhar trabalhadores contratados, por meio de programas de mentoria ou tutoramento, mesmo diante da constante troca desses profissionais entre unidades.

Os técnicos ainda alertaram para fragilidades nos procedimentos de gestão de mudança, falhas na padronização de protocolos e o risco ampliado de assédio a bordo, situação que tende a se agravar quando a atividade é exercida por trabalhadores terceirizados, com menor autonomia e proteção.

As informações apresentadas durante a reunião reforçam preocupações já levantadas pelo sindicato em encontros anteriores com o SMS e o RH e qualificam as denúncias que poderão ser encaminhadas pelo Sindipetro-NF ao Ministério Público do Trabalho (MPT), à Marinha e à Agência Nacional do Petróleo (ANP). Segundo os trabalhadores, diversos protocolos internos da Petrobras e normas externas de segurança podem estar sendo descumpridos com essa mudança.

Além das denúncias, os participantes apresentaram propostas de mobilização, que serão debatidas em reunião da diretoria do Sindipetro-NF. Para o sindicato, a alta participação na setorial reafirma o compromisso dos Técnicos de Segurança com a luta sindical e com a defesa da vida, além de demonstrar que a mobilização da categoria segue forte após a greve. O Sindipetro-NF informou que novas reuniões setoriais serão realizadas e destacou que o processo de mobilização já começou de forma intensa